sexta-feira, julho 25, 2008

DHAMMAPADA, STUART HALL, RICOEUR, MASLOW, LUIZ GOMES LANA EDUCAÇÃO & RESPONSABILIDADE CIVIL DA PROPRIEDADE


NATUREZA HUMANA –[...] Não existem seres humanos perfeitos! Pode-se encontrar pessoas quesão boas, realmente muito boas, na verdade excelentes. Existem, na realidade, criadores, videntes, sábios, santos, agitadores e instigadores. Este fato, com certeza pode nos dar esperança em relação ao futuro da espécie, mesmo considerando que pessoas deste tipo são raras e não aparecem às dúzias. E, ainda assim, estas mesmas pessoas às vezes podem ser aborrecidas, irritantes, petulantes, egoístas, bravas ou deprimidas. Para evitar a desilusão com a natureza humana, devemos antes de mais nada abandonar nossas ilusões a este respeito. [...]. Trecho extraído da obra Motivação e personalidade (Harper and Row, 1970), do médico e psicólogo estadunidense Abraham Maslow (1908-1970). Veja mais aqui, aqui e aqui.


DITOS & DESDITOS - Se não se sabe o que significa a prova da memória na presença viva de uma imagem das coisas passadas, nem o que significa partir em busca de uma lembrança perdida ou reencontrada, como se pode legitimamente indagar a quem atribuir esta prova e esta busca? Pensamento do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU - Para nós, que somos os irmãos maiores do homem branco, Yebá-gõãmideu o poder da memória, a faculdade de guardar tudo na memória, os cantos, as danças, as cerimônias, as rezas para curar as doenças... Nós guardamos tudo isso na nossa memória! Nosso saber não está nos livros! Mas ao branco, que foi o último a sair da Canoa-de-Transformação, ele deu o poder da escrita. Com os livros, ele poderia obter tudo o que ele precisaria, ele havia dito. É por isso que o homem branco chegou na nossa terra com a escrita, com os livros. Assim, Yebá-gõãmihavia dito! Depoimento de Luiz Gomes Lana, indígena da etnia Desana.

DIÁSPORA – [...] A cultura é uma produção. Tem sua matéria- prima, seus recursos, seu “trabalho produtivo”. Depende de um conhecimento da tradição enquanto “o mesmo em mutação” e de um conjunto efetivo de genealogias. Mas o que esse “desvio através de seus passados” faz é nos capacitar, através da cultura, a nos produzir a nós mesmos de novo, como novos tipos de sujeitos. Portanto, não é uma questão do que as tradições fazem de nós, mas daquilo que nós fazemos das nossas tradições. Paradoxalmente, nossas identidades culturais, em qualquer forma acabada, estão à nossa frente. Estamos sempre em processo de formação cultural. A cultura não é uma questão de ontologia, de ser, mas de se tornar. [...]. Trecho extraído da obra Da Diáspora: identidades e mediações culturais (UFMG, 2003), do teórico cultural e sociólogo jamaicano Stuart Hall (1932-2014). Veja mais aqui.

AURORA
 
Eu quero aurora dos meus olhos
Viver a eclosão do dia
Este parto retratado
No rastro meu que se vadia
Pra lá das mãos, pra lá do mar
Nas veredas deste céu que vai além do meu cantar, da minha voz
Que traz este céu que desvirgina as entranhas do meu corpo
Que se perde pelos vales
E só me resta seguir, ir
Nas veias mornas da manhã
Até abrir as comportas do meu coração.
(Aurora, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.


DHAMMAPADA – [...] Evitem esses dois extremos, monges. Quais? Por um lado, a indulgência baixa, vulgar, ignóbil e inútil pela paixão e pelo luxo; por outro, a dolorosa, ignóbil e inútil prática da autotortura e da mortificação. Tomem o Caminho Intermediário aconselhado pelo Buda, pois ele conduz à compreensão e à paz, à sabedoria e à iluminação [...]. Trecho extraído da obra Dammapada: o caminho da sabedoria do Buddha (Mosteiro Budista Treravada, 2013), do escritor e monge budista Acharya Buddhrakkhita (1922-2013). Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO – [...] A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo, mas também por ser ela própria um lugar onde põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento, iniciativa, liderança, participação nas decisões. O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício de cidadania. Para isso, precisa prover oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de participação, capacitação para tomar iniciativas, discutir publicamente pontos de vista, tomar decisões. [...]. Trecho extraído de Refletindo sobre as práticas escolares em novos tempos (I Seminário Nordestino de Educação, 2002), do professor e filósofo da educação José Carlos Libâneo. Veja mais aqui e aqui.

