quinta-feira, janeiro 26, 2017

DOS DESTROÇOS PRA SOLIDÃO CRIATIVA!


DOS DESTROÇOS PRA SOLIDÃO CRIATIVA - Imagem: Fresh off the easel, da pintora estadunidense Joan Fullerton - Como um cão sem dono lambia as suas feridas abertas. Desgarrado, a família sepultada no tempo: a dor da rejeição. Desamado, a quem amava sobrou o desterro da paixão: a dor de não ser amado. Dos amigos, o abandono: não tinha mais o que dar nem colher. Os colegas de trabalho sucumbiram todos pelos percalços da vida. Os parceiros de lazer sumiram com outros divertimentos. Não havia mais com quem dividir emoções, conversar, trocar ideias, jogar conversa fora: a dolorosa experiência de se sentir só. Antes assim mesmo, talvez por querer demais, como esperava demais do outro, desapontamentos na ponta do lance. Até o desolamento, demasiado isolamento, aprendendo com as dolorosas escolhas que fez e que teve de fazer, não havia outro jeito, estava mais que na hora, decidir ou já, vulnerável de tudo, entre palavras frias de pobres de ânimo que jamais passaram fome embotados por um maligno ceticismo, e por desalentadoras mentes definhadas sem a menor precisão e que viram as costas a qualquer menção de tombo, se sustentando desesperados por suas próprias desgraças. Em todos só recolhia a fome pungente de suas almas, já restava só e não sabia, apareciam quando precisão, mais nada, dilemas da vida, a sarjeta do retraimento, o talho vivo do desequilíbrio, o seu degredo. Nenhuma mão amiga, nem um afeto, nem a quem recorrer. Ao que faltava, não havia se libertado do passado, não mais recompensas na sua íntima confusão sentimental. Memórias que assaltavam por devaneios e pesadelos, fantasias de giz na poeira do alento. Ano após ano sem saber ser feliz nem da felicidade, ideais arruinados e quase roto sem que se sentisse apreciado, respeitado, confiante, ninguém a favor, nenhuma afeição, encorajamento ou chance. Guardava as suas ocultas súplicas, sua vida cerceada pelo desdém, não havia apoio ou compaixão, nada ia bem, tudo destroçado. Restando apenas a si mesmo, trucidou todas as lembranças no meio de uma guerra de sobrevivência, aos golpes e cortes na carne e as chagas expostas, estouro de enfisemas supurando entre lágrimas e sangue. Se vencedor ou derrotado, nada mais restava: só o agora pro amanhã. Em última instância, encarou a verdade das circunstâncias da vida, não havia como ser de outro jeito e fez o que pode além de todas as forças e tentou renovar-se na regeneração sentimental, maturidade emocional. No fim estava mais só que antes, mas cônscio de si. Não havia mais medo, ódio ou vingança, o que passou, passou. A despeito de tudo isso, decidiu agir em prol de si mesmo. Espirito livre, não mais um ou outro fulano ou beltrano, sicrano que seja, mas todos. Se estava só, comungou com a humanidade e passou a amar-se e, por consequência, a amar ao ser humano, apenas isso, nunca mais solidão. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

Curtindo o álbum Rosa Passos ao vivo (Biscoito Fino, 2016), da cantora, violonista e compositora Rosa Passos.

