quarta-feira, janeiro 18, 2017

O MUNDO PAROU PRO CORAÇÃO PULSAR


O MUNDO PAROU PRO CORAÇÃO PULSAR - Imagem: arte do pintor e escultor francês Jean Fautrier (1898-1964) - Ninguém sabe como se dera o fato daquele menino ser tão austero de juntar até migalhas: seixos, gibis, figuras de álbuns, bolas de gude, borboletas aos montes grudadas em páginas de cadernos, rótulos de cigarros, capas de revistas masculinas e outras tantas coisas curiosamente organizadas e escondidas embaixo do colchão ou da cama. Até cada moeda amealhada era tão bem guardada que ninguém sabia o que ele dela fazia. Suspeitou-se de ser acometido por colecionismo, vez que achados e ganhados eram apropriados, tão bem guardados e reunidos às escondidas pelos cantos do seu fechadíssimo quarto. Quase ninguém sabia de nada, só quando davam conta da presença de estranhos pelos corredores da casa, tratando disso ou daquilo com ele. Com o passar do tempo as suas esquisitices nem mais chamavam atenção. Crescendo a olhos vistos, emanava de si um ar misterioso, pelo qual não permitia ninguém ousasse saber de sua vida. Assim foi do primário pro ginasial, daí pro colégio até a faculdade com a mesma singular estranheza enigmática. Formou-se de forma tão discreta de ninguém dar por conta de um graduado, da mesma forma que só deram fé que ele havia arribado de casa fazia tempo e ninguém percebera, só caíram as fichas quando ele já se tornara promissor empresário de sair estampado nas manchetes dos jornais. Danou-se! Ao repararem suas atividades, não se surpreenderam que se tratava dum sujeito que se levantava de madrugada pros seus afazeres, só se recolhendo depois da meia noite sem dar um pio durante todo dia. De fato, dormia pouco, quatro horas no máximo o que, pra ele, já era um desperdício. Da mesma forma com a fala, restringindo-se sempre a um sim ou não no máximo. Do mesmo jeito que se parecia invisível, não comparecia pras reuniões familiares, muito menos esboçava laços de afeto com quem quer que seja. Vivia sim única e exclusivamente do seu trabalho e em silêncio, concentração máxima conferida no relógio, prazos cumpridos, relatórios elaborados, conferência de tudo, sem esboçar o menor ruído de respiração. Dele se via apenas que cada hora uma atividade, tudo agendado, esquematizado quantitativamente até o lazer: jogar xadrez. De tão mecânica racionalização, ele já no automático com o futuro traçado nos mínimos detalhes, até as vicissitudes previstas entre as metas e os riscos, tudo esquemática e racionalmente planejado estrategicamente, desde os investimentos à maximização dos negócios na bolsa de valores, aplicações e dividendos. Quando incomodado por curiosos achegados, resposta seca: - Use o cérebro! E só, saindo sem a mínima reverência nem se despedir. Na dele e em todas as ocasiões tinha interpretação para tudo, juízo inderrogável, opinião insofismável, decisões inarredáveis. Só não previra o dia em que teve um piripaque: cirurgia dera-lhe pontes de safena ao coração. Foi quando pela primeira vez acordou com os olhos numa janela ensolarada de um quarto nunca visto, ouvindo o barulho da passarada do lado de fora. Gostou da novidade auditiva, como também do cheiro de folhas e terra molhada, e de que havia o dia depois da noite, nada disso nunca antes sentidos. E muito mais descobrira ali estirado sem poder mover-se por dias. Aí inaugurou a saliva na boca desejando o cheiro que vinha de uma frondosa mangueira e começou a perceber sabores, olores e cores que jamais sequer imaginava existissem. Caiu em si e se vivia não sabia o que era a vida, teve o mundo que parar pra que seu coração realmente pulsasse. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

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