sábado, abril 22, 2017

O BRASIL & OUTROS BRASIS, SICKO DE MOORE, SOS SAÚDE & BEATRICE TOSI.

O BRASIL & OUTROS BRASIS -Tem Brasil pra todo gosto, quem manda é o freguês. Todo mundo está careca de saber que tem o Brasil pra FIFA, pra Fórmula 1, pras Olimpíadas, tem até o mundo todo dentro do Brasil. Duvida? Tem o das tantas e muitas crenças e cultos, dos tantos e muitos carnavais, de todas as ideologias, das loterias & apostas, das festas de dia santo e feriados, das ondas de todas as modas, das gafes e chistes, da hipocrisia e falso moralismo, do que se diz que é e não é, do que não se diz e é, da propaganda enganosa, do BBB, dos telejornais – que apesar da espetacularização e da instantaneidade, mostra só uma banda das bandas: os interesses dominantes; tem o da roubalheira e das belezas naturais poluídas; o dos políticos que abusam do óleo de peroba, o das florestas que quase nem existem mais; o dos novos ricos e falidos metidos a besta; o das epidemias de todos os tipos de epidemias que logo viram calamidade pública e até as que foram erradicadas ou as que nunca existiram e aparecem assim do nada de repente quando menos se esperava; tem o dos helicópteros e dos recordes negativos, o dos remédios e placebos de ocasião, o da soja, o da cana, o do ouro que ninguém sabe de onde vem, o do tráfico de tudo, o da formação de todas as quadrilhas, o dos fazendeiros e latifundiários de todas as monoculturas, o dos bacanas, o dos salafrários, o dos sacanas e o dos usurários, e tantos muitos outros que se misturam e se renovam na mais inovadora diversidade. Tem Brasil de todo tipo: o do primeiro mundo que é só de fachada, o do segundo mundo pras arrumações dos seletos e servir ao primeiro, e o terceiro que é a tragédia de tudo e ninguém faz nada porque não se vê no meio da desgraça, mas que serve ao primeiro e ao segundo, sim senhor, tudo certo, muito bem. Tanto é que em uma pesquisa os brasileiros foram indagados: - Você é feliz? Sou, dentro da minha realidade, sou (e essa a resposta da esmagadora maioria consultada de norte a sul, leste a oeste do país). E o brasileiro é feliz? Nunca, nunquinha (resposta de 100% dos entrevistados). E você nasceu e vive aonde mesmo? Nasci e vivo no Brasil (idem anterior). E é? Eu, hem!?! Que coisa! Pois é. O Brasil de verdade, esse é pouco, senão minimamente mostrado, afora o que não é nem cogitado quanto menos visto – mesmo que se veja ou esteja a um palmo do nariz é ignorado. Tem até o Brasil dos invisíveis, esse o maior de todos: ninguém vê, não sai na telinha, é reprimido e expulso pras escondidas periferias e pendurados na beira de qualquer morro em qualquer cidade desse Brasilzão afora, sem contar com a que ninguém vai ou nem quer saber. Se tantos ou muitos, ainda é pouco. Na verdade, por trás de cada um há outros Brasis. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

O BRASIL & OUTROS TANTOS BRASIS
O Brasil é o país da violência institucional. As primeiras e principais vítimas: todo cidadão e cidadã deste país que, inevitavelmente, precisam dos serviços públicos. Os servidores são conscientemente algozes dos primeiros e, inconscientemente, as segundas vítimas de um sistema perverso que permeia a engrenagem de toda disfuncional burocracia brasileira que só serve pra uns poucos milhares de gatos pingados lavarem a jega. (LAM)

Veja mais sobre:
O Brasil na festa do Fecamepa, a música de Marlos Nobre, a literatura de Anna Bolecka, a arte de Adriana Varejão & Sophia Monte Alegre aqui.

