domingo, setembro 11, 2016

O POEMA NASCE NA SOLIDÃO


O POEMA NASCE NA SOLIDÃO (Imagem: foto da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.) - Ao cometer um poema, a minha solidão é como a de quem acena pro amigo, ou a dor de quem mendiga na rua; de quem sorri simpatia, ou flagra a injustiça dos muitos Brasis. A solidão de muitos, a minha, de quem não tem nada resolvido, nunca deixei nada resolvido, sempre uma possibilidade de rever, retomar, refazer, recomeçar. E não é preciso tudo bem resolvido, tudo se resolve de qualquer jeito, seja de que forma for, como meus versos amálgamas que limpam a minha chaminé e não se sabe onde vai dar brincando com palavras, sintaxes e sotaques, sobrevivente solitário entre vagalumes alumiando a noite e as pragas caseiras - intrusos maruins que picam minha pele, mosquitos e mutucas, coceiras e doenças, enquanto a teia da aranha enreda sua presa no meu solilóquio. Eremita aguçando a imaginação e o instante de estar vivo, como o besouro que carrega peso maior que o seu tamanho e não sabe das frieiras dos campos e cavernas que nunca vi. A solidão é longa e até aprazível no que não é mais que o silêncio na longevidade da abelha e que se exalta com o cricri dos grilos ou o canto das cigarras, o zumbido de besouros e joaninhas, moscas e muriçocas, dos maribondos e vespas tirando fino na transpiração inspiradora. O meu isolamento se espraia como o trabalho das formigas, das pulgas nos pelos e as abjetas traças-de-livros; e desvio do ataque das cochonilhas e pulgões, da inhaca dos percevejos e barbeiros, o susto com o estalido dos gafanhotos, esperanças e libélulas pelos cantos do quarto ou no devaneio do trâmite da repelente lagarta à graça das crisálidas que saem do casulo para o voo das borboletas ou mariposas e bruxas. No meu retiro uma constatação: todos devoram ou são devorados, tanto polinizam as flores como fogem de lagartixas, rãs e roedores, afora o homem. Das suas tocas emergem pra festa do dia, ou pela escuridão da noite. Quando não, aparecem ao mesmo instante que outros mais abominados: baratas, escorpiões, escaravelhos. A poesia se perde entre a vigília e o risco, o bem-estar e a sujeição: quem imune? Ah, o reencontro e tudo pode acontecer, inclusive, ao cometer um poema na minha solidão ao visualizar que assim caminha a humanidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Luminous Cynthia (Alba, 1998), da premiada cantora lírica soprano e professora de Programação Neurolinguística estadunidense Cynthia Makris & a Oulu Symphony Orchestra, sob a regência de Arvo Volmer. Veja mais aqui.

PESQUISA
[...] se quiséssemos reduzir a psicologia educacional em um único princípio este seria: -- O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que sabe e baseie nisso seus ensinamentos [...] A principal função do organizador está em preencher o hiato entre aquilo que o aprendiz já conhece e o que precisa conhecer antes de poder aprender significativamente a tarefa com que se defronta. [...] Os seres humanos interpretam a experiência perceptual em termos de conceitos próprios de suas estruturas cognitivas e que os conceitos constituem a ‘matéria prima’ tanto para a aprendizagem receptiva significativa como para a generalização das proposições significativas para a solução de problemas. [...] .
Trecho extraído da obra Psicologia educacional (Interamericana, 1980), de David Ausubel, Joseph Novak e Helen Hanesian. O psicólogo da educação estadunidense David Ausubel (1918-2008) desenvolveu a teoria da aprendizagem significativa, propondo que a tarefa de aprendizagem, seja ela por recepção ou por descoberta, deve relacionar, de forma não arbitrária e substantiva (não literal), uma nova informação a outros conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva. Veja mais aqui.

LEITURA
[...] estes Manuscritos do Curral, assim chamados porque o primeiro título, melhorzinho, A casa que mora, me pareceu pedante – é pedante – e pedantismo é luxo para franceses, ultimamente em baixa, eles. O texto que se escreve para ocultar um subtexto que só os muito inteligentes vão sacar, faça-me o favor. Só há subtexto em textos diretíssimos como – vou arriscar – os loguia de Jesus: ‘Ama teu próximo como a ti mesmo’. Mais direto impossível, mas vai viver o mandamento, experimenta e adentrarás à cidade submersa plantada em teu peito. [...] Sabemos do que se trata: chegou o futuro. É aqui, nesta esplanada deserta, com três edificações escondidas como casamatas, uma igreja, uma empresa de turismo, uma clínica de repouso. Você sobe a um promontório onde a areia é mais firme e olha em volta o deserto. Não mudou nada em sua alma, contínua de infinitos desejos. [...].
Trecho extraído da obra Manuscritos de Felipa (Siciliano, 1999), da escritora, professora e filósofa Adélia Prado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA
[...] Tudo o que nos acontece, corretamente compreendido, leva-nos de volta a nós mesmos; é como se houvesse um guia inconsciente cujo propósito é livrar-nos de tudo isto, fazendo-nos depender de nós mesmos [...].
Trecho extraído da obra Letters (Princenton, 1973), do psicólogo e psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Fotografias dos bastidores escandalosos do pintor surrealista espanhol Salvador Dali (1904-1989). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre Hermilo Borba Filho, David Herbert Lawrence, Hesíodo, Edith Piaf, Maria Della Costa, Brian De Palma, Anthony Devas, Sociopatologia & Literatura Infantil aqui.

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A bicharada da enrolação: aqui.
Que esporte que nada, é espórtula mesmo!!!: aqui.
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DESTAQUE

Fotos/cenas/cartaz do filme La Maîtresse du Président (A senhora do presidente, 2009), dirigido por Jean-Pierre Sinapi, com destaque para a atuação da atriz brasileira do teatro e cinema francês, Cristiana Reali.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Clair de Lune, da artista plástica australiana Catherine Abel.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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