quinta-feira, agosto 04, 2016

A FÁBULA DO MAIOR NINGUÉM


A FÁBULA DO MAIOR NINGUÉM - Joãozídio, uma tipóia, nenhum amanhã, nenhuma estrela no céu. Ao redor, um balaio vazio, um fogo cruzado, nenhum terém e muito ronco. Dorminhocos: um ladrão, um padre e um bêbado. Joãozídio berra faminto, criança desmamada. A mãe abestada, tida por juízo mole das beldades dos príncipes, num hospício por paixão proibida. O pai, um desafortunado aproveitando-se com mãos e membros na botija ocasional, foragido de credores e pais encolerizados. E o menino berra madrugada adentro. De mão em mão, berro em berro, ele foi crescendo no escanteio: imundícies, superstições e malquerenças. Taludo, foi saindo de garoto pra rapaz feito. Quase adulto, consciência pesa nos de longe, a sua incerteza no seio dos parentes maternais. Chegou como visita de mais de três dias. Mesmo assim, educação esmerada e imposições religiosas como se fosse um da casa. Sempre, claro, como se fosse. Não era. Tomando pé da situação, tornou-se rebelde e de maus bofes, truculento, repudiando tudo e todos. Disso, conseguiu promessas alvissareiras: escapulidas e negócios escusos. Apoderou-se da astúcia e, do dia pra noite, muita largura. Quem era ninguém, agora o rei da cocada preta. Passou a mandar e pintar o sete em todas as tabuadas. Plateia, lei e polícia, seu manto de impunidade: matava e sorria, urrava e mentia. Já maioral com assento em cargos oficiais, maior parafernália da claque. Meio mundo de conivência nos tentáculos. Nenhum empecilho. Persona grata para apadrinhamentos os mais solícitos, exemplo de dignidade e retidão. Até na escola seu nome era pronunciado como referencial para as futuras gerações - e isso a sua satisfação e seu destemor. Como um dia a casa cai, morre em pleno vigor de seu poderio com a glória dos vilões. E, ainda hoje, é enaltecido no principal refrão do coro dos lambecus. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Curtindo os álbuns Soler: fandando, keyboards sonatas, com composições do compositor espanhol Antonio Soler (1729-1783), na interpretação da pianista estadunidense Maggie Cole.

PESQUISA:
[...] O sujeito transcendental tem seu fundamento na história natural do gênero humano. [...] o conhecimento como instrumento da autoconservação, porém, transcendendo a mera autoconservação [...] Os interesses orientadores do conhecimento formam-se por mediação do trabalho, da linguagem e do dominio. [...] A unidade do conhecimento com o interesse verifica-se numa dialética que reconstrua o elemento reprimido a partir dos traços históricos do diálogo proibido. [...] Uma filosofia que renega a história é a outra face do decisionismo esterilizador: a divisão imposta burocraticamente caminha junto à neutralidade axiológica entendida erroneamente como um processo contemplativo. [...].
Trecho extraído da obra Conhecimento e interesse (Unesp, 2014), do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, tratando a partir do ponto de vista epistemológico a discussão acerca do entrelaçamento entre razão prática e razão pura, mostrando a importância das definições do conhecimento e levantando questões sobre os fatores que o definem. Veja mais aqui.

LEITURA
Na corrida de mourão
Quem corre mais é quem ganha
São Tomé vendia banha
Na fogueira de São João
Foi na guerra do Japão
Que se deu essa ingrizia
Camonge quage morria
Da grenguena berra-berra
Quem se morre é quem se enterra
Adeus até outro dia.
Adeus até outro dia, poema de Zé Limeira (1886-1954), o Poeta do Absurdo. Veja mais aqui,

PENSAMENTO DO DIA:
Belo é manter, o quanto possível, a calma na infelicidade e não se irritar, pois não vemos claramente o que é bom ou ruim naquelas conjunturas; de nada adianta suportá-las com péssimo humor; nas coisasa humanas não há nenhuma que mereça um sério interesse.
Trecho extraído da obra A República, do filósofo e matemático grego Platão (428/427 – 349/347 a.C.). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo estadunidense Howard Schatz.

Veja mais sobre Fernando Brant, Jean-Philippe Rameau, Percy Bysshe Shelley, Plínio Marcos, Louis Malle, Pedro Alexandrino, Psicologia Escolar, Pueblo Tiwa & Brigitte Bardot aqui.

DESTAQUE: 
Companhia do Ballet Eliana Cavalcanti.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Blood room nude fatal stage, by Ryohei Hase.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: colagem do artista plástico, poeta, pintor e escultor alemão Kurt Schwitters (1887-1948).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



KRISHNAMURTI, MILLÔR, CELSO FURTADO, JOSEPH CAMPBELL, BARBOSA LIMA SOBRINHO, GILVAN LEMOS, RIO UNA & MARQUINHOS CABRAL

MARQUINHOS CABRAL: DESDE MENINO SOLTO NA BURAQUEIRA – A gente aprontou muitas e tantas no quintal lá de casa e nos cômodos da casa dele ...