E mais:
Numa roda de choro, Chorinho brejeiro de Dalton Trevisan, Almanaque do choro de André Diniz da Silva, a música d’O Charme do Choro, a pintura de Marina Bonifatti & Sérgio Marques da Silva Júnior aqui.
O jacaré & a princesa, Catxerê, a mulher estrela, a Metafísica de Immanuel Kant, Lolita de Vladimir Nabokov, a música de Bach & Yehudi Menuhin, o teatro de Thomas Stearns Eliot, o cinema de Éric Rohmer, a arte de Mae West. a pintura de Paul Sieffert, Domingo com Poesia & Natanael Lima Júnior aqui.
Aurora nascente de Jacob Boehme, a Teoria Quântica de Max Planck, o teatro de William Shakespeare, a música de Pixinguinha, o cinema de Michael Moore, a pintura de Marcel René Herrfeldt, a arte de Brigitte Bardot & a Biopoesia de Silvia Mota aqui.
Educação & direito ambiental porque todo dia é dia da terra aqui.
Eu & ela naquela noite todas as noites aqui.
O evangelho de José Saramago aqui.
Günther Jakobs & o direito penal do inimigo e do cidadão aqui.
Educação Infantil, a psicologia de Abraham Maslow, a música de Sergei Rachmaninoff, a poesia de Nauro Machado, a pintura de Edgar Leeteg, A pesca das mulheres, a arte de Luz del Fuego & Lucélia Santos aqui.
O teatro de William Shakespeare, a literatura de Émile Zola & Hans Christian Andersen, Casanova de Fellini, a música de Emmylou Harris, a escultura de Harriet Hosmer, a Rainha Zenóbia, a pintura de Max Ernst & Contos de Magreb aqui.
Até onde o amor levar, Sidarta Gautama, o teatro de Constantin Stanislavski, a música de Maria Rita, a escultura de Carlos Baez Barrueto, a pintura de Clare Rose, Luciah Lopez & a poesia de Ieda Estergilda de Abreu aqui.
Da vida, meio a meio, O suicídio de Karl Marx, a poesia de Mário Quintana, a música de Girolamo Frescobaldi & Jody Pou, A estrutura do todo de Andras Angyal, a fotografia de Mário Cravo Neto, a pintura de Mario Zanini & Arna Baartz aqui.
O poema nasce na solidão, a poesia de Adélia Prado, a psicanálise de Carl Gustav Jung, a psicologia educacional de David Ausubel, a arte de Salvador Dali & Cristiana Reali, a música de Cynthia Makris, a pintura de Catherine Abel & Luciah Lopez aqui.
Andejo da noite e do dia, O caminho interior de Graf Dürckheim, A cultura da educação de Jerome Bruner, a poesia de Giuseppe Ungaretti, a música Ricardo Tacuchian, a fotografia de Ana Carolina Fernandes, a coreografia de Célia Gouvêa, a pintura de Tess Gubrin & Kerry Lee aqui.
Nunca fui e quando inventei de ir não era pra ter ido, A pedagogia do sonho de Paulo Freire, O narratário de Vitor Manuel de Aguiar e Silva, a literatura de Tessa Bridal, a música de Quinteto Violado & Dominguinhos, a escultura de Pedro Figueiredo, a arte de Marcela Tiboni & a pintura de Victoria Selbach aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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SICKO: A SAÚDE DE LÁ – E A DE CÁ, COMO SERÁ?
Sicko (S.O.S. Saúde, 2007), drama independente do cineasta Michael Moore que trata do sistema de saúde dos Estados Unidos, analisando as crises e observando porque milhões continuam se seguro saúde adequado para tratamentos. PS: Se lá que é lá é assim, como será aqui no Brasil? Veja mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: arte da artista italiana Beatrice Tosi.
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sexta-feira, abril 21, 2017

HANNAH ARENDT, EGOROV, HANLEY & AGANOCÊ

AGANOCÊ: O POEMA FEITO PROSA DE AMOR – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Sou coração na mão, carne esquartejada, andarilho errante na noite pavorosa dos dias imensos, a mendigar pousada para minhas andanças no seu coração nu deitado ao Sol. Ouço em voz alta a respiração dos segredos que delineiam seu corpo e me provocam arguto sedutor, a perseguir cada mínimo fluir de sua fruição provocante, a me fazer descarga além da vontade de viver desembaraçado por seus entornos, que me fazem viandante ao eterno retorno do que sou em você. Uma vez e mais vezes tantas fui o primeiro a tocar a pele do seu poema vivificante e nele revivi a embriaguês do vinho nobre na satisfação de entontecer e celebrar a mais lúcida das alucinadas sensações de viver e amar, para rastejar novamente do fim ao ponto inicial de cada ato indispensável. Instantes eternizados na minha fome e sede, fizeram de você a estrela que se deseja por guia e a perseguir noitedia as tantas veredas que me levam ao futuro prometido de aportar no cais de sua morada eterna. Nela é tudo começo e recomeço com idas e voltas à porteira do mundo e refaço contumaz a vez primeira pela milésima vez, como se não bastasse apenas ter de ir ou ficar, mas ir e vir para reviver o novo de sempre e a novidade da revisita. Tudo é extremamente inigualável, por ter sido o que foi e é no que será cada vez provado, cada vez sentido, cada vez saboreado como um novo gosto na mesma tigela sedutora e inesgotável. Emerso, restauro o fôlego para tibungar afoito recorrente no paroxismo dos seus versos transbordantes que saltam da sua boca, seios, ventre, e me enredam nas suas aconchegantes súplicas e inescapáveis seduções. Inteiro e firme sou aquele que chegou para ficar e fazer morada pra sair e voltar pela calada da noite dos seus murmúrios e me aninhar pelas manhãs saltitantes de sua euforia receptiva e surpreendente. Renovando a vida a cada dia no que sou em você, perfilados, meu sexo no seu, somos agá, a ponte entre o presente e a entrega, onde aprendo a pôr pedras para edificar o abrigo onde achei o que perdi, juntando meus pedaços a se completar no seu ser de mar aberto. O que ganho não se perde, a fonte perene de sua carne recrudesce a minha língua entre seus lábios e meu falo revivendo no seu fogo e flama, inexplicáveis e vivificantes e arrebatadoras sensações de infinitude e amplidão. Meu coração das minhas mãos pro seu, vai longe suas entranhas para ser reinação e festa no que de seu me pertence para devolver mutuamente até não saber mais o que é de meu e seu por ser minha. Vai mais e longe além porque meus braços envolvem sua esplendorosa feitura torsal, deslizando sua magnânima sinuosidade dorsal, a desconhecerem o que perto ou longe se faz entre o querer e o prazer. Ouço sua voz e a poesia é viva em meu ser, porque cada palavra brota de novos versos e reversos de sua manifestação mais íntima para se realizar no que de mim é mais que sentimento. Cada verso renovado e o cheiro de sua flor, cada sílaba e o perfume do seu roseiral, cada palavra que me chega e o suor de sua magnífica exalação, recompõe meu ser e me faz seu poema transformado em beijos que lhe distribuo aos montes. E teimoso requerente eu refaço trajeto no que é de seu pra mim, com zilhões de novos beijos, ternura antiga e zis afetos para sermos festa a toda hora e o dia todo, vivendo a nossa orgia viva e transbordante. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história.
Pensamento da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
A terra & o porvir da humanidade, Fecamepa, a pintura de Paul Gauguin, a música de Nivaldo Ornelas & a literatura de Adelino Magalhães aqui.

