sábado, dezembro 30, 2017

FRANÇOIS DE MALHERBE, JAMESON, LOWEN, RENATA DOMAGALSKA, SÉRGIO VAZ, ADMMAURO GOMMES & REVELLON TATARITARITATÁ!


AMANHECER

Longe vai quase inaudito canto
Restou ausente o que se foi
O mundo aos ombros, tudo é presente
E, no entanto, abolidas certezas e precisão
Enterram o que ontem em mim se fez
Mas não desfez as unhas que cavei a terra

E se assemelha a voz à lua
E se resume a rua vaga
E se espelha quem não continua
Afeto impune que não se afaga

O peso da solidão, intrusa veemente da noite
Somente o meu exílio, comparsa da desolação
Celebro a vida e renasço quando muito
Sou a cidade alvoroçada aos meus pés
Tudo é fortuito e quase, quando ao invés
O dia nasce e é talismã às minhas mãos.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá apresenta o Revellon de Ano Novo com Marlos Nobre, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, SporkFrevo Orquestra, Yes, Elba Ramalho, Gênesis, Lenine, Beto Guedes, Milton Nascimento & muito mais. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Em sua imaginação ou na realidade, o individuo moderno parece necessitar de uma sensação de poder para superar um desespero interior decorrente da experiência de ser importante como uma criança e impotente como um adulto. Mas é uma ilusão acreditar que o poder é capaz de resolver os complexos problemas humanos. A irrealidade do mundo moderno é sua fé no poder. [...] Com sufiente poder, ele pode controlar seu destino e determinar sua própria sorte. [...] Reconhecemos que o nosso conhecimento, o nosso saber, é sempre incompleto, que o nosso poder será sempre insuficiente para afetar o nosso destino, que somos mortais. Permite-nos dizer: “não sei”. E permite-nos a empatia para com outros, pois adminitimos as características que nos são comuns como seres humanos. Reconhecendo e aceitando os nossos limites, tornamo-nos verdadeiras pessoas, não narcisistas. [...]. Trechos extraídos da obra Narcisismo: negação do verdadeiro self (Cultrix, 1983), psicanalista e psiquiatra M. D., Alexander Lowen (1910-2008). Veja mais aqui.

CULTURA PÓS-MODERNA - [...] na cultura pós-moderna, a própria ‘cultura’ se tornou um produto, o mercado tornou-se seu próprio substituto, um produto exatamente igual a qualquer um dos itens que o constituem. [...] O pós-modernismo é o consumo da própria produção de mercadorias como processo [...] Os pós-modernismos têm revelado um enorme fascínio justamente por essa paisagem degradada do brega e do ‘kitsch’, dos seriados de TV e da cultura do Reader’s Digest, dos anúncios e dos motéis, dos lateshowse dos filmes B hollywoodianos, da assim chamada paraliteratura [...] entender o pós-modernismo não como um estilo, mas como uma dominante cultural: uma concepção que dá margem à presença e à coexistência de uma série de características que, apesar de subordinadas umas às outras, são bem diferentes [...] A produção estética hoje está integrada à produção das mercadorias em geral: a urgência desvairada da economia em produzir novas séries de produtos que cada vez mais pareçam novidades (de roupas a aviões), com um ritmo de turnover cada vez maior, atribui uma posição e uma função estrutural cada vez mais essenciais à inovação estética e ao experimentalismo [...] a obra de arte [...] é agora um saco de gatos ou um quarto de despejo de subsistemas desconexos, matérias primas aleatórias e impulsos de todo tipo [...]. Trechos extraídos da obra Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio (Ática, 2002), do crítico literário e teórico estadunidense Fredric Jameson. Veja mais aqui.

FOLHA DA AMARGURA -  Poeta é preso em flagrante sorriso: Neste sábado pela manhã, a tropa de elite do mau humor, fortemente armada, conseguiu prender o poeta Augusto, 44, que estava sorrindo, sem autorização, deliberadamente em mais uma manhã terrivelmente ensolarada. Acusado de Idiota, o poeta foi enquadrado na lei nº777, denominada "Tristeza não tem fim" e imediatamente levado ao Departamento das caras amarradas, no Centro das Mágoas, em São Paulo. O Poeta Augusto tinha acabado de acordar e saiu para uma pequena caminhada, cheio de alegria, conforme testemunhas, e começou a sorrir para todos que estavam em sentido contrário, literalmente, Foi aí que foi abordado por uma viatura que fazia ronda no local. Antes de fugir trocou olhares sem maldades com a tropa do mau humor e saiu em disparada pela Rua Esperança. Depois da perseguição com troca de insultos, não por parte do poeta, ele foi preso em flagrante, ainda com duas ou três risadas que iria usar mais tarde. Ao ser interrogado Augusto não entregou quem lhe havia fornecido a alegria, e ainda revelou, de forma risonha e irônica, que ele era o dono da boca. O mau humor confirmou sua prisão temporária por 30 dias, e que no final da tarde o poeta será transferido para o presídio de solidão máxima, enquanto aguarda o julgamento. O Secretário Geral das mesquinharias, Coronel José Bicudo Guerra, 98, informou em entrevista coletiva que o governo vai investir pesado na luta contra o bom humor, e que dentro de dois ou três anos vai erradicar a alegria do país. Da redação: vira-lata das ruas. Extraído da obra Literatura, pão e poesia (Global, 2011), do poeta Sérgio Vaz.

ESTÂNCIASTua dor, Du Périer, será acaso eterna, / e a tortura e a aflição / que te incute na mente a amizade paterna / sempre aumentá-la-ão? ] A desgraça da filha, ao túmulo descida / por um transe comum, / é alguém Dédalo ao qual tua razão perdida / não ache fim algum? / E sei de que fulgor lhe estava a infância plena / e não ouso tentar, / infortunado amigo, aliviar-te a pena / com só a desdenhar. / Mas... pertencia ao mundo, onde as mais belas coisas / têm vida curta e vã; / e, rosa, ela viveu o que vivem as rosas:/ uma breve amanhã. / Suponhamos porém que, ouvidos teus lamentos, / lograsse ela alcançar / longa vida e adiar seus últimos momentos, / que iria ela lucrar? / Teria, pensas tu, mais ditosa acolhida / na celeste mansão, / ou veria abrandado o pesar da partida / e os vermes do caixão? / Não, não, meu Du Périer, porquanto assim que a Parca / alma e corpo separa, / desaprece a idade antes de entrar na barca / e toda o tempo para. / Não te canses portanto em inúteis lamentos, / recupera a razão. / Devota-lhe o melhor dos teus bons pensamentos, / põe de lado a aflição. / É um costume bem justo, eu sei, em meio à agrura / o aflito coração / nas lágrimas buscar, para a sua amargura, / paz e consolação. / Mesmo quando separa a sepultura os seres / que natura ajuntou. / Um bárbaro será quem falte a tais deveres / ou um monstro o gerou. / Mas, não buscar consolo e dentro da memória / seu desgosto encerrar, / não é odiar-se a si para alcançar a gloria / de a outrem amar? / A mim já me atingiu esse flagelo / duas vezes fatais, / e duas vezes pude à razão submetê-lo / sem me abater jamais. / Não que não sinta, eu, que o túmulo possua / o que caro me foi; / mas acidente tal, que a ninguém excetua, / justo é que não ecoe. ; Mais que outra condição, tem a morte rigores / que não há conjurar; / a cruel tapa o ouvido aos nossos vãos clamores / e nos deixa gritar. / O pobre em seu casebre, onde cobrem esteiras, / sujeita-se-lhe às leis; e a guarda do que Louvre assegura as porteiras / não salva os nossos reis. / Murmurar contra ela e esgotar a paciência / erro é, que não se impõe; / querer o que Deus quer, eis a única ciência / que em repouso nos põe. Poema do poeta francês François de Malherbe (1555-1628), conhecido como “pai da luxúria”. Veja mais aqui.

