terça-feira, agosto 22, 2017

GRAMSCI, MORIN, COMENIUS, HUIZINGA, REGINALDO OLIVEIRA, MANOCA LEÃO & POLÍTICAS EM DEBATE

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POLÍTICAS EM DEBATE - A semana que passou, posso dizer agora com convicção, foi pra lá de agradabilíssima, graças ao reencontro com o amigo Manoca Leão, ocorrido na Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto. Era terça ou quarta, sei lá, ele chegou lá, conversamos, rememoramos coisas e fatos, rimos à beça com as nossas presepadas juvenis e, depois de horas de parcialmente nos atualizarmos com as novidades de mais de trintanos perdidos nas quebradas, convidou-me para participar do seu programa Políticas em debate, na Rádio Farol, na vizinha cidade de Catende, Pernambuco. Por um momento me vi mais importante que tudo na vida! Como desaprendi dizer não, nunca soube mesmo, sei mesmo meu lugar e cônscio de que recebia ali um presente maior que o meu merecimento. Mas, destá. Tudo acertado, fiquei repassando às gaitadas todas as nossas estripulias colegiais: aprontamos, viu? E muito. Pois bem, no sábado, ele me apanhou na farmácia do poeta Genésio Cavalcanti que já não aguentava mais o expediente das minhas pacutias três vezes ao dia lá no batente a semana toda lá, e despachado por ele, no meio do caminho, eu e Manoca renovávamos o papo com outras tantas que havíamos esquecido no tempo, afora outras quantas passadas durante a minha ausência na terrinha. Chegando na emissora, programa no ar, bate papo agradável, desenterro de presepadas, barrunfos, experiências, ocorridos e blábláblá, falei, como sempre, mais que o homem da cobra, cantei, me emocionei, desafinei, trastejei, enfim, pra mim, tudo uma maravilha, não antes, evidentemente, eu pedir desculpas aos presentes no estúdio e aos ouvintes da emissora por meus arroubos emotivos. Findo o programa, o melhor ainda estava por vir. Eu todo coração e riso no quarador dum canto a outro beirando as orelhas. Fomos confraternizar ao sabor duma tapioca com café, na praça onde, há anos, eu me esbaldara com a Árvore da Vida. Os amigos todos daquele tempo rondando as ideias da cabeça, revivendo ali anos da segunda metade dos 1980, quando eu simpatizante catendense de sempre, cobria eventos da localidade para apresentar no noticiário da Quilombo FM, na qual eu desempenhava a função de chefe da redação, afora a de produtor e apresentador de programas e noticiários. Enquanto revivia esta época, Manoca - língua afiada de sempre, daquelas que possuem a capacidade de perder amizade, mas nunca a piada -, desfilou um rosário de arrepiados ocorridos, quando, à certa altura, virou-se pra mim e perguntou: - Se lembra de Nig? Quem? Vixe, lá vem coisa! E veio mesmo. Ora, quem não lembraria! Afinal o cara ainda está vivinho da silva. Trata-se de um sujeito de nossa remota amizade, que não gozava lá muito bem de sanidade nas catracas do quengo, achegado a uns desatinos próximos das loucuras mais estabanadas. Verdade seja dita, Nig sempre foi devorador de livros e da paciência alheia com suas estrambólicas ideias e extravagantes opiniões, provocador das mais inusitadas situações embaraçosas e risíveis, avalie. Ah, mas vamos ao fato. Um dia lá Nig mordeu-se com o cachorro do vizinho e preparou ardil vingativo: foi até um canil de respeito e adquiriu, depois de tantos arrodeios e ajustamentos, um vira-lata tido por arraceado com a besta-fera do último caderno! Coisa que ele mesmo examinou demoradamente antes da escolha acertada, depois de checar um a um entre tantos ferozes que ele mesmo fez questão de minuciosamente averiguar. Feliz da vida, foi pra casa ainda não muito satisfeito com o adquirido, condicionando ainda mais o cão com treinos e promoções de ruindades repisadas. Ao cabo de dias, reconferia o adestramento ao contrário, coisa que o fez findar com ronchas e mordidas até no retrato! Oxe, estava ele marcado de todo tipo de dentadas nas orelhas, dedos, bunda, pernas, braços, enfim, o bicho só faltou comê-lo todo. Depois de refeito disciplinadamente o treinamento maligno diário, concluiu: - Esse é dos bons, quero ver agora! Tratando, a partir de então, com maiores requintes de crueldade, verificava sob medidas científicas, três vezes ao dia, o nível da selvageria do guenzo: - Tá chegando no ponto! Quando se viu diante de uma fera indomável e faminta, sacudiu o enraivecido sobre o muro para liquidar o do vizinho e resolver a parada duma vez. Com ar sinistro entre dedos e mãos, ficou esperando: - Agora quero ver. Soou o gongo imaginário e a coisa deu no imprevisto. Ouviu latidos e roncos brabos, imaginava acirrado confronto, apostando, claro, com o desfecho favorável pra sua banda, evidentemente. Lá pras tantas foi conferir, tudo uma lástima: o do vizinho não só enrabou, tripudiou, lambeu os beiços, avacalhou e estraçalhou o seu prestígio, deixando o que era seu insepulto e provocando o dono que era ele mesmo pro repasto. Vem! Cuma? Vem! Eita! Como é mesmo? Pois é, desapontado, restou ao Nig a grande decepção: - Isso é lá cachorro que se apresente, porra! Vou cobrar perdas e danos do canil! E saiu mais arretado que nunca prum litígio dos brabos que nem o tempo esqueceu. Por essa e muitas outras, vou de Juarez Correya: - Melhor que Palmares, só Paris e de noite, porque de dia, a gente ganha de lambuja! Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

MEDITAÇÃO REDUZ CRIMINALIDADE EM WASHINGTON
Em Washington, nos Estados Unidos, em 1993, um grupo de 4 mil meditadores reuniu-se, alcançando uma queda de 25% nos índices de criminalidade. O evento foi acompanhado pelo físico quântico John Hagelin, presidente da Universidade Central Maharishi, em Fairfield (Estado de Iowa), em parceria com a polícia de Washington, o FBI e 24 cientistas sociais e criminologistas ligados a instituições como as universidades Temple, do Texas e de Maryland. Conforme registrado pelo New York Times, Journal of Conflict Resolution da Universidade Yale & World Peace Group, entre outros veículos de comunicação, já existem inúmeras experiências que utilizam as técnicas de meditação com resultados na queda de índices da criminalidade e outras formas de conflito.