E mais:
A literatura de Hilda Hilst, o teatro de Antonin Artaud, a História da Literatura de Silvio Romero, a Esfera Estética de Max Weber, a música de Al Di Meola & Cynthia Makris, o cinema de Russ Meyer & Lorna Maitland, a pintura de Ludovico Carracci, a poesia de Iramar Freire Guimarães & Programa Tataritaritatá aqui.
A literatura de Clarice Lispector, o pensamento de Emil Cioran & Hilton Japiassu, Darcy Ribeiro & Fecamepa aqui.
As fases da persecução penal brasileira e o prazo razoável aqui.
Cantarau, a poesia de Thiago de Mello & Paul Verlaine, Hannah Arendt, Melanie Klein, o teatro de José Celso Martinez Corrêa, a pintura de Francisco de Goya & Vincent Van Gogh, a música de Tracy Chapman, o cinema de Warren Beatty, a arte de Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.
Nênia de Abril, Os filhos do barro de Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, o Cogito de René Descartes, a música de Joseph Haydn, o cinema de Nagisa Oshima, a pintura de William Morris Hunt & Programa Tataritaritatá aqui.
Do amor e da vida, a História da Sexualidade de Michel Foucault, a educação sexual de Isaura Guimarães, a pintura de Di Cavalcanti & Daphne Todd, a música de Giacomo Meyerbeer, a poesia de Antônio Cícero, Nascente & a entrevista de Marina Lima aqui.
Cantos do meu país, o Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, o pensamento de Mário Schenberg, a música de Ivan Lins & Vitor Martins, o teatro de Plínio Marcos, a fotografia de Marcia Foletto, Claudia Alende & o cinema de José Mojica Marins aqui.
Pelo jeito, o doro agora vai, a literatura de Antônio Alcântara Machado, a poesia de Eugénio de Andrade, a biopsicologia de John P. J. Pinel, a música de Mary Jane Lamond, a fotografia de Harry Fayt & a pintura de Ana Maia Nobre aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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Livros Infantis do Nitolino aqui.
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A arte do escultor e fotógrafo cazaquistanês Dmitri Egorov (1869-1931).

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: art by Jack Hanley.
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quinta-feira, abril 20, 2017