A POESIA DE ADMMAURO GOMMES
A poesia do poeta e professor Admmauro Gommes é autor de diversas obras poéticas e organizador de obras reunindo estudos literários e sociolingüísticos, além de participar de antologias poéticas. Atua como professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul (FAMASUL), é especialista em Língua Portuguesa pela FAFIMA (Maceió) e já ocupou o cargo de Secretário de Educação em diversos municípios. Veja a poesia do autor aqui, aqui & aqui.

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A ARTE DE RENATA DOMAGALSKA
A arte da pintora polonesa Renata Domagalska.
 

sexta-feira, dezembro 29, 2017

CAPRA, MARCUSE, PORTINARI, HATOUM, WALLY SALOMÃO, SIQUEIROS, REVELLON & FREVO

É SÓ TIRAR O P, ORRA! - Uma revolução nunca vista ocorre no Brasil. Verdade. Quer dizer, parece. Depois do que se tem visto nos últimos anos, nada será capaz de nos deixar tranquilos por um bocado de anos. Não há como ter calma, a coisa está pra lá de periclitante. Pois bem. Já que os partidos políticos se valiam apenas de programas lindos de morrer pro seu blá blá blá, quando, na prática, era tudo conversa mole pra tapiar a jogada do poder pelo poder e outras patifarias, agora as agremiações políticas resolveram levar a sério as conduções dos condôminos do poder, erradicando a letra P para adotar (ou melhor, copiar) a ideia de partidos-movimentos europeus. Explico melhor: o que era PQP, ou PQME, PABECÊ ou outras infelizes siglas, agora é pra valer na ação, nada de lero-lero. Trocando em miúdos, os que gostam de andar pra frente e só isso, sem andar na linha nem de lado, nem pra trás, comporão o Frente. Os que são indecisos ou que deixam pra amanhã, ou pra depois, quem sabe para o mês ou ano que vem, estarão filiados ao Muro - sobretudo aqueles que nunca tiveram a coragem de sair do armário e jamais escolheram a coluna 1 ou a 2, sempre na do meio, óbvio, seguiram e seguirão sempre o vencedor de ocasião. Afora aqueles que possuem o complexo de superpoderes ou coisa parecida, reunidos sob a legenda do Avante, metido a salvadores da pátria ou coisa deploravelmente que lembre ou ache. Pela lógica, os conservadores devem adotar o Répratrás por nomenclatura, já que nasceram de forma – pra não dizer foda - mal passada e ficarem por lá até hoje. Assim como os que podem e seja lá o que Deus quiser serão os asseclas do Podemos – deixando claro que os que fodem, foderam e foderão tudo do mesmo jeito. E o mais importante, todos estarão livres de ser de direita, esquerda ou centro, coisa mais antiga essa, agora tudo na base do lavou está novo, novíssimo – aliás, não dá nem pra imaginar que sempre foram porque estão fantasiados de zero quilômetro. Sacou? O argumento é forte: é que a Constituição Federal que ainda nem é balzaquiana – hem, hem, ainda ontem eu a vi, novinha em folha, maior belezura cobiçada, desfilando sedutoramente com sua promulgação em 1988, hoje já com quase cem cirurgias plásticas que a deixaram mais remendada que só tábua de pirulito! -, já anda caducando e que não adianta mais mexer nela pra não catingar demais – coitada, pintaram, bordaram, golpearam, tripudiaram e arrombaram com a jovem esperançosa, dela quase ninguém sequer saber nem se dar conta. Outro fundamento defendido é que ou a gente moderniza este país na marra do estupro ou do jeito que querem – o que pra mim dá no mesmo -, ou a gente será a colônia de sempre – como se não fosse! Por tudo isso é que eu digo que é novidade, modernidade, coisa que nem sei pra quem ver – ah, sei, eles mesmos que pensam que fora deles só tem burro. Pros promotores revolucionários, isso acaba com o pior profissional do mundo: o político. E é? Como? E eu que sei!?! Os encrenqueiros de plantão é que insistem que se trata apenas de mudança de rótulo, vez que a merda é a mesma, a fedentina talqualmente, e a desgraça de antanho só mudam de nome. Vale a delação desproposital: odre novo de vinho velho azedado. Outros sisudos asseveram que a mudança é somente para jogar embaixo do tapete as porcarias que fizeram apoiando o golpe e tudo o mais de impunidade e trambicagem, tapando o Sol com a peneira. Digam o que disserem, mas o certo mesmo é que se deveria era aproveitar a oportunidade e abolir a letra P do nosso alfabeto (que já deveria ter virado o escambau do Doro, sic), facilitando a vida de todo brasileiro. Assim quando se falasse em artido saberia que se tratava de uma nova arte de fazer olítica, bem como arlamentar seria a forma de articipar da olítica. Diga se não é novidade, hem? Por conta disso, eculato seria uma nova ciência eculógica, ou seja, se enrabam desde sempre, não seria agora que parariam de enrabar todo mundo, né não? Icaretagem seria uma nova forma de fazer anúncios boca-a-boca; obre seria a inclusão de todo hipossuficiente na condição de mão-de-obra habilitada, como também quando se usasse a expressão ropina, todos ficariam com carga de interrogação pelo lançamento festivo, transformada numa nova forma de garantir comissões vultosas de forma legalizada, esquecendo até das aves de rapina do passado que ontem, anteontem e desde sempre dilapidaram e dilapidam o erário público (melhor dizendo, o passado vira presente a todo instante). Além do mais, acaba com a distinção entre o úblico e o articular, pronto resolvido o problema daqueles que tiram do bolso direito pro esquerdo, misturando apurado com lucro e fisco com o que é seu, colocando o justo e todo mundo na rivada. É tudo muito simples demais: é só matar o P que será uma besteirinha de nada, coisa de pouca monta que nem fará cócegas no índice de criminalidade brasileira, encobrindo o que sempre foi ignorado pelas sanções enais e, mesmo, anais (aboliram o P e não o B, deixa pra lá, quem vai ligar?). É certo que a imprensa sensacionalista considerará um absurdo e o maior escândalo pra alcançar altos índices de audiência, contudo, como tudo por aqui, uma semana depois, saiu da manchete e ninguém mais se lembra. Inclusive – e a melhor – é que a gente nem ficará sabendo que nas eleições vindouras, todo olítico continua sendo filho da uta. Isso sim, quanta mudança alvissareira, hem? São novos tempos, né? Hummmmm. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá prévia do Revellon de Ano Novo com especiais Clássicos do Frevo com a Orquestra de Rua Recife Olinda & O melhor do frevo ao vivo & muito mais! Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA[...] essa sociedade é irracional como um todo. Sua produtividade é destruidora do livre desenvolvimento das necessidades e faculdades humanas; sua paz, mantida pela constante ameaça de guerra; seu crescimento, dependente da repressão das possibilidades reais de amenizar a luta pela existência. [...] Em virtude do modo pelo qual organizou a sua base tecnológica, a sociedade industrial contemporânea tende a tornar-se totalitária. Pois totalitária não é apenas uma coordenação terrorista da sociedade, mas também uma coordenação técnico-econômica não-terrorista que opera através da manipulação das necessidades por interesses adquiridos. Impede, assim, o surgimento de uma oposição eficaz ao todo. Não apenas uma forma específica de governo ou direção partidária constitui totalitarismo, mas também um sistema específico de produção e distribuição que bem pode ser compatível com o ‘pluralismo’ de partidos, jornais, ‘poderes contrabalançados’ etc. [...] Como um universo tecnológico, a sociedade industrial desenvolvida é um universo político, a fase mais atual da realização de um projeto histórico específico – a saber, a experiência, a transformação e a organização da natureza como o mero material de dominação. Ao se desdobrar, o projeto molda todo o universo da palavra e da ação, a cultura intelectual e material. No ambiente tecnológico, a cultura, a política e a economia se fundem num sistema onipresente que engolfa ou rejeita todas as alternativas. O potencial de produtividade e crescimento desse sistema estabiliza a sociedade e contém o progresso técnico dentro da estrutura de dominação. A racionalidade tecnológica ter-se-á tornado racionalidade política [...] É uma cultura antiquada e ultrapassada, e somente sonhos e regressões infantis podem recuperá-la. Mas essa cultura é também, em alguns de seus pontos decisivos, pós-tecnológica. Suas imagens e posições mais avançadas parece sobreviverem à sua absorção em comodidades e estímulos administrados; continuam assombrando a consciência com a possibilidade de seu renascimento na consumação do progresso técnico. São a expressão da alienação livre e consciente das formas estabelecidas de vida com a qual a literatura e as artes se opuseram a essas formas até mesmo onde as adornaram. [...]. Trechos extraídos da obra A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional (Zahar, 1982), do sociólogo e filosofo alemão pertencente à Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse (1898-1979).Veja mais aqui e aqui.