SOMOS TODOS CIDADÃOS DO MESMO MUNDO - [...] Somos todos cidadãos do mesmo mundo; temos todos o mesmo sangue. Odiar pessoas pelo fato de terem nascido em outro país, por falarem uma língua diferente ou ainda porque pensam diferente de nós sobre um determinado assunto é uma grave loucura. Desistam, eu lhes imploro, pois todos somos igualmente humanos [...] Tenhamos um único objetivo em vista: o bem-estar da humanidade – e abandonemos todo o egoísmo relativo a língua, nacionalidade ou religião. [...]. Palavras educador, cientista e escritor checo Comenius - Jan Amos Komenský (1592-1670). Veja mais aqui.

HOMO LUDENS - [...] a verdadeira civilização não pode existir sem um certo elemento lúdico, porque a civilização implica a limitação e o domínio de si próprio, a capacidade de não tomar suas próprias tendências pelo fim último da humanidade, compreendendo que se está encerrado dentro de certos limites aceites. De certo modo, a civilização sempre será um jogo governado por certas regras, e a verdadeira civilização sempre exigirá o espírito esportivo, a capacidade de fair play. O fair play é simplesmente a boa fé expressa em termos lúdicos. Para ser uma vigorosa força criadora de cultura, é necessário que este elemento lúdico seja puro, que ele não consista na confusão e no esquecimento das normas prescritas pela razão, pela humanidade ou pela fé. É preciso que ele não seja uma máscara, servindo para esconder objetivos políticos por trás da ilusão de formas lúdicas autênticas. A propaganda é incompatível com o verdadeiro jogo, que tem seu fim em si mesmo, e só numa feliz inspiração encontra seu espírito próprio. [...]. Trechos extraídos da obra Homo ludens (Perspectiva, 2000), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945). Veja mais aqui & aqui.

DE FILOSOFIA & CULTURA - [...] criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas “originais”; significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas, socializá-las por assim dizer, transformá-las, portanto, em base de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral. O fato de que uma multidão de homens seja conduzida a pensar coerentemente e de maneira unitária a realidade presente é um fato “filosófico” bem mais importante e “original” do que a descoberta, por parte de um “gênio filosófico”, de uma nova verdade que permaneça como patrimônio de pequenos grupos intelectuais. [...] pela própria concepção de mundo, pertencemos sempre a um determinado grupo, precisamente o de todos os elementos sociais que partilham de um mesmo modo de pensar e agir. Somos conformistas de algum conformismo, somos sempre homem-massa ou homens-coletivos [...] Quando a concepção do mundo não é critica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa, nossa própria personalidade é composta de uma maneira bizarra: nela se encontram elementos dos homens das cavernas e princípios da ciência mais moderna e progressista; preconceitos de histórias passadas e intuições de uma futura filosofia que será própria do gênero humano, mundialmente unificado. Criticar a própria concepção de mundo, portanto, significa torná-la unitária e coerente e elevá-la até o ponto atingido pelo pensamento mundial mais desenvolvido. [...] o início da elaboração crítica é a consciência do que somos realmente [...] como um produto do processo histórico até hoje desenvolvido. [...] a partir da linguagem de cada um é possível julgar a maior ou menor complexidade da sua concepção de mundo. Quem fala somente o dialeto e compreende a língua nacional em graus diversos participa necessariamente de uma intuição do mundo mais ou menos restrita ou provinciana, fossilizada, anacrônica em relação às grandes correntes de pensamento que dominam a história mundial. Seus interesses são restritos, mais ou menos corporativos ou economicistas, não universais. Uma grande cultura pode traduzir-se na língua de outra grande cultura, isto é, uma grande língua nacional historicamente rica e complexa pode traduzir qualquer outra grande cultura, ou seja, ser uma expressão mundial. Mas, com um dialeto, não é possível fazer a mesma coisa. Trechos extraídos da obra Concepção dialética da história (Civilização Brasileira, 1978), do filósofo, cientista político e comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937). Veja mais aqui, aqui e aqui.

SABERES GLOBAIS E LOCAIS - [...] nos instalamos de maneira segura em nossas teorias e ideias, as quais não têm estrutura para acolher o novo [...] a incerteza, que mata o conhecimento simplista, é o desintoxicante do conhecimento complexo [...] - Trechos da obra Saberes globais e saberes locais: o olhar transdisciplinar (Garamond, 2000), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A VIDA E A LONGEVIDADE ENTRE A SABEDORIA E A MEDIOCRIDADE- [...] Os malefícios são maiores quando o telespectador é criança e adolescente. Certo dia, esteve no meu consultório uma senhora idosa que estava com cento e cinco anos de idade – continuou o Dr. Amaury Mendes - o meu desejo era saber os motivos da longevidade daquela simpática senhora. Nasceu na zona rural do agreste. Desde cedo trabalhou na agricultura, nunca aprendeu a ler e, disse que nunca teve saúde. Lembra bem, quando criança, ouvia a sua mãe dizer que ela não se criaria, por conta das doenças que lhes afligiam. Passou boa parte da vida fumando cachimbo e sempre estava em hospital, para tratamento das doenças que sempre eclodiam. A sua alimentação não teve nada de especial que pudesse levar a uma boa saúde. Eu fiquei inquieto em saber que uma mulher que não primava tanto em ser saudável alcançou aquela idade. Mas existiam outros fatores que mereceram atenção. O que fez diferença em sua vida era que não desejava mal a ninguém, não guardava rancor, era muito religiosa e rezava três vezes ao dia, se tornando benzedeira. Rezava pedindo pela saúde das pessoas, incluindo as que lhe faziam algum tipo de injustiça. Ou seja, sempre estava conectada ao sagrado e praticando o bem, e abominava o mal. A lei universal de causa e efeito é infalível. Todo aquele que dedicar cotidianamente um pequeno espaço de tempo, um minuto ao menos, a desejar sincera e profundamente pensamentos de bondade para as pessoas, atrairá certamente para si a benéfica corrente espiritual formada por todos os pensamentos de idêntica natureza. [...]. Trecho extraído da obra Sabedoria ou mediocridade? Diálogos no reino encantado das águias (Bagaço, 2013), do filósofo e historiador Reginaldo Oliveira.

