quarta-feira, julho 26, 2017

ARQUÉTIPOS DE JUNG, MOACIR SANTOS, CONTRAPONTO DE HUXLEY, JACOB DE HAAN, MAWACA, ÉRICA GARCIA, JENNY SAVILLE & MARIE JOHNSON HARRISON

OS AVÓS SÓ BOTAM A PERDER – Imagem: Art by Marie Johnson Harrison - Vivi momentos felizes de muitas aventuras na minha infância com os meus avós. O primeiro neto que apareceu no meio de uma penca de tios e tias, pronto, virava eu o xodó e o centro das atenções, manhando dengoso no meio da maior plateia, isso no de menos. Na garupa do cavalo, meu avô Arlindo me levou por vales, rios e canaviais. Quando não, por ser o administrador de engenhos de cana de açúcar do Rio Grande Norte até terras no sul de Minas Gerais, eu podia gabola beiçudo impressionar os matutos com minhas invencionices e trelas de menino tagarela, tudo abestalhado com o meu poder de inventar pinóias cada uma pior que a outra: esse menino bebeu água de chocalho. Essa e muitas outras aventuras nos engenhos só paravam de mesmo quando meu avô ia pra casa dele em Água Preta, eram dias de reinação na bodega sortida de vó Benita, coisa de levar carão o dia todo e esperar pelos acalantos e histórias de trancoso que ela mandava ver pra me amedrontar arrepiado embaixo do cobertor. Os acalantos e histórias dela era coisa de ciúmes nos cabarés, soldados que se perderam, mães que se vingaram, mortes e brigas de famílias, afora coisas do outro mundo e presepadas de espíritos zombeteiros. Quando eu não tremia de medo, morria de rir, e ela mais ainda, até se esquecia das horas contando cada coisa. Findavam as férias e eu de volta pra casa, eram os tempos de ganhador aberto: Pai Lula mesmo todo dia trazia um Mané Gostoso, uma peteca, ioiô, cavalo de pau, boneco de barro, brinquedos de plásticos, doces, biscoitos, confeitos e guloseimas regionais, afora me atiçar com piadas e adivinhações que me premiavam independente de que eu acertasse ou não. Ganhava de todo jeito. Às vezes me levava pra casa dele e lá eu virava artista de cinema com Carma que me recepcionava com o sorriso mais lindo do universo. Depois eu puxava conversa e parava todo movimento da casa, Carma atenta às minhas leseiras, me tratando como um homenzinho que mais queria aparecer que crescer. Oxe, eu ficava contando coisas engraçadas só pra ver a risada de Carma, quando não me ressentia pra ela da minha mãe que não deixava eu brincar no quintal com minha irmã nem com meus primos, me amarrava no pé da mesa, não podia botar o pé descalço no chão, nem chacoalhando na água, nem atrepar no pé de fruta, nem no muro, nem por cima do quintal do vizinho, nem comer chocolate, vixe, ela não deixa, Carma, não deixa! E Carma ria me abraçando e me oferecendo doces e bolos os tantos. O melhor de tudo de todos os meus aprontamentos com meus avós, era que quanto mais eu folgava nas peraltices, mais eles me davam corda para mandar ver nas presepadas. Pois é, os avós botam mesmo tudo a perder, como eu que sou perdido de não prestar mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

