sexta-feira, março 31, 2017

TRUFFAUT, SABINE MEYER, PATRÍCIA GASPAR, FANNY ARDANT, CIDA LISBOA & FREYARAVI


A NOITE FREYA, O DIA IARAVI – Imagem: foto/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Quando a tarde se entregou à noite naquele primeiro dia, a doce e linda índia Iaravi se transformara na deusa das deusas, Freya, a filha de Skadi e Njord. E com o seu poder convocou-me ao culto da sua sexualidade sob o domínio de sua beleza exuberante e sua sedução nos seios desnudos, manto de penas de falcão aos ombros e coberta de joias para me enfeitiçar. E súdito beijei seu pés, suas pernas, coxas, ventre, seios e faces, e celebrei a fertilidade da Senhora das Runas Sagradas, a deusa do amor e da morte, a que protege todos os lares, e que também reina na magia e na adivinhação. Com as duas mãos sobre minha cabeça, obrigou-me a beijar e a lamber seu sexo, a gritar que seu nome é o da concubina, deusa do sexo e da sensualidade, da beleza e da atração, da luxúria, da música e das flores, celebrando a primavera e a renovação. E me esfregava o clitóris, os lábios vaginais, a vulva em minha face, me batizando com seu gozo agoniado e me tornando sacerdote, Senhor Freyr no ritual do acasalamento a me deitar no seu corpo entre cervejas, porcos, maçãs e cevadas. Era a sua enlouquecida orgia até cair lavada de suor sobre o meu corpo pegando fogo e se queimar com a minha quentura e me exigir que a beijasse e ao beijá-la e envolvê-la com meus carinhos e cobiça, ela se mostrava ora Perséfone desmaiando de prazer, ora Afrodite me provocando todos os desejos. No meio da sua loucura, ela me chamava de Odur e sussurrava que sou o seu Sol e seu grande amor. De repente ela se ergueu sobre mim feito a mulher vanir nua e livre pela natureza e em paz para escutar as emoções do coração e não dar a mínima satisfação dos seus atos, e me fez montaria louca por todos ao vales e campos sem fim, até alcançar os confins do mundo e completamente fora de si, na mais insana galopada veloz, gozou a chorar: de suas lágrimas brotaram ouro, ah deusa da riqueza, a me dispor os quatro elementos e os quatro quadrantes. E me disse, recompondo-se: toma, é tudo teu. De tudo me apossei nela nua, agora transformada numa Valkiria, líder entre todas, com suas armas de guerra, montando novamente em mim como se fosse o seu javali Hildisvín, a conduzir as almas dos mortos em combate para reinar sobre as batalhas e a me capturar presa sua entre as pernas e coxas, até vê-la Disir que retornou da morte para me proteger de qualquer ataque e, num relance, já Volva movendo-se livremente com meu pênis feito seu cajado com ponteira de bronze, seu capuz e luva de pele animal e sua capa de penas e seu colar astral como um pássaro pelos nove mundos empregando o Seidhr em total transe na minha carne e sexo, a me lamber as faces e poetar sugando minha pele braços e troncos, até cantar as canções de Galdr para me felar impune como sacerdotisa Volla, a invocar a runa de Odur que sou para que ela retorne à vida para mais uma vez gozar completamente grata e satisfazer todos os meus desejos no presente e no futuro e para todo o sempre, nua e rendida, completamente entregue para que eu desfrute de todos os seus poderes e dotes, e assim juntos gozamos o mais pleno de todos os gozos. Eis que o dia já amanhecia e no primeiro raio de Sol era ela, índia caingang, Iaravi, me lambendo a pele dos pés à cabeça, completamente destronada e servil, para ser nua e inteira Freyairavi. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns com o talento da clarinetista clássica alemã Sabine Meyer.

Veja mais sobre:
Nênia de Abril & Sérgio Campos, Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, Joseph Haydn, René Descartes, Nagisa Oshima, William Morris Hunt && Programa Tataritaritatá aqui.

