segunda-feira, abril 25, 2016

DOIS QUENTES & UM FERVENDO!

DOIS QUENTES & UM FERVENDO! - Gentamiga, ziriguidum, teitei! Quando chega a segunda-feira, a gente começa a semana com a lição do Sol brilhando, enquanto aquele galo abusado canta seu cocoricó com aviso: outra semana, outras micagens, outras paneladas, outras maruagens. Tudo de novo, outra vez. É a vida. Mas a gente tem que fazer desse sisifismo sempre uma coisa nova: afinar o gogó, respirar fundo, bater na caixa dos peitos e dizer: agora vai! Nessa hora não se olha mais pra trás, nem se dá ouvidos ao que passa a ser lengalenga. Tem que fazer de contas que é uma nova realidade e há de meter bronca, senão a vaca vai pro brejo. Cada um transformando-se em proditórios e tredos armando suas arapucas carregadas de mordacidades e imposturas pra fazer de tudo bravatas agudas no reino das zaragatas: - Do pescoço pra baixo tudo é perna! É hora de ir pra guerra com dois quentes e um fervendo! A ordem do dia é lembrar o riscado: todo dia sai um otário e um sabido de casa, alguém vai chorar. E como todo mundo só quer passar a perna e usar o martelo da sabedoria para sub-reptícios proveitos num chapéu pro pacóvio, pra depois cair no escárnio, esfregando as mãos diabólicas no meio da panelinha: - Sou lá besta, meu! Gosto de ter vantagem em tudo! É só botar o pé fora de casa e começa o teatro dos horrores: ninguém mais se entende por palavras, só por gestos hostis acentuados com as explosões inflamáveis do mau humor, na maior alucinação impondo a vontade sobre os outros, a violência aos extremos no baixo calão e calúnias na maior perplexidade, pra avivar mais ainda o patético reino da discórdia e da confusão. A cena no trânsito, nas esquinas, no trabalho ou em qualquer rincão é só de agressões violentas entre os contendores belicosos, armados de disse-me-disse, fofocas, bois de fogo, tácitas declarações de guerra: - Destá, você vai ver com quantos paus se faz uma canoa! Nessa treta não há Convenção de Genebra nem Pacto de Bogotá, é só jogo com golpes abaixo da cintura da honra e das reputações, arengas, difamações, arrogância, subornos, todas as imposturas fabricando litígios que só enriquecem advogados glutões e entulham com pedantismo e afetação a morosidade do Judiciário que imerge onde o crime é a lei no absurdo kafkiano que vira real e nas profundezas da terra, cada qual usando do recurso que lhe convier. E assim vai da segunda pra terça, caindo na quarta, se levantando na quinta até os últimos estertores na sexta, quando no sábado sai juntando os cacos que sobraram para revigorar nova tentativa de sobrevivência. Não se faz outra coisa. Mas o Sol permanece brilhando todos os dias pra mostrar que a vida é outra coisa totalmente diferente e que ainda não se sacou direito. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

 Imagem: a arte do pintor, designer, artista gráfico, escritor e escultor neerlandês, co-fundador do grupo CoBrA, Karel Appel (1921-2006).


Curtindo o álbum (2cds) Chopin: Etudes, Op. 10 & 25 / Brahms: Paganini Variations (EMI, 2005), da pianista italiana Giorgia Tomassi.

PESQUISA
Leitura da obra Música Viva e H.J.Koellreutter: movimentos em direção à modernidade (Musa, 2001), do educador, musicólogo e compositor Carlos Kater.

LEITURA 
Leitura da coletânea Poemas, um tostão cada (Pomes Penyeach - Iluminuras, 2014), do escritor irlandês James Joyce (1882-1941). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA
Quando a semana principia é bom sair juntando o restinho das pregas que sobraram e começar tudo outra vez. (LAM).

Veja mais Ismail Kadaré, Vsevolod Emilevich Meyerhold, Fridha Khalo, Emil Cioran, Karel Appel, Badi Assad, Carlota Joaquina a Princesa do Brasil & Carla Camurati & Clube Caiubi de Compositores aqui.
 
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Tonia Stieltjes - Recumbent female nude, do pintor do Expressionismo holandês, Jan Sluijters (1881-1957).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.