segunda-feira, dezembro 11, 2017

JAMES JOYCE, DELEUZE, JOAQUIM CARDOZO, AGAMBEN, RODOLFO AMOEDO, ARRIGO BARNABÉ & VÂNIA BASTOS, LUCIAH LOPEZ, NA ERA DO RADIO & BEZERROS

COMEÇAR, RECOMEÇAR & DOIS MILHÕES DE BEIJABRAÇÕES - Imagem: foto de Alexandre Buisse – A vida pra ser vivida é feita de ação, movimento. Bola pra frente! E seguir cada qual sua estrada. Reconheço que todo aclive seja obstáculo, nada que uma motivação não vença! É só querer, mesmo que seja embaixo da maior chuva de canivete, ou queda de meteoros, ou desaforos, ou no meio de uma saraivada de pedras, apupos, remoques. Ninguém chega ao topo sozinho ou somente por seus próprios esforços, mesmo que se veja solitário na subida pro topo do mundo ou pra baixo da ponte, entre torcidas do contra, escárnios, xingamentos. Só isto já vale a pena, sou um sortudo: entre zilhões de espermatozóides, fui aquele que persistiu e sobreviveu, fertilizando o óvulo. Não fui abatido, nem estou liquidado, sigo adiante. Minha mãe foi a escolhida e a ela sou eternamente grato. A meu pai, minha reveência. Posso não ter sido o que sonharam ou desejaram. Fazer o quê? Sou o que sou, o melhor que posso a cada dia. E saúdo os que chegam junto ou os que se evadiram, ou se acovardaram ou estranharam, ou que tiveram a maior má vontade ou fizeram que não sabiam de nada, perguntando o que é que é isso, e coisa e tal, enfim, saúdo, vivas! Agradeço sem rancores ou cobranças, e agradeço porque, de uma forma ou de outra, contribuíram assim mesmo para que eu buscasse uma saída quando não havia mais nada em que amparar, sem essa contribuição, com certeza, eu jamais tomaria a iniciativa e jamais chegaria aonde cheguei. Cheguei mesmo onde? Sei lá, pouco importa. No caminho do Sol, agradeço todos os dias a graça de viver. Se não tenho nada pra comemorar, junto os trapos, pedaços e troços, saio feliz de bolsos vazios e braços abertos, mesmo que me tenham por falido ou derrotado, vou adiante, topadas, derrapadas, espalhando afeitos e solidariedade. Minha gratidão aos que se fizeram presente, zilhões de abraços! Aos que se foram sem terem chegado às vias de fato, meu desejo de boa viagem e saravá! Aos que se acham incólumes pra condenarem a mim e a quem quer que seja, e aos esculachos se acharam donos da razão e mandaram ver sem ter nem pra quê, com areia e cimento, atirando pedras, gestos hostis e a última pá de cal, minha gratidão. Este é só o começo, eterno recomeço. Dois milhões de beijabrações procês! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o músico, compositor, radialista e ator Arrigo Barnabé, apresentando músicas dos álbuns Clara Crocodilo (1980), e apresentações em show ao vivo; e a cantora da Vanguarda Paulista, Vânia Bastos: Canta Mais & Tocar na Banda. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] o estado de exceção tende cada vez mais a se apresentar como o paradigma de governo dominante na política contemporânea. Esse deslocamento de uma medida provisória e excepcional para uma técnica de governo [...] apresenta-sem nessa perspectiva, como um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo. [...]. Trecho extraído da obra Estado de exceção (Boitempo, 2004), do filósofo italiano Giorgio Agamben, criador da teoria do homo sacer e tratando sobre o estado de exceção como paradigma de governo, força-de-lei, luta de gigantes acerca de um vazio, festa, luto, anomia, auctoritas e potestas,

DO LEGAL & ILEGAL - [...] as leis não se opõem à ilegalidade [...] Umas organizam explicitamente o meio de não cumprir as outras. A lei é uma gestão dos ilegalismos, permitindo uns, tornando-os possíveis ou inventando-os como privilégios da classe dominante, tolerando outros como compensação às classes dominadas, ou, mesmo, fazendo-os servir à classe dominante, finalmente, proibindo, isolando e tomando outros como objeto, mas também como meio de dominação. [...]. Trechos da obra Foucault (Brasiliense, 2005), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

BEZERROS – O município de Bezerros é formado pelos distritos sede, Encruzilha, Sapucarana e Boas Novas e pelos povoados de Serra Negra, Sítio dos Remédios, Cajazeiras e Areias. A sua origem data de 20 de maio 1870, quando foi implantado um grande comércio de gado, iniciando o povoamento do local. Algumas versões da história de Bezerros tentam explicar o nome da cidade. A primeira diz respeito ao sobrenome da família Bezerra, que foi a primeira proprietária das terras. A segunda diz que o local foi, primitivamente, uma queimada de bezerros. A terceira conta que um dos filhos da família Bezerra se perdeu na reserva florestal no dia 18 de Maio, tendo sido feita uma promessa a São José, sendo a criança encontrada com vida dois dias após seu sumiço, ou seja, dia 20 de Maio, ao pé de frondosa árvore onde foi erguida uma Capela sob a invocação de São José dos Bezerros. Anualmente, no dia 18 de maio se comemora a sua emancipação política. O município está inserido nas bacias do Rio Ipojuca e o seu carnaval é um dos mais prestigiados, sendo também conhecida como a terra do Papangu, tradição festiva na qual as pessoas se vestem com máscaras de todos os tipos durante as festas carnavalescas. Veja mais aqui.

