sábado, novembro 14, 2015

MANGUABA, FLIMAR, ARRIETE, DOMINGUINHOS, NITOLINO & FLIMARZINHA.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA: MANGUABA, FLIMAr & POVO DEODORENSE – Nada mais justo depois desses dois dias de atividades participando da Flimarzinha na VI Festa Literária de Marechal Deodoro – Flimar, que o meu modesto gesto de gratidão eterna ao escritoramigo Carlito Lima, a todo pessoal da Secretaria de Educação – em especial a Secretária Flávia, Geane, a atenciosa e gentil amiga Vera, as amigas Val e Patricia, Luizinho & Nivaldo -, a Lagoa Manguaba que me inspirou o frevo e a todo povo deodorense pela acolhida, assim, trago como agradecimento a todos, o destaque nesta edição a um dos nomes ilustres da cidade: a poetamiga Arriete Vilela. Essa autora, como eu já manifestei durante a minha exposição na I Fenelibro, tive oportunidade de conhecer sua obra antes de chegar em Maceió em 1994. E quando aqui cheguei, tive o topete de procurar seu contato e ter acesso a toda sua obra premiada, oportunizando o nascimento de uma amizade e que figura entre as que mais prezo. Já tive oportunidade de manifestar isso em uma crônica que publiquei no meu Guia de Poesia e em uma das edições do meu tabloide Nascente Publicação Lítero Cultural, que circulou entre os anos de 1996/1999. Mas homenagear Arriete nunca é o suficiente, muito menos o bastante. Por isso, agradecendo a acolhida do povo deodorense quero manifestar essa gratidão louvando o que esta terra tem de melhor. E veja mais aqui, aqui e aqui.


TEÇO-ME
Poema 1

Arriete Vilela

Meus versos se negam às seivas,
Querem ser galhos espinhosos
A mover-se sobre águas turvas,
Em ritos de vertigem,
Para que já não possa banhar-me
Em mim, à luz da lua.

Meus versos ferem-se em si próprios,
Mordem-se com dentes caninos, afiados,
E contorcem-me, envenenados
Por linguagens delirantes, fetichistas,
Perigosamente sedutoras.

Prostrados aos pés da Palavra,
Como fulminados subtextos,
Meus versos rogam-lhe a compaixão
Do desejo, o arroubo da paixão,
O arame farpado de um novo amor.


NITOLINO NA FLIMAR – Nesses dois últimos dias, quinta e sexta, aconteceu mais uma apresentação do Nitolino na Flimarzinha, na tenda Mundo da Imaginação. Além de muita brincadeira, contação de história e frevo com a garotada, desta feita, contei com a participação superespecial do Grupo Folia e do Palhaço Pitacho entre as atividades desenvolvidas durante o evento. Hoje está prevista mais apresentações do Nitolino pela manhã, recepcionando as escolas E. M. José Bispo da Silam E. M. Altina Ribeiro Toledo, E. M. Manoel Messias, E. M. Maria de Araujo Lobo, E. M. Edival Lemos e E, M. Eleuza Galvão Rodas. E veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.



INVENÇÃO DE ORFEU
Canto IX

Jorge de Lima

I

Estavas, linda Inês, nunca em sossego
E por isso voltaste neste poema,
Louca, virgem Inês, engano cego,
Ó multípara Inês, sutil e extrema,
Ilha e maresia funda, rasgo, pego,
Inês desconstruída, mas eurema,
Chamada Inês de muitos nomes, antes,
Depois, como de agora, hoje distantes.

Porém penumbra vaga ou talvez acha
Celeste consumindo-se, também
A própria conceição parindo baixa
A real prole; de súbito ninguém
Nessas longínquas orbitas que enfaixa
Com seus cabelos, ela-a-mais-de-cem,
A mais de mil, Inês amorfa e aresta,
Inês a só, mas logo a sempre festa.

Inês que fulge quando o dia brilha
Ou se acinzenta quando o ocaso avança,
Rainha negra, mãe e branca filha,
Entre arcanjos do céu etérea dança,
E nos dias dos mundos andarilha,
Andar incandescente que não cansa,
Poema aparentemente muitos poemas,
Mas infância perene, tema em temas.

Ela fechada virgem, via-a em rio;
Eu era os meus sete anos, vendo-a vejo
A própria poesia que surgiu
Intemporal, poesia que antevejo,
Poesia que me vê, verá, me viu,
Ó mar sempre passando em que velejo
Eu próprio outro marujo e outro oceano
Em redor do marujo transmontano.

Meu pai te lia, ó página de insânia!
E eu o escutava, como se findasses,
Findasses? Se tu eras a espontânea,
A musa aparecida de cem faces,
A além de mim e além da Lusitânia,
Como se além da pagina acenasses
Aos que postos em teus desassossegos,
Cegam os olhos por teus olhos cegos.

Ó vidente através, ó Inês mirante,
Em nos mortes sofridas para versos,
Para que nesta vida o mundo cante
E o cego e o surdo e os homens controversos
Aprendam todos teu geral instante,
Teus pequenos e grandes universos
Teu aparecimento em Mira-Celi,
Para que tua face se revele.

Perfeitamente posta nas entranhas,
Planos, colunas, ramos, perspectivas,
Inês erecta, lindes sempre estranhas,
Os cabelos de nuvens, rubras anhas,
De lãs esvoaçadas, mas cativas,
Como cativa a criação das cores,
Apenas liberdade para as flores.

