domingo, setembro 13, 2015

MARTÍN-BARÓ, CLARA, DOMITILA, ANTONIO TORRES, TEMPLE GRANDIN, NATÁLIA CORREIA, PERISSÉ & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? BRINCAR PARA APRENDER – Quando publiquei o meu segundo livro infantil Falange, falanginha e falangeta (Nascente, 1995), tive a grata satisfação de tê-lo adotado em diversas escolas de Alagoas e de outros estados brasileiros, razão pela qual fui convidado para realizar recreações com meu violão, cantando e contando estórias. Foi a partir daí que empunhei as bandeiras da ética, cidadania, meio ambiente, pluralidade cultural e respeito às diferenças, utilizando a literatura de cordel como veículo para realização do meu trabalho com a garotada nos anos seguintes. À medida que eu publicava mais um livro, mais estreitava meus contatos com os alunos da Educação Infantil e primeiro ciclo do Ensino Fundamental das redes pública e privada, até o momento que realizei uma atividade a convite da coordenadora de uma escola pública, Ceiça Mota, proporcionando o surgimento do meu personagem Nitolino. Por conta disso, ao reunir num mesmo balaio Literatura, Música e Teatro, embasado em Lev Vygotsky, Paulo Freire, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Donald Winnicott, Ricardo Japiassu, Olga Reverbel, Ingrid Koudela, entre outros autores, comecei a realizar palestras destacando a importância da arte no desenvolvimento infanto-juvenil. Como resultado dessas atividades, recebi o convite de Maria Luisa Russo e da Edufal, para ministrar a palestra, Brincar para Aprender, realizada durante as atividades da V Bienal Internacional do Livro de Alagoas, para professores e estudantes de Letras, Pedagogia e Psicologia, destacando o brincar, o brinquedo e o lúdico, os direitos da criança, a brincadeira na educação e o desenvolvimento da criança. Tais experiências culminaram com as atividades na área de Psicologia do Desenvolvimento, orientada pela professora Ms Fátima Pereira, resultando num projeto denominado A arte no desenvolvimento da linguagem infantil sob a perspectiva da teoria sócio-histórica, que resultou no artigo Vygotsky, o teatro e a criança, que foi apresentado no Congresso Nacional de Psicologia, promovido pela Sociedade Brasileira de Psicologia, na Uninove, em São Paulo. Vieram, então, as atividades voltadas para a Psicologia Social, orientada pelo professor Ms Claudio Jorge de Morais Gomes, nas quais passei a destacar a importância da Psicologia e do profissional psicólogo no âmbito educacional, por meio de projetos de extensão e de iniciação científica, culminando com a realização do projeto Infância, imagem e literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré (AL), que resultou na criação da história transformada para o teatro infantil O jacaré de óculos e a princesa do Recanto da Ilha. À medida que esses projetos foram acontecendo, fui ao mesmo tempo trabalhando articulações entre a arte e a psicologia na educação, trabalhando as temáticas da Psicologia na Educação Ambiental, Neuroeducação e Psicodrama, e a Arte na Psicologia da Saúde, todos voltados para prevenção e promoção da saúde no universo infanto-juvenil. Tais realizações tem sido gratificantes pela acolhida que o público tem expressado e, especialmente, por poder estar em constante contato com o olhar e riso de ternura da criança a todo momento. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem da artista plástica brasileira Domitila Stabile de Oliveira


Curtindo o álbum Clara Schumann: lieder e piano solo (2011), com as obras eruditas da pianista e compositora alemã Clara Schumann (1819-1896), com a cantora, professora de canto, pesquisadora e integrante do coral da Osesp e da Audi Coelum, Clarissa Cabral, e a pianista, professora e pesquisadora Eliana Monteiro da Silva.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Na programação: Os Trapalhões, Charlie Brown Jr, Gabriel, Os Três Porquinhos, Família dos Anjos, Cristina Mel, dicas para uma boa saúde para as crianças e para todos nós, Aline Barros & Cia, Galinha Pintadinha, Leão Cordeirinho, As Esquiletes, Nita, Meimei Corrêa, Maisa & muito mais poemas, brincadeiras e dicas pra garotada. No blog, além da literatura infantil de Antonio Torres e dicas de Psicologia, Educação, Direito, Literatura, Música e Teatro, também consta a parceria MC Produções/Edições Nascente/Alan Miranda e Câmara de Vereadores de Três Corações, realizando o curso de oratória nos dias 19 e 26 de setembro, para a Câmara Mirim coordenada pelo advogado e diretor geral, Heloisio Angelo Domintini – conhecido por Buluca -, e também pela coordenadora cultural, Francesmara Valim Silva Pereira. Para conferir tudo isso e muito mais ao vivo e online clique aqui ou aqui.

