quinta-feira, agosto 25, 2016

A VIDA SE DESVELA NOS MEUS OLHOS FECHADOS


A VIDA SE DESVELA NOS MEUS OLHOS FECHADOS (Imagem: arte do pintor Top Thumvanit) - Pra onde vou nada de novo sob Sol, nada demais. O caminho é o mesmo pra todo mundo: a morte - o que pra mim nada mais é que continuidade. Reinvento o trajeto, recrio-me, deixo os sentidos em casa e vou de peito aberto. Às vezes penso que não tenho nada a ver com tudo isso, exercito o perdão, se há mais que tolerância, conto até dez ou mais. Sinto que tudo e todos são em mim tudo que sou: pedaços ao léu que quero juntar, trapos que não servem mais e ainda servem pra mim porque com eles me reconcilio e sou todo esperança. E sigo adiante mesmo que tudo não passe de uma sala contígua em que sou mais que dividido de mim mesmo, por assim dizer, o que de mim se perde nos labirintos que sou de tudo ou nada. E teimo em seguir adiante, mesmo que só espreite o gelo das pessoas, as sombras da injustiça, o alfabeto desmoronado, gente de má reputação, águas escassas, objetos descartados, latidos de cães, infindáveis lamúrias e murmúrios, moscas nos dejetos e esgotos, armadilhas, vulgaridades, trapaças, comidas estragadas, patéticos admiradores de si próprios com sua cretinização - uma pluralidade de coisas e idéias que se catalogam exaustivamente nos meus desvarios e tão cheios de imprecisões: ah, cabeça minha, memória que perco calendário inútil e olho pra frente como quem sabe pra onde vai, com todos voltando pro desafio, como se fizessem apostas, quem viver, verá. E mesmo assim me mantenho adrede desajeitado e todo esperança porque sou do futuro agora e não há mais nada que não seja apenas a percepção dos sentidos, porque fecho os olhos e do visinvisível a vida se desvela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Garra dos sentidos (Erato, 1998), da cantora portuguesa Mísia.

PESQUISA 
[...] Quando estamos zangados, temos o impulso sentido e/ou acompanhado de ação, de realizar ações de tipos particulares, e, a não ser que a raiva seja suprimida, nós de fato passamos a executá-la. Existe uma íntima e peculiar relação entre a emoção e a maneira natural de desafogá-la, com a qual, se já experimentamos nós mesmos a raiva, estamos familiarizados. [...].
Trecho do ensaio Outras mentes, extraído da obra Ensayos filosóficos (Revista de Occidente, 1975 – Abril Cultural, 1980), do filósofo da linguagem John Langshaw Austin (1911-1960), que desenvolveu a teoria de atos da fala.

LEITURA 
 [...] Nós mulheres não podemos ir em busca de aventuras, descobrir a passagem para o Ocidente e a nescente do Nilo, ou caçar tigres no leste. [...] Somos criadas como as flores para parecermos belas e para nos sentirmos aborrecidas sem nos queixar. [...].
Trecho da obra Daniel Deronda (1876), romance da escritora britânica Georg Eliot – pseudônimo de Mary Ann Evans (1819-1880), uma sátira e pesquisa moral da sociedade vitoriana, representando idéias cabalísticas e simpatias dos judeus proto-sionistas, adaptado sucessivamente para o teatro e cinema.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] Escute, meu amigo, eu ainda acredito que neste mundo pode se viver bem. E esta fé é a melhor, porque sem ela, mesmo viver mal não seria possível: teria de se suicidar. Dizem que um tolo fez isso mesmo. Ficou filosofando tanto que acabou destruindo tudo [...].
Trecho da obra Humilhados e ofendidos (Nova Alexandria, 2013), do escritor, filósofo e jornalista russo Fiodor Dostoiévski (1821-1881), retratando personagens perseguidos por sua condição social e econômica, resistentes à hipocrisia e falta de humanidade dos ofensores, descrevendo a dura realidade e miséria com profundidade psicologia dos personagens.Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo estadunidense Edward Weston (1886-1958). Veja mais aqui.

Veja mais sobre A arte no desenvolvimento do município, Karlheinz Stockhausen, Carl Rogers, Peter Greenaway, Frei Betto, Agente Social & Sociodrama, Corpo Cia de Dança, Goodridge Roberts & Fox Harvard aqui.
  
DESTAQUE
A arte pintora, ilustradora e artista contemporânea estadunidense Stephanie Sarley, autora da série de vídeos Fruto Dedilhado e do livro Cão Dick and Friends (2013).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Rainy night in Venice (2015), by Krzyzanowski Art - Saatchi Art.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Zoomp-sentidos, do designer, diretor de arte, ilustrador e educador Rico Lins.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



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