MUTAÇÃO HOJE EM DIA - As últimas duas décadas de nosso século vêm registrando um estado de profunda crise mundial. É uma crise complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos de nossa vida — a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. É uma crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e premência sem precedentes em toda a história da humanidade. Pela primeira vez, temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida no planeta. Estocamos dezenas de milhares de armas nucleares, suficientes para destruir o mundo inteiro várias vezes, e a corrida armamentista prossegue a uma velocidade incoercível. [...] Os custos dessa loucura nuclear coletiva são assustadores. [...] Enquanto isso, mais de 15 milhões de pessoas — em sua maioria crianças — morrem anualmente de fome; outros 500 milhões de seres humanos estão gravemente subnutridos. Cerca de 40 porcento da população mundial não tem acesso a serviços profissionais de saúde; entretanto, os países em desenvolvimento gastam três vezes mais em armamentos do que em assistência à saúde da população. Trinta cinco por cento da humanidade carece de água potável, enquanto metade de seus cientistas e engenheiros dedica-se à tecnologia da fabricação de armas. [...] A civilização continua a crescer quando sua resposta bem-sucedida ao desafio inicial gera um ímpeto cultural que leva a sociedade para além de um estado de equilíbrio, que então se rompe e se apresenta como um novo desafio. Desse modo, o padrão inicial de desafio-e-resposta é repetido em sucessivas fases de crescimento, pois cada resposta bem-sucedida produz um desequilíbrio que requer novos ajustes criativos. [...] Os economistas tendem a dissociar a economia do contexto ecológico em que ela está inserida e a descrevê-la em termos de modelos teóricos simplistas e altamente irrealistas. A maioria de seus conceitos básicos, estreitamente definidos e usados sem o pertinente contexto ecológico, já não são apropriados para mapear as atividades econômicas num mundo fundamentalmente interdependente [...] Esses valores levaram a uma exagerada ênfase na tecnologia pesada, no consumo perdulário e na rápida exploração dos recursos naturais, tudo motivado pela persistente obsessão com o crescimento. O crescimento econômico, tecnológico e institucional indiferenciado ainda é visto pela maioria dos economistas como o sinal de uma economia "saudável", embora esteja causando hoje desastres ecológicos, crimes empresariais generalizados, desintegração social e uma probabilidade sempre crescente de guerra nuclear [...] Quando adotamos uma perspectiva ecológica e usamos os conceitos apropriados para analisar processos econômicos, torna-se evidente que nossa economia, nossas instituições sociais e nosso meio ambiente natural estão seriamente desequilibrados. Nossa obsessão com o crescimento e a expansão levou-nos a maximizar um número excessivo de variáveis por períodos prolongados — pnb, lucros, o tamanho das cidades e das instituições sociais, etc. —, e o resultado foi uma perda geral de flexibilidade. [...] O restabelecimento do equilíbrio e da flexibilidade em nossas economias, tecnologias e instituições sociais só será possível se for acompanhado por uma profunda mudança de valores. [...] Enquanto a transformação está ocorrendo, a cultura declinante recusa-se a mudar, aferrando-se cada vez mais obstinada e rigidamente a suas idéias obsoletas; as instituições sociais dominantes tampouco cederão seus papéis de protagonistas às novas forças culturais. Mas seu declínio continuará inevitavelmente, e elas acabarão por desintegrar-se, ao mesmo tempo que a cultura nascente continuará ascendendo e assumirá finalmente seu papel de liderança. Ao aproximar-se o ponto de mutação, a compreensão de que mudanças evolutivas dessa magnitude não podem ser impedidas por atividades políticas a curto prazo fornece a nossa mais robusta esperança para o futuro. Trechos da obra O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente (Cultrix, 1991). do físico e escritor austríaco Fritjof Capra. Veja mais aqui e aqui.

ÓRFÃOS DO ELDORADO – [...] Abandonar Florita? Como eu podia abandonar a interprete dos meus sonhos, as mãos que preparavam minha comida, e lavavam, passavam, engomavam e perfumavam minha roupa: gostei dela desde o dia em que a vi no meu quarto: a moça de rosto redondo, lábios grossos e cabelo escorrido, cortado em forma de cuia, o olhar terno e triste que foi adquirindo malicia e duraza no convívio com Armando. Florita sentia ciúme de mim por eu ter dormido com ela uma única vez na rede: a brincadeira que ela me ensinou, dizendo: Faz assim, pega aqui, aperta minha bunda, não faz assim, põe a língua pra fora e agora me lambe: a brincadeira que foi a despedida da minha juventude virgem e me castigou com a temporada na pensão Saturno e quatro ou cinco anos de desprezo de Armando. Pensei em tudo isso [...]. Trecho extraído da obra Órfãos do Eldorado (Companhia das Letras, 2008), escritor, tradutor e professor Milton Hatoum. Veja mais aqui.

