terça-feira, novembro 15, 2016

A REPÚBLICA NO REINO DO FECAMEPA – LIÇÕES DE ONTEM E DE HOJE PRO QUE NÃO É




[...] Sabes que há tantas espécies de caráter como formas de governo? Ou pensas que essas formas provêm dos carvalhos e da rocha, e não dos costumes dos cidadãos, que arrastam todo o resto para o lado para que pendem? [...] não convirá passar em revista os caracteres inferiores: em primeiro lugar, o que ama a vitória e a honra, baseado no exemplo do governo da Lacedemônia; em segundo o oligárquico, o democrático e o tirânico? Depois de reconhecermos qual o mais injusto, oporemos este ao mais justo e poderemos aí terminar o nosso exame e ver como a pura justiça e a pura injustiça agem, respectivamente, no que diz respeito à felicidade ou à infelicidade do indivíduo, para que siga o caminho da injustiça, se nos deixarmos convencer por Trasímaco, ou a da justiça, se cedermos às razões que se manifestam a seu favor [...] Deste modo, de amantes que eram da conquista e das honras, os cidadãos acabam por tornar-se avarentos e ambiciosos, louvando o rico, admirando-o e levando-o ao poder, e desprezando o pobre. [...].
Trechos recolhidos da obra A República (Edições de Ouro, 1980), do filósofo e matemático grego racionalista, realista, idealista e dualista Platão (428-347aC). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] A liberdade, por exemplo, só pode existir verdadeiramente onde o povo exerce a soberania; não pode existir essa liberdade, que é de todos os bens o mais doce, quando não é igual para todos. [...] Pois bem: assim como o agricultor conhece a natureza do terreno e assim como um escritor sabe escrever, procurando ambos, na sua ciências, antes a utilidade do que o deleite, assim também o homem de Estado pode estudar o direito, conhecer as leis, beber nas suas próprias fontes, sob a condição de que as suas respostas, escritos e leituras o ajudem a administrar retamente a República. Certamente, deve conhecer o direito civil e natural, sem cujo conhecimento não pode ser justo. Mas deve ocupar-se com tais coisas como o piloto se ocupa com a astronomia, e o médico com as ciências naturais, referindo esses estudos à prática de sua profissão, aproveitando-se deles no que lhe possam ser úteis e sem se separar do verdadeiro caminho que empreendeu. [...].
Trechos extraídos da obra Da República (Escala, 2005), do filósofo, orador, escritor, advogado e político romano Marco Túlio Cícero (106 – 43aC).. Veja mais aqui, aqui e aqui.

[...] Porque em toda cidade se encontram estes dois humores diversos; e nasce disso
que o povo deseja não ser comandado nem oprimido pelos grandes, e os grandes
desejam comandar e oprimir o povo; e desses dois apetites diversos nascem nas cidades um dos três efeitos: ou principado ou liberdade ou licença. [...].
Trecho extraído da obra  O príncipe (Abril Cultural, 1979), do escritor, filósofo, historiador e dip0lomata italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer. [...] A desgraça de uma república advém quando não há mais conluios e isso acontece quando se corrompe o povo pelo dinheiro: ele torna-se indiferente e afeiçoa-se ao dinheiro, porém não mais se afeiçoa aos negócios: sem se preocupar com o governo e com o que nele se propõe, espera tranquilamente seu salário. [...].
Trechos extraídos da obra Do espírito das leis (Abril, 1979), do filósofo e escritor francês Montesquieu (1689-1755). Veja mais aqui, aqui e aqui.

[...] Eu chamo, pois, república todo Estado regido por leis, independente da forma de administração que possa ter; porque então somente o interesse público governa, e coisa pública algo representa. Todo governo legítimo é republicano. [...].
Trecho extraído da obra Do contrato social (Abril Cultural, 1978), do escritor, teórico político, um dos principais filósofos do Iluminismo e precursor do Romantismo francês, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] A padronização formal da justiça, do estado, do funcionalismo público etc. significa objetivamente e factualmente uma redução comparável de todas as funções sociais aos seus elementos, uma busca comparável pelas leis racionais formais desses sistemas parciais cuidadosamente segregados [...].
Trecho extraído da obra História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista (WMF Martins Fontes, 2012), do filósofo, crítico literário e pensador marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971). Veja mais aqui e aqui.

[...] Embora os seres humanos não sejam civilizados por natureza, possuem por natureza uma disposição que torna possível, sob determinadas condições, uma civilização, portanto uma autorregulação individual de impulsos do comportamento momentâneo, condicionado por afetos e pulsões, ou o desvio desses impulsos de seus fins primários fins secundários, e eventualmente também sua reconfiguração sublimada. [...] Dado que os seres humanos, diferentemente de muitos outros seres vivos sociais, não possuem uma regulação nativa dos afetos e pulsões, eles não podem prescindir da mobilização de sua disposição natural rumo à autorregulação mediante o aprendizado pessoal dos controles dos afetos e pulsões, no sentido de um modelo de civilização específico da sociedade, a fim de que possam conviver consigo mesmos e com os outros seres humanos. O processo universal de civilização individual pertence tanto às condições de individualização de ser humano singular com às condições da vida social em comum dos seres humanos. [...].
Trechos extraídos da obra: Escritos e ensaios I: Estado, processo, opinião pública (Zahar, 2002), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] No espaço social mapeado cognitivamente, o estranho é alguém do qual sabemos pouco e do qual desejamos saber ainda menos. No espaço moral, o estranho é alguém que nos importa pouco e nos sentimos tentados a que nos importe ainda menos. [... ].
Trecho extraído da obra Ética pós-moderna (XXI, 2004), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

[...] As classes dominantes usam o Estado exatamente para criar e manter uma dualidade intrínseca da ordem legal e política, graças à qual o que é oligarquia e opressão para a maioria submetida, é automaticamente democracia e liberdade para a minoria dominante [...] Essa forma de participação, por cooptação, contribui "para a corrupção intrínseca e inevitável do sistema de poder resultante. [...].
Trecho extraído da obra A revolução burguesa no Brasil (Zahar, 1976),


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