PSICOLOGIA DA LIBERTAÇÃO – No livro Psicologia Social para a América Latina: o resgate da Psicologia da Libertação (Alínea,2009), organizado por Raquel Guzzo e Fernando Lacerda Jr, encontro o artigo Para uma Psicologia da Libertação, do psicólogo social e filósofo espanhol Ignácio Martin-Baró (1942-1989), do qual destaco o trecho: Com base em uma perspectiva geral, deve-se reconhecer que a contribuição da Psicologia, como ciência e como práxis, à história dos povos latino-americanos é extremamente pobre. Certamente, não faltaram psicólogos preocupados com os grandes problemas do subdesenvolvimento, dependência e opressão que agoniam os nossos povos. Mas, na hora de se materializar, em muitos casos, essas preocupações tiveram de ser canalizadas por meio de um compromisso político pessoal, à margem da Psicologia, cujos esquemas eram inoperantes para responder às necessidades populares. [...] Os modelos dominantes na Psicologia fundam-se em uma serie de pressupostos que apenas raramente são discutidos e aos quais, cada vez menos, se propõem alternativas. Mencionarei cinco desses pressupostos que, em minha opinião, têm marcado as possibilidades da Psicologia latino-americana: o positivismo, o individualismo, o hedonismo, a visão homeostática e o a-historicismo. [...] se quisermos que a Psicologia realize alguma contribuição significativa à história de nossos povos, se, como psicólogos, queremos contribuir para o desenvolvimento social dos países latino-americanos, necessitamos redefinir nossa bagagem teórica e prática, mas redifini-la valendo-nos da vida de nossos próprios povos, de seus sofrimentos, de suas aspirações, de suas lutas. [...] Com inspiração na Teologia da Libertação podemos propor três elementos essenciais para a construção de uma Psicologia da Libertação dos povos latino-americanos: um novo horizonte, uma nova epistemologia e uma nova práxis [...]. Veja mais aqui e aqui.

ESSA TERRA – No romance Essa terra (Record, 1976), do premiadíssimo escritor, jornalista e ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, Antônio Torres, destaco os trechos seguintes: O Junco: um pássaro vermelho chamado Sofrê, que aprendeu a cantar o Hino Nacional. Uma galinha pintada chamada Sofraco, que aprendeu a esconder os seus ninhos. Um boi de canga, o Sofrido. De canga: entra inverno, sai verão. A barra do dia mais bonita do mundo e o pôr-do-sol mais longo do mundo. O cheiro do alecrim e a palavra açucena. E eu, que nunca vi uma açucena. Sons de martelo amolando as enxadas, aboio nas estradas, homens cavando o leite da terra. O cuspe do fumo mascado da minha mãe, a queixa muda do meu pai, as rosas vermelhas e brancas da minha avó. As rosas do bem-querer:-Hei de te amar até morrer. Essa é a terra que me pariu.-Lampião passou por aqui.-Não, não passou. Mandou recado [...] Ora, ele lá ia ter tempo de passar neste fim de mundo? [...] Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Cresce logo, menino, pra você ir para São Paulo. Aqui vivi e morri um pouco todos os dias. No meio da fumaça, no meio do dinheiro. Não sei se fico ou se volto. Não sei se estou em São Paulo ou no Junco [...] — Qualquer pessoa deste lugar pode servir de testemunha. Qualquer pessoa com memória na cabeça e vergonha na cara. Eu vivia dizendo: um dia ele vem. Pois não foi que ele veio? — O senhor está com razão. — Ele mudou muito? Espero que ao menos não tenha esquecido o caminho lá de casa. Somos do mesmo sangue. — Não esqueceu, não, tio — respondi, convencido de que estava fazendo um esclarecimento  necessário não apenas a um homem, mas a uma população inteira, para quem a volta  do meu  irmão parecia ter mais significado do que quando dr. Dantas Júnior veio anunciar que  havíamos entrado no mapa do mundo, graças a seu empenho e à sua palavra de deputado  federal bem votado. [...] — E eu sei que esse dia está perto. Ora vejam bem: nossos avós tinham muitos pastos, nossos pais tinham poucos pastos e nós não temos nenhum [...] Isso também está nas Sagradas Escrituras. Muitos pastos e poucos rastos. Poucas cabeças, muitos chapéus. Um só rebanho para um só pastor. [...] — Qualquer dia o Anticristo aparece. Será o primeiro aviso. Depois o sol vai crescer, vai virar uma bola do tamanho de uma roda de carro de boi e aí —dizia papai, dizia mamãe, dizia todo mundo. Ninguém disse, porém, se a vinda da Ancar estava nas Sagradas Escrituras. Ancar: o banco que chegou de jipe, num domingo de missa, para emprestar dinheiro a quem tivesse umas poucas braças de terra. [...] A mala me fez pensar no correio e nos envelopes gordos de antigamente, que chegava de mês em mês. Dinheiro vivo, paulista, rico. Também me lembrei de mamãe: — Tomara eu tivesse mais um filho igual a ele. Bastava um. Nelo, Nelo, Nelo. Um acalanto, uma toada, uma canção. Nelo, Nelo, Nelo. Miragens sobre o poente, nosso sol atrás da montanha, sumindo no fim do mundo. Nelo, Nelo, Nelo. São Paulo está lá para trás da montanha, siga o exemplo do seu irmão. Nelo, Nelo, Nelo. Éramos doze, contando uma irmã que já morreu. Só ele contava. Nelo, Nelo, Nelo. — Bastava mais um [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CIDADANIA, AUTO-RETRATO & A ARTE DE SER AMADA – Na Antologia Poética (Dom Quizote, 1999), da poeta e ativista social açoriana Natália Correia (1923-1993), destaco inicial o seu poema Cidadania: Buquê de ruídos úteis / o dia. O tom mais púrpura / do avião sobressai / locomovida rosa pública. / Entre os edifícios a acácia / de antigamente ainda ousa / trazer ao cimo a folhagem / sua dor de apertada coisa. / Um solo de saxofone excresce / mensagem que a morte adia / aflito pássaro que enrouquece / a garganta da telefonia. / Em cada bolso do cimento / uma lenta aranha de gás / manipula o dividendo / de um suicídio lilás. Também o seu Auto-retrato: Espáduas brancas palpitantes: / asas no exilio dum corpo. / Os braços calhas cintilantes / para o comboio da alma. / E os olhos emigrantes / no navio da pálpebra / encalhado em renúncia ou cobardia. / Por vezes fêmea. Por vezes monja. / Conforme a noite. Conforme o dia. / Molusco. Esponja / embebida num filtro de magia. / Aranha de ouro / presa na teia dos seus ardis. / E aos pés um coração de louça / quebrado em jogos infantis. Por fim, o seu belíssimo A arte de ser amada: Eu sou líquida mas recolhida / no íntimo estanho de uma jarra / e em tua boca um clavicórdio / quer recordar-me que sou ária / aérea vária porém sentada / perfil que os flamingos voaram. / Pelos canteiros eu conto os gerânios / de uns tantos anos que nos separam. / Teu amor de planta submarina / procura um húmido lugar. / Sabiamente preencho a piscina / que te dê o hábito de afogar. / Do que não viste a minha idade / te inquieta como a ciência / do mundo ser muito velho / três vezes por mim rodeado / sem saber da tua existência. / Pensas-me a ilha e me sitias / de violinos por todos os lados / e em tua pele o que eu respiro / é um ar de frutos sossegados. Veja mais aqui.