E mais:
A mulher escandinava aqui.
Aprumando a conversa pela democracia e legalidade aqui.
Educação profissional aqui.
Segure a onda, Fecamepa, Direitos do Consumidor & outras loas aqui.
A velhice não é o fim do mundo, William Butler Yeats, Antonio Nóbrega & Spencer Tunic aqui.
A criança em mim resiste, John Cage & Martine Joste, Marta María Pérez Bravo & Valentim da Fonseca e Silva aqui.
Vamos aprumar a conversa, Arthur Schopenhauer, Catherine Ribeiro & Natalia Goncharova aqui.
A vida passa e a história se repete, Alfredo Volpi, Xheni Rroji, Avigdor Arikha, Edith Wharton & Gillian Leigh Anderson aqui.
Diálogo entre ninguém e coisa alguma, Cláudio Santoro & Lilian Barreto, Jussara Salazar, Viktor Lyapkalo & Aprumando a conversa aqui.
A sociedade em rede de Manuel Castels, Karen Horney, Carmen Miranda, Edson Cordeiro, Amelinha, Mônica Waldvogel, Branca Tirollo, Frevo & Folia Tataritaritatá aqui.
Três poemetos de amar outra vez, Bertolt Brecht, Boris Pasternak, Bigas Luna & Penélope Cruz, Francesco Hayez, Vanessa da Mata, Abigail de Souza & Programa Tataritaritatá aqui.
Os assassinos do frevo, José Saramago, Hannah Arendt. Luis Buñuel & Catherine Deneuve, Sérgio Mendes, Frederico Barbosa & Gilson Braga aqui.
Alagoas e o império colonial português aqui.
A viagem de Joan Nieuhof & Pernambuco nos séculos XVI e XVII aqui.
Caio Prado Júnior, Manuel Diegues Júnior, Educação & Pedrinho Guareschi aqui.
Celso Furtado, Sociedades Sustentáveis, A questão ambiental & Economia Popular aqui.
Planejamento e atendimento, A arte do guerreiro, A pedagogia do sucesso, Educação e a crise do capitalismo real, EaD, Currículo, cultura & sociedade aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A arte da atriz, autora, diretora e roteirista Patrícia Gaspar que atuou no teatro, entre outras peças teatrais, em Futilidades Públicas (2002), Mulheres que bebem vodka (2010) e Carícias (2006), como também no cinema, em filmes como Doméstica (2001) e A dama do cine Shangai (1996), entre outros longas e curta-metragens.

DESTAQUE:
Entre os muitos e tantos filmes que assisti do cineasta francês François Truffaut (1932-1984), destaco desta vez quatro seus filmes, o primeiro Vivent dimanche (De repente, num domingo, 1983), que conta a história de uma mulher secretária de um agente imobiliário, secretamente apaixonada por ele e vai ajudá-lo a sair de um problema que ele é acusado de dois assassinatos. O destaque deste filme fica por conta da atuação da belíssima atriz do cinema e teatro francês Fanny Ardant. O segundo La femme d’à Coté (A mulher do lado, 1981), que conta a vida de um casal que leva uma vida tranqüila em uma cidade interiorana, quando se instalam entre os vizinhos, um outro casal no qual a mulher já se envolveu em um amor tumultuado com o marido do primeiro casal. Ambas já sabiam desse envolvimento até a situação de que os ex-amantes vão renovar suas relações em segredo. Este também um filme em que se destaca a atuação da atriz Fanny Ardant. O terceiro, L’amou em fuite (Amor em fuga, 1979), conta a história de uma casal que decide divorciar-se, quando ele encontra na escadaria da Corte o seu primeiro amor, então uma advogada de renome. Trata-se de um filme em que o cineasta traz à cena outros dos seus filmes em sequências de flashback. Destaque para a beleza das lindas atrizes Claude Jade e Marie-France Pisier. Por fim, o filme Une Belle Fille Comme Moi (Uma jovem tão bela como eu, 1972), baseado no romance homônimo de Henry Farrell, contando a história de um jovem sociólogo preparando uma tese sobre mulheres criminosas, quando conhece uma acusada de ter assassinado o seu amante e se encontra na prisão e, a partir de então, tenta provar sua inocência. O destaque dessa obra fica por conta da bela atriz Bernadette Lafont. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
descubro-lhe o desejo
e o verso vem logo atrás
no meu empenho louco
de fazer poesia
rabiscos do meu mundo alheio
maneiras de dizer: te amo
(O Verso Em Si)
Poemas/imagens/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à produtora, radialista e compositora

