quarta-feira, maio 25, 2016

JURAMENTO

JURAMENTO (Imagem: Lovers, do pintor israelense de origem bielorrussa Leonid Afremov). – Quando a tarde faz vida no mormaço do seu corpo, eu juro por todas as delícias de céu e da terra mergulhar nos ventos agitados de sua prodigiosa nudez sacudindo minha lucidez às raias da loucura e é quando sou de mim mais que real. Eu juro por sermos feitos pelo amor e para o amor, onde tomo por testemunho o meu corpo e o meu sangue no seu corpo e sangue, e não haverá perjúrio porque juro dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade porque a verdade é a sua alma nua exposta para a minha iniciação. E prometo pelo fogo do prazer no calor do seu sexo que se empanzina com o meu, linda, nua, caprichada de beleza acendendo a luz de todas as noites na beira do amor, pelando de febre, que cantarei aos berros a canção viva com versos queimando a pele, a cumprir que nos seja dado gozar feliz da vida para ir até longe de onde não se volta mais. E juro com os olhos vendados de paixão por seu corpo que carrega o tempo de muitas sedes no seu minadouro, como a maior e mais completa maravilha do mundo, enquanto a terra gira entre suas pernas e sexo febris com a gula das minhas mãos côncavas agarrando enlaçado na idade dos sonhos e que giram sem parar na corda bamba que me devolve multiplicadas vezes a vida que me faz mais vivo que nunca! E juro pela doçura dos seus lábios de orquídeas molhadas e com o cheiro do riso destamanho e o amor queimando a face, relâmpago nos seios na promessa de que em mim tudo de seu sobreviva, a tesão apaixonada se fortaleça e o que for do amor se concretize em nós. E juro por seu olhar de titânio com toda atração do meio dia e místicos fulgores dos que dão tudo à vida debaixo da chuva do edredom e onde a tempestade demorada inflama o paiol de todos os gozos desgovernados até o derradeiro pousar da voz de zis luxúrias do seu doce-de-leite coração. Por isso e só por isso eu canto inteiro com toda paixão a nossa eucaristia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Imagem: arte da pintora rusa Vera Rockline (1896-1934).
Curtindo o álbum Gethoo xa’ñekua ra getho (Cantares de autorreferencia, 2012) & Ro Mähki 'Ñu Ro Yohnite (Essemble Aleph – Carnet de Bord / O diário de bordo) & Nangu na Ngoni XTA xi thutsi mä Tuhu (Em cada sopro são escritos todos os nomes, 2003), do polímata, compositor e musicólogo Ph.D. mexicano Gabriel Pareyon.

PESQUISA
Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil (Martins, 1948), do viajante holandês Johan Nieuhof (1618-1672). Veja mais aqui.

LEITURA 
Obra poética completa (Martins Fontes/EdUnB, 1989), do escritor e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruina que seria inevitável. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disto, com antecedência para tarefa de renovar o mundo comum.
Extraído do livro Entre o passado e o futuro (Perspectiva, 2002), da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
América, do pintor mexicano Rufino Tamayo (1899-1991).

Veja mais sobre Dante Alighieri, Ralf Waldo Emerson, Luigi Pirandello, Mário de Andrade, Guido Crepax, Mark Gertler & Mikko Härkin aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Opiate dreams (1950), do pianista, fotógrafo, crítico e cineasta Lionel Wendt (1900- 1944).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: Engravings exhibition, do pintor e artista gráfico Sergio Ramirez.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


ÍTALO CALVINO, WILLIAM BLAKE, WORDSWORTH, SUZANA ALBORNOZ, SOLIDARIEDADE & LIBRAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A QUEM INTERESSAR POSSA – Aprendi a ver na escuridão, a luz restava dentro de mim como um minúsculo pavio aceso, mostrando o fim do túnel ...