CÓCEGAS & MUITA CALMA NESSA HORA – O trabalho da belíssima atriz e humorista Heloisa Perissé teve início na televisão com o programa Escolinha do Professor Raimundo, quando nasceu a parceria dela com a sua amiga, a atriz Ingrid Guimarães para a encenação da peça Cócegas, seu primeiro trabalho teatral que ficou em cartaz durante anos. Seguindo-se, então, sua participação nas peças teatrais Cosquinha, Advocacia segundo os Irmãos Marx, o Mágico de Oz e, por fim, W foram quase felizes para sempre. Ao mesmo tempo que participou dos filmes Avassaladoras (2002), Lara (2002), Lisbela e o prisioneiro (2003), Xuxa abracadabra (2003), Sexo, amor e traição (2004), Madafascar (2005), Os porralokinhas (2007), Madagascar 2 (2008), Muita calma nessa hora (2010), Madagascar 3 – os procurados (2012), O diário de Tati (2012), Odeio o dia dos namorados (2013) e Muita calma nessa hora (2014). Além disso, ela tem marcado presença constante em novelas, séries e programas humorísticos da televisão, consolidando seu prestígio de talentosa atriz e projetando uma trajetória invejável e digna de aplausos de pé. Veja mais aqui.

LÁBIOS SEM BEIJOS – O drama e romance Lábios sem beijos (1930), dirigido pelo cineasta pioneiro do cinema brasileiro Humberto Mauro (1897-1983), com roteiro de Ademar Gonzaga e trilha sonora do grupo francês DoubleCadence, foi o primeiro filme produzido pela Cinédia na fase do cinema mudo, contando a história da afronta moral de uma moça de família que mente ao dizer que vai a um baile e, ao invés disso, vai passear e ficar com as juras de um amor eterno com o seu namorado, por meio de sequencias e planos movimentados pelo enredo que destaca a mulher não sujeita à submissão e ao recato, batendo de frente com o conservadorismo e positivismo da sociedade dos anos 1920. Terno e de uma delicadeza sem precedentes, o filme representa um marco para o cinema nacional, destacando-se, evidentemente, o talento do seu diretor que além de ser um pioneiro do cinema brasileira, é também um dos nomes de maior destaque para a cinematografia pátria. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de homenagear a ativista autista e doutora estadunidense de ciência animal Temple Grandin, que sendo autista (Síndrome de Asperger) revolucionou as práticas para o tratamento racional de animais vivos.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, a partir do meio dia com a reprise de toda programação da semana, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

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SKARMETA, MICHELET, ALDA LARA, IBERÊ CAMARGO & PANELAS

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