NOEL & BOSCO, DRÁCULA DE STOCKER, MARIO CRAVO NETO & BESOURO DOIDO INVENTANDO MODA

A PAIXONITE DO BESOURO DOIDO INVENTANDO MODA - Imagem: Icaro, art by Juan Yanes. - Naquela tarde Robimagaive quase perde o juízo de vez. Quando viu aquela moça linda de morrer, no seu tope, toda jeitosa, toda tuda, saiu do prumo e foi acometido na horinha por uma paixonite agudíssima, daquelas avassaladoras que ficam encruadas no juízo do sujeito, do cabra endoidecer e ser levado pra condenação eterna do sofrimento e não ter mais remédio pro resto da vida. Avexou-se todo, ficou como quem procura canto pra chocar, todo inheto feito quem está com um cotoco no rabo de não poder nem parar quieto em canto que fosse. - Eita, esse tá cá gota! Maior obsessão tomou conta dele de não ter jeito de ficar longe daquela que queria pra mãe dos seus filhos e dona do seu lar: - Avião desse a gente não perde a viagem nunquinha! Oxe, alinhou as ideias e não quis passar em branco. Aproximou-se dela, afinou a goela no pigarreado dos ran-rans aprumados, ajeitou a gola, estufou o peito e caprichou no flerte: deitou pra cima dela a maior lábia, passando a maior cantada. Ela, com a peculiar indiferença das beldades, franziu o cenho e encarou a lata do rapaz: - O senhor está passando bem? Eu lhe conheço, por acaso? Hã? Ah, Procure um médico ou um exorcista, se preferir, pra cuidar do seu delírio. Deu-lhe as costas e saiu na sua, maior rebolado de endoidar até o papa, imagine como ficou o dito cujo. Quando tornou a si, ela já havia sumido. Quem é ela? Onde mora? Depois de dias vagando errante à procura da paixão desesperadora, tomou conhecimento tratar-se de Dalzuíta, a prima da Vera. Aquela? Isso mesmo, rapaz. Minha nossa! Aí ele botou a maior beca: topete no tuim, costeleta caprichada, óculos escuros no pau da venta, camisa quadriculada só atacada no umbigo e deixando à mostra na caixa dos peitos uma volta com um medalhão graúdo, roscofe num pulso, bracelete e pulseira no outro, fivela enorme no cinturão pelo cós e reatas do jeans surrado boca de sino das grandes e montado no maior cavalo de aço, potoque, potoque, potoque. Quando ela apareceu na esquina arrasando quarteirão, o bestão sacudiu o charme xucro e imprimiu marcha firme de chegar perto, bater os calcanhares em continência e pregar os olhos nela, armando xaveco disparatado. Assustada com a chegada inesperada do intruso, ela arregalou os olhos e com ar de desprezo: - Pronto, danou-se tudo! Sai-te! Pra chegar aqui, meu nego, tem que ter grana e possante veloz, sacou? Deu-lhe as costas sacudindo o queixo de nem querer saber. Azuretado, sem saber o que fazer, deu-lhe um aluamento de só passar uns dez dias depois, todo serelepe pra conquistar a moça, agora com o fusquinha pereba todo incrementado, pintura cheia dos garranchos e cores pra rebocar a ferrugem e desgraceira, arrancou os paralamas para adaptar quatro pneus de avião, mandou confeccionar um bigode raçudo pra servir de para-choque, um som de não sei quantos watts de babaca, buzinaço com arroto, debreada com peidos e pipocos, um par de chifres graúdos no capô e um rabo de peixe na traseira que mais parecia carrossel de festa de tão iluminado. Todo pabo, pulou dentro, passou primeira e partiu na fubica pra impressionar aquela que seria a dona do seu coração. Depois de umas voltas pra cima e pra baixo por quase duas semanas sem achar paradeiro, eis que cruza com ela numa esquina, encosta de qualquer jeito e salta pra saudar-lhe na maior gamação. – Meu senhor, não será com qualquer borreia que irá me conquistar, não, viu? Cresça e apareça! De Ferrari pra cima, possante tem que ser voador. Aí ele parou no ar, pulou no mandú e saiu a toda, até quase se foder numa abalroada da porra perto de casa. O homem estava perdido de tudo. Dias e noites seguidas e só se ouvia o martelado do aperreado na maior faina. Ele não havia deixado por menos a dica: pegou um resto duma moto cinquentinha que estava no meio de um monturo de tranqueiras, adaptou ferragens e assento, duas saliências laterais que davam ideia de asas – vôte! –, vestido num blusão negro, luvas, botas de cano longo, um capacete com microfone auricular e um megafone com antena em cima dele e saiu acelerando o ronco pras bandas dela. Quando ela reapareceu, aproximou-se e começou a falar de ninguém entender nada. E ela: - Hem? Será esse o besouro doido? O que se passa com esse louco, hem? Ele apontava pro ponto mais alto da região e mais falava e nada se entendia. Ela abriu os braços como quem entendia patavina, sem saber o que ele estava dizendo, aí ele arretou-se, acelerou a moto, apontou pro morro e zarpou feito quem ia pro tudo ou nada. Ela nem aí, seguiu sua caminhada, quando percebeu meio mundo de gente correndo na direção contrária. Virou-se pra saber do que se tratava e viu o povo falando na maior algazarra: - Vai! Vai! Vai! E ela: - Ah, vai se foder mesmo! Era ele pendurado no bico do morro anunciando que ia pular de lá de cima. Aliás, pra ele mesmo ia era voar; para todos, ele ia mesmo era se lascar. E assim foi. Ele retrocedeu descendo em marcha-ré pra pegar distância, fez carreira acelerando tudo e zum: abriu os braços como quem estivesse voando. Não foi isso que se deu, dali ele despencou na maior queda estuporada. Resultado: foi tanta fratura exposta, costelas partidas, dedos saíram do lugar, pescoço empenado, vértebras soltas, pênis envergado, até a língua o fuleiro quebrou, de não ter jeito nem de pegá-lo pra botar na maca, onde puxasse se soltava, o cúmulo do espragatado. Findou bandagem por todo corpo, gesso nos membros, um horror: mais parecia uma múmia robô. Dalzuíta perguntou ao primeiro que passou: - E aí, o cara morreu? Nada, lascou-se todo, mas tá vivinho da silva. E ela: - Pudera, vaso ruim não quebra. Dele só dava pra ouvir solfejando o Gago Apaixonado de Noel. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

GAGO APAIXONADO
Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago
Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago
Não po-posso com a cru-crueldade da saudade
Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago
Tem tem pe-pena deste mo-moribundo
Que que já virou va-va-va-va-ga-gabundo
Só só só só por ter so-so-sofri-frido
Tu tu tu tu tu tu tu tu
Tu tens um co-coração fi-fi-fingido
Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago
Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago
Não po-posso com a cru-crueldade da saudade
Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago
Teu teu co-coração me entregaste
De-de-pois-pois de mim tu to-toma-maste
Tu-tua falsi-si-sidade é pro-profunda
Tu tu tu tu tu tu tu tu
Tu vais fi-fi-ficar corcunda!
Gago apaixonado, música do sambista, cantor, compositor, bandolinista e violonista e Noel Rosa (1910-1937), incluída no álbum Dá licença meu senhor (Epic Records, 1995), do cantor, violonista e compositor João Bosco. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
As dez vidas e a cabeça roubada, A natureza das coisas de Bernardino Telesio, a música de Joana Holanda, a arte de Kevin Taylor, a pintura de Pedro Américo & Odilon Redon aqui.