POLÍTICAS EM DEBATE
Fotos da edição deste sábado, 19/08, do programa Políticas em Debate, na rádio Farol FM, Catende – PE, comandado por Manoca Leão. Veja mais aqui.

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PAZ NA TERRA
Arte do artista plástico colombiano Nicomedes Gómez (1903-1983).
 

sexta-feira, agosto 18, 2017

ARIANO, LYA LUFT, WALLON, AS VEIAS DE GALEANO, FECAMEPA, JOÃO DE CASTRO, RIVAIL, POLÍTICAS EM DEBATE & MANOCA LEÃO

A VIDA NA JANELA – Imagem: conversando com alunos do Ginásio Municipal dos Palmares - Ainda ontem flores reluziam no jardim ornando muros e passagens da infância pros que no futuro darão trabalho à humanidade, mas não, o futuro é agora e já passou, nada demais, já era apenas ontem, o que hoje se encontra na memória e ainda ontem o carnaval de todas as folias pra se esbaldar santos dias de gozo e mais tivesse para enforcar a quarta-feira de cinzas vindoura pra nunca mais ser como antes e só felicidade doravante e o ano inteiro, de agora em diante e nunca mais uma vida sisuda racional de pagamentos no fim do mês, de bater ponto atrasado todo dia e se estourar por semanas de labor mais sem graça e só poder viver apenas no final de semana, nunca mais ter que aturar patrões e chefias desalmadas na base da pilha carga toda e os dentes no pescoço exangue pra viver de chupar o sangue alheio no vampirismo mútuo uns aos outros famélicos hospedeiros que matam e morrem e são levados na enchente de muitos metros de água dentro de casa pro flagelo de ver a vida roubada lavando os pecados. Ainda ontem as procissões dos dias santificados ecoando seus passos no tempo como os cortejos fúnebres das velhas esperanças conduzidas pelas novas e resignadas esperanças já premidas de quase desesperança no meio da correria da farra do consumo pelas liquidações de queima de estoque incendiando cobiças de afetos largados para serem pisoteados pela satisfação de risos incontroláveis. Ainda ontem e eu pensava ser hoje e não, era o desfile de todos os sonhos de príncipe encantado da apaixonada eternamente adolescente, a dama seminua escultural do jovem príapo enamorado, o glamour dos semideuses das telas de todos os quadrantes para incendiar a libido das fãs mais ardorosas com os coloridos folguedos dos desejos e prazeres, os pais fracassados seguidos pelas mães viúvas de ontem na incompletude dos anseios diante do paraíso perdido no tempo e espaço das pontes e castelos que sumiram nas areias dos quintais mais remotos, as ingênuas geringonças quiméricas dos visionários mais ousados da loucura coletiva, o arrastado das longas barbas grisalhas dos silenciosos venerandos mestres vetustos com seus discípulos contritos, dos que chantageiam equívocos e vendem a alma na fabricação de equívocos tornados em verdades pra novos equívocos se perpetuarem nos anais históricos mais oficiais da mentira de tudo, ou dos que não sabem o que fazer no meio do semáforo entre o resolvido e as tensões do por resolver nas agonias dos desafios irresolvíveis que ficam pra amanhã e depois no esquecimento, e nunca mais ter que aguentar o bafo das políticas tacanhas dos bolsos graúdos de poço sem fundo, incapazes de transmitir a boa nova pela compulsória falácia de fazer pagar para ser entretido com suas promessas embusteiras a revelar virtudes não conquistadas, defeitos possuídos, oh, não! Ainda ontem parecia uma fotografia, uma pintura perfeita, viva na imaginação, mas não era, ainda ontem era hoje e a vida que passou na janela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

POLÍTICAS EM DEBATE
Neste sábado, a partir das 16hs, estarei no programa Políticas em Debate, na Rádio Farol FM 90,7, com apresentação de Manoca Leão.

A CRIANÇA E O ADULTO – Para a criança, só é possível viver sua infância. Conhecê-la compete ao adulto. Contudo, o que ira predominar nesse conhecimento, o ponto de vista do adulto ou o da criança? Se o homem sempre começou colocando-se a si mesmo em seus objetos de conhecimento, atribuindo a estes uma existência e uma atividade conformes à imagem que tem das suas, o quanto essa tentação não deve ser forte quando se trata de um ser que vem dele e deve tornar-se semelhante a ele – a criança, cujo crescimento ele vigia, guia e a quem muitas vezes lhe parece difícil não atribuir motivos ou sentimentos complementares aos seus. Para seu antropomorfismo espontâneo, quantas oportunidades, quantos pretextos, quantas aparentes justificativas! [...] Em suma, é o mundo dos adultos que o meio lhe impõe e disso decorre, em cada época, certa uniformidade de formação mental. Mas nem por isso o adulto tem o direito de só conhecer na criança o que põe nela. E, em primeiro lugar, a maneira como a criança assimila o que é posto nela pode não ter nenhuma semelhança com a maneira como o próprio adulto o utiliza. Se o adulto vai mais longe que a criança, a criança, à sua maneira, vai mais longe que o adulto. Tem disponibilidades psíquicas que outro meio utilizaria de outra forma. Várias dificuldades coletivamente superadas pelos grupos sociais já possibilitaram que muitas dessas disponibilidades se manifestassem. Com a ajuda da cultura, outras ampliações da razão e da sensibilidade não estão potencialmente na criança? Trechos extraídos da obra A evolução psicológica da criança (Martins Fontes, 2007), do filósofo, médico e psicólogo francês Henri Wallon (1879-1962). Veja mais aqui.