OS ARQUÉTIPOS E O INCONSCIENTE DE JUNG
[...] Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portanto, de um inconsciente na medida em que comprovarmos os seus conteúdos. Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica. Os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos. [...] Estou convencido de que o depauperamento crescente dos símbolos tem um sentido. O desenvolvimento dos símbolos tem uma conseqüência interior. Tudo aquilo sobre o que nada pensávamos e a que, portanto, faltava uma conexão adequada com a consciência em desenvolvimento, foi perdido. Tentar cobrir a nudez com suntuosas vestes orientais, tal como fazem os teósofos, seria cometer uma infídelidade para com a nossa história. Não caímos no estado de mendicância para depois posar como um rei indiano de teatro. Mais vale, na minha opinião, reconhecer abertamente nossa pobreza espiritual pela falta de símbolos, do que fingir possuir algo, de que decididamente não somos os herdeiros legítimos. Certamente somos os herdeiros de direito da simbólica cristã, mas de algum modo desperdiçamos essa herança. Deixamos cair em ruínas a casa construída por nosso pai, e agora tentamos invadir palácios orientais que nossos pais jamais conheceram. Aquele que perdeu os símbolos históricos e não pode contentar-se com um substitutivo, encontra-se hoje em situação difícil; diante dele o nada bocejante, do qual ele se aparta atemorizado. Pior ainda: o vácuo é preenchido com absurdas idéias político-sociais e todas elas se caracterizam por sua desolação espiritual. Mas quem não consegue conviver com esses pedantismos doutrinários vê-se forçado a recorrer seriamente à sua confiança em Deus. Embora em geral se constate que o medo é ainda mais convincente. Tal medo decerto não é injustificado, pois onde o perigo é maior, Deus parece aproximar-se. É perigoso confessar a própria pobreza espiritual, pois o pobre cobiça e quem cobiça atrai fatalidade. Um drástico provérbio suíço diz: "Por detrás de cada rico há um demônio e atrás de cada pobre, dois". Da mesma forma que os votos de pobreza material, no cristianismo, afastavam a mente dos bens do mundo, a pobreza espiritual renuncia às falsas riquezas do espírito, a fim de fugir não só dos míseros resquícios de um grande passado, a "Igreja" protestante, mas também de todas as seduções do perfume exótico, a fim de voltar a si mesma, onde à fria luz da consciência, a desolação do mundo se expande até as estrelas. Já herdamos essa pobreza de nossos pais. [...] Nosso intelecto realizou tremendas proezas enquanto desmoronava nossa morada espiritual. Estamos profundamente convencidos de que apesar dos mais modernos e potentes telescópios refletores construídos nos Estados Unidos, não descobrirem nenhum empíreo nas mais longínquas nebulosas; sabemos também que o nosso olhar errará desesperadamente através do vazio mortal dos espaços incomensuráveis. As coisas não melhoram quando a física matemática nos revela o mundo do infinitamente pequeno. Finalmente, desenterramos a sabedoria de todos os tempos e povos, descobrindo que tudo o que há de mais caro e precioso já foi dito na mais bela linguagem. Estendemos as mãos como crianças ávidas e, ao apanhá-lo, pensamos possuí-lo. [...].
Trechos extraídos da obra Os arquétipos e o inconsciente coletivo (Vozes, 2000), do psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), trazendo fundamentações teóricas que descrevem arquétipos específicos num estudo sobre as relações deles com o processo de individualização e da psicoterapêutica. Veja mais aqui & aqui.

Veja mais sobre:
Do raiar do dia aos naufrágios crepusculares, Sempre poesia de Helena Kolody, História dos hebreus de Flavio Josefo, Metafísica do real & virtual de Michael R. Heim, Yanomâmi de Milton Nascimento & Fernando Brant, a fotografia de André Brito, a pintura de George Grosz & Fernando Rosa, a arte de Rollandry Silvério & a poesia de Carla Torrini aqui.

E mais:
Os avós aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Envelhecer não é o fim do mundo aqui.
Alter ego, Arquétipo de criança de Carl Jung, Eminência parda de Aldous Huxley, A flauta roubada de Cassiano Ricardo, a literatura de George Bernand Shaw, Laranja Mecânica, o cinema de Stanley Kubrik, a música de Gilson Peranzzetta & Mauro Senise, a pintura de Jean Baptiste Camille Corot & Demócrito Borges, Brincarte do Nitolino & Rachel Lucena Colégio Fator aqui.
Terceira idade & envelhecimento, Aldous Huxley, a música de Armando José Fernandes, a pintura de Camille Corot, a poesia de Ivaldo Gomes & o blog de Mônica e Monique Justino aqui.
A mútua colheita do amor aqui.
Vade-mécum: enquirídio, um preâmbulo para o amor aqui.
Por onde é que anda o Doro, hem?, Teatro & ciência de Bertolt Brecht, Ziraldo, Revolução de Florestan Fernandes, Canto primeiro de Basílio da Gama, a música infantil de Adriana Calcanhoto, Olga Benário Prestes, Rainha Margot & Isabelle Adjani, Clube Literário de Andrelândia, a pintura de Cristoforo Munari, a arte de Rollandry Silvério & Brincarte do Nitolino aqui.
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Todo dia, a primeira vez, a arte de Gilvan Samico & a pintura de Paul Mathiopoulos aqui.
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CONTRAPONTO DE HUXLEY
[...] Era sempre demasiado fácil para ele dispensar os outros. Gostava muito de se fechar no fundo de seu próprio silêncio. Mas podia ter aprendido a se exteriorizar mais, se não sobreviesse aquele horrível acidente. [...] - Eu quisera que Phillip tivesse ido à guerra. Não por motivos belicosos ou patrióticos. Mas porque se me pudessem garantir que ele não morreria nem ficaria mutilado, teria sido tão bom para ele […] Podia ter-lhe quebrado a concha, podia tê-lo libertado de sua própria prisão. Liberdade sob o ponto de vista emocional, porque o seu intelecto já é bastante livre. [...] Duma maneira abstrata sabes que a música existe, e que é bela; mas não partas daí para fingir, ao escutar Mozart, que estás num arrebatamento que não sentes. Se procedes assim, transformas-te num desses esnobes musicais idiotas que se encontram na casa de Lady Edward Tantamount. Incapazes de distinguir Bach de Wagner, babando-se de êxtase quando os violinos se fazem ouvir. O mesmo se passa exatamente com Deus. O mundo está cheio de esnobes religiosos perfeitamente ridículos. Pessoas que não estão verdadeiramente vivas, que nunca praticaram um ato verdadeiramente vital, que não têm relação viva com coisa alguma; criaturas que não têm o menor conhecimento pessoal ou prático do que é Deus. Mas andam pelas igrejas, rosnam suas orações, pervertem e destroem a totalidade de sua existência sem brilho, agindo de acordo com a vontade duma abstração arbitrariamente imaginada a que resolveram dar o nome de Deus. [...] Tudo será incrível, se pudermos tirar a crosta de banalidade evidente que os nossos hábitos põem nas coisas. Todo objeto, todo acontecimento contêm em si uma infinidade de profundezas dentro de outras profundezas [...]
Trechos extraídos da obra Contraponto (Globo, 2014), do escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963). Veja mais aqui, aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o saudoso arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006): Ouro negro & Coisas; com a multifacetada cantora, guitarrista, compositora, atriz & performer argentina Érica Garcia: Amorama & El Cerebro; do compositor holandês Jacob de Haan: Concerto d’ Amore, Ross Roy, Utopia & Pacifi Dream; e do grupo vocal e instrumental de pesquisa e recriação muscial Mawaca: Canto da Floresta & Gayatri Mantra. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ARTE DE JENNY SAVILLE
A arte da pintora britânica Jenny Saville. Veja mais aqui.