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DESTAQUE: O HOMEM DS PERNAS CRUZADAS
[...] o mundo todinho sabia que aquele fulano tinha direito a todas as mesuras, cuidados e atenções. [...] e ali mesmo o condenaram a ser enterrado vivo se não tomasse picareta e enxada e se pusesse a trabalhar, como todo homem que se preza. [...] Quando iam chegando, encontraram um lavrador de outra aldeia, que, ao ver o cortejo, perguntou: - Amigos, quem é o morto, se me permitem? – Não é morto, primo – disse o prefeito. – Levamos um vivo. Veja que nem colocamos a tampa, para que não morra sufocado no caminho. – Que coisa esquisita, prefeito. – Mas muito merecida – interveio outro. – É o homem das pernas cruzadas – disseram todos. – Resolvemos não lhe dar mais de comer. E para que não morresse de fome, vai ser enterrado vivo. – Mas isso não é coisa de cristãos – interpôs o aldeão do outro povoado. – Minha gente não faria uma barbaridade dessas. Baixou um saco que trazia ao ombro e acrescentou: - Irmãos, proponho que me permitam prolongar um pouco a vida desse condenado. Eu lhe dou este saco de batatas. Servirá para alimentá-lo uns dias mais. E então o homem das pernas cruzadas, fazendo o maior esforço da sua vida, levantou a cabeça do ataúde, olhou o sertanejo, o saco, e perguntou: - Estão descascadas? – Não, homem! Imagine se iam estar descascadas! – Então, minha gente... vamos andando, vamos... – E apontou para o cemitério...
Trecho do conto O homem das pernas cruzadas (Cultrix, 1968), do premiado escritor costarriquenho Fabian Dobles (1918-1997).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA; TODO DIA É DIA DA MULHER
As mulheres marcham desde tempos imemoriais, catadoras das oferendas da natureza, para as primevas necessidades de cuidar do alimento. Colhedeiras de vegetais, legumes e frutas, antes mesmo das hortas e pomares... Carregavam muitas vezes, os filhos , numa tira, nas costas, na frente do corpo ou de lado - o que ainda hoje, é costume em alguns países. Mudanças de espaço físico, fugas de guerras, entre aos fronts, para acudir aos feridos de guerra, na luta pelo voto, caminhavam as precursoras, nas primeiras greves, essas evas primevas, caminhavam juntas para ganhar força e suas vozes fossem unidas... Vi uma poetisa, em antigo filme do qual perdeu-se nos desvãos da memória, Um filme, onde uma única mulher, sabendo que seria assassinada pelo marido cruel, caminhou na neve em inverno rigoroso, Para entregar seu caderno de poemas- e estes fossem preservados... Deméter, a deusa da agricultura , caminhou muito até ao Hades, para resgatar a filha raptada, Perséfone, que presidia as estações das flores e seus perfumes , das ervas e dos frutos . A Terra então, ficou seca, sem plantações, quando a filha de Zeus foi raptada...O poderoso deus não desceu para resgatar a filha. E as estações de plantação e colheita somente retornaram por causa da persistência maternal de Deméter. Quando a filha foi devolvida - a cada seis meses, Passando um tempo na terra e outro no inferno, com seu esposo das trevas voltou o equilíbrio à terra. Na verdade, ela teria voltado de vez, se as mulheres não se sentissem tão compromissadas com seus companheiros. Talvez por isso, que o amor tem suas próprias razões e explicações, ela come seis sementes de romã, quando deveria voltar sem nada levar, sem olhar para trás ou se alimentar. E por tal ato, é condenada a passar seis meses com Hades. Talvez para ela, fosse a medida do equilíbrio amoroso... Durante guerras, as mulheres da resistência, das mais jovens às mais velhas, caminhavam longe para entregar comida, remédios, cartas, a pé, de bicicleta, com fome ou sede se necessário, aos que se escondiam.... Então, por atavismo, caminhamos juntas, em uníssono, Protestamos, cantamos, gritamos, reivindicamos. Por causa das pioneiras, é que votamos... Somos sentinelas de nosso tempo, criativas e incansáveis. Deixamos de ser estrelas solitárias, Para sermos constelações! As marchas das mulheres são herança, orgulho, alertas, missão! Caminhemos!
Sobre as Marchas das Mulheres, da escritora e psicóloga Clevane Pessoa de Araújo Lopes, extraído do Mulheres em Marcha.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Nude with rose, do fotografo húngaro-romeno André De Dienes (1913-1985).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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