RESPONSABILIDADE CIVIL DA PROPRIEDADE - A responsabilidade civil está prescrita no Título IX do Código Civil vigente que se constitui como sendo a segunda grande categoria de obrigações, freqüente na vida real, resultando de necessidade de reparar danos a outras pessoas, em conseqüências ilícitas, cometidas sem culpa, mas equiparados aos ilícitos, para efeitos de indenização. Assim sendo, o titular do domínio ao exercer os seus poderes sobre a coisa pode causar prejuízo ou dano a bens de terceiros ou à integridade física destes. Nestes casos o proprietário tem o dever de indenizar essas pessoas, sendo responsabilizado pelos atos ilícitos causados. Essa responsabilidade civil do proprietário rege-se por normas inspiradas na doutrina clássica da responsabilidade, fundada na culpa e por normas inferidas da moderna teoria objetiva da responsabilidade, que elimina o conceito subjetivo (demonstração de dolo ou culpa), para fundá-la na idéia de que o risco da coisa deve ser suportado pelo seu proprietário, pelo simples fato de ser ele o titular do domínio. Daí o famoso brocardo jurídico: Res perit domini, ou seja, o proprietário suporta os riscos advindos da coisa que lhe pertence. O proprietário estará obrigado a indenizar todas as vezes em que houver nexo de causalidade entre o dano causado pela coisa e a sua conduta. Deve haver um vínculo entre o prejuízo ocasionado pela coisa e a conduta de seu proprietário o qual deve ser autor imediato ou indireto do referido dano. O proprietário é, em regra, responsável pelos prejuízos causados pela coisa, quando esta é um instrumento que deve controlar, evitando, ante sua periculosidade - pois expõe os homens ao risco de sofrerem danos- que seu uso cause prejuízo a outrem, e como a utiliza para multiplicar sua força ou mobilidade, a coisa é, por isso, tida como um prolongamento exterior de sua pessoa. Ex. danos ocasionados por automóveis, ônibus, barco e avião. Há também o caso da responsabilidade do dono do edifício ou construção, o qual, segundo o art. 1.528 do Código Civil, responde pelo prejuízos resultantes de: ruína total ou parcial do edifício, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, por ter se descurado ao dever de conservar o imóvel que lhe pertence, mantendo-o em bom estado. Esta responsabilidade independe de se saber se a culpa foi do antecessor do domínio, do construtor do prédio ou do inquilino. Entretanto o proprietário terá o direito de mover ação regressiva contra o culpado; queda de árvore, causando dano a terceiro, pois quem for seu dono tem o dever de guarda e, conseqüentemente, a responsabilidade presumida pelo prejuízo que acarretou, isentando-se apenas se provar que o fato se deu em virtude de força maior, caso fortuito ou causa estranha que lhe seja inimputável; instalações domésticas, como, por exemplo, o proprietário responderá pela ruptura de um cano de água que cause dano a outrem; queda de elevador por falta de conservação causando graves ferimentos nos usuários; energia elétrica, por exemplo, pela ruptura de um fio condutor de energia elétrica que cause dano a outrem. O art. 1.529 do Código Civil trata da responsabilidade do effusis et dejecta, ou seja, aquele que habitar uma casa, ou parte dela, responderá pelo dano proveniente das coisas que dela caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Trata-se de responsabilidade objetiva. Outra dentre tantas, também pode ser observada como a responsabilidade prevista no art. 1521, IV e 1.523, onde estas se fazem presente porque o hospedeiro e o dono de estabelecimento de ensino têm o dever de zelar pela conduta dos seus hóspedes ou alunos e de manter certa disciplina ao admitir essas pessoas em suas propriedades, logo, responderão pelos danos causados por elas ante a presunção de culpa in eligendo ou in vigilando. Todas essas hipóteses acima mencionadas referem-se à responsabilidade civil do proprietário a qual se funda na teoria do risco da coisa que deve ser sempre suportado por seu proprietário.
REFERÊNCIAS:
DINIZ, Maria Helena Curso de Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1997
MONTEIRO, Washington de Barros Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1997
PEREIRA, Caio Mário da Silva Instituições do Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1999
RODRIGUES, Silvio Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1997 Veja mais aqui e aqui.




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quinta-feira, julho 24, 2008

CERNUDA, KEATS, BEATRIZ SARLO, ALBA ZALUAR, RAFFAELLE MARINETTI & A PRESEPADA DE ROBIMAGAIVER.