CENTO E VINTE MILHÕES DE CRIANÇAS NO CENTRO DA TORMENTA - Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os. São muito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem os vendedores [...] nós habitamos, no máximo, numa sub-América, numa América de segunda classe, de nebulosa identificação. É a América Latina, a região das veias abertas [...]. Trechos extraídos da obra As veias abertas da América Latina (Paz e Terra, 1979), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui.

VISÃO DO MUNDO - O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. É uma ideia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamos conforme nossa abertura ou exclusão em relação ao mundo. E o que configura essa perspectiva nossa? Ela se inaugura na infância, com suas carências nem sempre explicáveis. Mesmo se fomos amados, sofremos de uma insegurança elementar. Ainda que protegidos, seremos expostos a fatalidades e imprevistos contra os quais nada nos defende. Temos de criar barreiras e ao mesmo lançar pontes com o que nos rodeia e o que ainda nos espera. Toda essa trama de encontro e separação, terror e êxtase encadeados, matéria da nossa existência, começa antes de nascermos. Trecho de A marca no flanco, extraído da obra Perdas & Ganhos (Record, 2003), da escritora e tradutora gaúcha Lya Luft. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CONTRASTES FILOSÓFICOS – [...] Às vezes queremos muito alguma coisa e fazemos tudo para obtê-la, mas nossos esforços não levam a nada. Outras vezes, ao contrário, quando não fazemos senão esperar, quando somos somente pacientes, as coisas acontecem naturalmente. Parece, então, que nossa passividade agiu: fomos então ativos ou passivos? Talvez seja mesmo necessário agir sobre si mesmo para saber esperar. Da mesma maneira, pensamos às vezes que as paredes que sustentam o teto da casa são passivas, até o dia em que desmoronam. Vemos então como elas agiam de maneira eficaz. Concluímos, então, que tudo age sobre tudo sem que o percebamos. Tudo pode, portanto, ser considerado, ao mesmo tempo, ativo e passivo. [...] Trecho extraído da obra O livro dos grandes contrastes filosóficos (Log On, 2008), de Oscar Brenifier e Jacques Després.

COISAS DO AMOR - [...] Pelas quatro horas da tarde, avistou-se a “Estrela da Manhã” e ela correu para avisar Fernando. O doente estava muito mal e, quando avistou Isaura, olhou-a com terrível expressão de ansiedade. – Isaura – falou ele – já se avista a Barcaça? – Já! – respondeu a mulher, com o coração batendo no peito com tanta força que ela se sentia sufocada. – E a bandeira está içada no mstrou? – perguntou ainda o marido. – Está, sim! – disse Isaura; e acrescentou, antes que um bom impulso pudesse detê-la: - Mas não é branca como você disse não, é treta! – Então não posso mais! – falou Fernando, como se sua dor fosse tanta que ele não pudesse reter a vida por mais tempo. Seus olhos fecharam-se e ele deixou pender a cabeça. – Fernando! – gritou sua mulher desesperada e só agora acordando para a gravidade do que fizera. – Fernand0, não é verdade! A bandeira é branca. Mas era tarde. Fernando acabara de morrer. [...]. Trecho extraído da obra A história de amor de Fernando e Isaura (Bagaço, 1994), do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014). Veja mais aqui, aqui & aqui.

ÚLTIMAS DO FECAMEPA
Ministério da Saúde informa: use seringa por oito vezes, mas se contaminar, jogue fora, doido!
Ministério da Educação informa: Ninguém precisa mais estudar! Quem quiser aprender que pague!
Isto é Brasilsilsilsilsilsil! Veja mais Fecamepa aqui e aqui.

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ÁGUA VIDA ÁGUA
Mas que momento difícil
Que Deus vem me inspirar
Para falar de “Água Vida”
Pra humanidade salvar
Num curto espaço de tempo
Este livro vai marcar
Deus, como escreves certo
“Por linhas tortas o ditado”
Um mundo cheio de encrencas
Que por ti é observado
É uma luta desigual
Contra o mal e o pecado
A Água é Vida, é tudo
Sem ninguém compreender
Por isso desperdiçam tanto
No futuro pode não ter
É isso que a humanidade
Preciso logo saber
Por mais que nós eduquemos
Ninguém procura saber
Nem sabem da importância
Do que se faz pra viver
Por isso desperdiçam tudo
Coisas do “ser ou não ser?”
Seja a Água Potável
Ou a de Igarapé
Seja as dos Grandes Rios
Temos é que botar fé...
Mas o povo não entende
Valei-nos! Maria de Nazaré
Acham por que a Amazônia
Tem o grande potencial
Da Água desse Planeta
Nunca vai faltar, que tal?
Mas se esquecem duma coisa:
Da devastação que é o mal
[...]
Trecho extraído da obra Água, Vida Água (Autor, 2011), do poeta e ativista cultural João de Castro.


A arte de Rivail Azevedo.