E mais:
Dalzuíta: o infortúnio da prima da Vera aqui.
Os pipocos da loucura de Robimagaiver aqui, aqui e aqui.
A paixão avassaladora quando ela é a terrina do amor aqui.
Brincarte do Nitolino, O calor das coisas de Nélida Piñon, a poesia de Augusto dos Anjos, a música de Igor Stravinski, a pintura de Joan Miró, o teatro de Eugène Ionesco, o cinema de Graeme Clifford & Jessica Lange, a arte de Frances Farme, As emoções de Suely Ribella, Papel no Varal & Ricardo Cabús aqui.
Cordel do meio ambiente aqui.
Na avenida Jatiúca, Maceió, O império do efêmero de Gilles Lipovetsky, a História da feiúra de Umberto Eco, o Deserto do real de Slavoj Žižek, Moema, a música de Quinteto Armorial, a poesia de Juareiz Correya, a pintura de Victor Meirelles & Felicien Rops, o cinema de Michael Winterbottom & Anna Louise Friel aqui.
Quando o futuro chega ao presente, Escritos de Michel Philippot, as Fronteiras do Universo de Phillip Pullman, As contantes universais de Gilles Cohen-Tannoudj, a música de Antonín Dvořák & Alisa Weilerstein, a pintura de Willow Bader, a arte de Lorenzo Villa, a fotografia de Katyucia Melo & a poesia de Bárbara Samco aqui.
Mais que tudo o amor, a poesia de Pablo Neruda, o teatro de Antonin Artaud, o pensamento de Pierre Gringore, a música de Ana Rucner, a fotografia de Daniel Ilinca, Mariza Lourenço & Luciah Lopez aqui.
Brincando com a garotada, Lagoa Manguaba, a música de Maria Josephina Mignone, a poesia de & William Blake & Joana de Menezes, a literatura de Luiz Antonio de Assis Brasil, a pintura de Thomas Saliot & Tempo de amar de Genésio Cavalcanti aqui.
Doro: querem me matar, O bom dia para nascer de Otto Lara Resende, a comunicação interpessoal de John Powell, a poesia de Gilberto Mendonça Teles, o teatro de Patrícia Jordá, a arte de Carmen Tyrrell, a música de Mona Gadelha, a Pena & Poesia de Luiz de Aquino Alves Neto aqui.
Andarilho das manhãs e luares, O Homo ludens de Johan Huizinga, Todas as coisas de Quim Monzó, a psicanálise de Françoise Dolto, a música de Gustav Holst, a pintura de Ludwig Munthe, a arte de Elena Esina & Tom Zine aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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DRÁCULA, DE BRAM STOCKER
[...] Acreditas no destino? Que até os poderes do tempo podem ser alterados com um único propósito? Que o mais afortunado dos homens a caminhar neste planeta é aquele que encontra… o amor verdadeiro? [...] O amor é mais forte que a morte. [...].
Trechos do romance Drácula (Zahar, 2010), do escritor irlandês Bram Stocker (1847-1912), Veja mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: a arte do fotógrafo, escultor e desenhista Mario Cravo Neto (1947-2009).
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quarta-feira, abril 19, 2017

BANDEIRA, QORPO SANTO, BELMONTE & ÍNDIO DA TERRA.

ÍNDIO DA TERRA – Minha carne é esta terra e é ela que me faz igual a tudo que é vivo e sagrado. É nela que sobrevivo como o filho que cresce nas águas dos rios e não para de seguir suas correntes rumo ao mar. É nela que o sonho de fruta boa mata a sede e alimenta o dia desde a raiz pro perfume das rosas, o mel das abelhas. É nela que as nuvens trazem a chuva e lava o mundo pra que tudo frutifique com o florido das coisas pro nosso prazer no nascer e no pôr do Sol. É nela que o arco íris faz o sinal da paz de si, das gentes, dos bichos e feras das matas e florestas, das aves que voam e gorjeiam pra alegria de tudo, porque a felicidade da cidade vem do mato como a brisa e a sombra pra refrescar o suor no calor da tarde. É dela que a riqueza vem das mãos no trabalho e é a mesma que cuido e tiro meu sustento e vida, enquanto os dedos que não sabem apontam pro que se move, porque as flores, folhas e galhos das árvores e toda natureza embelezam a vida e ensinam pra gente o que é dar sem nada em troca. É nela que sei tudo que sou porque sou eu e todos nós que pisamos a areia nos caminhos que se perdem no horizonte, revirando pedras, vencendo morros e a seguir na trilha que cada um seja como o Sol que brilha para todos, como a lua brinca com as estrelas da noite, como o infinito que a gente não sabe onde vai dar. É nela que não tenho nada pra dizer ou reclamar, porque cada olhar, gesto ou ação já dizem por si mesmo. É nela que aprendo a ver o oculto em cada expressão natural das coisas e saber que o muro é a barreira entre o que se quer e o que não quer, na excludência do egoísmo, a discriminação do indiscriminável. É dela que sei todas as paredes pra clausura de quem não sabe viver tudo e se reduz a nada no campo aberto, como quem só sabe consumo e desperdício e fazer o que não gosta pra ter o que quer, enganando a si mesmo e no seu sorriso a esconder choros e lamentações. É nela que vejo passar os que são e não se reconhecem herdeiros da sina: só na posse dos que não tem nada na miséria de todo dia. É nela que passam os que se negam pra si e pros outros, os que cultuam a mentira feita de verdade a pulso de séculos, os que se assumem mamelucos a serviço do mando, e os que perderam a língua e o seu chão, todos cônscios de que são os algozes que odeiam e traçaram os seus próprios destinos. É nela que aprendi a lição: onde todos estiverem, eu estou, sou filiado à humanidade no júbilo de saber a terra que é tão minha quanto de todos e a vida festejando em todo canto. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

TESTAMENTO
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!
Testamento, poema extraído da Antologia Poética (José Olympio, 1974), do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Um dia no meio das voltas que o mundo dá, o pensamento de Alan Watts, a música de Tatiana Catanzaro, a pintura de Joan Miró & Educação para paternidade/maternidade aqui.