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

quinta-feira, março 30, 2017

SÁBATO, HAMILTON DE HOLANDA, CAROL PEACE, ÉLISABETH LE BRUN, MAXFIELD PARRISH, SAÚDE NA PAZ & LÍDIA LIMA

SAÚDE NA PAZ - Estou vivo e tudo o que faço está mecanicamente elaborado, sempre no automático, não faço a menor ideia de com fiz e faço certas coisas, apenas faço por fazer. O mundo pesa sobre meus paradoxos e se penso é sempre para mergulhar na infelicidade; se saio, não tenho para onde ir; se fico aqui, me deprimo entediado. Ora, ora. Já não sei de nada, estou doente e eu não sabia que a minha doença nascia da inveja que tive de fulano ter alcançado sucesso e eu não; dos ciúmes que tive de beltrano adquirir o carro dos sonhos e eu não; da vingança que perpetrei silenciosamente com meus sentimentos de ódio contra sicrano que apenas se recusou a concordar comigo e eu, a partir de então, tê-lo por mau e inimigo só por ter ideias diferentes das minhas; da ácida crítica e grosserias que assaquei contra aqueles que inocentemente caíram na minha antipatia, só porque sorriam felizes sem saber de nada ou se deram bem nas suas empreitadas e eu não; nos meus atos destrutivos ao perder a calma diante dos meus desesperos, ou por augurar maledicências despropositais, ou diante do desapontamento por não ter conseguido êxito nisso ou naquilo. É por causa disso tudo que a minha vida é sobrecarregada de complicações, alijado de todos e sem perceber mão alguma em auxílio, a ponto de me ver excluído do que quer que seja por ser problemático, antipático, inarmônico. É por causa disso que tenho amígdalas inflamadas, resfriados constantes, reumatismos dolorosos, tumores intermitentes que reaparecem a cada momento que estou livre de dores ou mal-estares, afora indisposições, sintomas indesejáveis e tédio que me assediam a toda hora e instante. Sinto que por isso eu mesmo envenenei cada uma das minhas células. Reconheço que me estraguei por inteiro. Estou doente e sinto todo meu corpo apodrecendo. Cada minuto que gastei alimentando o rancor e o ódio tem corroído todo meu ser e se tornaram desde ontem e anteontem mais sofrimento que infligi a mim mesmo agora, sanções que impingi a mim mesmo hoje. Estou doente e preciso purgar meu veneno, mudar minha atitude mental. Preciso fazer algo por mim mesmo, sei que o que sou hoje devo às teimosias e quantas incoerências que promovi insensatamente para desarticular e desagregar tudo ao meu redor desde muito antes e eu sequer sabia que cavava a minha própria cova. Preciso me curar e para isso preciso mudar meus pensamentos que estão me sufocando e me intoxicando, preciso respirar ar puro com inalações profundas e beber água fresca para restaurar, renovar e revitalizar todo meu ser, lavando meus intestinos, rins e bexiga. Agora preciso de mim mais que a qualquer outra coisa. Tenho sede, preciso de paz e me curar, só assim terei alívio. Estou doente e a minha cura está na minha paz. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns Samba do Avião (Recording Arts, 2007), Caprichos (Brasilianos, 2015), Bandolim (MPS Records, 2015) e Samba de Chico (Biscoito Fino, 2016), do bandolinista e compositor Hamilton de Holanda.

Veja mais sobre:
Cantarau, Thiago de Mello, Paul Verlaine, Tracy Chapman, Melanie Klein, Francisco de Goya, José Celso Martinez Corrêa, Vincent Van Gogh, Warren Beatty, Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.