terça-feira, julho 25, 2017

MANOEL DE BARROS, TONINHO HORTA, BADI ASSAD, GIANNOTTI, MAX RICHTER, GROMAIRE & CHARLOTTE GAINSBOURG

RENASCER NA MANHÃ - Imagem: Intérieur au pot gris, do pintor francês Marcel Gromaire (1892-1971). - Um pé na frente, outro atrás. Um passo após outro, estradas que me perco trocando pernas riso solto olho ao longe. Ali, lá longe a barra da bonança enquanto chuva torrencial desmorona meu pranto por atoleiros, pântanos, desfigurando a fantasia, o futuro e tudo do que fui nem resta mais nada. Você não sabe como as coisas acontecem, apenas acontecem, reação de ação. De repente tudo muda, antes tarde ensolarada, noites de tempestades. Tantas vezes morri, renasci das cinzas, juntando restos, cacos, quase nem sobrevivi, dos pedaços histórias pra contar, coisas de doer, quando dói sai bonito, a dor emancipa. Fui pra longe de mim mesmo, quase nem me reconheci, terra que nasci, vida que plantei, frutos que caíram podres antes de amadurecer. Passei à toa, quanse nem senti o que sangrou, talhos que nem sei, feridas abertas escondidas. Quase nem sonho, o concreto bruto do asfalto entrou rasgando minha cabeça, arrebentando tudo, ideias, ideais, sonhos, quase viro viga parede sem reboco, desbocada, desbotada, piso que afundou, telhado que caiu e só pude ver o Sol sentir e renascer na manhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A UNIVERSIDADE DE GIANNOTTI
Foi-se o mundo de antigamente. A revolução tecnológica alterou por completo nossas relações com a natureza e com o outro. Vivemos mergulhados numa segunda natureza constituída de máquinas sábias, verdadeiros raciocínios ambulantes dos quais pegamos o começo e o fim. O protótipo da máquina moderna, o computador, não tem nada a ver com a ferramenta, que prolonga o gesto e poupa esforços; consiste na encarnação duma teoria, saber feito material volátil, que por si só a verifica e abre um espaço inédito que o conhecimento do indivíduo nunca poderia desenhar. O computador é um cientista coletivo posto à disposição do pesquisador ou da dona-de-casa. Por isso reúne, no seu pequeno intervalo, a teoria e a prática, sendo o exemplo mais extraordinário de como a ciência neste século se transformou numa força produtiva. Se, na verdade, pode ser objeto de consumo individual, jogo de salão moderno, é quando se integra numa fábrica ou numa instituição prestadora de serviços que cumpre seu destino social. Mas nem só de computador vive o homem moderno. O telefone, a televisão, o processador de palavras, o avião ultrarápido são peças de sistemas diante dos quais cada um se põe isoladamente, fascinado pela máquina como se ela fosse uma tela de cinema que, no escuro, abole o pensamento próprio. Nada mais próximo do que a voz que fala do outro lado da linha, ouvimo-la como se estivesse ao lado. Enquanto porém o outro visível foge de nosso arbítrio e resiste a nossos caprichos, a voz alheia no aparelho depende duma ligação desejada e está sempre à mercê daquela ira que bate um telefone na cara. Desse modo, a confissão mais íntima vive sob a ameaça dum corte abrupto, que empresta à individualidade contemporânea o caráter duma mônada sem janelas. A ilusão narcísica é contraparte da cientificação da natureza. [...] A Universidade é coisa perigosa em países subdesenvolvidos. Só o fato de possuir hoje mais de 1.600.000 estudantes dá uma idéia da revolução intelectual que haveria se a maioria deles fosse eficaz e inventiva. Daí a funcionalidade da infra-estrutura precária e da incompetência. [...] Não se trata de separar uma Universidade que o Estado organiza como uma comunidade de sábios, de outra que se identifique com uma empresa capitalista. Nem uma nem outra são viáveis em sua pureza. A questão crucial é saber como se vai controlar a relação da Universidade com a comunidade e quem vai desempenhar essa função. O departamento estatal isonômico pode converter-se num ninho de burocratas, aquele intimamente ligado ao Governo ou à empresa privada, num inferno competitivo. O primeiro perigo a evitar é que ambos se julguem a si mesmos. Só me parece sair do impasse se a Universidade aprofundar seu processo de democratização, obviamente evitando o assembleísmo dum lado, e a farsa parlamentar de outro. Criar um sistema efetivo e eficaz de representação, eis a tarefa mais urgente. [...] No imaginário das sociedades ocidentais reside o impulso para o conhecimento racional. Por isso, estamos mal acomodados neste conhecer que se resolve num fazer de conta de conhecimento. [...].
Trechos extraídos de A universidade e a crise (Novos Estudos, 1984), do filósofo e professor universitário José Arthur Giannotti.
Autor de A universidade em ritmo de barbárie (Brasiliense, 1986), entre outras obras.