FINNEGANS WAKES – [...] Então Esta é Dubilingue? Halto! Cautela! Ecolândia! Heis um caminho esquisito! Lembra, de rasto, a deslavada negravura que bostumávamos manchar no borramuro de sua pensão intistinta. Crostumavam? (Estou certo de que aquele chatigante matracavo com sua caixa de chocolates mujicais, Muco Michel, está escutando) Digo, restos da desusada gravultura onde postumavam murchar os Ptolomens dos Incabus. Gostumávamos? (Ele está apenas pretrendentro estar peliscando a harpa jubalar de um segundo existinto ouvivente, Fero Farelo). Isto é bem conhecido. Ferrolha-te a ele mesmo e vê o velho novo em folha. Dbin. W. K. O. O. Ouve? Junto ao muro do mausolimo. Finfim finfim. Um cortejo funébrio. Fumfumfumfum. É optopfone que ontofana. Ouve! A mágica mentira de Wheatstone. Eles lutharão por mil lírios. Eles escutarão por mil heras. Eles retumbarão por mil luras. Seus daedos tangerão a harpscordia por mil liras. [...] Trecho do Panorama do Finnegans Wake (Perspectiva, 1971), de Augusto e Haroldo de Campos, com fragmentos, sinopse e síntese biobliográfica acerca do último romance publicado em 1939, do escritor irlandês expatriado James Joyce (1882-1941), que se tornou um dos grandes marcos da literatura experimental e sua multiplicidade de significados. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O CORONEL DE MACAMBIRA – [...] Doutor: Também previno e advirto / para o bem-estar geral: / cuidado tenham, cuidado / com aqueles eu praticam / a medicina ilegal. / No meio justo objetivo / de evitar o grande mal / de tantas charlatanices / empreguei na ciência médica / organização vertical. / Vou dizer sumariamente / em que consta este ideal: / servindo à comunidade / dentro dos mais sãos princípios, / dispomho de consultório / e de hospital bem montados / nos quais dirijo e executo / serviço especializado / no domínio operatório. / Para não ser explorado / pela ganância, e o abuso / evitar de desonestos / fabricantes de remédios, / com perfeição realizo / num grande laboratóiro / as drogas de que preciso. (O doutor vai-se aproximando do boi para examiná-lo, mas continua a explicar a sua organização): / Tenho ali bem instalados / banco de sangue e de córneas, / tão úteis à medicina / sem dúvida. Mesmo agora / criri um banco a que dei / o nome de Celestina [...]. Trecho da peça teatral O coronel de macambira: bumba-meu-boi em dois quadros (Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2005), do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978). Veja mais aqui e aqui.

CUMPLICIDADE
... e a pele se junta à pele na eternidade da carne e o Verbo se conjuga no abração e na boca que faz juras de amor eterno a palavra perpetua o eco do amor de outras eras.
Poema/imagem da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez, em comemoração aos dois milhões de acessos ao blog Tataritaritatá. Veja mais aqui.

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DOCUMENTÁRIO: NA ERA DO RÁDIO – SHOW DE CALOUROS
Documentário Na era do rádio: Show de Calouros. Participção dos artistas palmarenses: Rosa Maria, Val dos Anjos, Batista Silva, Rudimar Tempero Gostoso, Fernando Santos, Linaldo Martins (Zé Linaldo) & apresentação de Marquinhos Cabral. Direção Genésio Cavalcanti. Cinegrafista: Luiz Heitor Cavalcanti. Lançamento em breve.

A ARTE DE RODOLFO AMOEDO
A arte do pintor Rodolfo Amoedo (1857-1941)

 

sábado, dezembro 09, 2017

HERMANN BROCH, BERTOLDO KRUSE. TAMARA KAMENSZAIN, JENNIFER RUBELL, ORQUESTRA ARMORIAL, LUPEMPROLETARIADO & PRIMAVERA

PALMARES, SONHOS & VENTOS - Imagem: Paradiso, da escultora, pintora e artista conceitual estadunidense Jennifer Rubell. - Trago uma rosa ao peito e nas mãos, confesso dúvidas e cansaço, reajo o tanto que posso das profundezas do meu ser desacorrentado, derrubando muros e paredes, ameaças e rendições, cavernas e mentiras. Saí de casa domingo e nem sei que dia é hoje, o que fiz, eu não sei, esqueci no câmbio das marchas subindo ladeiras enquanto o meu poema atravessa os céus e eu rompo a barreira ocidental para que a Terra seja inteira, não meio olho, meio gozo, meia luz, meia vida vendida na esquina como se fosse qualquer no meu coração de mar aberto. Vou com meu andar descrente pelos inauditos gritos da Rua Esconde Negro, um horizonte escurecido pelo bestiário antigo feito de agora pela cidade destroçada na ambição dos tesouros ocultos e apodrecidos nomes do canavial empestando a mordida da penúria impiedosa dos que se danam a arrancar o ouro do chão perdido por dias anoitecidos no consumo da vida e das horas de solidão. Não sei se hoje é terça ou quinta da emancipação de 9 de junho, sei que a feira do mercado está em polvorosa, coisa de parecer um sábado qualquer, ao descer a Rua Nova, se vou pra Rua da Ponte ou rumo à Soledade, a vontade de chupar frutas no quintal do passado, correndo o matagal, por avelois e bambus, canaviais. Se me dou conta, alcanço o Beco do Mijo lembrando do tempo em que empinei papagaio, comi quebra-queixo, os roletes de cana, a Festa do Dia 8 caindo de cima da casa numa lavanderia cheia de garrafas e dormir o sono como quem vagueia pela Rua da Palma até alcançar o Engenho Verde pra ir pra Serro Azul e deparar com Catuama, o sinal do último refúgio, quando me vem à memória a professora Hilda Galindo Correia nas aulas do primário na Maçonaria e Dudu Bode-Branco mangando das minhas leseiras de pular o pó de serra, porque eu fugia para a Biblioeta de Jessiva e lá Aluizio Freitas encrecava comigo para eu falar com Maurício Baita que me perguntava cadê Mauriciinho e Giba, hem? Quantas vezes sucumbi e renasci das cinzas no meio dos alunos do Ginásio com os quadros das mulheres de Darel Valença Lins na cabeça, as inatalações e performances de Tunga tocando fogo nas minhas ideias que estavam nas pinturas de Murilo Lagreca e eu nem sabia ainda das telas de Profeta que apenas poetava aos meus ouvidos, enquanto eu me danava com a Besta do Berto e a música de Zé Ripe. Quantas vezes recorri às mãos apoiadoras de Paulo Cabral, ao abraço solidário do Juareiz Correya, ao afeto estrangeiro de Durán y Durán nas Noites da Cultura que me falavam de Paul que invadi com Bagaço embaixo do braço para me entreter no Cocão do Padre, ou ficar zanzando na Rua das Pedreiras para ver o rio passar e encher a cidade para lavar tudo e eu correr pelo pontilhão do Matadouro até subir por Bigode e ver tudo de longe porque chorei demais. Muitas vezes fiquei sem saber se fugia por Japaranduba BR afora ou se ficava com a saparia do Caçotinho no arruado da Usina. Não, eu não sabia nada, cabeça de vento e fé na vida. Tantas vezes mergulhei sem saber nada e fiquei íntimo do Una, das quedas de Pirangi e do Riacho dos Cachorros e providente intervenção de Rodolfo para me salvar da morte certa, olhos à flor d’água flagravam tardias estrelas no firmamento, a saudade é um fantasma reluzente na ausência, quantas noites no lenço molhado e peito em chamas, quase tudo é deserto nas cabeças pra lá e pra cá, os olhos de fogo e o coração em ruínas, não sabem dizer de si enquanto vivem a vida que não possuem, só estranhos com outro estrangeiro que querem ser, sombra nomeada na identidade, espantalhos que morrem e saem pelas ruas comprando afetos. As praças deram guarida ao meu abandono, a da Luz e Maurity, o colo plácido dos bancos das praças, a brisa morna e o meu degredo nas pegadas infames que imperam no silêncio e os ventos trazem as águas de julho pra lembrar dos desatinos atravessando palavras que nunca foram escritas e que são gritadas para inflar a descrença da razão e a doidice dos órfãos, ninguém é capaz de amar na insanidade dos gestos, só o coito abrasado nos corpos extravasados pelas estacas dos interditos, como prêmio da hipocrisia nos cinturões de misérias e fortuna das desgraças no estandarte da festa. A rosa é viva no meu coração e nas minhas mãos elas brotam para que eu possa poetar aos quatro ventos, para que eu possa aos quatro cantos da cidade, cantar o meu poema de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Chamada da Orquestra Armorial & Do romance ao galope nordestino do Quinteto Armorial. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Urge modificar o que se constata frequentemente no Nordeste – o drama das populações que nãopodem satisfazer a mais imperiosa das necessidades, que é a de se alimentar. Essas populações merecem e necessitam algo mais, além da esperança e da promessa.  Trecho do artigo Políticas de alimentação e nutrição no Brasil: delineamentos conceituais e propositivos, de Bertoldo Kruse Grande de Arruda & Ilma Kruse Grande de Arruda, extraído da obra Reflexões para transformar possibilidades em realidades, de Bertoldo Kruse (IMIP, 2010). Veja mais aqui.