E mais:
Sombras de Goya & Os poderosos de hoje aqui.
Poemas de Thiago de Mello aqui.
A poesia de Paul Verlaine, Denise Levertov, Wojciech Kilar, Paul Delaroche, Marcoliva & Lourdes Limeira aqui.
Big Shit Bôbras: a lástima da imitação do pior do ruim, Georg Trakl, Paul Auster, Sarah Kane, Gertrude Stein, Felix Mendelssohn, Gil Elvgren & Marion Cotillard aqui.
Desejo: a história da canção, A Paz & Ralph M. Lewis, Jacques Prévert, Milton Hatoum, Jonathan Larson, Eric Fischl, Monica Bellucci, Madhu Maretiori & Sônia Mello aqui.
A multa do fim do mundo, William Burroughs, Henfil, Ernest Chausson, Liliana Cavani, Hans Rudolf Giger, Paulo Dalgalarrondo, Charlotte Rampling & Auber Fioravante Junior aqui.
O pensamento de Theodor Adorno aqui.
A teoria da estruturação de Anthony Giddens & Iniciação à estética de Ariano Suassuna aqui.
Solidariedade aqui.
E se vem ou vai, eu voou, Jehane Saade, Paula Rego& Manuel Pereira da Silva aqui.
O poeta e a fera, Mariarosaria Stigliano & Leila Nogueira aqui.
Festa do dia 8 de dezembro, lavando a jega, Florbela Espanca, Camille Claudel, Alaíde Costa, Tatiana Grinberg, Militão dos Santos & Quando tudo se desapruma a farra é só pro desgoverno aqui.
O fulgor do amor, Érico Veríssimo, Jorge Drexler, Luciah Lopez & O amor premia o final de semana aqui.
A corrupção come no centro e a gente é quem paga o pato sempre, Darcy Ribeiro, Sebastião Salgado & Depois da farra a corda só arrebenta pra precipício dos que estão de fora aqui.
Há um ano, Ná Ozzetti, Fernando Rosa, Luciah Lopez & Quem não sabe ver é mais fácil de enrolar aqui.
Absolutismo aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

A arte da escultora e artista plástica inglesa Carol Peace.

DESTAQUE: ERNESTO SÁBADO
[...] Jogou fora o jornal: “Quase nunca acontecem coisas”, diria-lhe Bruno, anos depois, “embora a peste dizime uma região da Índia”. Voltava a ver o rosto exageradamente maquiado de sua mãe dizendo: “você só existe porque me descuidei”. Coragem, sim senhor, coragem é o que lhe havia faltado. Pois, do contrário, ele teria terminado na cloaca. [...] Fez um grande esforço para manter os olhos na estátua. Disse que naquele instante sentiu medo e fascínio; medo de se virar e um fascinante desejo de fazê-lo. Lembrou que uma vez, na Quebrada de Humahuaca, à beira da Garganta do Diabo, enquanto contemplava a seu pés o abismo negro, uma força irresistível o impeliu de repente a pular para o outro lado. E naquele momento acontecera-lhe algo parecido: sentiu-se impelido a pular por cima de um abismo escuro, “para o outro lado de sua vida”. E então a força inconsciente mas irresistível o obrigou a virar a cabeça. Mal entreviu, afastou depressa o olhar, tornando a fixá-lo na estátua. Tinha pavor dos seres humanos: pareciam-lhe imprevisíveis, mas sobretudo perversos e sujos. As estátuas, em compensação, proporcionavam-lhe uma felicidade serena, pertenciam a um mundo ordenado, belo e limpo. [...] Mas sabia – enfatizou a palavra – que algo muito importante acabava de acontecer em sua vida: não tanto pelo que tinha visto, mas pela poderosa mensagem que recebeu em silêncio. – O senhor mesmo me disse isso várias vezes. Que nem sempre acontecem coisas, que quase nunca acontecem coisas. Um homem cruza o estreito de Dardanelo, um cavalheiro assume a presidência da Áustroa, a peste dizima uma região da Índia, e para as pessoas nada tem importância. O senhor mesmo me disse que é terrível, mas que é assim. E naquele instante tive a nítida sensação de que acabava de acontecer alguma coisa. Alguma coisa, senhor Bruno, que mudaria o rumo de minha vida. [...].
Trechos do romance Sobre heróis e tumbas (Planeta De Agostini, 2001), do escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora francesa Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun (1755-1842).
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à locutora Lídia Lima.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: arte do artista estadunidense Maxfield Parrish (1870-1966).
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quarta-feira, março 29, 2017

ISHTAR, LENDA BORORO, ASTRUD, WAYLAND & AMADEO CARDOSO.