MAR DE SARGAÇOS - Criar é não se adequar à vida como ela é,/ Nem tampouco se grudar às lembranças pretéritas / Que não sobrenadam mais. / Nem ancorar à beira-cais estagnado, / Nem malhar a batida bigorna à beira-mágoa./ Nascer não é antes, não é ficar a ver navios, / Nascer é depois , é nadar após se afundar e se afogar. / Braçadas e mais braçadas até perder o fôlego. / ( Sargaços ofegam o peito opresso ), / Bombear gás do tanque de reserva localizado em algum ponto / Do corpo / E não parar de nadar, / Nem que se morra na praia antes de alcançar o mar. / Plasmar / bancos de areia, recifes de corais, ilhas, arquipélagos, baías, / espumas e salitres, ondas e maresias. / Mar de sargaços / Nadar, nadar, nadar e inventar a viagem, o mapa, / o astrolábio de sete faces, / O zumbido dos ventos em redemunho, o leme, as velas, as cordas. / Os ferros, o júbilo e o luto. / Encasquetar-se na captura da canção que inventa Orfeu / Ou daquela outra que conduz ao mar absoluto. / Só e outros poemas / Soledades / Solitude, récif, étoile. / Através dos anéis escancarados pelos velhos horizontes / Parir, / desvelar, desocultar novos horizontes. / Mamar o leite primevo, o colostro, da Via Láctea. / E, mormente, / remar contra a maré numa canoa furada / Somente / para martelar um padrão estoico-tresloucado / De desaceitar o naufrágio. / Criar é se desacostumar do fado fixo / E ser arbitrário. / Sendo os remos imatérias. / (Remos figurados / no ar / pelos círculos das palavras.). Poema do poeta Wally Salomão (1943 – 2003).

A ARTE DE PORTINARI
A arte do pintor Cândido Portinari (1903-1962), Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
A poesia de Rainer Maria Rilke aqui, aqui, aqui e aqui.
A literatura de Lima Barreto aqui.
A arte de Guido Cagnacci aqui.
A literatura de Miguel de Cervantes aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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A ARTE DE SIQUEIROS
A arte do pintor mexicano David Alfaro Siqueiros (1896-1974). Veja mais aqui.

quinta-feira, dezembro 28, 2017

GRAMSCI, SÉRGIO PORTO, ELBA, STEVEN CONNOR, SPOK FREVO, KENNEY MENCHER, PATRIZIA SAVARESE, MARCOS CARNEIRO & BIRITOALDO

EPIFANIA TRUCULENTA DO BIRITOALDO – Biritoaldo não acertava uma. Naquele dia, entre uma golada e outra lapada, clariou as ideias: a cachaça obra generosidades. Uma mosca voava e foi justo cair para morrer afogada no copo de aguardente. Teve pena. Providentemente, de um salto salvou-la. Encheu-se de heroísmo. Quis mostrar pros outros, ninguém deu trela, só beiços puxados de reprovação na leseira dele. Bem que eu poderia ser salva-vidas, nos afogamentos do riacho, nos tanques fundos de água, nas cacimbas, nos banhos de rios, praia não que é muito longe. Pois é, podia ser, né? Podia. Antes teria de aprender a nadar, evidentemente, não sabia. Ah, é só saber mexer os braços e as pernas, resolvido. Procurou se inteirar: técnicas de respiração, ôxe, moleza. Não era. Massagens cardíacas? É só dar uns alisados com sopapos na caixa dos peitos, pronto, feito. Nada disso. Agilidade nas ações de prevenção, hein? Lascou! Entrevado como era, um traste. Um segundo e babau. Um segundo? Tá difícil, mas vou praticar. E foi. Saía dum lado a outro de uma margem a outra do rio, pra cima e pra baixo, caçando vítimas. Ué, parece mais que ninguém morre por aqui, ora. Um dia, dois, três e nada. Só se eu começar a salvar os peixes! De quê? Mergulhou, não sabia da infestação de piranhas. Hum! A primeira deu-lhe uma mordida nos colhões dele ver estrelas. Aí não teve partes do corpo que não tivesse dentadas delas. Vôte! De tão inchado ficou irreconhecível. Ao passar pelas ruas, as crianças só: Bicho feio! Bicho feio! Voltar ali, não dava, nunca mais. Foi pro riacho e logo viu um pato se debatendo, foi lá e o mundo escureceu com o grasnado de gansos. Era hora de se salvar e nem deu conta de que se aproximava de um jegue nas proximidades. Foi. Levou um coice de ficar desacordado por dias. E quando voltou não sabia onde estava nem mesmo quem era. Pronto. Melhor praticar num aquário, melhor não. Abandonou a carreira sonhada de super-herói. Queria fazer o melhor de si, não tinha jeito, era sempre arrastado pelo cabresto do azar, vencido pelas surpresas, destrambelhado. Sonhos, tudo pelos ares. Bom humor e fome ou sono, não combinam. Onde a sorte da sua vida? Só podia estar escondida em algum lugar: no cu da vida dele, reclamava. Apesar da ideia curta, da escassa inteligência desastrada, sabia que as guerras nasciam no coração humano, apenas, e não podia ser maior que seu próprio tamanho. Enquanto sonhava com as almofadas de seda do Alcorão, arrodeado de belas e nuas donzelas dos olhos de misteriosas pétalas, a sua vida era disco arranhado de imagens bufentas. Quem era ele senão escravo do labor infindável, tedioso e cruel de todos os dias, o pecador torturado, castigado que só, mas por quê? A maldita sorte. Maldisse a si próprio. Quem sou eu? O que estou fazendo aqui, de onde em vim, pra onde vou? Bateu com o quengo na parede: Tome, seu desgraçado. Começou a esmurrar o próprio peito, revoltado consigo mesmo. Aos murros contra si próprio, eis que do seu peito saíram pombos, borboletas, corujas, araras, passarinhos, aranhas, urubus. Vixe! Virei mágico, foi? Só era o que faltava! Não, não era, sabia lá o que droga foi que aocnteceu. Sabia que o seu coração mais parecia uma bola se debatendo aos pulos, saltando alto de querer sair pela boca. Vixe! Viu-se fora de si, um outro: cara dum, cu de outro, quem não ganhar é gafanhoto. E levou um bofetão dele mesmo: salafrário! E revidou, quebrou dois dentes. Punhos, munhecas e muques na contenda. Movido por um ódio terrível na bravata, fez força e se enfrentou sob furores de trovões e relâmpagos, em selvagem combate. Agarrou-se ao pescoço do adversário que era ele mesmo e viu-se desfalecer, queria aniquilar e pôr fim na luta mortal, quase mata, ou seja, na verdade, quase morre. Ué, lutei contra mim mesmo, foi? O outro era eu! Que doidice! Foi aí que a sua alma virou pássaro e saiu voando. Ele aterrorizou-se ao se deparar com o escaravelho, a balança e a pedra, não soube o que dizer. Que droga é nove, hem? Não sabia e só se sentia um imprestável girando na roda do renascimento pelo fluxo da existência. Do Livro dos Mortos: o que você quer ser: um cinzeiro, um seixo, uma andorinha, o quê? Sou aquilo que penso e faço: uma titica catingosa, uma catota nojenta, uma pereba remelenta, um vômito da miséria, uma gangrena mortal, um inchaço purulento, uma ameba no instestino do universo, de serventia alguma. De tanto se autoimolar deu-se a metamorfose: tornou-se uma barata asquerosa fugindo de sapatos e escorpiões. Correu, fugiu, sumiu. Cadê eu? Perdeu-se de si. Sacou que sua alma havia transmigrado para um tolote de bosta. Eita! Salvei-me, pelo menos. Será? Ah, nem morri e virei merda povoada por moscas e mosquitos. Se não prestava, agora é que deu mesmo. Aceitava a sua ruína, nem servia nem pro lixo, quanto mais para troco. Era dia dos santos inocentes: e eu que pago o pato. Enjeitado do mundo, ele se perdeu no pesadelo da sua vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá prévia do Revellon de Ano Novo com especiais de show ao vivo de frevos com Elba Ramalho & Vassourinhas, Ninho de Vespa & Passo de anjo com Spok Frevo & muito mais! Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Existem diversas filosofias ou concepções de mundo e sempre se faz escolha entre elas. Como ocorre esta escolha? É esta escolha um fato puramente intelectual, ou é um fato mais complexo? E não ocorre frequentemente que entre o fato intelectual e a norma de conduta exista uma contradição? Qual será, então, a verdadeira concepção do mundo: a que é logicamente afirmada como fato intelectual, ou a que resulta da atividade real de cada um, que está implícita, na sua ação? E já que a ação é sempre uma ação política, não se pode dizer que a verdadeira filosofia de cada um se acha inteiramente contida na sua política? [...]. Trecho extraído da obra Concepção dialética da história (Civilização Brasileira, 1978), do filósofo, cientista político e comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937). Veja mais aqui e aqui.