Veja mais sobre:
Palco da vida, A terceira mulher de Gilles Lipovetsky, Toda palavra de Viviane Mosé, A vida mística de Jesus de Harvey Spencer Lewis, a música de Andersen Viana, Roseli Rodrigues & Balé Teatro Guaíra, a pintura de Maria Szantho & Katia Kimieck, a arte de Maxime des Touches & Vavá Diehl aqui.

E mais:
O dia fora do tempo, Vida pra o consumo de Zygmunt Bauman, Salambô de Gustave Flaubert, Hino à beleza de Charles Baudelaire, Lisístrata de Aristófanes, a música de Jean-Philippe Rameau, Valeria Messalina, a arte de Alan Moore, a pintura de Anita Malfatti & Jaroslav Zamazal aqui.
Auto-de-fé de Elias Canetti, a música de Alfredo Casella & Celia Mara, Gestão de Pessoas, a arte de Paula Valéria de Andrade & Lou Albergária aqui.
O ser humano e seus papéis construtivos e não-construtivos aqui.
Errâncias da paixão aqui.
Dhammapada de Acharya Buddhrakkhita, Natureza humana de Abraham Maslow, Educação de José Carlos Libâneo, Responsabilidade civil da propriedade, a arte de Kristina Laurendi Haven aqui.
Cadê o padre Bidião?, História da criança e da família de Philippe Ariès, O sol também se levanta de Ernest Hemingway, Espelho convexo de Celina Ferreira, O teatro e o seu duplo de Antonin Artaud, a música de Catherine Malfitano & Mawaca, o cinema de pintura de Emil Orlik & Miles Mathis, Programa Tataritaritatá & muito mais aqui.
Entre as pinoias duns dias de antanho & a pintura de John La Farge aqui.
História sem fim. a pintura de William Holman Hunt & a arte de Max Ernst aqui.
A vida é uma canção de amor & a arte de Milo Manara aqui.
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SABIÁ COM TREVAS DE MANOEL DE BARROS
Me abandonaram sobre as pedras infinitamente nu, 
e meu canto.
Meu canto reboja.
Não tem margens a palavra.
Sapo é nuvem neste invento.
Minha voz é úmida como restos de comida.
A hera veste meus princípios e meus óculos.
Só sei por emanações por aderência por incrustações.
O que sou de parede os caramujos sagram.
A uma pedrada de mim é o limbo.
Nos monturos do poema os urubus me farreiam.
Estrela é que é meu penacho!
Sou fuga para flauta e pedra doce.
A poesia me desbrava.
Com águas me alinhavo
.
Sabiá com trevas, poema extraído obra Arranjos para assobio (Companhia das Letras, 2016), do poeta Manoel de Barros (1916-2014). Veja mais aqui, aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta; a cantora, violonistak, compositora e percussionista Badi Assad; o compositor alemão Max Richter; e a cantora e atriz franco-inglesa Charlotte Gainsbourg. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ARTE DE GROMAIRE
A arte do pintor francês Marcel Gromaire (1892-1971).