LUPEMPROLETARIADO – [...] Nas piores conjunturas, de crescente agravamento do pauperismo, quando aumentam os segmentos de subempregados e desempregados pertencentes à classe trabalhadora, esta pode desagregar-se, e uma parte dela, premida pela miséria e pela ausência de alternativas, está sujeita a deslocar-se para o lupemproletariado. Mas, enquanto o pauperismo é uma condição econômica inerente à existência do capitalismo, o lupemproletariado é simplesmente um efeito perverso do desenvolvimento capitalista, do mesmo modo que “certas formas atuais do crime são uma conseqüência da ordem social mas não pré-requisito”. [...]. Trecho da obra As classes perigosas: banditismo urbano e rural (EdUFRJ, 2008), do ensaista e pesquisador da justiça social Alberto Passos Guimarães (1908-1993). Veja mais aqui e aqui.

PRIMAVERA – O município de Primavera administrativamente é formado apenas pelo distrito sede e pelo povoado de Pedra Branca. O seu povoamento deu-se em torno do engenho Primavera, sendo o distrito criado pela Lei Municipal nº 19, de 27 de novembro de 1913, subordinado ao município de Amaraji. Pelo Decreto-Lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, passou a denominar-se Caracituba. Tornou-se município autônomo, com a denominação de Primavera, pela Lei Estadual nº 4.984, de 20 de dezembro de 1963. O município foi instalado em 2 de março de 1964. Conta com o Parque Ecoturístico da Cachoeira do Urubu, no qual encontra-se uma das cachoeiras mais altas do estado, com 77 metros de queda d’água, emoldurada pela Mata Atlântica. Segundo os antigos moradores, a cachoeira tem este nome por ser local de desova e acasalamento de urubus. A cachoeira é muito procurada para a prática de canyoning (descida de cachoeiras através de cordas). Infelizmente as águas da cachoeira provém do Rio Ipojuca, atualmente poluído, o que torna as águas impróprias para banho. Entretanto há no parque quatro piscinas naturais oferecidas pelas cachoeiras do Banho da Zezé e Poço da Mata, abastecidas pelas nascentes da região que possibilitam o banho. Veja mais aqui.

A MORTE DE VIRGÍLIO – [...] conservava-se diante de seus olhos. [...] a severa imagem do conhecimento da morte, e profissão alguma podia ser adequada a ela, já que não existe nenhuma que não estivesse sujeita exclusivamente ao conhecimento da vida, nenhuma, com a única exceção daquela à qual finalmente se sentira impelido e que se chama Poesia. [...]. Trechos da obra A morte de Virgílio (Mandarim, 2001), do escritor austríaco Hermann Broch.

SOZINHAAgora que enfim estou desvelada / como que pra comprovar que algo cresci / sei que não só o sorriso daquele homem / como também seus gestos / e que não só esses gestos / como também suas palavras / tudo me alcança posso caminhar / acrobata cambaleante porém segura / pela corda bamba da minha própria casa. Poema extraído do livro La novela de La poesia (Adriana Hidalgo, 2012), da poeta e ensaísta argentina Tamara Kamenszain, traduzido por Guilherme Gontijo Flores.

ARTE JENIFER RUBELL
A escultora, pintora e artista conceitual estadunidense Jennifer Rubell.

Veja mais:

A literatura de Clarice Lispector aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de John Milton aqui.
A literatura de Aníbal Machado aqui, aqui e aqui.
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A ARTE JENIFER RUBELL
A escultora, pintora e artista conceitual estadunidense Jennifer Rubell.