CULTURA PÓS-MODERNA – [...] duas vertentes, a do surgimento do pós-modernismo a partir do modernismo e a do aparecimento da pós-modernidade a partir da modernidade, seguem caminhos adjacentes, que por vezes se cruzam, mas outras divergem entre si de maneiras significativas. [...] A comunicação de massa transferiria a vivência no real para a vivência no signo. Portanto, a cultura pós-moderna seria a cultura do simulacro. [...] A economia da cultura de massas, longe de exigir o congelamento das experiências humanas livremente contingentes em formas comerciáveis, promove conscientemente essas formas de intensidade transitória, visto que, no final, é muito mais fácil controlar e estimular a demanda de experiências espontaneamente (que de espontâneas, é claro, nada têm) sentidas como fora da representação. Do rock ao turismo, da televisão à educação, os imperativos publicitários e a demanda de consumo já não tratam de bens, mas de experiências. [...] a cultura capitalista contemporânea, longe de depender da incessante replicação dos mesmos produtos, na verdade alimenta as energias dissidentes de formas culturais marginais ou oposicionistas [...]. Trechos extraídos da obra Cultura pós-moderna: introdução às teorias do contemporâneo (Loyola, 1993), do professor e estudioso britânico Steven Connor.

UMA MULHER QUE PASSOUEra uma mulher. Uma dessas mulheres de começo de verão, que passam num vestido justo, de cores vivas, sapato alto aberto em tiras e os cabelos soltos. Fiquei a admirar-lhe o passo despreocupado, o leve mexer dos quadris, em nada exagerado. Súbito me comoveu. Por que não sei. Mas há de ser sempre assim. Algumas mulheres nos surpreendem, muitas nos encantam e poucas – entre tantas – nos comovem. De algumas mulheres  ficam lembranças. Lembranças vagas, muitas vezes insuspeitadas e que não são necessariamente da mulher que mais amamos ou de outra por quem nos apaixonamos perdidamente – digamos – por uma semana. Nada existe de lógico nisso e muito menos de justo, porque ao homem não é dado nenhum poder sobre a memória, nem tampouco qualquer controle sobre suas sutilizas. Assim estamos redimidos perante a própria consciência. Não somos culpados de que nada, particularmente, nos faça recordar aquela a quem dedicamos um carinho maior e do qual nos orgulhamos; enquanto que outra, para a qual fomos menos afetivos, ficou para sempre num perfume, num som ou numa imagem. Para aquela namorada – furiosamente namorada em Teresópolis – ficou um apito de trem. A manhã fria da serra, quando atravessei a pracima rumo à estação, para uma despedida que sabia definitiva, poderia ter ficado para identificá-la na memória. Mas o que ficou foi o apito do trem, quando lentamente o comboio pôs-se em movimento e ela disfarçou as lágrimas com um sorriso triste. Sei disso porque – tantos anos depois! – estava passeando a cavalo pelis campos da fazenda quando um apito de trem me chamou a atenção. Vinha sozinho e alegre, todo voltado para a quietude e a beleza das paineiras, mas bastou que o trem apitasse lá longe, do outro lado do rio, para que no meu pensamento ela se fizesse tão nítida e tão fresca. Era como se ainda na véspera nós estivéssemos sentados juntos, na amurada da varanda, a dizer-nos coisas que depois não cumpriríamos. Foi aí que percebi: para sempre a sua lembrança estaria ligada ao apito distante de um trem. Onde quer que eu esteja, daqui a muitos anos, mesmo que ela não exista mais, voltará a viver no meu pensamento, com a nitidez que o tempo não vencerá. São coisas. E são inexplicáveis. Como a mulher que passou e súbito me comoveu. E a quem interessa uma resposta, quando lhe basta a sinceridade da emoção? Lá vai a moça balançando os cabelos cortados na altura da nuca, a cada passo. Vai inteiramente inocente dos sentimentos que provocou. Não teria nenhum sentido seguir ao seu lado e comunicar minha surpresa. Não teria sentido, nem seria correto. Ela não tem culpa nenhuma. Penso que se eu pudesse ser sempre assim, ponderado nas atitudes, doíam menos em mim as pequenas lembranças de que falei. Tudo pesado e bem medido, pouca esperança havia de que dela não ficasse alguma coisa na memória, para doer muito tempo depois, quando já mais nada houvesse da emoção de hoje. Foi bom que ela sumisse na esquina e eu a deixasse ir sem um gesto, uma tentativa de – pelo menos – fazer-lhe sentir o bem que me fez, vê-la passar. Foi bom ou então eu estou ficando velho. Extraído da obra A casa demolida (Agir, 2007), do escritor, radialista, jornalista e compositor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta, 1923-1968), Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

DOIS POEMASDoces rios e canaviais da minha infância: Doces e belos rios ;/ Una, Panelas e Pirangi / onde nadei com meus sonhos / ouvindo canários, rolinhas, curiós e juritis. / Nas matas viam-se pacas, capivaras e tatus / nos céus gaviões, sabiás e lambus / como era lindo ver a revoada de outros pássaros / quando os trens passavam pelos bambus. / Ainda corre em meu coração / rios de saudade / que vão aguando memoráveis lembranças / da minha infância e mocidade. / Aquele bueiro, ainda apita dentro de mim / aquele saudoso trem, ainda me faz viajar no tempo / naqueles rios, navego em recordações / por verdes matagais / mato brilhante dos meus eternos canaviais. A lua e o poeta: A magia da lua / que tanto inspira o amar / e sempre está nua / esperando uma roupa de um poeta com seu rimar. / Lua de todas as noites / lua guia dos apaixonados / lua dos caçadores e pescadores / lua alma dos poetas inspirados. / Lua nova, cheia, ou minguante / lua dos rios, das marés, dos mares e dos bares / lua dos Joãos, das Marias e de todos os nomes / que são rimas para a poesia / lua nova, cheia ou minguante, lua de todos amantes. / Lua eterna morada do poeta / oxigênio do orquidário das poéticas do amor / onde se imortalizam poeticamente a crença e a razão / jardim enluarado da casa do poeta-coração. Poemas do professor, psicólogo e poeta Marcos Carneiro, pós-graduado em Saúde Pública, doutorando em Psicologia.

A FOTOGRAFIA DE PATRIZIA SAVARESE
A arte da fotógrafa italiana Patrizia Savarese.

