segunda-feira, fevereiro 20, 2017

O QUE ERA MATA ATLÂNTICA QUANDO ASFALTO QUE MATA

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O QUE ERA MATA ATLÂNTICA QUANDO ASFALTO QUE MATA - Ainda ontem vi Jesuíno esmurrando um juazeiro responsável pela morte de Júnior, à flor da idade em mortuário, ele desolado e aos prantos. Não seria ele só o primeiro nem o único, antes uma Rural cheia pelo tampo na festa dos curaus e uma mangueira passeava sorrateira para cruzes ornarem seu entorno amanhã de manhã. Depois um cata-corno cheínho de transeuntes fez brotar um obituário enorme como um flagelo ao redor de um abacateiro, hoje doente com um prego infincado no casco. Aí veio uma jeringonça topada de calungas que iam pras usinas cortar cana e nem chegaram, o carrão do filho do usineiro quase atravessado, até o mandú de Zeferino enganchou-se num mulungu e a cada dia mais gente estrepada entre cajueiros, umburanas, carnaubas, juremas, oticicas, catingueiras, ipês amarelos, aroeiras, umbuzeiros, amendoeiras, cajueiros, cajazeiras, craibeiras, coqueiros, pitombeiras, a culpa é delas! O que era antes mata parte do Arrozal de Inhanhuns, fez-se estrada de barro batido, até uma passarela como um arco, alameda deslumbrante de noite no meio dia, maravilha aos olhos que se tornou asfalto e pista de corrida com curvas fechadas, só silvo de coruja e outros bichos, lêmures e lendas de morte entre troncos. Até então eu não sabia que ali as árvores zanzavam impunes anunciando mortes pras carpideiras recônditas e chorosas virem com suas motosserras implacáveis: a culpa é delas! A imperícia e imprudência das munhecas não contavam nem nunca contarão, a culpa é delas que não deviam estar ali enraizadas ou saindo do lugar, justo na hora para suplício de amigos e desconhecidos. Não fossem elas, todos estariam vivos fazendo a alegria dos seus parentes, pintando o sete arteiro, fazendo este país melhor com seu trabalho, mantendos os seus e comemorando suas datas. Não fossem elas as viuvas não choravam nem se prostituíam, filhos não seriam bandidos, nem haveriam tantos deserdados da vida pranteando nas lápides improvisadas, enquanto livros ilustrados de humor nas enfermarias e emergências endeusavam as atrozes, como se ensinassem um outro sentido de vida. Na boca da mata, pra eles melhor seria nem existissem – pra quê oxigenio mesmo, hem? –, são assassinas dos nossos consaguíneos, camaradas ou compadrios, enlutando famílias cristãs e de bem, aguçando a fúria dos inocentes. Melhor assim, acham todos dali, condenadas à pena de morte. Melhor desmatar tudo e entregar pra especulação imobiliária, pelo menos haveria mais emprego e riqueza, não haveria mais ninguém chorando em missa de sétimo dia. E dendroclastas de plantão enxugando suas lágrimas e em nome do luto e do progresso pelos volantes que são bons e prazerosos, armados de revolta e de facões decepam todas elas que são más com pés de raízes para aplacar a alegria de quem vem ou vai no trampo ou viagens pros cemitérios de almas. Hoje quase deserto pelo desmatamento, a morte só quer desculpa! Eu nem sabia, mas pra morrer, basta estar vivo! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.


Curtindo os álbuns Kizumba (Visom, 1996), Percussão contemporânea brasileira (Visom, 1993) e O samba no balanço do jazz (Sesc, 2011), do percussionista, arranjador e compositor João Parahyba.

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DESTAQUE: AFLORAMENTOS DE ANTONIO SALVADO
Gozaram o prazer da união:
os corpos encontrados totalmente,
o esforço do suor os ligou tanto
que perdiam contornos    juntos sempre.

Não tinha dimensão aquela posse
arfada de contínuo harta sem trégua
que para ser intemporal completa
apenas He faltava o az da morte.

Mas sucumbiram ao queimor do cárcere
sem porta que se abrisse devagar
e tolhidos na rede do cansaço
separados os corpos deslembraram-se.
Queimor, poema extraído da obra Afloramentos (2007), do poeta português António Salvado.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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