sexta-feira, dezembro 08, 2017

ERNESTO LACLAU, JUDITH BUTLER, VIVIANE MOSÉ, ESTHER ERLICH, MUTARELLI & TAMANDARÉ

A TEIA DE IXCHEL - Imagem: arte da premiada artista australiana Esther Erlich. – Ela é a branca da Sagrada Ilha das Mulheres e acompanha as conoas peregrinas que partiram do porto de Pole para província de Ecab, enquanto derrama a água do seu jarro sobre a terra para que possam chegar sãos e salvos ao seu reduto. À ilha Dcuzamil, todas chegam carregadas de pedidos e súplicas, expondo o milho sacralizado e estatuetas esteatoígicas que a representa, com uma pena do Quetzal que voou com sua garganta vermelha e imensa cauda, com suas vestes e tangas tecidas de iúca e de agave, e ela, a dama da noite, no seu oráculo orienta a ameaça apocalíptica de fim do mundo, precedido por quatro outros mundos – os Quatro Sóis – e o fim por cataclismo da Terra, porque a morte espreita tudo, e que é preciso viver com o capitoso hidromel balche para trazer a chuva, afastar calamidades e curar os enfermos. As que sonharam com a serpente receberão o sinal que logo serão mães e que se regozijem em festa, porque ela é a deusa da Lua com a marca da Lebre para que haja sempre sementes germinadas e crescimento das plantas, abençoando os filhotes dos animais e os filhos dos homens. Ela ensina a todos e todas, a necessidade de nutrir a Terra com a carne dos que morrem, retornando o alimento prodigalizado para a vida de todos: a Terra alimenta a todos, devemos todos alimentá-la. Ela é a deusa da medicina e do parto, curadora a orientar as gestões e o parto dos filhos desejados pelos esposos, assegurando a fertilidade no vaso do útero de cabeça para baixo, para que jorre sempre as águas da criação. Quatro vezes ela criou os homens, seu conservador e nutridor – homens do milho, nascidos do milho, com seus rostos, membros e túnicas pintadas com o urucu para que ela chegue para visitá-los e inspirá-los. Os guerreiros estão perfilados com escarificações no rosto em forma de pérola e eles homenageiam os que foram dizimados por catastróficos massacres, epidemias e abusos com trabalho forçado. Ela é a tecelã da Teia da Vida, ela tece a criação na cintura do seu corpo e com a teia dos fios de energia tudo e todas as coisas emergem do vazio e da luz provê o alimento em abundância para a comunhão sacrossanta. Ela é a deusa dos trabalhadores têxteis com sua essência feminina cíclica no curso lunar que é dela, trazendo das estrelas as energias antepassadas, presenteando a todos que lhe chegam com o coelho da fertilidade e da abundância. Ela é a Deusa da Serpente escondida sobre sua cabeça, com seu traje de ossos em cruzes e suas garras afiadas de quem foi amante do Sol que sou eu e quase morreu para ser salva pelo canto da libélula. Pra ela sou Itzama - Kinich Arrau, a Face do Sol & do Céu, o monstro bucéfalo – uma parte de mim é o Leste e a vida; a outra é Oeste e a morte, sou o desquadruplicado, em cada ponto cardeal, meus atributos -, a minha cabeça brota da goela do dragão celeste, porque nasci do milho e vou com vaso emborcado do infortúnio ao Festival de Ixchel, a Senhora do Arco-Íris, a Grande Mãe & Senhora da Terra, Árvore da Vida & Deusa da Morte com seu espelho do universo. Sou o maior entre os treze deuses celestes, os sete da Terra e os nove do mundo subterrâneo a cultuar o Popol-vuh e as criações sucessivas, porque partilho do que é dela e da sua ação, enredado na sua teia. Só ela existe, sou apenas a sua sombra. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro Tom Jobim (1927-1994) Live Concert in Montreal; com a violinista estadunidense Sarah Chang interprentando o Concert Violin in D Minor de Jean Sobelius (1865-1957); o músico, compositor escritor e ativista britânico John Lennon (1940-1980): The Best; e com a cantora, compositora e multi-instrumentista irlandesa Sinéad O'Connor Live at AB - Ancienne Belgique. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] conflito e divisão não são nem distúrbios que infelizmente não podem ser eliminados, nem impedimentos empíricos que impossibilitam a plena realização de uma harmonia inatingível porque nunca seremos capazes de deixar nossas particularidades inteiramente de lado [...] a sociedade e os agentes sociais careceriam de essência e suas regularidades consistiriam tão só nas formas relativas e precárias de fixação que têm acompanhado a instauração de uma certa ordem. [...]. Trechos Hegemonia e estratégia socialista: por uma política democrática radical (Intermeios, 2015), do filósofo argentino Ernesto Laclau (1935-2014) e da cientista política belga Chantal Mouffe.

GÊNERO & IDENTIDADE - [...] A desconstrução da identidade não é a desconstrução da política; ao invés disso, ela estabelece como políticos os próprios termos pelos quais a identidade é articulada. Esse tipo de crítica põe cm questão a estrutura fundante em que o feminismo, como política da identidade, vem-sc articulando. O paradoxo interno desse fundacionismo é que ele presume, fixa e restringe os próprios "sujeitos” que espera representar e libertar. A tarefa aqui não é celebrar toda c qualquer nova possibilidade, qual possibilidade, mas redcscrcver as possibilidades que já existem, mas que existem dentro dc domínios culturais apontados como culturalmente ininteligíveis c impossíveis. Se as identidades deixassem dc ser fixas com as premissas de um silogismo político, e se a política não fosse mais compreendida como um conjunto de práticas derivadas dos supostos interesses de um conjunto de sujeitos prontos, uma nova configuração política surgiría certamente das ruínas da antiga. As configurações culturais do sexo e do gênero poderíam entáo proliferar ou, melhor dizendo, sua proliferação arual podería entáo tornar-se articulável nos discursos que criam a vida cultural inteligível, confundindo o próprio binarismo do sexo e denunciando sua não inaturalidade fundamenta. Que outras estratégias locais para combater o “não inatural” podem levar à desnaturalização do gênero com o tal? Trecho da obra Problemas dc gênero: feminismo e subversão da identidade (Civilização Brasileira, 2003), da filósofa pós-estruturalista estadunidense Judith Butler, tratando sobre mulheres como sujeito do feminismo, a ordem compulsória sexo/gênero/desejo, as ruínas circulas do debate contemporâneo, teorização do sinário e o unitário e além, identidade, poder e estratégias de deslocamento, Proibição, psicanálise e a produção da matriz heterossexual, permuta critica do estruturalismo, as estratégias da mascarada, Lacan, Riviere, Freud e a melancolia do gênero, complexidade do gênero e os limites da identificação, reformulação da proibição como poder, atos corporais subversivos, corpo-política, Foucault, Monique Wittig e a desintegração corporal e sexo fictício, entre outros.

TAMANDARÉ – O município de Tamandaré pertence a mesorregião da Mata e Microrregião da Mata Meridional Pernambucana, tendo sua emancipação do município de Rio Formoso ocorrida em 28 de setembro de 1995. A etimologia do topônimo é controversa, sendo proveniente do tupi tamanduáré que significa tamanduá diferente, como tambpem repovoador a partir do vocábulo tupi tab-moi-inda-ré. Segundo a lenda tupi do sec. XVI, Tamandaré era um pajé que fez uma fonte que inundou o mundo e se abrigou no alto de uma palmeira com sua mulher. Quando as águas baixaram, o casal deu origem aos tupinambás. Quando os invasores europeus chegaram às terras, encontram a tribo caetés. O seu território se encontra na bacia hidrográfica dos rios Una, Mamucabas e Ilhetas, possuindo cinco praias em sua orla marítima: a Praia dos Carneiros, Praia das Campas, Praia de Tamandaré, Praia do Pontal do Lira e Boca da Barra. Veja mais aqui.