segunda-feira, julho 24, 2017

HERMETO, SANGUINETI, JOCY OLIVEIRA, KEN LOACH, LAURIE ANDERSON, ORQUESTRA ARMORIAL, FARAUT, EUGENE J. MARTIN & DIÁRIO DE BORDO

DIÁRIO DE BORDO - Imagem: A Nutcracker (2000), do pintor afro-americano Eugene J. Martin (1938-2005). - Recomeça segunda a semana, ânimo na fé e pé direito, apruma o estreito sem prantos, o que não afunda bóia, nem é para tanto, distnguir o que é jóia do que não vale quanto e o que é que é, no entanto. Segue à risca, sai do espanto que é terça, arrisca e petisca, ter saúde e saudade na cabeça é o que equivale enquanto debreia da primeira pra segunda espessa e trisca até sair da porneia, não pela metade se vale a pena, não se enganche na azaléia arisca, nem o que na hora se empena. Ah, já é quarta ou quarentena, reveja o roteiro, outros dramas na contracena, entre o falso e o verdadeiro, outro é o cheiro da açucena, outros carreiros e força na habena. A quinta é serena na manhã, pra tudo tem jeito, quem não está sóbrio é tantã, pra quem não sabe direito tem o tino, o opróbrio é coisa malsã, coisa de bater pino, levar-se em defeito pro desatino, engata o cambão. Já é sexta no coração e nem bate o sino, se não é besta, muda o destino e se apronta, revisa as contas e o apurado, tira a prova dos nove, tudo examinado nas catanas, o que deu já foi, o que não deu, só na outra, tanto faz dezenove ou coisa escrota, tanto fez ou fedeu arrependido, quem não ganha perde e só ao menos tem aprendido. Chega sábado e o final de semana, bem entendido, a coisa muda de figura, se um pingo ou destamanho, criatura, leva nos peitos até bingo pra reaver os ganhos, embolsa o tacanho que já é domingo e o que fez da vida? Achada ou perdida, qualquer jeito, olha pra trás e nada feito, o que tiver por troco é o que sobrou na desvalida, quem olha pros lados ou domina a direção ou cai na contramão, nunca é tarde pra quem não tem tempo ou lugar, preste atenção, pra quem faz ou fez, busca fartura, só escassez, se quer acertar vá de talvez e agora? Sonhe acordado, não viva dormindo, olha a hora se desfez, nem é mais domingo, é segunda outra vez. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

ÚLTIMO PASSEIO DE EDOARDO SANGUINETI
Eu sou o sonho asmático, fantasmático, mecano e automático e patético, e paródico
Patológico, psicológico pneumático, de uma voz vivaz em contra-luz, com filigrana
Honesta, de mesmo grão e trama, e grama, arcaico tanto, é apotropalco tanto,
De me ficar entalado, empalhado, fossilizado, entre as quelas de suas teias telegráficas, holográficas, oleográficas, gráficas, para assustar-te os teus mortos tortos,
Espantalhesco fonema fresco, antomorceguesco epirema picaresco, faunesco grotesco, simiesco, poetema piratesco, papagaiesco, galesco, falante em ponto
E linha, em ponto e vírgula, perturbador compungido, provocador estafante tripudiante
Diarróico logorróico, alfabético estóico, estético emético, herpético energético, erótico
Hermético, harpa sonora até agora vibrante, carpa canora timidamente abocante, e por
Fortuna, ao teu anzol afiado, ao teu chamado, numa má hora muito andantye, face de lua
Galante minguante, croante pensante:
Assim dizia e, dizendo assim, a minha voz sumiu.
Ultimo passeio, poema extraído da obra Bisbidis (Febrinelli, 1987), do escritor italiano Edoardo Sanguineti (1930-2010).

Veja mais sobre:
Se não vai de um jeito, vai de outro, A marcha da insensatez de Barbara Tuchman, Eduque com carinho de Lidia Natalia Dobrianskyj Weber, a música de Kyung-Wha Chung, a pintura de Joan Miró & Eugène Leroy, a arte de Anna Dart & Eugene J. Martin,.a poesia de Bárbara Lia, a fotografia de Faisal Iskandar, Revista Poética Brasileira & Mhário Lincoln aqui.

