domingo, julho 03, 2016

QUANDO TUDO É MANHÃ DO DIA PRA NOITE

QUANDO TUDO É MANHÃ DO DIA PRA NOITE - - Imagem: Tensai Banpaku (2015), do artista visual e diretor de cinema Mirai Mizue. – Pra quem não sabe, eu também não sei. Ainda há tempo e já é quase tarde. Só fazer a lição dos baques e sorrir pro mundo, o que resta de planeta. O que eu não fiz, alguém fez ou está fazendo. O que esperei, alguém encontrou antes de mim. O que perdi, acharam. O que não sabia, souberam. E não para por aí. O que vale é ser feliz do jeito que for, no meio de um carnaval diverso, divertido. Salve, salve. Isso é o que vale. As ofertas do dia são maiores que os bolsos. No meio da noite toda escuridão é tudo com seus muros altos, janelas fechadas: o ignoto irrevelável, o breu das brenhas desconhecidas. A noite é dela com o silêncio do negrume. É de repente que tudo acontece. Emerge da brecha dali, uma fresta quase impeceptivel. E enquanto uns ousam, alguém passa fome. E basta que apenas um passe fome e toda humanidade padecerá faminta. Enfim, enquanto uns ousam, o mundo acontece. E há os que apenas oram irmãos no culto do templo e genuflexos nas igrejas não me reconhece por irmão porque não professo a fé deles e sou excluído aos achaques e só esperam milagres quando sou eu que obro milagres e todos nós milagramos e podemos. E a cada momento tudo é surpreendente, a expectativa e o paradoxal. O que virá? O xis da escolha. A lasca de pão que cai e justo com a parte da prastada de manteiga pra baixo. A topada que desequilibra segurando no vento o que prevê arrimo invisível na queda. Os documentos que caem da inadvertida valise aberta e caem no chão e na lama pro desespero de quem embecado depende desses papéis. A conversa começa em discussão e atravessa o equívoco dali pro todo inadmissível de montanha russa nos mais agudos aclives e declives e finda feito uma bomba em cadeia com todos os estilhaços do que sobrou de trapos completamente errados. Tudo sai na urina, volátil, volúvel, salve, salve, o que é que é e não é mais, foi-se, e eu não vim pra ficar no conflito entre pessoas e coisas e coisas-pessoas se confundem nas pessoas-coisas pra felicidade dos onanistas e tudo por conta própria, ou no assalto indisfarçável do erário público. E todos querem uma definição de panoptico com toda ubiquidade e, de preferência, um conceito prato-feito, regra geral, como se pudesse ignorar a heterogeneidade de toda unidade, para saber como o oposto se relaciona com o outro, pletora de antípodas, e que da atração dos contrários aprende-se que um é igual a três pra desastre da lógica racional. Salve, salve o posto, o polimorfo. É com essa que eu vou. E voo. E no meio da noite até o silêncio é barulhento, o vento nas portas, as sirenes urgentes, as frenagens inesperadas, a chuva e a esperança do amanhecer. Meus olhos não flagram invisível no trâmite da vida, é apenas noite e anseio o dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 Imagem: July and quiet island, do pintor estadunidense Aleksandr Fayvisovich.


Curtindo a performance da soprano italiana Adriana Damato na ópera Carmen, do compositor francês George Bizet (1838-1875), com direção musical de Julia Jones & a Orquestra Sinfonica Portuguesa, o coro do Teatro Nacional de São Carlos e o coro dos Pequenos Cantores da Academia de Amadores de Música.

PESQUISA
Folclore Musical (FTD, 1965), de Wagner Ribeiro, coleção de 5 volumes que aborda temas como elementos de teoria da música, história da música no antigo continente e na América, bem como antologia de cantos orfeônicos e folclóricos.

LEITURA
[...] Uma estranha Manuela se revelara a Lucas, cheia de vontade proopria, fazendo e desfazendo sem lhe perguntar a opinião, recusando categoricamente sua ajuda financeira, recusando seus conselhos [...] Ela ria, não respondia, não dava importância às suas palavras. [...].
Trecho do romance Agonia da Noite (Martins, 1968), do escritor e dramaturgo Jorge Amado (1912-2001), segundo volume de Os subterrâneos da liberdade. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Os corpos pós-humanos são causas e efeitos de relações pós-modernas de poder e de prazer, vitualidade e realidade, sexo e suas consequências. O corpo pós-humano é uma tecnologia, uma tela, uma imagem projetada; é um corpo sob o signo da Aids, um corpo contaminado, um corpo morto, em corpo-tecno; ele é, como veremos, um corpo gay. O copo humano em si não faz mais parte da família do homem, mas de um zoo de pós-humanidades.
Trecho do livro Posthuman bodies (Bloomington, 1995), organizado por Judith Halbertam e Ira Livingstone.

IMAGEM DO DIA: LUALMALUZ – SEMANA LUCIAH LOPEZ 
Não quero a arte de fingir palavras, desenhar escritas nem colorir os sonhos____não tenho tempo para apontar lápis de cor, então o melhor é derramar a tinta no veio das palavras e deixar que percorra os meus labirintos de Ariadne, desenhando o Minotauro na pele que te reveste concretizando a mancebia do seu corpo e o meu. As horas estão presas em rocas de fiar e a ancestralidade do tempo é refletida no espelho no mesmo instante em que o meu olhar mergulha no seu e uma vez longe de todas as fobias, as rimas saltam da tua boca para as minhas mãos, tal qual peixes voadores navegando no arrebol.
Nonsense, poema/imagem/foto da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Preconceito e Discriminação racial, Franz Kafka, Ayn Rand, Giacomo Leopardi, Jacques Lacan, Leoš Janáček, Helmut Breuninger, Alessandro Blasetti, Cheryl Barker, Liliana Castro, Sophia Loren & Hermann Fenner-Behmer aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Men & Women (2014), do fotógrafo Christian Coigny.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Art by Bryan Thompson
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



ÍTALO CALVINO, WILLIAM BLAKE, WORDSWORTH, SUZANA ALBORNOZ, SOLIDARIEDADE & LIBRAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A QUEM INTERESSAR POSSA – Aprendi a ver na escuridão, a luz restava dentro de mim como um minúsculo pavio aceso, mostrando o fim do túnel ...