O CHEIRO DO RALO – [...] Saio correndo pelas ruas. E então já estou em minha sala outra vez. Entro no banheirinho e me agacho ao lado do ralo que eu mesmo tapei. Estou chocado. Raciocino, eu estava ofendido por ela não se lembrar do meu rosto e, no findo, era eu quem a confundia com um rosto qualquer. [...] Ele entra. Um raro livro. Jura ser a primeira edição. Chuto baixo, bem baixo. Quero quepense que não sei o que tenho ali. Ele me chama de ignorante. Reforço sua ideia dizendo: Baudelaire? Nunca ouvi falar. Heresia! Blasfema. Lês fleurs du mal. Não falo francês. Nem inglês. Nunca aprendi sequer a lóngua do pê. É a primeira edição francesa. Isso vale uma fortuna. Isso quem diz é você. O pior é que eu preciso da merda dessa grana. E por façar em merda, o cheiro é do ralo. [...]. Trecho do romance O cheiro do ralo (Devir, 2011), do cartunista e escritor Lourenço Mutarelli, contando a história do protagonista de aproximadamente quarenta anos, dono de uma loja que vende e compra antiguidade e que luta contra o eterno mau cheiro que sai do ralo do banheiro, retratando a alma human de forma cínica e bem humorada. Foi adaptado para o cinema em 2006, protagonizado por Selton Mello.

RECEITA PARA ARRANCAR POEMAS PRESOS – A maioria das doenças que as pessoas têm / São poemas presos. / Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras / calcificadas, / Poemas sem vazão. / Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado. / Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema. / Mas não. / Pessoas às vezes adoecem da razão / De gostar de palavra presa. / Palavra boa é palavra líquida / Escorrendo em estado de lágrima / Lágrima é dor derretida. / Dor endurecida é tumor. / Lágrima é alegria derretida. / Alegria endurecida é tumor. / Lágrima é raiva derretida. / Raiva endurecida é tumor. / Lágrima é pessoa derretida. / Pessoa endurecida é tumor. / Tempo endurecido é tumor. / Tempo derretido é poema / Você pode arrancar poemas com pinças, / Buchas vegetais, óleos medicinais. / Com as pontas dos dedos, com as unhas. / Você pode arrancar poemas com banhos / De imersão, com o pente, com uma agulha. / Com pomada basilicão. / Alicate de cutículas. / Com massagens e hidratação. / Mas não use bisturi quase nunca. / Em caso de poemas difíceis use a dança. / A dança é uma forma de amolecer os poemas, / Endurecidos do corpo. / Uma forma de soltá-los, / Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras. / Dos punhos, das axilas, do quadril. / São os poema cóccix, os poemas virilha. / Os poema olho, os poema peito. / Os poema sexo, os poema cílio. / Atualmente ando gostando de pensamento chão. / Pensamento chão é poema que nasce do pé. / É poema de pé no chão. / Poema de pé no chão é poema de gente normal, / Gente simples, / Gente de espírito santo. / Eu venho do espírito santo / Eu sou do espírito santo / Trago a Vitória do espírito santo / Santo é um espírito capaz de operar milagres / Sobre si mesmo. Poema da poeta, filósofa, psicóloga e psicanalista capixaba, Viviane Mosé. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LANÇAMENTO DOS LIVROS OCIDENTE TARDIO & TEORIA DA POESIA ABSOLUTA
Prestigiando o lançamento dos livros Ocidente tardio (Tarcisio Periera, 2017), do poetamigo Vilmar Carvalho & Teoria da Poesia Absoluta (Autor, 2017), do poetamigo Admmauro Gommes & recital da professora Eliete Carvalho, ao lado poeta Genésio Cavalcanti. Foto: Jane Barros.

Veja mais:
A poesia de Florbela Espanca aqui e aqui.
A poesia de Horácio aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte de Camille Claudel aqui e aqui.
A arte de Diego Rivera aqui.
A Festa do Dia 8 aqui.
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A ARTE
Imagem: arte da premiada artista australiana Esther Erlich.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

LYOTARD, JULIANA MERÇON, JOÃO ANTONIO, ELIANE ELIAS, ELP, BERNINI, ÚRSULA GARCIA & JUCATI

A CAÇA & A FUGA DO CAÇADOR – Imagem: arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. - De noite todo gato é pardo e ele, temporada de caça, armado de unhas e dentes, flagrou os olhos perdidos dela de presa por ser abatida. Perseguiu com faro de bom caçador todos os passos dela, conferindo-lhe a realeza de extraordinária espécime pro rol da conquista: olhos vivos amendoados na face formosa de lábios rubros e carnudos próprios pros beijos e felação, o corpo esbelto de bom talhe pras investidas ao bel prazer, os seios protuberantes pras mãos em conchas e soltos por baixo da blusa negra colada na carne suculenta quais frutas maduras da drupa de bicos aduncos ao seu alcance, quadris desenhados com esmeros na saia justa a dar-lhe o molde da cintura ideal de toda assimetria desejada e a encaminhar todo desejo pro ventre abissal de todos os prazeres dispostos pra sua concupiscência se fartar entre coxas roliças de torres abraçáveis por pernas torneadas no realce do salto das maiores volúpias. Olhos nos olhos, libido à flor da pele, à espreita, o preparo do bote certeiro. No ataque tomou-lhe a mão, envouveu-lhe o corpo na dança do confronto: face a face, corpo a corpo, o confronto e o perfume dela inebriando nervos e gula com a respiração ofegante ao seu ombro na pegada de jeito, dois pra lá, dois pra cá, o molde perfeito do tope ao domínio completo, a cessão às tomadas de decisão, prali, por aqui, a domesticação, agora assim, assado, amansada completamente, aquiescente. Com tudo a favor, hora de iniciar o abate, perícia de domador no afago pelos contornos geográficos da escultura corporal com a sua sedosa pele, tudo propício para fincar bandeiras de posses, a servidão de súdita e benevolência de fiel aprisionada, pronta para todos os quereres. Hora de quebrar o gelo: o que você faz da vida? Ela sussuRra docemente: sou tanatoesteticista, especializada em taxidermia e tanatopraxia. Hem? Ele disfarça a ignorância ao pensamento compensador: pelo menos faz alguma coisa, menos mal. A vez dela: você não tem medo? De que? Sou necromaquiadora, lido só com gente morta. Hum? Valha-me! Pior que viúva-negra, pensou pra si. Cadê chão pra se socar. Coincidentemente a música parou e ele: vou ao banheiro, volto já. E nunca mais voltou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a banda de rock progressivo britânica Emerson, Lake & Palmer (ou ELP), formada por Keith Emerson (teclados), Greg Lake (guitarra, baixo e vocais) e Carl Palmer (bateria): From the beginning, C’est La vie & Pictures at na exhibition; e a premiada pianista e cantora Eliane Elias: Live in Jazz, Light my fire & Bye, bye blackbird. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a educação atua organizando encontros buscando promover concórdia e ajuda mutua entre seus membros, constituindo, com suas regras, um viver comum. A educação pode ser nesse sentido, considerada um auxilio formador, derivado da potência coletiva em seu esforço para preservar em sua existência. A eucação formal, como produtora de encontros que expandem as nossas potências de pensar e agir, soma-se, assim, ao aprendizado ético-afetivo individual, o qual se constitui como uma experiência longa, lenta e árdua, sempre atravessada pelos riscos postos por potências superiores e contrárias. [...] a educação busca oferecer caminhos práticos para a transição de nossa passividade e impotência à atividade que alcançamos pelo exercício do nosso pensar. Trecho extraído da obra Aprendizado ético-afetivo: uma leitura sponizana da educação (Alinea, 2009), da educadora, professora e filósofa Juliana Merçon. Veja mais aqui.