E mais:
Processo civilizador de Norbert Elias, O caminho dos sonhos de Marie-Louise von Franz, Simon Bolívar, sonetos de Lope de Vega, a música de Saint-Saëns & Denise Duval, Salomé de Oscar Wilde, o cinema de Carlos Saura, a arte de Sarah Bernhardt, a pintura de Ernst Hochschartner & Janet Agnes Cumbrae Stewart aqui.
Eu etiqueta de Carlos Drummond de Andrade, Formação da Literatura Brasileira de Antônio Cândido, a música de Adolphe-Charles Adam, a pintura de Antonio Bedotti Organofone, a arte de Benedito Pontes & a poesia de Ana Mello aqui.
Robimagaiver & pipoco da porra aqui.
Dr. Ciuça Gorda & os cavaleiros do pós-calipso do nó cego, As aporias de Zenão de Eleia, os sonetos de Francesco Petrarca, O teatro situação de Jean-Paul Sartre, Viridiana de Luis Buñuel & Silvia Pinal, a escultura de Denise Barros, a música de Carlos Santana, a pintura de Max Liebermann & Georgy Kurasov aqui.
Sou mato, sou mata, sou Mata Atlântica, A hora dos ruminantes de José J. Veiga, Técnicas de teatro popular de Augusto Boal, a música de Peter Scartabello, a arte de Patricia Galvão – Pagu & Pristine Cartera, a pintura de Georges Rouault & Tom Fedro aqui.
O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão, Aracelli, meu amor de José Louzeiro, Violência doméstica & sexual de Lucidalva Mª do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência contra a mulher, a arte de Yukari Terakado, Nina Kuriloff & Geneviève Salamone, Marcha das Vadias, Todo homem que maltrata uma mulher não merece jamais qualquer perdão aqui.
Sujeito, indivíduo, quem?, Principios fundamentais de Filosofia, Folhas da relva de Walt Whitman, Ecce homo de Friedrich Nietzsche, Bailarina de Claudio Adrian Natoli, a música de Emmanuelle Haïm, a arte de Emerson Pingarilho & Kate Wiloch, Sally Trace, a pintura de Lasar Segall & Carolyn Anderson aqui.
Se não deu e fedeu, só na outra, meu!, A literatura fantástica de Tzvetan Todorov, 47 contos de Juan Carlos Onetti, a poesia de Carlos Drummond de Andrade, a música de Yann Tiersen, a fotografia de JR, a pintura de Asha Carolyn Young, a xilogravura de Marcelo Soares, a arte de Luiz Paulo Baravelli, Kenny Cole & Tom Wesselmann aqui.
O sisifismo da semana, Tempo & expressão literária de Raúl H. Castagnino, Quingunbo & a poesia norte-americana, a pintura de Mary Addison Hackett & Alain Bonnefoit., a música de Paulinho da Costa & Meghan Lindsay, a arte de Steve Hester & Robert Rauschenberg, a arte urbana de Nina Moraes & Trampo aqui.
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PÃO & ROSAS DE KEN LOACH
O filme Pão & Rosas (Bread and Roses, 2000), do engajado cineasta britânico Ken Loach, conta a história de um ativista estadunidense que luta pelos direitos dos oprimidos e cruza com duas imigrantes mexicanas que trabalham como faxineiras em um prédio comercial que abraçam sua causa e lutam contra os patrões, colocando em risco o emprego delas e as relações familiares até o direito de permanência em território americano.  Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal; a compositora, pianista e escritora Jocy Oliveira; a iniciativa de criação da arte erudita com elementos da cultura popular Orquestra Armorial & Quinteto Armorial, oriundos do movimento criado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna; e a artista experimental e performática compositora estadunidense Laurie Anderson. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ARTE DE PHILIPPE FARAUT
A arte do escultor & multi-artista francês Philippe Faraut.
 

sábado, julho 22, 2017

O MEDO DE BAUMAN, QUINTETO VIOLADO, DUOFEL, MEREDITH MONK, RACHEL PODGER, SOPHIA NARRETT & RALPH LEWIS.