É NELA O FESTIVAL DE ISHTAR - Não conto quantas vezes entregue aos meus pensamentos solitários e longínquos, quase largando tudo de mão, a sorte às pedras, não fui ao cúmulo da loucura, sem saber mais o que fazer, ontens cinzas pro amanhã. Quantas e tantas vezes me danei pelo mundo, entre passos que seguiam os alaridos e ecos no mormaço das ruidosas noites estivais, sem ter nem para onde ir, algures de nunca existir. Não sei quantas e muitas vezes perdido me vi como uma jangada à deriva, vida aos ventos e correntes impetuosas, relutando ao naufrágio, águas acima do pescoço. Nem sempre me dei conta de quantas vezes não sucumbi quase ao desespero, tantas vezes deprimido ao rés do chão, lágrima alguma pra me lavar a culpa, o corpo, a alma, jamais vencido de tudo, desertos por trilhar. Em um desses dédalos enlouquecidos foi que um dia, noite qualquer entre outras infindas, ela imantada, como se escondesse a sua deidade nas feições de uma simples mortal, desviou meu olhar para sua atenção. Ela surgiu na minha dor anoitecida, qual Ishtar reinando no céu entre estrelas a refulgir sua passagem, como um cinturão ao seu redor ao controle do tempo e dos astros, para me envolver até me levar para a carruagem com seus leões indomáveis pelas lonjuras do universo. Mais que sempre perdido, não objetei; segurei sua mão e deixei me levar. Fez-se, então, dela a lua brilhante na minha solidão noturna, submersa entre lembranças perdidas e memórias revogadas, a fertilizar minhas ideias com pensamentos que vinham e iam a se perderem num carrossel multicor que irradiava cenas e tramas do que fui e não sou mais, valendo-me dos seus olhos vivos e riso estelar. Completamente rendido pelas adversidades, deixei-me levar pelos acontecimentos e deitei a cabeça desamparada entre seus seios fartos de Magna Dea, entre os quais se equilibravam meus desastres de errar vezes sem conta, menino sem chão, olhos sem paradeiro. Deu-me a guarida entre seus braços como se apascentasse toda minha expectativa e inquietude, pra tomar do festival em que ela descia de Vênus com os encantos de todas as sacerdotisas, a me ensinar a arte do êxtase e do amor. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns That girl from Ipanema (Audio Fidelity, 1977), Live in New York (Pony Canyon, 1996), Jungle (Magya, 2002) e The Diva Series (Verve, 2003), da cantora Astrud Gilberto.

Veja mais sobre:
A mulher suméria aqui.

E mais:
Na Avenida Jatiúca, Maceió, Gilles Lipovetsky, Slavoj Žižek, Moema & Victor Meirelles, Quinteto Armorial, Michael Winterbottom, Anna Louise Friel, Felicien Rops & Juareiz Correya aqui.
Num brinca: a TPM de Vera, Stanley Lau, Johann Moritz Rugendas & Gladston Barroso aqui.
Neuroeducação aqui.
Paulo Freire: Pedagogia do Oprimido & da Autonomia aqui.
Psicopatologia, Vontade, Psicomotricidade & Direito Autoral aqui.
Erich Fromm & A dialética do concreto de Karel Kosik aqui.
Os amores de Edneimar, a viúva negra, Iara Rennó, Edward Yang & Elaine Jin, Norman Lindsay & Tudo quanto pode o sonho pode o amor provar aqui.
Se essa rua fosse minha, Adélia Prado, Chiquinha Gonzaga & Clara Sverner, Luciah Lopez & Quem sabe a vida o amor que nos faz vivo aqui.
Quem vê cara, não vê coração, Fany Solter, Valmir Singh, Jack Mitchell, Fabien Clesse & Entre tombos e topadas a gente leva a vida aqui.
Erotismo & pornografia: o tamanho da hipocrisia, Ferreira Gullar, Thomas Carlyle, Nadir Afonso, Maria Gadú, Edmund Joseph Sullivan & A alegria imensa para um, dois ou mais, todos aqui.
A ansiedade, a depressão & a medicalização, José Cândido de Carvalho, Maria Clodes Jaguaribe, Shirley Paes Leme, Aldemir Martins & Na festa das vitrines tudo é do umbigo & o bolso furado no âmago aqui.
Martin Buber, Pier Paolo Pasolin1, Abelardo & Heloísa, Julio Verne & Rick Wakeman, Gustave Courbert, Vangelis & Arriete Vilela aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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A arte do escultor estadunidense Wayland Gregory (1905-1971).