quinta-feira, agosto 17, 2017

KRISHNAMURTI, MILLÔR, CELSO FURTADO, JOSEPH CAMPBELL, BARBOSA LIMA SOBRINHO, GILVAN LEMOS, RIO UNA & MARQUINHOS CABRAL

MARQUINHOS CABRAL: DESDE MENINO SOLTO NA BURAQUEIRA – A gente aprontou muitas e tantas no quintal lá de casa e nos cômodos da casa dele durante toda nossa infância. Espalhafato de conversa fiada, reinações de comer tempo e espaço, coisas do possível mais inventado que se possa crer: a gente vivia além da conta mesmo. Da beira do rio os meus olhos vermelhos na minha migração pra Letácio Montenegro – onde por conta de um leite achocolatado no recreio do Grupo José Bezerra, fui acometido duma hepatite de meses -, daí pro Caçotinho que era a Cohab, passando pelo Beco do Mijo – no qual dei um mergulho indesejado de cima da casa na lavanderia entupida de frascos -, Beco do Capim do namorico aprumado e jogadas de bola, Rua da Aurora, Rua Nova até a Praça Ismael Gouveia, era mudando de endereço e de escola. E ele lá, no mesmo endereço de sempre: a casa de Pai Lula & Carma, reduto de nossas mais cabeludas presepadas. Adolescemos juntos: chulé, pigarros, lapadas e trapalhadas. Tudo foi tão rápido que parece que foi ontem. Quando eu chegava na casa dele, ele lá inquieto altas curtições: Beatles, João Gilberto & Bossa Nova, David Bowie, Alice Cooper, Rolling Stones, Tropicália & dos Mutantes, Woodstock, Bob Dylan & Joan Baez, Simon & Garfunkel, Elvys, Elis, Frank Zappa, Led Zeppelin, do iê-iê-iê da Jovem Guarda, Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Tim Maia, maior salada com levada de tudo no meio das mais diferentes e efervescentes tendências musicais, quantas linguagens e ele incorporando de tudo no seu repertório pessoal, com seu microfone e plateia invisíveis e eu solando uma guitarra imaginária do bucho acompanhando tudo. Ele cantava tudo o que era de tons e sons, isso era década de 1970. E logo escapuliu a cantar por aí, no tempo em que havia o predomínio dos bailes com os sucessos do rádio, dos programas de auditórios, dos temas de novelas na época dos vinis marcados pelas gravadoras e os jabás. Nem vi direito e ele já cantava por aí, botando pra fora sua sensibilidade artística, participando de festivas e feiras de música, imprimindo sua personalidade, uma voz diferente, um performer afinado, ousado e cantando de tudo. Em um dado momento ele sumira, dera uma de hippie e picara a mula mundo afora. Cadê-lo? Nem sinal. Quando dei por mim, eu já estava em Recife e a gente se cruzando, trocando ideias e tons durante toda a primeira metade dos anos 1980. De lá pra cá, uma ou outras vezes, bebericando com pinoias, enterrando nossos mortos, ressurgindo a cada dia, revivendo cada hora. Foi aí que veio a maior sacada: ele aprumou uma parceria com Genésio Cavalcanti e Zé Linaldo de sair cada coisa bonita de nem saber direito no meio de tantas qual melhor. O que vale de mesmo fica na entrevista que se encontra mais abaixo, confira. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RIO UNA
Lá vai o rio Una, vai correndo a galopar 
Lá vai o rio Una, vai correndo para o mar
É que ele nasce pelas bandas de Capoeiras
Vai descendo as cachoeiras
Ligeiro que nem o vento
Chega em São Bento ele sorri de alegria
A correnteza tá dizendo
Se eu pudesse eu não descia
Lá vai o rio Una, vai correndo a galopar
Lá vai o rio Una, vai correndo para o mar
Pede licença e entra em Cachoeirinha
É quando vê quatro vaquinhas
Bebendo do seu produto
Se eu pudesse
Eu demorava um tiquinho
Mas vou passar em Altinho
Nem que seja um minuto
Chega em Altinho
Ele se alegra e se agita
Quando vê a moça bonita
Na barreira matutina
Para Agrestina ele corre com emoção
As águas batendo nas pedras
Até parece uma canção
Lá vai o rio Una, vai correndo a galopar
Lá vai o rio Una, vai correndo para o mar
Chega em Palmares
Ele mata a saudade
Passa dentro da cidade
Valente como um leão
Em Água Preta ele deixa de ser arisco
Respeita o padre Francisco 
E pede a sua benção
Aí ele entristece 
E bota pra chorar
Se despede de Barreiros
E emboca pra dentro do mar
Música extraída do álbum Meu Cantar (Cactus/RCA, 1982), do cantor e compositor Jorge de Altinho. Veja mais aqui .

RIO UNA – A despeito da opinião dos entendidos, que prognosticavam uma trovoada de maiores proporções para o dia seguinte, o tempo amanheceu firme, sol quente de verão. Mas o povo em geral se mostrava satisfeito, certo de que nem tão cedo faltaria água na cidade. O Una transbordara, os açudes dos arredores estavam sangrando, as cisternas das casas residenciais com o seu fornecimento garantido para muitos meses. Comentavam-se nos cafés, nas barbearias, na farmácia, os estragos causados pela chuva. Estragos, todavia, benfazejos, que a todos contentavam. [...] Trecho extraído da obra Jutaí menino (Bagaço, 1995), do escritor Gilvan Lemos (1928-2015). Veja mais aqui.

O FUTURO DO HOMEM – Há muito distúrbio e corrupção no mundo; as pessoas vivem extremamente perturbadas. É perigoso andar pelas ruas. Quando falamos em estar livres do medo, queremos a liberdade exterior – estar livres do caos, da anarquia, da ditadura. Mas nunca investigamos nem queremos saber se há uma liberdade interior, uma mente livre. Essa liberdade é real ou teórica? Consideramos o Estado como um obstáculo à liberdade. Os comunistas e outros povos totalitaristas afirmam que não existe essa tal de liberdade; o Estado, o governo, é a única autoridade. E estão suprimindo todas as formas de liberdade. Que espécie de liberdade, portanto, querem? A externa? Fora de nós? Ou a liberdade interior? Quando falamos de liberdade, trata-se de liberdade de escolha entre este e aquele governo, aqui e lá, entre liberdade exterior e interior? A psique interna sempre conquista o exterior. a psique, isto é, a estrutura interior do homem (seus pensamentos, suas emoções, ambições, ações, ganância) sempre conquista o exterior. assim, onde buscar a liberdade? Podemos estar livres da nacionalidade que nos dá uma sensação de segurança? Pode haver liberdade em relação a todas as superstições, dogmas e religiões? Só poderá surgir uma nova civilização através da verdadeira religião, e não através da superstição e do dogma nem das religiões tradicionais. Trecho extraído da obra Sobre a liberdade (Cultrix, 1991), do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui, aqui, aqui, & aqui.