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ? - A primeira resposta foi o medo de barata, pois a catsaridafobia é a mais comum entre todas as fobias. A ofidiofobia aparece logo em seguida na mesa das revelações: rastejado de cobra deixa o cabelo em pé de muita gente. Os musófobos também logo se entregam: qualquer remexido de catitas ou guabirus, logo sobem em cima da cadeira. O aracnófobo fica todo arrepiado a qualquer menção de teias, seja das mais pirrototinhas às caranguejeiras, extensivo aos lacraus e similares. Os melissófobos não podem ouvir falar de mel, zangão ou abelha-raínha, que se borram todo. Isso afora tantos outros medos estranhos e incomuns que aparecem. Nem ignoro, pois desde bem criancinha com o boi da cara preta ao não faça isso que o bicho vai lhe pegar, que metem medo na gente, seja no seio familiar, na escola, nos templos, nas relações sociais, tudo sobrecarregado de interditos e punições. No meu tempo mesmo tinha o Velho do Saco, aquele que levaria qualquer criança que causase contrariedade aos pais ou adultos, ou que fosse desobediente ou tranquinas. Eu mesmo cheguei ao ponto de ter medo pavoroso até o do coração de Jesus aceso no alto da sala, de tanto medo que pais e parentes imprimiram na infânca, de passar noites e mais noites sem dormir por causa de um bicho horroroso que havia embaixo da cama. Por conta disso, não largava o cós da saia da minha mãe. Temendo tudo, mortos-vivos, vampiros, espíritos erráticos, a La Ursa, os ETs, os astronautas que foram pra Lua, cavernas, terrenos baldios, casas abandonadas, alagadiços e charcos, ora, fui crescendo e perdendo alguns desses temores, contudo ganhando outros tantos e novos na adolescência. Tanto é que há os medrosos que distribuem seus medos generosamente para todos, como aqueles que temem até qualquer surpresa, a ponto de passar mal ou cair duro com qualquer insinuação de agouros ou acidentes, bem como aqueles geradores das brabas e perogosas circunstâncias malévolas, as quais a gente nem saber mesmo como apareceram, ou de estranhos pânicos que nem sabíamos que tínhamos antes, como os acrófobos ou os abissófobos: as alturas e o abismo são verdadeiros terrores porque levam às quedas intermináveis; os nictóofobos que podem ter ablepsifobia ou acluofobia: o medo de escuro e da cegueira; os isolófobos não podem ficar só, os pirófobos diante de qualquer centelha ou riscado de fósforos, ou os mirmecóbofos que correm diante de qualquer formiga e por aí vai. Os tripanófobos como eu não podem ver seringa ou injeção, lona na hora. Os brontófobos, ceraunófobos ou tonitrófobos não se sentem bem em dias de tempestades com trovoadas e relâmpagos. Os tatófobos possuem o terrível medo de serem entrerrados vivos, ou aqueles que por causa dos filmes viraram selachófobos e, por tabela, talassófobos: nem vão mais à praia temendo serem devorados por cações ou mesmo tubarões. Os que se tornaram tanatófobos que pensam que vão ficar pra semente, ou os que chegaram aos extremos, como os fobófobos ou pantófobos: tudo mete medo, até mesmo as fobias. Quando não ficam paralisados, congelam arrepiados dos pés à cabeça, choram, gritam, mesmo diante de uma lagartixa ou morcegos, sentem tonturas ou mesmo uma fraqueza nos joelhos diante de um caçotinho ou dum cururu no canto do terraço, ou de gafanhotos, libélulas, lesmas, vagalumes, da mesma forma que diante de despachos ou de catimbós. Encontrei quem me dissesse que morre de medo de ladrões, quem não? Fazem questão de dizer que basta qualquer mal-encarado já vai logo se escondendo. Ué? Há quem se renda à rupofobia ou misofobia: basta ver qualquer poeirazinha lá no mais escondido de qualquer móvel que logo perde o controle aos tremeliques. Ou agoráfobos aos montes, bibliófobos incorrigíveis: se eu soubesse quem inventou estudo eu mataria. E fronemófobos nem se fala: ah, dá medo pensar muito e descobrir que não tem mais jeito pra nada, só a morte. Curioso mesmo foi me deparar com eisoptrófobos, sobretudo nesse tempo umbigocentrista de metrossexuais e glamourosas, não é pra menos diante da espetacularização, banalização e naturalização da violência pelos veículos de comunicação de massa, tanto nos telejornais como em programas alarmistas montados sob os mais duvidosos alardes ideológicos. Parece mais que imprimir o medo é a arma pro consumo, desconfio, principalmente pras prescrições de medicamentos com teores de panacéia e do lazer que vende felicidade gratuita. Não me surpreende saber que há medo pra tudo e pra todo mundo, distribuídos no varejo ou no atacado, basta só escolher o mais apreciável pras manias de cada um e meter-se patologicamente no meio dessa redoma. Eu, hem!?! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O MEDO LÍQUIDO DE BAUMAN