DESTAQUE: LENDA BORORO
Deus atirou no espaço um punhado de estrelas. Uma caiu na terra. Outras, tardam ainda. A que desceu, por certo a mais luzentes delas, veio e se transformou numa cidade índia. Desceu, porque do alto, o Paraguai parece nesse ponto uma jóia: escreve em prata um S, que a estrela imaginara um prendedor ideal, ligando à serrania o imenso pantanal. E como a muita estrela o céu azul não baste, - caiu, como um brilhante, à procura do engaste. E Corumbá surgiu por sobre a terra branca, na alegria sem par do gentil casario, entre o verde do momento – no alto da barranca, debruçada, a sorrir, para o espelho do rio.
Recolhida de Pedro Medeiros (Revista A Violeta – Imprensa Oficial, 1939). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor português Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à conterrâneamiga Maria de Lourdes Oliveira.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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terça-feira, março 28, 2017

ESTUDANTE SOU, ETERNO APRENDIZ NA VIDA

ESTUDANTE SOU, ETERNO APRENDIZ NA VIDA – Tenho sempre em mim um coração de estudante. Desde menino sempre me dediquei aos estudos: o que aprendi ou foi por iniciativa própria noites a fio queimando a pestana em páginas e volumes de livros, ou com as experiências da vida. Raramente ou quase nunca os conteúdos ministrados em sala de aula foram relevantes: serviram quando muito para nada - do jeito que vieram, muitos, senão todos, se desfizeram na inutilidade. O que mais adoro da sala de aula até hoje é poder interagir, afora isso é um verdadeiro reino da chatura. E o pior é que os livros não valem nada, o que vale é decorar cada frase das apostilas dos docentes, para responder uma prova escrita de múltipla escolha, com seis respostas análogas, cada qual com um ou outro sinal gráfico, conjunção ou preposição por diferenciação. Vá entender. Apesar disso, sou estudante. Há quem diga: se eu soubesse quem inventou escola ou estudo, eu mandava matar! Esses são muitos, muitos mesmo! Tem até quem não sabe o que é escola, nem para quê ela serve. Educar, para a imensa maioria, é tomar conta, disciplinar e dar jeito nos filhos; ou, melhor dizendo, endireitar. Tem muito professor que está e não é, como aluno que vai só por obrigação: tudo entra por um ouvido e sai pelo outro – papai que paga, ora. Também tem secretários nos gabinetes municipais ou estaduais que só sabem fazer meleca de politicalha, afora seus interesses pessoais mais escusos. Mais ainda: ministros e gabinetólogos de bunda quadrada que só fazem usar o cargo em proveito próprio ou com projetos que desconhecem o que é educação e as características regionais, querem fazer dos muitos Brasis um só – e para inglês ver! Por conta disso, como sempre digo: a tragédia é a mesma, tanto na rede pública, como nos negócios educacionais propostos pela rede privada – esta só serve para ser lucrativa ou manutenção da fé religiosa. Além do mais, as escolas aqui parecem mais presídios: deformam, corrompem e desumanizam. Pudera, para um país que vive de golpe em golpe, ser discente é arejar as possibilidades de vida arruinadas pelos interesses e ideologias. Enquanto isso, estudo, eterno aprendiz e não posso esperar que a escola brasileira chegue a bom termo, por isso sou estudante na minha heutagógica pesquisa eterna. E se há uma coisa por creditar nessa bagunçada vida do país, uma delas é não se ter o mínimo de respeito com a formação e o desenvolvimento humano. Por isso e muito mais, o brasileiro finda só mesmo é virando Fabo para sair deixando rastro no eterno Fecamepa. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns Música-Imagem (1990), Sax Brasileiro (Kuarup, 1999) e Sopro do Norte (2001) do músico e escultor Edgar Duvivier.

Veja mais sobre:
Educação no Brasil aqui.