DESENVOLVIMENTO & FATOR HUMANO - [...] o desenvolvimento econômico, na forma em que ele se processa hoje em dia, é essencialmente uma questão de criação e assimilação de progresso tecnológico. Essa afirmação deveria ser completada por outra: o progresso tecnológico é principalmente uma questão de qualidade do fator humano. Estamos aqui em face do mais complexo de todos os problemas que coloca uma política de desenvolvimento: melhorar o fator humano toma tempo e somente é possível se se dispõe de matrizes adequadas. Abundantes estudos hoje disponíveis demonstram que o nível de desenvolvimento de um país é função da massa de investimentos incorporados no fator humano. Desta forma, o problema do progresso tecnológico e o da melhor do fator humano, estarão sempre intimamente relacionados. [...]. Trecho extraído da obra Um projeto para o Brasil (Saga, 1968), do economista brasileiro Celso Furtado (1920-2004). Veja mais aqui e aqui.

VIVER A VIDA - Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos. [...] Vá em frente, viva a sua vida, é uma boa vida – você não precisa de mitologia”. Não acredito que se possa ter interesse por um assunto só porque alguém diz que isso é importante. Acredito em ser capturado pelo assunto, de uma maneira ou de outra. Mas você poderá descobrir que, com uma introdução apropriada, o mito é capaz de capturá-lo. E então, o que ele poderá fazer por você, caso o capture de fato? Um de nossos problemas, hoje em dia , é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas do momento. Antigamente, o campus de uma universidade era uma espécie de área hermeticamente fechada, onde as notícias do dia não se chocavam com a atenção que você dedicava à vida interior, nem com a magnífica herança humana que recebemos de nossa grande tradição – Platão, Confúcio, o Buda, Goethe e outros, que falam dos valores eternos, que têm a ver com o centro de nossas vidas. Quando um dia você ficar velho e, tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida interior, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer. As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, toda uma tradição de informação mitológica do Ocidente se perdeu. Muitas histórias se conservavam, de hábito, na mente das pessoas. Quando a história está em sua mente, você percebe sua relevância para com aquilo que esteja acontecendo em sua vida. Isso dá perspectiva ao que lhe está acontecendo. Com a perda disso, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada semelhante para pôr no lugar. Esses bocados de informação, provenientes dos tempos antigos, que têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, que construíram civilizações e enformaram religiões através dos séculos, têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares da travessia, e se você não souber o que dizem os sinais ao longo do caminho, terá de produzi-los por sua conta. Mas assim que for apanhado pelo assunto, haverá um tal senso de informação, de uma ou outra dessas tradições, de uma espécie tão profunda, tão rica e vivificadora, que você não quererá abrir mão dele.[...]. Trechos extraídos da obra O poder do mito (Palas Athena, 1990), do estudioso estadunidense de mitologia e religião comparada Joseph Campbell (1904-1987), também autor da obra Mito e transformação (Ágora, 2008), nos quais defende que “o individuo precisa aprender a viver pelo seu próprio mito, o caminho para encontrar o seu mito é encontrar o seu entusiasmo”.

AS AMIZADES - [...] E eu fico apenas a refletir que as amizades políticas são sempre e naturalmente passageiras. Mas as que se firmaram sobre um ideal, no serviço de uma casa nobre, vão buscar, na eternidade de seus motivos, a força e a sobrevivência, que os interesses humanos não sabem e não podem encontrar. Trecho de Por amor às crianças pernambucanas (Jornal do Brasil, 23/11/1969), extraído da obra Assuntos pernambucanos (Tempo Brasileiro/Fundarpe, 1986), do jornalista, advogado, escritor, historiador e ensaísta Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000).

AS MULHERES, SEMPRE POR CIMA - Ainda que as acusações continuem apontando-nos como execráveis porcos chauvinistas, nós, com o cavalheirismo que o tempo nos ensinou, estamos sempre apoiando a mulher (da alta classe média) e tudo que ela representa em sua luta destemida em prol de não sabemos lá o quê. [...] Você ainda gosta de mulher? [...] Millôr Fernandes, jornalista, idade indefinível. Ex-praticante de tiro ao alvo sobre alvos vivos, na Argélia: “Como sexo, as mulheres são insuportáveis. Mas na hora do sexo não tem nada melhor”. Quando cara diz que fala por experiência é porque ainda não adquiriu a experiência pra calar a boca. [...] O ideal de nossos governantes é um cavalo que chegue em primeiro sem fazer cocô. [...] Há muitas formas de ser útil ao país. Uma delas é se locupletar discretamente. [...]. Trechos extraídos da obra Que país é este? (Nordica, 1978), do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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ENTREVISTA MARQUINHOS CABRAL
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quarta-feira, agosto 16, 2017