Bizarro, embora muito comum e familiar a todos nós, é o alívio que sentimos, assim como o súbito influxo de energia e coragem, quando, após um longo período de desconforto, ansiedade, premonições sombrias, dias cheios de apreensão e noites sem sono, finalmente confrontamos o perigo real: uma ameaça que pode mos ver e tocar. Ou talvez essa experiência não seja tão bizarra quanto parece se, afinal, viermos a saber o que estava por trás daquele sentimento vago, mas obstinado, de algo terrível e fadado a acontecer que ficou envenenando os dias que deveríamos estar aproveitando, mas que de alguma forma não podíamos -  e que tornou nossas noites insones... Agora que sabemos de onde vem o golpe, também sabemos o que possamos fazer, se há algo a fazer, para afastá-lo – ou pelo menos aprendemos como é limitada nossa capacidade de emergir incólumes e que tipo de perda, dano ou dor seremos obrigados a aceitar. [...] Podemos profetizar que, a menos que seja controlada e domada, nossa globalização negativa, alternando-se entre privar os livres de sua segurança e oferecer segurança na forma de não-liberdade, torna a catástrofe inescapável. Sem que essa profecia seja feita e tratada seriamente, a humanidade pode ter pouca esperança de torná-la evitável. O único início promissor de uma terapia contra o medo crescente e, em última instância, incapacitante é compreendê-lo, até o seu âmago – pois a única forma promissora de continuar com ela exige que se encare a tarefa de cortar essas raízes. O século vindouro pode muito bem ser a época da derradeira catástrofe. Ou pode ser o tempo em que um novo pacto entre os intelectuais e o povo - agora significando a humanidade em seu conjunto – seja negociado e trazido à luz. Esperemos que a escolha entre esses dois futuros ainda nos pertença.
Trechos da obra Medo líquido (Zahar, 2008), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), tratado sobre a origem, a dinâmica e os usos do medo, o pavor da morte, o medo e o mal, o horror do inadministrável, o terror global e o pensamento contra o medo, fazendo um inventário dos medos presentes e apresentando um diagnóstico mapeado das origens comuns das ansiedades contemporâneas, analisando os obstáculos para o pleno conhecimento da situação e eimaninando os mecanismos que possam deter a influencia do medo sobre as vidas humanas. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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A poética do espaço de Gaston Bachelard, Neurociência cognitiva de Steven Pinker, Visão hoslística em psicologia e educação, a música de Renato Borghetti, a pintura de Antonio Rocco, Mácia Malucelli, Menalton Braff & Diego Lucas aqui.
Literatura de cordel: Melancia & Coco Mole aqui.
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Barrigudos, afagando o ego aqui.
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Ah, se em todo lugar houvesse amor, Origem do indivíduo reprimido de Herbert Marcuse, Exército da arte de Vladimir Maiakovski, Teatro pobre de Jerzy Grotowski, o cinema de Ken Loach & Eva Birthistle, a pintura de Edgar Degas, Os Saltimbancos de Chico Buarque, Brincarte & Literatura Infantil & O lobisomem zonzo aqui.
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Os feitiços da paixão, Ação cultural para a liberdade de Paulo Freire, Aforismos de Oscar Wilde, Poesia viva do Recife de Juareiz Correya, a música de Yanto Laitano, a coreografia do Corpo, a pintura de Ernst Ludwig Kirchner, a arte de Ericka Herazo & Larry Carlson aqui.
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MEDOS & SUPERSTIÇÕES DE RALPH LEWIS
Deve-se compreender que a superstição jamais existe onde as causas reais de uma coisa ou condição são conhecidas, ou onde o fato pode suplantar a suposição. [...] Quase todo homem acredita que nada realmente acontece por acaso e que existe uma causa para todas as coisas, conhecidas ou desconhecidas do homem. Se o homem compreende a causa, ele tente utilizá-la ao máximo ou procura evitar seus resultados, se os considera perigosos ou prejudiciais. Quando, contudo, não consegue perceber ou compreender a causa, ainda, assim, não declara que a ocorrência foi um acidente. Em vez disso, a atribui, com mais frequencia, a uma causa desconhecida. Porém, a menos que seja bastante inteligente, na maioria das vezes, atribui as causas desconhecidas a poderes sobrenaturais; isto é, se não pode perceber uma causa ou compreendê-la, em sua opinião, ela deve pertencer a outro mundo ou esfera de influencia. Nisso vemos, também, o ego do homem. Este tema e respeita as coisas que não pode compreender ou dominar. [...] Para evitar sermos supersticiosos, o que temos de fazer, é, primeiramente, tentar compreender as causas das coisas; se não conseguirmos, não devemos presumir que conhecemos a causa. Tal presunção, sem base em fatos, é perigosa. Segundo, lembrar-nos de que não existe o chamado sobrenatural; há apenas leis Cósmicas e naturais que existem por todo universo. O sobrenatural é um termo inventado pelo homem, para explicar-se a si mesmo, ou tentar explicar o que não compreende. [...]
Trechos extraídos da obra O santuário do eu (Renes, 1976), do escritor e místico Ralph M. Lewis (1904-1987), que adotou o pseudônomo de Sir Validivar. (Imagem: Sanctuary by Sarah Treanor). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado, a violinista e maestro britânica Rachel Podger, o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ARTE DE SOPHIA NARRETT