segunda-feira, janeiro 04, 2016

NEFERTITI & TODO DIA É DIA DA MULHER



NEFERTITI – “Todo mundo conhece esse pescoço grácil, esse queixo firme mas feminino, esse nariz delicadamente modelado, esses olhos lânguidos de pálpebras pesadas, essa boca da qual as curvas não são nem muito sensuais nem muito reservadas, nem muito pródigas, nem muito avaras de seus dons. É um milagre de equilíbrio. Mesmo os gregos, no apogeu de seu gênio não esculpiram jamais um semblante como aquele. Suas deusas são deusas, suas mulheres, mulheres. Nefertiti é ao mesmo tempo as duas” - A beleza da rainha Nefertiti, nascida em 1380aC, é uma das mais célebres da história, registradas nas reproduções do seu busto de pedra, descoberto nas ruínas de El-Amarna e colocado no Museu de Berlim. A beleza dessa rainha, cujo porte dominou o período amarniano, comove sempre, para além dos milênios. O rei foi, desde o início de seu casamento, apaixonadamente enamorado de sua esposa. Testemunham isso numerosas inscrições em seu louvor: “A herdeira, grande em seu favor, dama de graça, doçura de amor, Senhora do Sul e do Norte, bela de rosto, enfeitada pelos dois penachos, amada por Amon, deus vivo, Grande-esposa do rei que a ama, Senhora dos Dois Países, grande pelo amor, Nefertiti viva para sempre...”. Surpreendente declaração de amor da parte do soberano do poderoso Egito! Nunca uma rainha teve direito a tais elogios. Akhénaton e Nefertiti vivem em companhia dos dois jovens irmãos do rei, Smenkhkharê e Tutacaton. O casal real não tem descendente masculino, mas sim seis filhas: Meritaton, futura rainha do Egito; Mekétaton, que morreu de parto no ano 12 do reinado; Ankhesenpaaton, igualmente futura rainha do Egito; Nefernefruaton, Nefernefrurê e Setepenrê. Foi Akhénaton que suprimiu o culto do deus Amon e com ele o de todos os outros deuses egípcios e escolas de sacerdotes foram fechadas. Aton tornava-se o único deus do Egito. Nos últimos cinco anos do reinado, Akhénaton adoece e toma consciência de seu fracasso: o povo egípcio em seu conjunto não aprecia suas reformas. Profundamente tradicionalista, o povo aceitaria bem o novo culto, com a condição de que subsistam os antigos deuses aos quais permanece apegado. Além disso, a religião mística e etérea de Aton não lhe convem. A atmosfera é carregada nesse fim de reinado. A alegria e o entusiasmo do inicio desaparecem. Nefertiti e Akhénaton se separam. A bela rainha vive, desde então, em um palácio, ao norte de Amarna, com seu pai, o prudente Ay, acompanhado de sua mulher Ti; as quatro últimas filhas de Nefertiti estão também lá, dentre elas Ankhesenpaaton. O rei vive num palácio chamado marouaton, em companhia de sua filha mais velha e preferida Meritaton e de seu jobem irmão, casado com esta última, Smenkhkharê. Com a morte do rei, seu irmão conta apenas com nove anos e Nefertiti, ajudada por seu pai, assegura a regência. Sempre intransigente em sua fé em Aton, Nefertiti permanece em Amarca com o jovem rei e sua esposa. Mas, no fim de três anos, Tutancaton deixa a capital herética e volta para governar sozinho em Tebas, onde se faz sagrar faraó com novo nome Titancâmon. A morte de Nefertiti é envolvida em mistério, presumindo-se que ela tenha morrido por volta de 1345aC, depois de governar o Egito por dois anos.
REFERÊNCIA
BRIASSAUD, Jean-Marc. O Egito dos faraós. Rio de Janeiro: Otto Pierres, 1978.


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