ASCENSO, PAULO FREIRE, REICH, ELIÉZER MIKOSZ, ZWEIG, DIONE BARRETO, EDUCAÇÃO & GINÁSIO MUNICIPAL

O QUE É DE ARTE E CULTURA QUE EU NÃO SEI – Josedácio cometia uns versos brejeiros, coisas de seu; como não tinha escola, era só tirocínio, intuição: aprendeu sem se ensinar. Misturava afoiteza, licenciosidade, rimas de tudo, bem ao gosto popular. Logo atraiu uma tuia de xexéus, tudo metido a Bilacs, Drummonds, Bandeiras, Cabrais, poetas d’água doce, só. Até que o zoadeiro caiu nas graças dum prefeito eleito que nem era tão simpático assim, mas ficou sendo. Logo a trupe toda estava fazendo festa pro povo que saía da biblioteca e ganhava as ruas do teatro que não cabia mais, mandaram construir um anfiteatro pra saraus, recitais, exposições, artesanatos, festivais de cordel e de tudo o mais. Eram os pastoris, caboclinhos, quadrilhas, cirandas, bumba-meu-boi. Era festa todo dia e o dia todo, coisa de dá gosto, vinha gente até de um olho só de todas as cidades da vizinhança e até da capital e de outros estados. Era um festão do povo. Nem tudo passa impune, logo o festeiro tornou-se pra oposição e pros desachegados, o festival da perdição, afora a gritaria de beatos e fieis engrossando o caldo, coisa pra muita arenga. Até que veio, então, o golpe. E o que era festa virou subversão. A imprensa local arreou a lenha, se bandeando pros do contra: os arruaceiros que promoviam a violência e a degeneração das famílias de bem, agora estavam todos presos em nome da moral e dos bons costumes. A turma da TFP fez a festa. O que era barraca de artesanato, virou comércio de celulares, relógios, tecnologias baratas; o que era Casa de Cultura, virou Centro Social com atividades esportivas, tiro ao alvo, encontros religiosos e de civismo patriótico, afora as efemérides anuais, festas de ostentação e felicidade gratuita. A ditadura mandava ver, quando não se escapulia no meio do pega-pra-capar, era todo mundo com o rabinho entre as pernas: o menor pio e o cacete comia. Entrava dia, saía semana, passava mês, mais de ano, duas décadas e meia, quase sem esperança com tudo nem aí, saiu o Bloco dos Artistas – anônimos metidos a besta que se vangloriavam de cometer um ou outro versinho de valia ou tom de afinação, sem cinema, sem cena, sem palco nem nada -, sob a égide da Besta Fubana, juntaram a recada toda e protestaram ruidosamente. Num sobrou um que fosse de sequer pra contar história. Danou-se tudo, enquanto a gente só ouvia as autoridades locais embecadas no maior coro de arremedo entre gravatas e faixas nos peitorais sobre arte e cultura, como de educação e de arte e cultura, como de qualquer outra coisa, até corrupção e de arte e cultura, como se de arte e cultura só eles soubessem e que só eles falam e só os deles e os que estão com eles é que sabem e que ninguém sabe nem vê nem ouve nem fala. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DESESPERO DE ASCENSO
 
Os olhos brilhantes de cacainômano
Parecem ter coisas para me contar:
- Pedro Velho, cadê teu engenho?
A Usina passou no papo!
- E onde vais fundar safra este ano?
- Na barriga da mulher!
Na barriga da mulher.
............
Os olhos brilhantes
Parecem agora
Duas poças d’águas
Tremendo ao luar.
Poema extraído de Cana Caiana - Poemas de Ascenso Ferreira (Nordestal, 1981), do poeta modernista Ascenso Ferreira (1895-1956), Veja mais aqui, aqui & aqui.

A POESIA DE ASCENSO - [...] sua real contribuição dentro do movimento modernista brasileiro. O poeta aderiu à estética paulista, porém, com animo próprio e originalidade. As novas tendências por ele abraçadas fundamentavam-se na defesa dos valores regionais, sobretudo na tradução de sua nordestinidade que ele tão bem representou com uma poesia diferente, no sentido de renovação e experimentação, sem desrespeitar o passado, mas com uma temática de inspiração nacional e ao mesmo tempo regional, dentro dos contornos do Modernismo. [...] a obra de Ascenso Ferreira é na verdade documental e atualizadíssima. Sem sombra de dúvida, inesgotável, quanto às tantas possibilidades de interpretação à luz da sociologia, antropologia, misticismo, literatura, lingüística, folclore e outras ramificações de pesquisa, por isso necessário ao enlarguecimento de uma visão de mundo mais profunda, interligando o modo de vida do passado com a atualidade. Trechos extraídos da obra A contribuição sociológica da poesia de Ascenso Ferreira (Inovação, 2005) de Maria do Socorro Barros y Durán & José Avani Tavares de Azevedo. Veja mais aqui.

O HOMEM E SUA ÉPOCA - [...] Na medida em que o homem cria, recria e decide, vão se formando as épocas histórias. E é também criando, recriando e decidindo como deve participar nessas épocas. É por isso que obtém melhor resultado toda vez que, integrando-se no espírito delas, se apropria de seus temas e reconhece suas tarefas concretas. Ponha-se ênfase, desde já, na necessidade permanente de uma atitude crítica, a única com a qual o homem poderá apreender os temas e tarefas de sua época para ir se integrando nela. Uma época, por outro lado, realiza-se na proporção em que seus temas foram captados e suas tarefas resolvidas.  E se supera na medida em que os temas e as tarefas não correspondem a novas ansiedades emergentes. Uma época da história apresentará uma série de aspirações, de desejos, de valores, em busca de sua realização. Formas de ser, de comportar-se, atitudes mais ou menos generalizadas, das quais somente os visionários que se antecipam têm dúvidas e frente às quais sugerem novas formulas. A passagem de uma época para outra caracteriza-se por fortes contradições que se aprofundam, dia a dia, entre valores emergentes em busca de afirmações, de realizações, e valores do ontem em busca de preservação. Trecho extraído da obre Educação e mudança (Paz e Terra, 1983), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui, aqui & aqui.

DE MATÉRIA, RELIGIÃO, CIÊNCIA & ESPIRITUALIDADE - [...] A divisão entre o mundo material e o espiritual foi estabelecida entre a ciência e a religião como um “acordo entre cavalheiros” no tempo de Descartes. Essa divisão parece cada vez menor. A religião teve que aceitar no passado as inevitáveis constatações da ciência, como o fato de nosso planeta não ser o centro do universo, como também a ciência teve que encarar a espiritualidade como um fenômeno que vai além da fantasia ou imaginação. A transdisciplinaridade é um dos métodos que permitem essa aproximação. Atualmente as pesquisas sobre manifestações que envolvem arte e consciência tem se desenvolvido bastante, neurocientistas, psicólogos de várias áreas, artistas, antropólogos, estudos interdisciplinares, buscam investigar o fenômeno como algo tão válido e real como o mundo material. [...] Viu-se que os temas visionários, de maneira geral, têm caráter numinoso tão vivo e criativo quanto são os mitos presentes nas diversas sociedades primitivas e atuais em todo o planeta. Se a ênfase entre racional (antropocêntrica) e emocional (teocêntrica) costumou se intercalar entre os movimentos artísticos, a Arte Visionária, correndo quase sempre à margem dos grandes movimentos, manteve de forma bastante constante sua busca pela representação das visões de mundos subjetivos que afloram de uma fonte natural nos indivíduos, faz parte da mais profunda experiência humana diante do mistério da vida. Mesmo em meio às valiosas agitações artísticas criativas das modernidades e “pós-modernidades”, ela encontra seu espaço nos lados mais recônditos da condição e da natureza humana. Trechos do artigo Arte e Consciência: Visões Místicas e suas Representações (Neip, s/d), do artista plástico, editor, pesquisador doutor em Ciências Humanas e professor José Eliézer Mikosz.