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A ARTE DE KENNEY MENCHER
A arte do pintor, escritor e professor estadunidense Kenney Mencher.

quarta-feira, dezembro 27, 2017

OUSPENSKY, PAVESE, ANTÔNIO CÍCERO, NÊUMANE, BÁRBARA EUGENIA, GIL COHEN, ALESSANDRA FAVETTO, TATÁ AEROPLANO & FREYA

QUANDO FREYARAVI É SÓ FREYA – É dia dela e do Vale do São Francisco eu voo para recebê-la em festa - ela aniversaria duas vezes por ano. E eis que surge deusa mãe das entranhas álgidas de Vanir, quando os deuses se reúnem para romper o acordo com o construtor das muralhas de Asgard. Vem ela da Völva para ser minha noiva na sua mágica aura glacial, feita de brisa tropical com a música na Völupsa da Edda poética. E em mim ela é a magia venerada pelo êxtase das sacerdotisas do Seiðr para as sagas das viagens espirituais nas mudanças dos tempos e de todas as coisas curadas e amaldiçoadas, que caçam suas lágrimas de deusa da riqueza transformadas em ouro na terra e âmbar no mar, quando é a beleza, a flor entre as flores, a fertilidade da vida para consagrar felinos, corvos e lobos para mim. Em mim ela é a guerra no seu carro puxado por linces para o pacto de Asgard entre os Aesir, é a morte ao receber de suas lideradas valquírias as almas de todas as mulheres no palácio de Fólkvangr, como também a metade das almas dos homens mortos em combate. Em mim ela é a sabedoria que me atrai com sua beleza voluptuosa e olhos vivos realçados pelo colar mágico de Brisingamen na expressão do Sol e os dias e as noites, e é o amor com toda sensualidade e luxuria entre o céu e a terra, a procurar por mim e encontrar-me cativo na sua exuberância divinizada, carregada de raios e trovões. E refém do seu encanto eu sou para retirar o bustiê e vendar meus olhos na surpresa da sua nudez mágica, e um filme revela as minhas encarnações passadas ao seu lado, passeando de mãos dadas pela Cordilheira dos Andes, o sexo selvagem na Barreira do Inferno, o Kama Sutra na muralha chinesa, o namoro agarradiço na ilha atlântica de Hy-Breazil, o abraço quente pra entrega setentrional no Ártico, a nudez na madrugada da Ilha Grande da Terra do Fogo, a despedida amorante no Salto das Sete Quedas dos gozos ubíquos na redondeza ensolarada do Taj Mahal, na relva do Kilimanjaro, no munumento de La Mano em Punta Del Este, no Jeju Loveland, e ela gritando todas as vezes para que eu não vá, até adormecer no feitiço de suas imprecações. Desperto com o hálito de primavera dos seus lábios rentes ao meu, sua língua aveludada por minhas faces, suas mãos estivais incendiando meu sexo, o toque macio dos seus dedos nórdicos esfregando-o à palma da sua mão reveladora e envolvê-lo com as estrelas do céu da sua boca, agasalhado por suas lambidas acasaladoras, a iluminá-lo com o prateado do seu sobejo e aprontá-lo para ser tomado pelo vulcão ventral de sua gula vaginal, na contagem regressiva pro lançamento do meu foguete singrando os seus sete céus inflamáveis para explodir o gozo dos seus zis orgamos e beijares feitos girândolas de fogos de artifícios, estrelas cadentes e galácticos sóis. E dela sou súdito e cultor, duas vezes por ano, para sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a cantora e compositora Bárbara Eugenia: Frou frou & Jornal Bad; com o músico, compositor e andarilho urbano Tatá Aeroplano: Step Psicodélico; e da dupla Vida ventureira. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAA voz do morto: Estava com Penélope, conheci Elsa, reencontrei Helena, abandonei Penélope, deixei Helena. E sinto saudade de Esmé. Respeito todas, valorizo todas, todas foram importantes para mim. Será por isso que dizem que não presto? Será? Se os mortos cantassem eu entoaria: “Eu não presto, mas eu te amo, eu não presto mas eu te amo”. Sim. E daí? O amor, ah, o amor! Amor. Quem o merece? [...]. Trecho extraído da obra O silêncio do delator (A Girafa, 2004), do jornalista e escritor José Nêumane Pinto.

LEI DOS TRÊS PRINCÍPIOS OU TRÊS FORÇAS – [...] todo fenômeno, em qualquer escala e em qualquer mundo que ocorra, do plano molecular ao plano cósmico, é o resultado da combinação ou encontro de três forças dirferentes ou opostas. O pensamento contemporâneo reconhece a existência de duas forças e a necessidade dessas duas forças para a produção de um fenômeno: força e resistência, magnetismo positivo e negativo, eletricidade positiva e negativa, células masculina e feminina e assim por diante. Ainda assim, não constata sempre nem em toda parte a exist~encia dessas duas forças. Quanto á terceira força, jamais se preocupou com ela ou, se lhe aconteceu um dia levantar tal questão, ninguém disso se apercebeu. [...]. Trechos da obra Fragmentos de um ensinamento desconhecido: em busca do milagroso (Pensamento, 1982), do filósofo e psicólogo russo Piotr Demianovitch Ouspensky (1878-1947). Veja mais aqui.

O BELO VERÃO - Naquele tempo tudo era festa. Bastava que saissemn de casa e atravessassem a rua para ficarem como loucas, e tudo era tão bonito, princpalmenet à noite, que, mesmo chegando mortas de cansaço, esperavam que alguma coisa acontecesse, que rebentasse um incêndio, que em casa nascesse uma criança, ou que de repente rompesse o dia e todo mundo saísse às ruas, e se pudesse continuar andando andanto até chegar aos campos, até chegar além das colinas. – Têm saúde, são jovens – diziam -, são moças, não têm preocupação, a gente entende. No entanto, uma delas, Tina, que saíra do hospital manca e que em casa não tinha o que comer, também ria por nada e, uma noite, correndo atas dos outros, parara e comçara a crhorar porque era uma besteira dormir, era como roubar tempo à alegria. [...]. Trechos da obra O belo verão (Brasiliense, 1987), do escritor italiano Cesare Pavese (1908-1950). Veja mais aqui.

QUATRO POEMAS DO GUARDAR  – Logrador: Você habita o próprio centro / de um coração que já foi meu. / Por dentro torço por que dentro / em pouco lá só more eu. / Livre de todos os negócos / e vícios que advém de amar / lá seja o centro de alguns ócios / que escolheirei por cultivar. / Para que os sócios vis do amor, / rancor, dor, ódio, solidão, / não mais consumam meu vigor, / amado e amor banir-se-ão / do centro rumo a um logrador / subúrbio desse coração. Simbiose: Sou seu poeta só / só em você descubro a poesia / que era minha já / mas eu não via. / Só eu sou seu poeta / só eu revelo a poesia sua / e à noite indiscreta / você de lua. Maresia: O meu amor me deixou / levou minha identidade / não sei mais bem onde estou / nem onde há realidade / Ah, se eu fosse marinheiro / era eu quem tinha partido / mas meu coração ligeiro / não se teria partido/ ou se partisse colava / com cola de maresia /eu amava e desamava / sem peso e com poesia / Ah, se eu fosse marinheiro / seria doce meu lar / não só o Rio de Janeiro / a imensidão e o mar / leste oeste norte sul / onde um homem se situa / quando o sol sobre o azul / ou quando no mar a lua / não buscaria conforto / nem juntaria dinheiro / um amor em cada porto / Ahhhhhh se eu fosse marinheiro.../ não pensaria em dinheiro / um amor em cada porto... / Ahhhhhh se eu fosse marinheiro... O país das maravilhas: Não se entra no país das maravilhas / pois ele fica do lado de fora, / não do lado de dentro. Se há saídas/ que dão nele, estão certamente à orla/ iridescente do meu pensamento,/ jamais no centro vago do meu eu./ E se me entrego às imagens do espelho/ ou da água, tendo no fundo o céu,/ não pensem que me apaixonei por mim./ Não: bom é ver-se no espaço diáfano/ do mundo, coisa entre coisas que há/ no lume do espelho, fora de si:/ peixe entre peixes, pássaro entre pássaros,/ um dia passo inteiro para lá. Poemas extraídos de Guardar (Record, 1997), do poeta, compositor, critico literário e filósofo Antônio Cícero. Veja mais aqui.