E mais:
Alvoradinha, o curumim caeté, a literatura de Lygia Fagundes Telles, a poesia de Manuel Bandeira, o teatro de Qorpo Santo, o cinema de Tim Fywell & Ashley Judd, Marilyn Monroe & Jayne Mansfield, a pintura de Fernando Botero, a música de Roberto Carlos, Psicologia Social: infância, imagem & literatura aqui.
Eu & ela na festa do céu, Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE), Umbigocentrismo, Doro & a embromação do banco aqui.
O lance da minissaia, Derinha Rocha & Zine Tataritaritatá aqui.
Itinerância, O segredo das mulheres de Albertus Magnus, a literatura de Bruce Chatwin & Eça de Queiroz, o teatro de Elias Canetti, a pintura de Henri Rousseau, a música de Samantha Fox, Políticas Públicas, a arte de Ana Claudia Talancón & Nobuo Mitsunashi aqui.
Maceió, uma elegia para os que ousam sonhar, a literatura de Mario Vargas Llosa & Autran Dourado, o teatro de Máximo Gorki, a música de Sarah Vaughan, o cinema de Suzana Amaral, a pintura de Carl Barks, o folclore de Luís da Câmara Cascudo, a arte de Dianne Wiest, a fotografia de Jannyne Barbosa & A burrinha de padre aqui.
Pra tudo tem jeito, menos pro que não pode ou não quer, A consciência fragmentada de Renato Ortiz, A teoria e a prática de Adalberto Marson, o teatro de Rubens Rewald, o cinema de Wayne Wang & Gong Li, a pintura de Geraldo de Barros & Katia Almeida, a música de Paula Morelembaum, a escultura de Émile Antoine Bourdelle, a coreografia de Eugenio Scigliano, a entrevista de Ulisses Tavares, a arte de Lisa Yuskavage & Wanda Pepi, Baghavad Gita, Neuroeducação & Até tu, Zé Corninho aqui.
Tudo tem seu lado bom & ruim & vice-versa, a obra secreta de Hermes Trismegistus, A linguagem de Ludwig Wittgenstein, O homem criador e sensato de Alan Watts, a música de Mozart & Alicia De Larroch, a poesia de Mariana Ianelli, a coreografia de Merce Cunningham, o teatro de Maria Adelaide Amaral & Marília Pêra, o cinema de Don Ross & Christina Ricci, a escultura de Aristide Maillol, a pintura de Johfra Bosschart & Sharon Sieben, a fotografia de Luiz Cunha, a ilustração de Ana Starling, Flor do Una de Juarez Carlos, a entrevista de Valquiria Lins, a arte de Rodrigo Branco, A criança: Vygotsky e o Teatro & O evangelho segundo Padre Bidião aqui.
Precisamos discutir sobre os próximos 20 anos, As vitórias e derrotas de Zygmunt Bauman, A vida íntima e privada de Fernanda Bruno, a coreografia de Janice Garrett, a poesia de Carolina de Jesus, o teatro de Tennessee William, o cinema de Jules Dassin & Melina Mercouri, a entrevista de Rejane Souza, a arte de Arlinda Fernandes & Alessandra Tomazi, a música de Irina Costa, Brincarte & Literatura Infantil, Luciah Lopez & Canção de quem ama além da conta aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro, o pensamento de Carl Gustav Jung, O homem e a sociedade de Wilfred Ruprecht Bion, A atualidade de Georg Simmel, a escultura de Wilhelm Lehmbruck, a literatura de Eduardo Caballero Calderón, o teatro de Oduvaldo Vianna Filho & Helena Varvaki, a arte de Tracey Emin & Samuel Szpigel, a entrevista de Katia Velo, a música de Tarita de Souza, a fotografia de Rebeka Barbosa, a arte de Karen Robinson & Luiz Paulo Baravelli, Cidadania nas Escolas, Por mais que a gente faça nunca será demais & Do que fui e o que não sou mais aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra, Platão, O afeto e o apego de Edward John Bowlby, Nascente & a entrevista de Geraldo Azevedo, Sociedade sem escolas de Ivan Illich, o teatro de Nelson Rodrigues, a pintura de Cândido Portinari, a música de Zap Mama & Marie Daulne, a coreografia de Katherine Lawrence, a fotografia de Ryan Galbrath & Mario Testino, a poesia de Bastinha Job, o cinema de Shohei Imamura & Misa Shimizu, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia, a arte de Rachel Howard, Depois das eleições & De cara pro futuro, levando tudo nos peitos, munheca em dia & pé na tábua aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
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RELAÇÕES NATURAIS DE QORPO SANTO
[...] Estou só a escrever, a escrever; e sem nada ler; sem nada ver (muito zangado). Podendo estar em casa de alguma bela gozando, estou aqui me incomodando! Levem-me trinta milhões de diabos para o céu da pureza, se eu pegar mais em pena antes de ter... Sim! Sim! Antes de ter numerosas moças com quem passe agradavelmente as horas que eu quiser. (Mais brabo ainda.) Irra! Irra! Com todos os diabos! Vivo qual burro de carga a trabalhar! A trabalhar! Sempre a me incomodar! E sem nada gozar! - Não quero mais! Não quero mais! E não quero mais! Já disse! Já disse! E hei de cumpri-lo! Cumpri-lo! Sim! Sim! Está dito! Aqui escrito (pondo a mão na testa); está feito; e dentro do peito! (Pondo a mão neste.) Vou portanto vestir-me, e sair para depois rir-me; e concluir este meu útil trabalho! (Caminha de um para outro lado; coça a cabeça; resmunga; toma tabaco ou rapé; e sai da sala para um quarto; veste-se; e sai o mais jocosamente que e possível.) Estava (ao aparecer) eu já ficando ansiado de tanto escrever, e por não ver a pessoa que ontem me dirigiu as mais afetuosas palavras! (Ao sair, encontra uma mulher ricamente vestida, chamada Consoladora).
Trecho da comédia em quatro atos Relações naturais, extraída da obra As relações naturais e outras comédias (Peixoto Neto, 2007), do dramaturgo, escritor e jornalista brasileiro José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido como Qorpo Santo (1829-1883). Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: ilustrações extraídas da obra Ideias de João Ninguém (José Olympio, 1935), do caricaturista, pintor, cartunista, escritor e ilustrador Belmonte (1896-1947).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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terça-feira, abril 18, 2017