BRASIL, PAÍS DO FUTURO - [...] Viajar no Brasil é sempre descobrir coisas novas, e temos que nos conformar com a fato de que no Brasil a ninguém é possível ver tudo. Ser razoável é saber resignar-se no momento oportuno, e por isso tive que dizer a mim mesmo: por essa vez basta! [...] No momento em que a hélice do aparelho em que vou partir principia a girar, desperta-se em mim toda a gratidão pela felicidade e pelos conhecimentos com que essas semanas inolvidaveis me presentearam. Quem teve a sorte de conhecer uma parte apenas da inesquecível superabundância do Brasil, já viu beleza suficiente para o resto da vida. Trechos extraídos da obra Brasil, país do futuro (Nova Fronteira, 1981), do escritor, dramaturgo, jornalista e biografo austríaco Stefan Zweig (1881-1942). Veja mais aqui.

DAS MUITAS FORMAS DE ENSINAR E APRENDER - [...] à criação de um blog que redimensione as aulas de leituras, de escrita e de gramática, não esquecendo a oralidade. Não se trata de supervalorizar o suporte, mas sim de perceber sua influencia nas interações contemporâneas, e cabe ao professor de língua portuguesa repensar seus conteúdos e estratégias para que de fato ocorra aprendizagem significativa tanto de leitura como de escrita, de oralidade e de gramática, conseguiindo, assim, retirar o aluno do marasmos de não saber ler e escrever com habvilidade suficientes de se impor na sociedade como cidadão. [...] Em suma, percebemos que é preciso sair da monotonia das aulas catedráticas classificadoras e nomeadoras de língua portuguesa, seja através da tecnologia digital ou de outras formas mais. O importante é que o professor ouse em busca de melhores frutos. Trechos extraídos de Prática educativa e weblog: a força propulsora para o ensino de leitura e escrita na aula de língua portuguesa, da profesora Analy Samara Zambiano de Oliveira, extraído da obra Cultura, práticas educativas, currículo e gênero: a tessitura de uma olhar multidisciplinar (EdUPE, 2009). Veja mais aqui & aqui.

MULHER BRASILEIRA - [...] Ter um marido é um verdadeiro capital para a mulher brasileira. Por outro lado, as pesquisadas também parecem poderosas por, além de terem um marido, sentirem-se mais fortes, independentes e interessantes do que eles (mesmo que eles ganhem muito mais do que elas e sejam mais bem-sucedidos em suas profissões). Portanto, em um mercado em que os maridos são escassos [...] as brasileiras casadas sentem-se duplamente poderosas: por terem um produto raro e extremamente valorizado no mercado e por se sentirem superiores e imprescindíveis para seus maridos. [...] as brasileiras falaram a maior parte do tempo sobre o homem, seja pela presença dele em suas vidas, altamente valorizada e necessárias para sua satisfação, seja para reclamar de sua falta. Um dos fatos que mais chamou a minha atenção foi que as brasileiras falaram pouquíssimo de seus filhos e, menos ainda, de suas atividades profissionais. É interessante destacar que, nos grupos que pesquisei, o fato de viajarem, conversarem com as amigas, saírem sozinhas ou descobrirem, uma nova atividade (um curso de filosofia, um curso de pintura ou um grupo religioso) apareceu com muito mais destaque que os filhos e o trabalho. Poucos foram os momentos em que falaram de seu pai ou sua mãe, e mais raros ainda em que falaram de seus netos, apesar de algumas serem avós. Trechos do artigo Nem toda brasileira é bunda: corpo e envelhecimento na cultura contemporânea, da antropóloga e escritora Mirian Goldenberg, extraído da obra O tempo da beleza: consumo e comportamento feminino, novos olhares (Senac, 2008), organizado por Leticia Cassoti, Maribel Suarez e Roberta Dias Campos. Veja mais aqui.

O BECO SEM SAÍDA DA EDUCAÇÃO SEXUAL - [...] A educação sexual, a meu ver, fornece problemas muito mais sérios e cheios de conseqüências do que pensa a maioria dos reformadores sexuais. Justamente por isso é que nesse campo não se progride nem um pouco, apesar de todo o conhecimento e de todos os meios que a pesquisa sexual colocou ao nosso alcance. Temos que lutar com uma poderosa máquina social que por enquanto oferece resistência passiva, mas que no primeiro esforço sério de nossa parte passará a uma resistência ativa. E toda a hesitação e cuidados, toda indecisão e tendência para compromissos em questões de educação sexual, não podem ser atribuídos apenas a nossas próprias repressões sexuais, mas, apesar da honestidade dos esforços educacionais, ao temor de entrar em conflito grave com a ordem social conservadora [...]. Trecho da obra Revolução sexual (Zahar, 1968), do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957). Veja mais aqui e aqui.

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147
As horas desse amor sobram de ausência
Ausência que de tudo se antecede
Basta a certeza do amor mais breve
Para que o mal lhe negue a existência

Multiplicar lhe resta a dor sentida
Que a dor diminuída é fingimento
Usar os carretéis do tormento
E destruir a vida com a vida
Poema extraído da obra Do amor e suas perversidades (Fundarpe/CEPE, 1989), da poeta, psicóloga e editora Dione Barreto.


Bate papo com os alunos do Ginásio Municipal & a professora Evanice Rodrigues, nas comemorações do Centenário de Hermilo Borba Filho. Veja mais aqui & aqui.

 

GRAMSCI, MORIN, COMENIUS, HUIZINGA, REGINALDO OLIVEIRA, MANOCA LEÃO & POLÍTICAS EM DEBATE

Livros, teatro & música infantis aqui . POLÍTICAS EM DEBATE - A semana que passou, posso dizer agora com convicção, foi pra...