JUCATI – O município de Jucati é adinistrativamente formado apenas pelo distrito sede e pela Vila Neves. Grande parte do que hoje é o município, foi no final do século XIX, quatro fazendas de gado que pertenciam a imigrantes italianos, na antiga Pindorama. Estas fazendas tinham por denominação: Divisão, Raposa, Salgado e Malhada do Couro. O nome de Jucati foi alterado para Pindorama em 1938, quando o povoado foi elevado à categoria de vila. Em 1943 foi denominada Jucati. Sobre a origem do nome, atribuída a uma planta local pelos indígenas, possivelmente derivativo do pau-ferro jucá, com o significado de terreno pedregoso, argila forte. O município está localizado na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, nos domínios das Bacias Hidrográficas dos rios Mundaú e Una. Tem como principais tributários são os rios da Chata e Canhoto, além dos riachos da Pracinha e S. Pedro, todos de regime intermitente. A Vila Neves é um distrito pertencente ao município de Jucati, localizada entre Jupi e Garanhuns. Veja mais aqui.

ECONOMIA LIBIDINAL - A questão do valer-para, não nos pressionamos a colocá-la, ainda menos a resolvê-la. [...] O que nos ameaça, economistas libidinais, é fabricar uma nova moral com esta consolação, é proclamar e difundir que a faixa libidinal é boa, que a circulação dos afetos é alegre, que o anonimato e a incompossibilidade das &guras são impressionantes e livres, que toda dor é reacionária e contém o veneno de uma formação saída do grande Zero – o que eu acabei de dizer.  Ora, não se tem necessidade de uma ética, desta ou de outra. Talvez de uma ars vitae, jovem homem, mas da qual convém ser os artistas e não os propagadores, os aventureiros e não os teóricos, os fazedores de hipóteses e não os censores. [...] concebendo a dor como o motor da teatralidade, Freud dá a esta a consistência metafísica do negativo, ele é, assim, vítima dessa teatralidade, já que é somente na representação com vocação unitária que o corte e a ussura fazem mal, somente para o corpo já puro [...] quando é claro que não existe mais e nunca haverá mesmo uma tal dissolução pelo bom motivo de que nunca houve e nunca haverá um tal corpo reunido em si mesmo na sua unidade e identidade, que este corpo é uma fantasia, ela mesma notavelmente libidinal [...] e que é em relação a esta fantasia que toda alienação é pensada e sentida como reconhecimento que é o sentimento suscitado pelo grande Zero como desejo de retorno. Mas o corpo dos selvagens primitivos não é um corpo mais inteiro do que aquele dos mineiros escoceses de um século atrás, não existe corpo inteiro. [...]. Trechos extraídos da obra Economia libidinal (Fondo de Culttura, 1990), do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998). Veja mais aqui, aqui & aqui.

AFINAÇÃO DA ARTE DE CHUTAR TAMPINHAS - [...] Dia desses, no lotação. A tal estava a meu lado querendo prosa. Tentava, uma olhadela, nos cantos os olhos se mexendo. Um enorme anel de grau no dedo. Ostentação boba, é moça como qualquer outra. Igualzinha às outras, sem diferença., e eu me casar com um troço daquele?... Parece-me que procurava conversa, por causa do Huxley qye viu repousando nos meus joelhos. Eu, Huxley e tampinhas somos coincidências. Que se encontraram e que se dão bem, perguntou o que eu fazia da vida. A pergunta veio com jeito, boas palavras, delicada, talvez não querendo ofender o silencio em que eu me fechava. Quase respondi... [...] Mas não sei. A voz mulata no disco me fala de coisas sutis e corriqueiras. De vez em quando um amor que morre sem recado, sem bilhete. Ciúme, queixa. Sutis e corriqueiras. Ou a cadencia dos versos que exaltam um céu cinzento, uma luba, um carro de praça... Se ouço um samba de Noel... Muito difícil dizer, por exemplo, o que é mais bonito – o “Feitio de Oração” ou as minhas tampinhas. Trecho do conto Afinação da arte de chutar tampinhas, extraído da obra Malagueta, Perus e Bacanaço (Civilização Brasileira, 1963), do escritor e jornalista João Antonio (1937-1996). Veja mais aqui.

DOIS RISOSQuando sorris, parece / que de minha alma o tenebroso véu, / que a dor teceu e não desfez a prece / se adelgaça e sutil desparece... / teu riso vem do céu! / Alheias alegrias / o teu sorriso amargo assim corroi / qual veneno cruel! Tais agonias / traduz. - Não choras? Pois também não rias! / Teu riso dói! Poema da poeta Úrsula Garcia (1865-1905), que em carta a Francisca Izidora escreveu: Hoje... para que renome? A mim que penso às vezes com uma espécie de nostalgia na paz do túmulo? Há 17 anos – vês – eu era noiva! Pequenina e gentil, como diziam, vaidosa mesmo, elegante e vivaz, era feliz. Inebriava-me de seu amor e de esperanças... Hoje sou pesada e feia, mesmo cheia de tédio e cansaço... E não tenho futuro. Ambos extraídos da antologia Em busca de Thargélia: poesia escrita por mulheres em Pernambuco no segundo Oitocentismo - 1870-1920 (Fundarpe, 1996), organizado por Luzilá Gonçalves Ferreira. Veja mais aqui.

