quinta-feira, fevereiro 09, 2017

BLOCO DESCONTENTES DO FECAMEPA!

BLOCO DESCONTENTES DO FECAMEPA - Imagem: Meu frevo, art by Cristiane Campos. - Carnaval que se preze sai do usual: a mundiça manda ver e capricha no figurino inusitado. Do que presta ao imprestável, tudo finda em fantasia. Haja gente pra botar pra fora o que foi reprimido a vida toda. Quando o frevo pipoca o primeiro acorde, tem quem acenda o candeeiro, ou desenvulte ou corra lobisomem, afinal, vale tudo pra desencucar as neuras e soltar os cachorros na folia. Começa tudo com ar de organização: fantasias assim, cortejo assado, isolamento, contagem dos membros, alegoria, o escambau: finda mais desorganizado que as ventas dos pariceiros. Copo vai, golada vem, depois de muito empurra e chega pra lá, anuíram o tema: a besta fubana. Lembraram do desfile do Bloco dos Artistas, lá por meados dos anos 1980. Fizeram-na gigante: o que soltava de peido e arroto, tinha de tamanho de peia no meio duma carreira de peito que não tinha mais tamanho que desse. Foi preciso uma carreta com prancha maior que a doidice deles pra caber a distinta. No bucho da aloprada botaram uma tuia de tonel, tudo cheio de raiz-de-pau, uma mangueira com suspiro emendada noutras e passando por cada um deles, findando no chapéu do vaqueiro da bimbona dela. Fizeram o teste e ficaram todos cheios dos quequeos de tanto chupar no bico da rola da besta. Uma festa! Tudo acertado, luz como a praga – quando não eram as lâmpadas pisca-pisca, era a turma acendendo a fluorescente do frosquete! Quando avaliaram tudo, algumas coisas checadas eram indispensáveis: quanto mais incomum estivesse, ora, valendo dizer: quanto mais putaria, melhor! A macharia deu por falta de hormônio feminino: só tinha cueca no recinto: - Assim não presta! Tá faltando priquita na zona! Quando as meninas chegaram quase que não tinha mais graça! Tudo biritado já com intimidade um pro outro. Foi quando Doro gritou: - Vamos acabá com essa viadagem qui as madame chegaru! Vôte! Bastou elas se fantasiarem tudo de índias pro negócio pegar fogo! Queriam pinturas no corpo, apareceu pintor até de um olho só! Maior presepada. Nessa hora até bandido vira artista! Algumas se rebelaram com todo direito: queriam desfilar com as fantasias que trouxeram: Virgem Maria, freira, beata, primeira-dama, coisas do tipo e de grã-finagem. Quando iam protestar, o Doro acalmou cochichando: - Deixa elas tomá no bico da pica da besta que elas findam com a saia na cabeça, destá! Ah, aí sim. Outra que queria sair de Eva deu trabalho para arranjar uma folha de parreira: colocaram um tapa-sexo e tudo resolvido! Foi aí que os marmanjos capricharam: Doro saiu de presidente – smoking, faixa presidencial, descalço e de bermuda -, segurando o cartaz: Fora Temer, agora sou eu! Robimagaiver vestiu-se de investigador federal com uma faixa: PCC virou governo! Zé-corninho chegou de alter ego: fantasiado de viking e com uma tanga mamãe de quase deixar os possuídos de fora, gritando PPP. – Que droga é nove, Zé? Festa de pobre tem que ter pinga, puta e puliça! Danou-se! A coisa foi engrossando, papagaiada fora do gibi, gente como a praga. Quase que rola um quebra-pau, porque de tão democrático, dentro do próprio bloco surgiu a dissidência de uma troça: os do contra. Esses louvavam um juiz como santo do pau oco, outro um militar pra presidente, tinha até um casal que saiu de viva o golpe: ela dava bundada nele e ele dava bimbada nela. O negócio ia firme melhor que o emendado, comendo arroiado, subindo morro, descendo ladeira, tome trupé! A cada arroto da besta, um peido ineivado na maior fumaceira. E a bimba dela de boca em boca, de um lado a outro, servindo a maior manguaçada. Na hora da volta com o dobrado do frevo rasgado batendo biela, o trucado enganchou na manobra: gaia de bebum sobrando pela direção entre os pedais do freio, acelerador e embreagem. Resultado: a monstra não se segurou com o vai e volta, de arriar lá de cima no maior teibei pra desespero dos foliões: - Num deixa perder a birita, porra! Foi um banho de aguardente, mais parecia barragem rompendo na maior cheia de inundar tudo. Só se via neguinho se atrepando nos telhados pra pinotar no maior timbungado. Foi um alvoroço danado! E só ouvia: - Isso é que enchente de vergonha! E viva o carnaval e o freto da Santa Folia! Vivaaaaaa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns das óperas Wozzeck (1922) e a inacabada Lulu (1935), do compositor austríaco Alban Berg (1885-1935), o romântico do dodecafonismo.

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DESTAQUE: FREVO DE VÁRZEA
Tô entre o santa
cruz e a espada
no peito
com a corda no pescoço
avanço
um passo
na barreira cara
a cara e a coragem
para suportar
torcer
contorcer pelo santa
cruz e credo
tudo é carnaval
do futebol
até  o sol
raiar
resistir é preciso
no riso
de pileque
com meu lado moleque
um pique vadio
em terreno baldio
Frevo de Várzea, do poeta Wilson Araújo, extraído da antologia Poesia viva do Recife (CEPE, 1996), organizada por Juareiz Correya. Imagem: Frevo, de Márcio Melo.

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