 
Art by Raffaelle Marinetti


PIPOCO DA PORRA


Robimagaive é a gota! Entre ele, o Zé-corninho e o Doro, dos três não dá para saber qual dessas cabeças ilustradíssimas quem possui mais aptidão, competência, barrunfo, faro, pacutia e embromação.
Para se ter uma idéia, esses caras têm mais profissões que se empregadas duma só vez, desemprega meio mundo. Mesmo!
Mas, por enquanto, vou só falar do Robimagaive.
Pois foi, eu conheci esse distinto personagem certa vez quando ele procurava por emprego. Pensei, cá comigo, ora, como um sujeito qualificado desses anda desempregado? Hem?
Confesso que de cara não sabia de quem se tratava, mas que já ouvira todo tipo de pinóia a respeito dele, já.
- O que você sabe fazer? -, perguntei ao solicitante.
- Depende, doutô, é só o sinhô inscolher. - disse-me ele infatigável.
- Como assim?
- Bem, sô profissioná dos profissionáris: isgotador-de-fossa perito, sordador de caçarola-de-fundo-lascado inté lanternage de avião, pescador de maçunin, eletricista-eletrotéque, mecânco de autos, aviador e motorista catigoria Z de bicicreta a foguetêro, zabumbêro e crune de seresta e trielétrico, crastrador de bicho, pis... pis...cicultor de aquáro, benzedô do frei tabica...
- Peraí, o que você sabe fazer melhor!
- Tudo. E tem munto mai no meu currícu aí...
- Sim, tudo bem, podemos precisar de motorista...
- Na hura, tô disposto, pode me contratá qui num vai se arrependê; espie, minha cartêra é catiegoria Z...
- Não conheço essa categoria.
- Dirijo di tudo: tratô, patrol, avião, helicópes, carro, treminhã, oinbu, tô até terminando um foguete prá dá uma vortinha pru lá pru riba do céu.
- Eita! Tudo bem, deixe seu currículo aqui que eu quando precisar mando buscá-lo -, finalizei impaciente.
Robimagaive fez uma careta de desagrado e foi saindo com a mão direita na cabeça ajeitando o tuim. Não ia saindo lá muito satisfeito, não.
Num é que justo na hora apareceu um outro gerente pedindo um motorista para ir em Recife urgente. Ele sapecou:
- Eu vô! Se é ugente, é comigo mermo!
E nem piscou. Avexado arrancou a chave da mão do requerente, ouviu a determinação e partiu com mais de mil percorrer mais de 300 quilômetros. Informado do que tinha que fazer, zarpou.
Assim, de esguelha, dava uns 800 quilômetros de ida e volta, isso na baixa e, descontando as embromações do trajeto, dando umas 6 horas de viagem.
Quatro horas depois estava lá Robimagaive aboletado com a chave na mão e o carro fumaçando.
- Que bronca é essa, rapaz? Num deu para cumprir o requerido, não foi? -, perguntei com cara de poucos amigos.
- Missão cumprida.
- Como? O carro está fumaçando demais, pegou fogo, foi? Quebrou?
- Não, nada disso, doto, tá aqui o protucó de entrega, tudo como manda o figurino.
- Você é doido?
- Não, mas da próxima vez bote um carrinho melhor preu poder passar um pito na poliça rodoviara dela botar a língua de fora de tanto corrê.
Foi um deus nos acuda.
O carro fumaçava mas depois de uma checagem estava novinho em folha.
Inspecionando a razão daquilo, soube que o cabra andava solto de pé fundo, 200 por hora, só via a hora dele findar nem os pedaços. Dirigia endoidadamente, cortava pela direita, pela esquerda, nas curvas, onde não dava, vôte!
- Você é doido, é?
- Não, meu santo que é forte!
E era. Quando ele passava, era zum, já foi.
Essa não foi nada das tantas, uma ele aprontou comigo mesmo.
Depois de muitas pelejadas mexendo nisso e naquilo, no fim de tudo, o que fazia, ou dava certo ou errava de vez. Uma virtude, num é não?
Certo dia, domingo acompanhando a corrida da Fórmula 1, minha tv pifou. Porra! Quando vociferei a indignação, lá ia entrando Robimagaive.
- Qué qui foi, doutô?
- Minha tv pifou justo na hora da corrida!
- Calma, dô um jeito já já.
E deu. Fiquei o tempo inteiro com a orelha na frente da pulga.
Pacientemente ele destampou o aparelho, remexeu em tudo, amarrou aqui de barbante, cuspiu num integrado lá, botou chiclete prá cima, cola instantânea para baixo, bombril numas coisas, remendando fios com cada nó cego, tabefe para pegar, serrando um pedaço de alguma saliência, ajuntando papel de cigarro noutra, maior seboseira chega dava tristeza de ver, quando, a certa altura daquela esquisitice toda, mandou eu ligar o aparelho.
Ôxe, liguei. E foi um pipoco da porra! Maior zoadeiro. Eu só vi o Robimagaive com os cabelos em pé e a cara preta chamuscada do fogo. Chega tive um susto!
Com a mesma parcimônia de sempre, ainda mencionou:
- Ói, doutô, aqui num dá que deu probrema de junta, tenho que levar prá casa para juntá os cacos!
Não sei como ainda acreditei e deixei ele sacudir embaixo do suvaco o resto dos bregueços que sobraram.
O pior: ele consertou e trouxe em perfeito estado. Só que desconfiado do funcionamento, dei-lhe de presente. Acho que nada mais justo, ora. Mas ele insistiu para que eu visse que estava tudo em ordem. Nem quis ver. Ele ligou, mudou de canal, mostrou tudo funcionando direitinho. Nem mostrasse, levasse dali. Ele ai que saiu devagar e chegando na primeira esquina vendeu aquilo por 50 reais, enchendo o tampo na carraspana e sorrindo à toa.
É mole? Não, esse é o Robimagaive.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
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PENSAMENTO DO DIA - O poeta é o ser menos poético do mundo. Pois não tem identidade. Não parece com ninguém e vive no outro. Coisas que podem chocar o filósofo ao poeta encantam. Pensamento do poeta do Romantismo inglês John Keats (1795-1821). Veja mais aqui.