Inês, porem, jamais, jamais fundada
Quer indicar talvez, uma inquietude,
Inquietude de Inês apoderada,
Súbita Inês, efêmera altitude,
Descida em seus abismos, augurada,
Para que nela o clima sempre mude,
Inês refaz-se simultaneamente
Obumbra os horizontes, cobre o poente.

Nenhum tribuno em ti nem duros rostos,
Mas gentios trazidos, livros santos,
E seus antepassados, puros mostos
De espirito ornados de áureos cantos,
Em as sombras do smantos são desgostos,
Mas são talares, são voejados mantos.
Nem Héspero nem Jupiter nem Cronos
Podem resplandecer com mores tronos.

Amou revelação, purificou-se,
Nenhum amor descrito conseguiu
Ensombrar-lhe de angustia o olhar doce.
Inês resplandecente, sempre estio,
Conheceu-se em seus símbolos. Amou-se,
Pois fora a restituída. Coexistiu.
Chispa inventiva, Inês florida arena
Marasmos espezinha. Altiva cena.

Reclina-se sem medo e sem alarde,
Ó fabula sem par, comedia infusa,
Manhã remurmurada pela tarde;
A atitude é tão justa nessa musa
Que a forma aguda nos aspectos arde,
Inês primordiada, era conclusa,
Os seus frutos sonoros querem que ela
Seja inscrição, apenas fria estela.

Trouxeram-na os análogos algozes
Diante da ambiguidade das essências,
Em que as asas divisas e as ferozes
Asas (que eram da Luz maginificências),
Confundem doces vozes e out5ras vozes.
E eis que as piedosas, intimas insciências:
Levai-me à Cítia fria, ou à Líbia ardente,
Onde em lagrimas viva eternamentye.

Não podendo em sossego Inês estar;
Seus algozes mudaram-na na lida,
Na continuada lida – mar e mar.
E eis que a sombra colaça e a luz ardida
São nos espaços – elo circular;
Asas obsidionais à asa da vida,
Morta de amor, amada que se mata
Para se amar depois em morta abstrata.

Ó paz, ó tudo, ó mundo inominado!
(Pessoa a doce névoa passageira)
O rosto primogênito gelado
De polem misterioso se empoeira,
Eterno calendário procurado,
.........................................................
Inês recomeça, ala ritual,
Terra da vida, afã ascensional.

Existes, linda Inês, repercutida
Nessa placa de sonho, nesse poema,
E tão lua dormida e coincidida
Entre luares, de súbito diadema,
Que a trajetória muda mais renhida,
E te refluis na vaga desse tema,
Constante vaga, vaga em movimento
Prodiga e vinda como o próprio vento.

Inês da terra. Inês do céu. Inês.
Preferida dos anjos. Árdua rota,
Conúbio consumado, anteviuvez.
Mas após amplidão sempre remota,
Branca existência, face da sem tez.
Ontem forma palpável. Hoje ignota.
Eterna linda Inês, paz, desapego,
Porta recriada para os sem-sossego.

Em chegado um in verno ela se incluía
Nos cabelos de espumas verdejantes
Das axilas; do púbis se cobriu
Purinha entre barqueiros incessantes,
Amortalhada Inês, Maria em rio,
Passou ficando entanto o que era dantes:
Outra vez nua e lisa. Ó transparente,
Ó carne, ó suor de sangue, ó como a gente.

Queimada viva, logo ressurecta,
Subversiva, refeita das fogueiras,
Adelgaçada como inicio e meta;
As palavras e estrofes sobranceiras
Narram seus gestos por um seu poeta
Ultrapassando às musas derradeiras
Da sempre linda Inês, paz, desapego,
Porta da vida para os sem-sossego.

INVENÇÃO DE ORFEU – O livro Invenção de Orfeu (Record, 2005), do poeta Jorge de Lima é composto de dez cantos: I – Fundação da ilha, II – Subsolo e supersolo, III – Poemas relativos, IV – As aparições, V – Poemas da vicissitude, VI – Canto da desaparição, VII – Audição de Orfeu, VIII – Biografia, IX – Permanência de Inês e X – Missão e promissão. Trata-se de um belíssimo e denso trabalho poético, meritório de aplausos. Veja mais aqui.


GOSTOSO DEMAIS

Dominguinhos – Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim o que eu posso fazer

DOMINGUINHOS/NANDO CORDEL – Uma das maiores parcerias de sucesso no Brasil, foi sem dúvida, a parceria entre o saudoso músico, instrumentista, cantor e compositor pernambucano Dominguinhos (1941-2013), e o homenageado da Vi Flimar, Nando Cordel. A dupla produziu sucesso após sucesso, como De volta pro aconchego, Gostoso de Demais, Isso aqui tá muito bom, entre muitos outros, interpretado por ambos ou pelos mais importantes artistas do cenário musical brasileiro. Aproveito esta oportunidade para fazer a minha homenagem ao grande talento e ser humano que foi Dominguinhos, sempre vivo no meu coração. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Nitolino, Vera e Mônica (Daniela).



FAULKNER, PIVA, BOURDIEU, FUREDI, LIA CHAIA, VITOR DA FONSECA, PALHAÇOS, SOCORRO DURÁN & AMANDA DUARTE

POETASTRO METE AS CATANAS SEM ENTENDER DO RISCADO – Imagem: Xilogravura de Amanda Duarte. - Nada dava certo mesmo pras bandas do Doro, tud...