sexta-feira, julho 08, 2016

ALÉM DA ENTREGA MAIS QUE TARDIA



ALÉM DA ENTREGA MAIS QUE TARDIA - Imagem: arte da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez - Há qualquer coisa além do que sou quando mato a sede no seu bebedouro perene em que eu maldito me batizo para salvação de todos os meus pecados. Pouco importa venha o dia eu bem sei, ela me leva vencido com seu vulto no meio das doidas estrelas que giram da minha vertigem, e me guarda no seu ventre úmido e enorme na noite perdida. Há qualquer coisa muito maior que a vida, enquanto ela canta na minha alma e baila na minha carne que o chão corrompeu no silencio do que sou e que dou de mim mesmo para verter tudo na tresnoitada entrega depois da undécima hora descartada sem que eu renegue nada e me entrego cego de paixão ao deus dará. Há qualquer coisa maior que o paraiso quando tudo posso no que é dela e nela faço a minha vida ou o que disso sobrou, uma dádiva a poucos concedida. E eu me crio e recrio a romper seu claustro e sou maior dentro dela e meu corpo se completa no seu pra me derramar em suas luas e noites tardias, até acender-me no que acumula da excedência de sua carne farta ao rés do chão, no esplendor maduro das suas miragens carnais. Sou pródigo ao invadir seus porões soluçantes, a alcançar a sua orquídea desejada e crava suas unhas na minha pele com seu olhar pedinte noite após noite com suas enormes insônias, no baque do seu enigma violentado, sua herança nutrida acessada. Sou mais que tudo e rasgo suas entranhas até a medula, todas as muralhas rompidas com minha trombeta suada que saqueia seus domínios como quem remove pedras em todos os seus pertences, para achar o tesouro no seu paiol. E assalto seus resíduos de fera asfixiada e cúmplice das minhas manhãs, ela se debate incontida mártir no manuseio das minhas enlouquecidas estocadas por seus interditos inacessíveis e sinto o peso da sua terra calcinada por meus desvarios. E esbanjo e sorvo sem desperdício seus rios que em mim desaguam e nem recuso o resto que não me contenta na flor de sua ânsia desesperada, onde era pra chegar e cheguei estraçalhando seu íntimo na sua quentura acesa subjugada. Sou contumaz quando de bruços encolhida, tudo posso nas suas vértebras e acolho na cama que alucina o dia do céu azul, mais azul que nunca, porque o sol das suas faces me ilumina e me lambe os dedos e o sexo empunhado na saliva da eternidade dos seus lábios gloriosos, quando se desmorona e se refaz nas escadas do prazer e que em mim se conclui na paz da nossa remissão aos píncaros do gozo, despedaçados a nos recompor na natureza do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Imagem: a arte da pintora italiana Artemísia Gentileschi (1595-1653).


Curtindo o álbum Night Time, My Time (Capitol Records, 2013), da cantora, compositora, atriz e modelo estadunidense Sky Ferreira.

PESQUISA:
História das literaturas de vanguarda (Presença/Martins Fontes, 1972), coleção de seis volumes organizada pelo ensaísta, poeta e critico literário espanhol Guillermo de Torre. Veja mais aqui.

LEITURA
Ó papoulinhas, pequenas flamas do inferno, então não fazem mal? Vocês vibram. É impossível tocá-las. Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima. E me fatiga ficar a olhá-las assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca. Uma boca sangrando. Pequenas franjas sangrentas! Há vapores que não posso tocar. Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas? Se eu pudesse sangrar, ou dormir! Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida. Ou que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro, entorpecendo e apaziguando. Mas sem cor. Sem cor alguma.
Poema Papoulas de julho, extraído da obra Selected Poems (The Hudges, 1985), da poeta estadunidense Sylvia Plath (1932-1963). Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Existem verdades que a gente só pode dizer depois de ter conquistado o direito de dizê-las.
Pensamento do escritor, cineasta, dramaturgo, desenhista e ator surrealista francês, Jean Cocteau (1889-1963). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA: LUALMALUZ – SEMANA LUCIAH LOPEZ 
Pode parecer que não mas me devora, a tua mão. Açoita minha alma me vira pelo avesso sou só o começo do que mora em mim ( ! ) Sou fêmea no cio animal em pura sanha manha que não tem fim ai de mim... que em toda manhã sou assim____ só o prazer de ser mulher sem ser razão sem dizer que não____e perder o chão e me fazer tesão e desfalecer em gozo na tua mão.
Sem dizer que não, poema/imagem/foto da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre Fecamepa, Brincarte do Nitolino, Friederich Perls, Jean de La Fontaine, Laurindo Rabelo, Ópera na Mala, Ignaz Epper, Diversões Lúdicas, Gil Vicente & Carlos Hugo Christensen aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Arte do pintor estadunidense Tom Wesselmann (1931-2004).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.

ÍTALO CALVINO, WILLIAM BLAKE, WORDSWORTH, SUZANA ALBORNOZ, SOLIDARIEDADE & LIBRAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A QUEM INTERESSAR POSSA – Aprendi a ver na escuridão, a luz restava dentro de mim como um minúsculo pavio aceso, mostrando o fim do túnel ...