ENCONTRO DOS PALMARENSES
 
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A ARTE DE BERNINI
A arte do artista italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680).


quarta-feira, dezembro 06, 2017

AGOSTINHO DA SILVA, MARCIA TIBURI, ALCÂNTARA MACHADO, ANTÔNIO MENESES, RICARDO CORONA, ALINA IBRAGIMOVA, LUCINDA LYONS, RESILIÊNCIA & PESQUEIRA

A VIDA É MUITO MAIS - Imagem: arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. - A vida é plena e o sonho é grande além dos sentidos. Para quem sabe a miudeza dos que se arvoram donos do saber e nada sentem nem vivem, valho-me do discernimento, vou entre Esfinges, Pinóquios e Franksteins com seus narizes fálicos assombrados com seus monstros e maravilhas traduzidas e explicadsa por seus próprios erros e julgamentos. Deles me chega algaravias dos vultos forjados na discórdia dos que mandam e saltam das páginas dos livretros para ganharem vidas prórpias e fazem de tudo para todos o que querem e em nome de seus interesses vendem ilusões e mentem, enganam, traem o propósito real e original que não sabem, para se sentarem ao lado dos que ignoram as máscaras do embuste da ignorância atávica, ocultando atrás das portas as intenções além das abstrações inalcançáveis. A mim chegam engalanados e mimosos, e os revelo da boca para o ouvido e logo se extinguem entre as muitas dimensões ao meu redor, porque sei do incompreensível e paradoxal, e cuido da minha vida e não interfiro no alheio. O Verbo sou galáxias inteiras e muitas pela espiral ascendente dos muitos níveis da evolução com o Fogo Purificador e a legislação moral do Livro da Revelação, e persigo pelos cento e vinte e cinco degraus que levam ao Criador, a me dar a capacidade infinita de ser outras tantas e muitas formas e os muitos níveis de compreensão, porque me mantenho entre os doze iniciados da Kabash, e o Zohar e a Hermética, os seiscentos e treze manifestos da Torá, as trinta e duas vias da sabedoria no Livro da Formação, os vinte e dois livros do Explendor para a Sabedoria da Verdade, o Livro da Iluminação, das Emanações, as dez propriedades divinas e suas vinte e duas letras, quando sou semente única em comunhão com todas as outras, a seguir a luz no alto a desfazer mistérios. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o violoncelista Antônio Meneses no Concert Chello Elga & a violinista russa Alina Ibragimova interpretando o Concert to the memorian on the Angel Berg & Violin Bach. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] No político distingo dois momentos, o do presente e do futuro. Principiando pelo segundo, desejo o desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafísica; quero que cada indivíduo se governe por si próprio, sendo sempre o melhor do que é, que tudo seja de todos, repousando toda a produção, por uma lado, no , por outro lado, na fábrica automática; que a criança cresça naturalmente segundo as suas apetências, sem as várias formas de cópia e do ditado que têm sido nas escolas, publicas e de casa; que o social com as suas regras, entraves e objectivos dê lugar ao grupo humano que tenha por meta fundamental viver na liberdade, e que todos em vez de terem metafísica, religiosa ou não, sejam metafísica. Tudo virá, porém, gradualmente, já que toda a revolução não é mais do que um precipitar de fases que não tiveram tempo de ser. Por agora, para o geral, democracia directa, economia comunitarista, educação pela experiência da liberdade criativa, sociedade de cooperação e respeito pelo diferente, metafísica que não discrimine quaisquer outras, mesmo as que pareçam antimetafísicas. Mas, fora do geral, para qualquer indivíduo, o viver, posto que no presente, já quanto possível no futuro; eliminando o supérfluo, cooperando, aceitando o que lhe não é idêntico – e muito crítico quanto a este -, não querendo educar, mas apenas proporcionando ambiente e estímulo, e procurando tão largo pensamento que todos os outros nele caibam. Se o futuro é a vida, vivamo-la já, que o tempo é pouco; que a Morte nos colha e não, como é hábito, já meio mortos, aliás, suicidados. [...]. Trecho da obra Textos e ensaios filosóficos (Âncora, 2000), do filósofo, poeta e ensaísta português Agostinho da Silva (1906-1994). Veja mais aqui.

PESQUEIRA – O município de Pesqueira compreende administrativamente os distritos sede, Cimbres, Mimoso, Mutuca, Papagaio e Salobro, e os povoados Ipanema, Cajueiro, Beira Mar, Capim de Planta, Papagaio de Cima, Marimbas, Pacheco e Cacimbão. Está inserido na unidade geoambiental das encostas ocidentais do Planalto da Borborema, destacando-se as serras do Mimoso e do Ororubá. Na Serra do Ororubá vivem os índios Xukuru, em 24 aldeias, consolidando o município como o maior reduto indígena do Nordeste. A terra indígena, homologada em 2001, ocupa uma área de 27,5 mil hectares, onde os índios desenvolvem atividades agrícolas e bordados tipo renascença. Além disto, no núcleo urbano habitam aproximadamente 200 famílias indígenas, sobretudo no bairro Xukurus. A tribo dos Paratiós foi extinta e dela quase não há registros. A sua história começa em fins dos anos 1659/1660 com a fundação de uma missão da Congregação do Oratório, fundada junto à tribo cariri de nome Xujuru, que habitava a serra. O local foi batizado de Monte Alegre, depois se tornou Cimbres e fora elevada à categoria de vila em 3 de abril de 1762. Antes disso, segundo carta de sesmaria datada de 24 de janeiro de 1691, o lugar já era sede da Capitania de Ararobá. Ao que parece, a dita capitania foi transferida para os Campos dos Garanhuns por volta de 1727. A capitania voltaria para Monte Alegre em 1762, com a elevação da povoação à categoria de vila e sede de município. A partir de 1800, uma fazenda começou a ser instalada, de nome de "Poço Pesqueiro" (ou "da Pesqueira", como também se encontra nos registros mais antigos) e começou a progredir com rapidez. Tanto que a 13 de maio de 1836, Poço Pesqueiro já era uma povoação vistosa e fora elevada a vila com o simplório nome de "Pesqueira". Junto com a elevação a vila, Pesqueira recebeu a sede do Município de Cimbres (que no alto da serra, já não era tão viável para assuntos políticos e o comércio). Em 1880 a vila foi elevada a cidade com o nome de "Santa Águeda de Pesqueira", que não vingou e recebeu o nome de "Pesqueira". A vila de Cimbres foi a ela anexada e, juntas, Cimbres e Pesqueira formaram o município de Cimbres até 1913, quando "Pesqueira" passou definitivamente a ser o nome do Município, passando a antiga sede a mero distrito. O município encontra-se inserido nos domínios das bacias hidrográficas dos rios Ipanema e Ipojuca, e seus principais tributários são: o Rio Ipojuca, além dos riachos: dos Pebas, Cana-Brava, do Boi, Santana, Gravatá, Ceguinha, da Atravessada, do Guerra, Quebra-Roça, do Bálsamo, Baraúnas, Liberal, Papagaio, do Belo e Salobro. Veja mais aqui.