PESQUISA – [...] Alternativamente, a pesquisa pode e deve ser o momento em que se reflete sobre essas variadas possibilidades de relacionamento entre pesquisador e pesquisado, sobre os diferentes impactos que qualquer pesquisa sempre provoca no grupo pesquisado, tomando-se como pano de fundo, uma alteridade nunca resolvida nem dissolvida nos encontros e desencontros que a pesquisa traz. Neste caso, a alteridade não seria dissolvida nem pela função simbólica única das subjetividades em encontro, nem pelo próprio projeto político popular unificado [...]. Trecho extraído da obra Teoria e prática do trabalho de campo: alguns problemas (Paz e Terra, 1988), da antropóloga Alba Zaluar.

O PASSADO – [...] é pelo discurso de terceiros que os sujeitos são informados sobre o resto dos fatos contemporâneos a eles; esse discurso, por sua vez, pode estar apoiado na experiência ou resultar de uma construção baseada em fontes, embora sejam fontes mais próximas do tempo [...]. Trecho extraído da obra Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva (UFMG, 2007), da escritora e crítica literária argentina Beatriz Sarlo. Veja mais aqui e aqui.

DIREI COMO VOCÊS NASCERAM - Direi como vocês nasceram, prazeres proibidos, / Como nasce um desejo sobre torres de espanto, / Ameaçadores barrotes, fel desbotada, / Noite petrificada à força de punhos, / Diante de todos, inclusive o mais rebelde, / Apto somente na vida sem muros. / Couraças infranqueáveis, lanças ou punhais, / Tudo é bom se deforma um corpo; / Teu desejo é beber essas folhas lascivas / Ou dormir nessa água acariciadora. / Não importa; / Já declaram teu espírito impuro. / Não importa a pureza, os dons que um destino / Levantou para as aves com mãos imperecíveis; / Não importa a juventude, sonho mais que homem, / O sorriso tão nobre, praia de seda sob a tempestade / De um regime caído. / Prazeres proibidos, planetas terreais, / Membros de mármore com sabor de estio, / Sumo de esponjas abandonadas pelo mar, / Flores de ferro, ressoantes como o peito de um homem. / Solidões altivas, coroas derrubadas, / Liberdades memoráveis, manto de juventudes; / Quem insulta esses frutos, trevas na língua, / Tu és vil como um rei, como sombra de rei / Arrastando-se aos pés da terra / Para conseguir um naco de vida. / Não sabia os limites impostos, / Limites de metal ou papel, / Já que o acaso lhe fez abrir os olhos sob uma luz tão alta, / Aonde não chegam realidades vazias, / Leis hediondas, códigos, ratos de paisagens arruinadas. / Estender então a mão / É achar uma montanha que proíbe, / Um bosque impenetrável que nega, / Um mar que traga adolescentes rebeldes. Poema do poeta e critico literário espanhol Luis Cernuda (1902-1963). Veja mais aqui.
Art by Raffaelle Marinetti




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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...