E mais:
A educação por água abaixo pra farra dos mal-educados, o cenário escolar, Friedrich Nietzsche, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Santiago Nazarian, Pierre Salvadori, Henri Cartier-Bresson, George Segal, P com P de Teatro, Eulalia Valldosera, Roger de La Fresnaye, Jussara Silveira, Crânio & Quando ciuço pacaru embarcou no maior revestrés aqui.
Educação & formação do professor, Psicologia Ambiental & a arte na educação e direitos das comunidades, Probidade Administrativa & outras coisitas mais aqui.
O umbigo no cultuo da avareza, Denise Levertov, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Camargo Guarnieri, Lauri Blank, Emil Nolde & Kim Thomson aqui.
O sonho de Orungan, James Joyce, Ayn Rand, Lenine, Elisa Lucinda, Enrique Simonet, Alina Zenon, Ekaterina Krysanova & Paula Burlamaqui aqui.
A obra de Darcy Ribeiro aqui.
Maceió, uma elegia para os que ousam sonhar, Luis da Câmara Cascudo & a burrinha de padre, Máximo Gorki, Mario Vargas Llosa, Autran Dourado, Sarah Vaughan, Suzana Amaral,Carl Barks & Dianne Wiest aqui.
Aos quatro cantos e ventos minha vida, Jacob Boehme, Esther Scliar, Jo Ansell, Tamara de Lempicka, Jonathan Charles & Dene Ramos aqui.
Solilóquio na viagem noturna do sol, Sêneca, Educação, Maria Esther Pallares, Paula Águas, Terry Miura & Amenaide Lima aqui.
A lição de cada amanhecer, A lenda da origem do Solimões, Anne Schneider, Alice Soares, Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
O cordão dos a favor & os do contra, Água, Jorge Ben Jor, Hélio Oiticica, Vampirella & Forrest J. Ackerman, Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.
O certo & o errado no reino das ideologias, Nobuo Uematsu, Hélio Pellegrino, Mat Collishaw, Raoul Dufy & Danicleci Matias Souza aqui.
Mnemônicas anedotas, Gonzaguinha, Adolphe William Bouguereau & Bruno Steinbach aqui.
Direito de Família, Psicologia Escolar & Compromisso Social, Pedofilia, Psicose Puerperal & A liderança na organização contemporânea aqui.
Direito autoral na era digital, Psicologia Social dos valores humanos, Ambiente de trabalho & doenças ocupacionais aqui.
Onde não tem mata-burro a gente manda ver no trupé aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
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A arte do fotógrafo francês Jean Louis Marie Eugène Durieu (1800-1874).

DESTAQUE: JOSÉ SARAMAGO
[...] é dado ter nas mãos sóbrias a felicidade, em um momento dá-la ou retirá-la, como se acredita que Deus a vida. [...] não que a generosidade nos canse, mas uma vez, não são vezes, e ostentação é insulto aos pobres. [...] é o caso que as classes subalternas não ficam a dever nada em agudeza e perspicácia às pessoas que fizeram estudos e ficaram cultas. [...] um fazedor de versos que deixou a sua parte de loucura no mundo, é essa a grande diferença que há entre os poetas e os doidos, o destino da loucura que os tomou. [...] e aí temos o resultado, quem nos viu e quem nos vê, se melhor ou pior, depende de estar vivo e ter viva a esperança. [...] E as pessoas nem sonham que quem acaba uma coisa nunca é aquele que a começou, mesmo que ambos tenham um nome igual, que isso só é que se mantém constante, nada mais. [...] as pedras têm uma vida longa, não assistimos ao nascimento delas, não assistiremos à morte, tantos anos sobre esta passaram, tantos hão-de passar [...].
Trechos do romance O ano da morte de Ricardo Reis (1984), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010) – Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista neerlandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972)
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à amiga professora & pedagoga Dorys Teles.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: The impossible world, do artista neerlandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972)
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JAMES JOYCE, DELEUZE, JOAQUIM CARDOZO, AGAMBEN, RODOLFO AMOEDO, ARRIGO BARNABÉ & VÂNIA BASTOS, LUCIAH LOPEZ, NA ERA DO RADIO & BEZERROS

COMEÇAR, RECOMEÇAR & DOIS MILHÕES DE BEIJABRAÇÕES - Imagem: foto de Alexandre Buisse – A vida pra ser vivida é feita de ação, movimen...