NEOFUNDAMENTALISMO & CRENÇA ÚTIL– [...] o neofundamentalista cultua a mais bruta ignorância, a que despreza o conhecimento. Se lembrarmos de Walter Benjamin definindo o capitalismo como religião, o neofundamentalismo analogamente corresponderia à ignorância como religião. [...] A ignorância é, assim, o próprio fundamento [...] é sempre desonesta. Não importa se ele acredita ou não no que diz. Ele está em busca de efeitos e causando efeitos para ter resultados traduzíveis em lucros: dinheiro, audiência, votos. Em última instância: poder. Daí que seja fácil fundar igrejas ou shoppings em um mundo em que Deus – que ocuparia o lugar da verdade nas religiões – se confunde com mercadorias, em um mundo em que a Indústria Cultural da religião embota toda a relação com a transcendência. Diferente do simples crente para quem a verdade é o cerne de uma crença capaz de orientar pensamento e atos, o fundamentalista usa sua crença, na qual, a propósito, não pode ter certeza de que ele realmente creia. Ao usar a crença, o fundamentalista desrespeta não apenas a crença alheia, mas a própria crença em nome da qual age. [...] Ele odeia a verdade que finge amar, assim no campo religioso, odeia um deus que ele não possa explicar. [...] Como um desesperado, sem um Deus em quem possa confiar, ele se autodenuncia em sua descrença. O fundamentalista é a prova de que Deus, mesmo que possa existir, não existe. Trechos do artigo Neofundamentalismo: culto da ignorância e crença útil (Cult, outubro 2014), da filósofa, escritora, professora universitária e artista plástica gaúcha Marcia Tiburi. Veja mais aqui e aqui.

RESILIÊNCIA – [...] O grau de resiliência pode ser alterado pela educação e é assim possível injetar confiabilidade, segurança e esquemas de organização mesmo em pessoas ou comunidades aparentemente apáticas. A pessoa ou organização resiliente necessita ser ágil, apresentar facilidade em acolher a diversidade, contextualizar o conhecimento e sua cíclica transtormação, revelar poder sistêmico e criar solidariedade, sabendo dar a volta por cima, reajustar-se rapidamente após perturbações, choques ou frustrações e, sobretudo, achar saídas. Saber explicar-se, possuir autoconfiança, sentido da efemeridade e da importyancia da biodiversidade, e construindo-se permanentemente realizam julgamentos éticos. O grau de resiliência de uma pessoa pode até ilustrar seu potencial de inteligência, considerando que a inteleigencia é a capacidade de resolver problemas e criar produtos de valor social. [...]. Trecho extraído da obra A construção de uma nova pedagogia para uma escola pública de qualidade (Vozes, 2009), do educador Celso Antunes. Veja mais aqui.

APÓLOGO BRASILEIRO SEM VÉU DE ALEGORIA – [...] Belém vibrou com a história. Os jornais afixaram cartazes. Era assim o título de um: Os passageiros no trem de Maguari amotinaram-se jogando os assentos ao leito da estrada. Mas foi substituído porque se prestava a interpretações que feriam de frente o decoro das famílias. Diante do Teatro da Paz houve um conflito sangrento entre populares. Dada a queixa à polícia foi iniciado o inquérito par aapurar as responsabilidades. Perante grande número de advogados, representantes da imprensa, curiosos e pessoas gradas, o delehado ouviu vários passageiros. Todos se mantiveram na negativa, menos um que se declarou protestante e trazia um exemplar da Biblia no bolso. O delegado perguntou: - Qual da causa do motim? O homem respondeu: - A causa verdadeira do motim foi a falta de luz nos vagões. O delegado olhou firme nos olhos do passageiro e continuou: - Quem encabeçou o movimento. Em meio da ansiosa expectativa dos presentes, o homem revelou: - Quem encabeçou o movimento foi um cego! Quis jurar sobre a Bíblia mas foi imediatamente recolhido ao xadrez porque com autoridade não se brinca. Trecho do conto extraído da obra Novelas paulistanas (José Olympio, 1961), do escritor Alcântara Machado (1901-1937). Veja mais aqui & aqui.

ONDAS NA LUA CHEIA (POEMA SOB INFLUÊNCIA)A lua que tudo assiste / agora incide / O mar / — sob efeito — / ergue-se / crispado de ondas espumantes / Sua língua de sal / lambe e provoca / as escrituras da areia firme / Ondas deslizantes / redesenham / onde outras ondas ainda / desredesenharão, / fluindo / no fluxo / da influência / Sob efeito lunar / o mar muda / e a lua, / antes toda, / agora, mínima / e quem com ela muda?). Poema extraído da obra Ladrão de fogo (Medusa, 1999), do poeta, tradutor, editor e performer Ricardo Corona.

ARTE & PERFORMANCE
Corpo Política – performance  Almoço sobre a relva, de Natasha de Albuquerque & Conceito contra conceito, de Maria Eugência Matricardi. .Fotos: Pamela Guimarães.

Veja mais:
O pensamento de Rose Marie Muraro aqui.
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A ARTE LUCINDA LYONS
A arte da pintora inglesa Lucinda Lyons.

 

JAMES JOYCE, DELEUZE, JOAQUIM CARDOZO, AGAMBEN, RODOLFO AMOEDO, ARRIGO BARNABÉ & VÂNIA BASTOS, LUCIAH LOPEZ, NA ERA DO RADIO & BEZERROS

COMEÇAR, RECOMEÇAR & DOIS MILHÕES DE BEIJABRAÇÕES - Imagem: foto de Alexandre Buisse – A vida pra ser vivida é feita de ação, movimen...