LOBATO, CHAUÍ, MÁRCIA HAYDÉE & O VEXAME NO XAMBREGO!

O VEXAME NO XAMBREGO – Zé Corninho não dá uma dentro, tudo sai errado. Mesmo não tendo como, ele desanda no desserviço. Até no dia que a patroa dele faz tudo pruma noite pra lá de festiva, a coisa finda no maior rebuliço. Foi assim: era uma sexta feira de comemoração, um assustado promovido pela vizinha pros casais fazer as pazes. A mulherada se reuniu na maior deliberada sobre uma noite apimentada com seus respectivos maridos e deram asas à imaginação. Tudo que queriam era dar uma amarrada cativa no funcionamento deles na hora do rala-e-rola,. Como eles andavam devendo no comparecimento, elas resolveram usar de recursos criativos pra coisa na horagá pegar fogo. Festinha, bebidas, afrodisíacos e, sobretudo, provocações eróticas regadas a utensílios escolhidos a dedo numa dessas lojas de prazer. Lá foram em comitiva, reviraram tudo pelo avesso e saíram às risadinhas sacanas, cada qual com sua estratégia romântica e maledicência no juízo: - Hoje ele me paga! Quando a noite desceu, deu-se o combinado: elas se banharam, sapecaram as roupas mais provocantes – decotes ousados, lascão na saia do tornozelo ao bico do pinguelo entre as coxas, cinturinhas a pulso de pilão espremidas por cintas arrochadas, unhas pintadas, maquiagem excessiva, cabelos alisados na marra, saltos altos, perfumes fortes e muito espalhafato. Quando os distintos chegaram – alguns já levados de bebum aos tombos -, foram todos lavados, ajeitados e embecados conforme o gosto da distinta. Tudo pronto, juntaram a reca toda na casa da vizinha e deu-se o maior rastapé até altas horas. Zé Corninho que sempre foi o maior pé de valsa, fez a dança não só com a dele, mas com a de todos, findando, pelo remexido de coxas e passos no maior xambrego, numa situação paudurescente, dele ser tratado aos beliscões, tapas, empurrões e juras vingativas. Parecia o fim da festa, mas não. As madames não queriam perder a viagem e cada qual se aboletou no maior chamego com o que era de seu, mandando ver no desfile. O que era pra ser uma noite romântica inesquecível, encaminhava pra mangação. Aí elas perderam a paciência e partiram pros finalmentes: cada qual rebocou seu traste pro seu ninho de amor. Aí que começou a dar errado mesmo. É que, por exemplo, a distinta esponsal do Zé Corninho achou de colocar umas bolinhas na perseguida dela e um anel peniano nele, coisa que nunca usaram, nem sabia como era mesmo e, no começo, parecia até que ia vingar pra lá de bom. Destá. Quando o vuque-vuque começou a rolar, a coisa não saiu lá como o previsto: as bolinhas colaram na parte interna dos beiços vaginais dela e o anel nada funcionar direito. Aí começou o como é que faz isso, como é que tira isso,e nada de dar certo. Só vexame e vira e mexe e, cada vez mais, piorando. A hora se passando, os dois agoniados, ele a ponto de ter um troço, resolveram correr pro hospital. Lá chegando deram de cara com a desgraça: além de todos os conhecidos estarem testemunhando a desandada, também os casais vizinhos já estavam sendo atendido na emergência. Vixe, deu tudo errado. Era um casal nu engatado de não se soltar enrolado no cobertor, era outro com vibrador entalado no rabo, mais outro com um preservativo engasgado na garganta, a enfermaria em polvorosa, os médicos com ar de doidos, a mundiça toda às gargalhadas, Zé Corninho e a mulher reclamando de dor, até que chega a sua vez, levam um pra cada lado, vão cuidar da mulher dele na maior zoadeira, enquanto ele se contorcia deitado na maca e a enfermeira quando viu que ele ainda está em estado interessante, aboticou os olhos no pintão do rapaz de sair gritando por socorro rua afora, o que muito ampliou sua aflição, vez que o hospital virou maior pandemônio, acarretando a intervenção de polícia, bombeiro e muuuuuitos curiosos. Se ele já estava morrendo de dor, ia agora bater as botas de vergonha, agoniado, morre mas num morre, agarrado pelo pescoço pelo atentado ao pudor, até que um médico bebaço aparece para resolver a situação. Pronto, depois do maior vexame, tudo esclarecido, todo mundo estropiado e a noite que era pra ser daquelas para lá de tórrida de gozo, findou mesmo num coro de ais e uis madrugada adentro por toda vizinhança. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