A ARTE DE GIL COHEN
A arte do desenhista, ilustrador, professor e pintor Gil Cohen.

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A ARTE DE ALESSANDRA FAVETTO
A arte da fotógrafa, artista plástica e visual italiana Alessandra Favetto.

terça-feira, dezembro 26, 2017

HARVEY, BOURDIEU, AMADO NERVO, BANCQUART, RAMEAU, PARMÊNIDES, LOUI JOVER, PI-HSIEN CHEN, SCHNEEMANN & XIMÊNIA

SONHOS & SEGREDOS DE XIMÊNIA - Imagem: Arcadia, Loui Jover. - Ximênia sonhou estranho sonho: meninos e meninas clamavam chorosas pela mãe e era ela, a mãe de todos aqueles órfãos. Os abortos doeram pesados, o padre no púlpito condenou as mães que negaram seus filhos, agora o pastor aos berros pelos altofalantes, como pode, ela se via culpada por tudo que rejeitara das escapulidas acossadas pela volúpia, dos indevidos prazeres incendiários, não podia engravidar, todos reprovariam, não tinha ninguém para apoiá-la, até mesmo a quem amava zarpara ao saber da prenhez, e ela sozinha, como agora, culpada pelas perdas, por não ter pensado direito, por se entregar fácil ao primeiro carinho e tesão embaixo da saia, via-se culpada por todos os erros, os seus e os da humanidade, culpada pelas doidices do sexo, pelas bombas explosivas ceifando inocentes, pelas misérias de filhos que perderam seus pais, pelas guerras matando os convocados e pela queda do homem, tudo culpa dela pela costela tomada, o que foi que eu fiz, meu Deus, o choro irrompia feito uma tempestade avassaladora. Desfaleceu de sentir uma agonia medonha por dentro, menstruou de repente e o sangue revelava sua nojeira e culpa, por isso sangrava e muito, todo mês, ah, que fazer, e passou uma noite e um dia, sangreiro entre as pernas e caminhos, dois dias assim, três, quatro, derramava profusamente, quinto dia e vertia sangue cálido, enegrecido, quando isso vai parar, sexto dia e já se acostumava vazar de suas entranhas aquela sina de mulher. Foi então se arrumar, vestiu-se como nunca, escolhendo a dedo a roupa com odor de naftalina tirada do baú nunca mais vasculhado, quase não cabia dentro do vestido de tão apertado, anos guardado, meia-calça, bijouterias, maquiagem e o espelho, não, não era ela, nunca seria, tudo fora do lugar, reprovável, indevido, desvestiu-se de ficar nua por horas encostada ao canto do quarto, pele, unhas e desprezo. O que fazer da vida? Seus sonhos, seus segredos guardados jamais reveláveis, segredos dela, só dela mais ninguém. Segredos que regorgitavam, vinham à tona desavisadamente e até chegavam vivos na ponta da língua de quase vomitá-los todos duma vez, mas não, seria demais, nada disso, e falava sozinha, falava por falar sem querer dizer o que realmente estava pronta pra dizer, não era nada do que dizia, nada disso que eu queria ter dito, era outra coisa, até me esqueci do quê, ah, vou me arrumar e pegou o primeiro vestido e saiu descalça jogando tudo pra cima, seios e ventre aos ventos, não sei o por quê de ainda estar aqui, ora, ora, já devia ter dado cabo da minha vida, pegado o rumo, sumido, ah, se eu pudesse, por que não posso? Claro que posso ir além do portão, e sentiu a chuva e corpo molhar-se de deixar às vistas sua nudez incontrolável, tateando sua carne reviu o passado, quantas e tantas coisas que vivera, melhor pensar no futuro, mas como? O futuro não existe, ou é agora ou nunca. Como era linda a infância, as bonecas cuidadas, os presentes que ganhava e a mãe mandando prender os cabelos a colecionar diademas, tiaras, só dispunha de berilos e bobes, queria a liberdade dos cabelos soltos, esvoaçantes, ah, quem dera cabelo bonito como o da tia Meraldinha, aquilo sim é que era cabelo bonito, aliás, ela era toda bonita, parecia uma daquelas princesas encantadas, queria ser ela, ser como ela, viver a vida dela, isso sim, ah, queria era voltar a ser menina, ah se encontrasse os grãos de feijão da promessa de João e Maria, e enquanto devaneava batia uma tristeza enorme, um filme passava na sua cabeça, o quintal, as pisas, reprimendas, fugidas, até lembrar da morte de ontem da amiga por engano, carta que errou de endereço, era pra vizinha aquela depravada, não pra ela, o marido nem viu quem o destinatário, ligou-se no conteúdo mencionado pelo remetente anônimo, a fúria cegou-lhe, não precisava matá-la daquele jeito, brutalidade sem precedentes, agora, ela morta, enterrada inocentemente; ele, preso, condenado ao opróbrio público, pela mão pesada da lei, inocentemente, tudo por engano, como pode? Chorou e saiu do quintal à varanda às lágrimas, vai e volta casa adentro pranto recorrente, para no portão enxugando os olhos que estão na rua, estala os dedos, dissimula, ronrona, se recompõe, vê-se sozinha desde sempre, quase morre afogada na sua pungente constatação. Até viu seu rosto na poça d’água, correu apressada pro espelho, está na cara: o espelho me condena, não ignora a causa, apenas disfarça, faz que não sabe. Bem que podia ser mais bonita, não era; bem que podia ser atriz de televisão com aqueles galãs das novelas, glamour, felicidade. Ah, não, minha vida é nada, reduzida a isso, só preparar café da manhã, almoço, janta, servia mais pra quê mesmo, hem? Servia apenas para servir, levar beliscão ou tapinha na bunda avisando que mais tarde seria abatida pela violência do seu dono e feitor, mais nada, só queria seus favores de Amélia, casa limpa, roupa lavada, disposição de abrir as pernas e escancarar todo corpo nu pra satisfazer as vontades explosivas dele imprevisível e desconfortável, só quando ele queria e pronto, sempre só quando queria e depois, feito, servido, saciado, virar de costa, ufa!, e livrava-se da obrigação de ter que abrir as pernas, facilitar as coisas, deixar que faça o que quiser, como quiser, não importa o que sinta ou possa, morto de fome e sem saber da sua nem de seus desejos e sonhos, é ele assim que chega esbaforido, fedendo, se cagando ou se mijando ou de pau duro remexendo suas entranhas, aos puxavanques, aos empurrões, a lei é dele, a vontade é dele, tem de tapar o nariz para ver se morre, cerra as pálpebras, como pode tudo isso, ah, essa a minha vida, por acaso isso é vida, e o vuque-vuque, imagina o príncipe a raptá-la e às sacudidas inevitáveis o trote do garanhão e ela estuprada deliciosamente por quem ela sonha, investidas às pressas pela fuga, o sexo dilatado e o futuro da felicidade, caindo na real e tudo despenca com o gozo dele, nem deu tempo pro prazer dela, ele vira as costas e ronca como quem não deve nada e ela sonhando com o noivado engalanado que nunca tivera, a cerimônia na igreja, o véu e grinalda, nada disso, sonhos que se espatifam como vidro espalhado no assoalho da imaginação, ah, isso é que é vida, apenas uma bobabem, sonhava coisa com coisa, via-se a si própria voando nos sonhos e acenando sorrindo pra ela mesma, que coisa! Ah, como queria voar e sorrir entre as nuvens, até via os urubus na festa das carniças zoando pra ela, que bom, aqui sou notada, o voo o seu refúgio, sonhando de voar a memória da infância em que podia de tudo, era só fechar os olhos e tudo acontecia sem pé nem cabeças e onde quisesse e como, era bom sonhar de olhos abertos, isso podia, ninguém nem nada que não quisesse, só o que queria e era bom sonhar, cônscia do sonho, e aprendeu a sonhar o que queria e sonhava todo dia, acordada ou dormindo, sua vida era um sonho que ela inventava e reinventava ao sonhar e vivia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a ópera e héroique ballet Les Indes Galantes (O Amorous Índias, 1735), do compositor do período Barroco-Rococó e maior expressão do Classicismo musical francês Jean-Philippe Rameau (1683-1764), com libreto de Louis Fuzelier, original harpsichord transcritions performed by Kenneth Gilbert & Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] concedei-me apenas uma certeza! E que ela seja uma tábua no mar da incerteza, apenas larga o suficiente para permanecer sobre ela. Tomai para vós tudo o que vem a ser, o que é exuberante, multicolorido, florescente, enganador, excitante e vivo; e dai-me apenas a única, pobre e vazia certeza. Oração do filósofo pré-socrático, matemático e poeta grego, Parmênides de Eleia (530-460aC.). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PRODUÇÃO CAPTTALISTA DO ESPAÇO – [...] não podemos perder de vista os insights marxistas essenciais. De um modo ou de outro, o Estado capitalista precisa desempenhar suas funções básicas. Se não conseguir fazer isso, então esse Estado deve ser reformado, ou então o capitalismo deve dar lugar a algum outro método de organizar a produção material e a vida cotidiana [...] investigar o papel que o processo urbano talvez esteja desempenhando na reestruturação radical em andamento nas distribuições geográficas da atividade humana e na dinâmica político-econômica do desenvolvimento geográfico desigual dos tempos mais recentes [...]. Trechos da obra A produção capitalista do espaço Annablume, 2005), do professor e geógrafo britânico marxista David Harvey, tratando sobre a reinvenção da geografia, a geografia da acumulação capitalista, a teoria marxista do Estado, o ajuste espacial, a geopolítica do capitalismo, do administrativismo ao empreendedorismo: a transformação da governança urbana no capitalismo tardio, a geografia do poder de classe e a A arte da renda: a globalização e transformação da cultura em commodities. Veja mais aqui.