[...] Se nascemos numa sociedade que nos ensina certos valores morais – justiça, igualdade, veracidade, generosidade, coragem, amizade, direito à felicidade – e, no entanto impede a concretização deles porque está organizada e estrutura de modo a impedi-los, o reconhecimento da contradição entre o ideal e a realidade é o primeiro momento da liberdade e da vida ética como recusa da violência. O segundo momento é a busca das brechas pelas quais possa passar o possível, isto é, uma outra sociedade que concretize no real aquilo que a nossa propõe no ideal. [...] o terceiro momento é o da nossa decisão de agir e da escolha dos meios de ação. O último mento da liberdade é a realização da ação para transformar um possível num real, uma possibilidade numa realidade. [...]
Trecho recolhido da obra Convite à Filosofia (Ática, 2004), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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Padre Bidião & Doro discutem o reino do Fecamepa, a literatura de Tariq Ali, a música de Karin Fernandes, a pintura de Sigmar Polke & Orly Cogan aqui.

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As presepadas do Zé Corninho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A literatura de Monteiro Lobato aqui, aqui, aqui e aqui.
O teatro de Jerzy Grotowski, a poesia de Antero de Quental, a literatura de Patrícia Galvão – Pagu & Monteiro Lobato, a música de Uakti & Sacudindo Choro, a pintura de Jean-Baptiste Debret, o cinema de Norma Benguel & Carla Camurati aqui.
A menina dos olhos do bocejo eterno, a pintura de Aldo Palazzolo & muito mais aqui.
A professora, A sociedade da mente de Marvin Minsky, A lenda do mel de Ralph Whiteside Kerr, o teatro de Henrik Ibsen, a música de Lenine, a poesia de Columbina - Yde Schloenbach Blumenschein, a pintura de Carlos Leão, o cinema de Jean-Jacques Beineix & Valentina Sauca aqui.
A poesia & a música de Bee Scott aqui.
Dificuldades de aprendizagem da língua portuguesa aqui.
Aurora, a canção, A natureza humana de Alfred Adler, Zaratustra & Friedrich Nietzsche, A logoterapia de Viktor Frankl, a poesia de Gregory Corso, o teatro de Tennessee William, a música de Hermeto Pascoal, a pintura de Gaston Guedy, o cinema de Pedro Almodóvar & Leona Cavalli aqui.
A literatura de João Guimarães Rosa, a poesia de Affonso Romano de Sant´Anna, a música de Dmitri Shostakovich & Mstislav Rostropovich, o teatro de Maria Helena Kühner, o serviço social de Marilda Vilela Yamamoto, Pra Frente Brasil, a arte de Gloria Swanson & a pintura Albert Marquet aqui.
Espera, A condição humana de Karl Jaspers, A crise das ciências de Hilton Japiassu, a literatura de João do Rio & Marquês de Sade, a música de Regina Schlochauer, o teatro de Dario Fo, a entrevista de Bráulio Tavares, a pintura de Anthea Rocker & Aaron Czerny, a fotografia de Herbert Matter, a arte de Ghada Amer, a escultura de Diogo de Macedo, Jazz & Cia Grupo de Dança, Dicionário Tataritaritatá, O que sou de praça na graça que é dela & O brasileiro é só um CPF Fabo arrodeado de golpes por todos os lados aqui.
De golpe em golpe a gente vai aprendendo, O coração humano de Goethe, Iniciações tibetianas de Alexandra David-Néel, O trabalho de André Gorz, a música de Franz Schubert & Mitsuko Uchida, a escultura de Horatio Greenough, a arte de Lygia Clark & Marina Abramović, A prática e a teoria de José Paulo Netto, a fotografia de Carl Warner, a arte de Simone Spoladore & Laura Barbosa & John Currin, o cinema de Mohsen Makhmalbaf, a coreografia de Anna Halprin, a entrevista de Tchello d’Barros, Oficina de Cordel, Vitalina & Tomé: o vexame da maior presepada & Do jeito que esse mundão vai só deus na causa aqui.
Tantas fazem & a gente é quem paga o pato, A condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, a História de Georges Duby, a literatura de George Orwell & Alfredo Flores, Nietzsche e a psicologia, a pintura de Balthus, a música de PJ Harvey,a fotografia de Marta Maria Pérez Bravo & Richard Murrian, A dona da História de João Falcão, a arte de Marco Cochrane, a entrevista de Virna Teixeira, O infortúnio da prima da vera & Quando a bronca dá na canela, o melhor é respirar fundo à flor d’água pra não morrer afogado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A arte da bailarina e coreógrafa Márcia Haydée.

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