MEDITAÇÕES - [...] Aprendemos pelo corpo. A ordem social se inscreve nos corpos por meio dessa confrontação permanente, mais ou menos dramática, mas que sempre confere lugar importante à efetividade e, mais ainda, às transações afetivas com o ambiente social [...] é preciso deixar de subestimar a pressão ou a opressão, coninuas e por vezes desapercebidas, da ordem ordinária das coisas, os condicionamentos impostos pelas condições materiais de existência, pelas surdas injunções, e a “violência inerte” (como diz Sartre) das estruturas econômicas e sociais e dos mecanismos por meio dos quais elas se reproduzem [...] Os agentes sociais, bem como as coisas por eles apropriadas, logo constituidas como propriedades, encontram-se situados em um lugar do espaço social, lugar distinto e distintivo que pode ser caracterizado pela posição relativa que ocupa em relação a outros lugares (acima, abaixo, entre, etc) e pelas distância (por vezes dita “respeitosa”: e longínquo reverentia) que o separa deles. Por conta disso, são passíveis de uma analysis situs, de uma topologia social. [...]. Trechos de Meditações pascalianas (Bertrand Brasil, 2001), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

O FORMIGÃO – [...] Mais longe, na falda de umas colinas, sob o bosque de jericos, uns arrieiros sesteavam com suas mulas, cantando em coro apimentadas coplas, que os ouvidos do rapaz distinguiam claramente: Você diz que me quer muito; / não me ponha tão em cima, / que as folhas desta árvore / não durarão toda vida. [...] Caíra de joelhos, com seus agasalhos, o caderno que estava lendo, e a palvra Orígenes, título do capítulo citado, tornou-se o alvo do seu olhar. Uma ideia espantosa surgiu então em sua mente. Era a única tábua de salvação... A moça estreitava mais e mais o amoroso laço e deitava a alma pela boca, em beijos. O formigão segurou com punho crispado a espátula e a agitou durante alguns momentos, exalando um gemido... Assunção viu correr uma torrente de sangue, soltou um grito e afrouxou os braços, deu um salto para trás, ficando em pé a dois passos do ferido, com os olhos imensamente abertos e fixos, naquele rosto que, contraído pela dor, mostrava, no entanto, um sorriso de triunfo... [...] Trechos do conto do escritor mexicano Amado Nervo (1870-1919). Veja mais aqui.

POR UM ESTÁGIOSonho que moro / com um esquilo, lá na sua toca / no aconchego do seu pelo quente / o cavalo da noite / não me atropela / nenhuma fronteira / entre mim e a casca / quando acordo / lembro da minha carte de menor durante a guerra / com um passaporte para ir / de uma metade da França à outra, a casa do meu avô / pensonas cercas de arame farpado sobre toda a terra, hoje / gostaria de voltar / à toca do esquilo / e também abolir / dentro de mim as fronteiras / fazer um estágio de organismo simples. Poema da escritora, ensaísta e critica literária francesa Marie-Claire Bancquart.

A ARTE DE CAROLEE SCHNEEMANN
A arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann, caracterizada pela pesquisa sobre tradições visuais, tabus e o corpo humano nas relações sociais, autora de obras como Cézanne, She Was a Great Painter (1976) e More than Meat Joy: Performance Works e Selected Writings (1997), entre outras.

Veja mais:
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A literatura de Carlos Castañeda aqui e aqui.
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A literatura de Raul Pompeia aqui.
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A ARTE DE LOUI JOVER
A arte do pintor, ilustrador e fotógrafo australiano Loui Jover.
 

ELIOT, ROMAIN ROLLAND, GUATTARI, CARLOS MALTA, ROBERTO CREMA, CAGLIARI, KAREN MENATTI, NATASHA KORSAKOVA & ALYSSA MONKS

LENDAS, FACÉCIAS & LOAS DE ALUMBRAMENTO – Imagem: arte da artista plástica e visual estadunidense Alyssa Monks . UMA: O MALOGRO DA PRI...