segunda-feira, fevereiro 02, 2015

JAMES JOYCE, IEMANJÁ, LENINE, AYN RAND, SIMONET ELISA LUCINDA & PAULA BURLAMAQUI


O SONHO DE ORUNGAN – Imagem: Iemanjá, de Alina Zenon - Foi naquela manhã de 2 de fevereiro que nasci pelo dever de Afrodite. E foi quando ela me deu o poder de todos os poderes e me fez o reinar entre o céu e a terra. Ela era a manhã mais brilhante de Yemoja, a mãe da vida e de todos os orixás. Do seu lado, seu irmão Aganju, certificando a minha filiação pra reinar ao meio dia. Ele se foi e ela me deu o cajado da gloria na sua libação sobre o meu sexo, a me fazer o amor proibido, o segredo de ser o primeiro orixá do panteão. E me fez seu espelho para se pentear nua e altaneira; deu-me a sua beleza pra que eu me tornasse irresistível e passasse a habitar na pele de todas as pessoas e todos os seres. E me acarinhou maternal para que eu tivesse o afago mais terno do universo e me banhou com todas as suas águas de suas entranhas e poros, e me cuidou de forma tão terna com todos os poderes de mãe e de deusa; e me fez crescer na vida e na sua predileção como um deus viril e priápico pro seu próprio prazer; e me elevou aos céus e eu inchei e cresci na sua mão suprema e fui invadido por seus mil encantos de adorada Janaína presenteada com a minha viga nua a lhe dar mais majestade para sua inconfundível beleza de Iansã, com toda a graça e formosura de cavalgar o meu mastro feito OIaká, reinando sobre todos os terreiros dos candomblés de caboclo. E na sua volúpia a me ninar feito Nossa Senhora do Rosário a proteger a minha alma negra e com seu potencial materno glorificou a minha masculinidade para se tornar Olovun e me criou e me fez criar e me deu vida para tirar de mim os raios de Zeus, as flechas de Eros e o cajado de Aarão; e sobre o meu falo túrgido e inchado esgueirou-se e se fez cheia dos prazeres de todas as querências como Dona Maria de todos os quitutes e guloseimas do meu paladar; e provocou a minha libido para energizar a sua matriz vital de Inaê; e se excedeu na minha seiva que lubrificou o seu ventre de Dandalunda a fazer emergir todos os orixás para governar o mundo; e dos seus lindos e longos seios maternos de Mukune emergiram os cursos que se fizeram caudalosos rios com o seu domínio sobre as águas reinado por toda costa atlântica e a se confirmar minha mãe Iemanjá, a grande senhora de muitos nomes, a rainha das águas e mãe de todos os deuses, a minha sina de vassalo e a quem rendo graças e dou-lhe a minha vida como oferenda eterna.© Luiz Alberto Machado.

Imagem: El Juicio de Paris (1904) do pintor espanhol Enrique Simonet (18660-1927)

Curtindo o show Cité (2006) do cantor e compositor Lenine.

EVELINE DOS DUBLINENSES – O escritor irlandês James Joyce (1882-1941), em um dos seus livros, Berlinenes, traz a narrativa denominada de Eveline: Sentada à janela, contemplava o crepúsculo invadir a avenida. Recostara a cabeça na cortina e sentia o odor poeirento de cretone. Estava cansada. [...] Havia concordado em partir, em deixar seu lar. [...] Mas em seu novo lar, num país desconhecido e longínquo, tudo seria diferente. Estaria casada, ela, Eveline. As pessoas iriam tratá-la com respeito, não sofreria como sua mãe. Mesmo agora, aos dezenove anos, era às vezes ameaçada pela violência do pai. Sabia que era essa a causa de suas palpitações. Por ser menina, ele nunca se importava com ela quando criança, como fizera com Harry e Ernest. Nos últimos tempos, porém, dera para ameaçá-la e dizer que só cuidava dela em respeito à memória de sua mãe. E já não havia ninguém para protegê-la. [...] Dizia que ela desperdiçava, que não tinha cabeça, que não daria seu dinheiro, duramente ganho, para ser jogado fora, e coisas ainda piores, pois geralmente estava embriagado no sábado à noite. Acabava por entregar-lhe o dinheiro, perguntando-lhe se ia ou não comprar mantimentos para o almoço de domingo. [...] Era trabalho duro, vida dura, mas agora que ia partir, não a julgava uma vida totalmente indesejável… estava prestes a tentar uma existência nova com Frank. [...] Enquanto divagava, a pesarosa visão da vida de sua mãe feria-a na própria carne:  uma existência de sacrifícios banais terminada em loucura. Estremeceu ao recordar-lhe a voz, gritando em desvairada insistência – Derevaum seraum! Derevaum Saraum! [...] Turbilhonando, os mares do mundo envolviam seu coração. Frank arrastava-a para eles: ia naufragá-la. Com ambas as mãos, agarrou-se às grades de ferro: -Vem! Não! Não! Não! Era impossível. Em desespero, suas mãos crispavam-se. Do vórtice que submergia, lançou um grito de angustia. – Eveline! Evvy! Frank precipitou-se para o outro lado da barreira e gritou-lhe que o seguisse. Ordenavam-lhe que se movesse, mas continuava a chamar por ela. O rosto pálido, inerte. Eveline fitava-o como um animal condenado. Não havia em seus olhos sinal de amor ou de saudade. Parecia nem mesmo reconhecê-lo. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A FILOSOFIA OBJETIVISTA – A escritora, dramaturga, roteirista e filósofa norte-americana Alisa Zinov'yevna Rosenbaum, ou apenas Ayn Rand (1905-1982), desenvolveu o sistema filosófico chamado de Objetivismo; “Minha filosofia, em essência, é o conceito do homem como um ser heroico, cuja própria felicidade é o propósito de sua vida, com a produtividade como sua atividade mais nobre, e a razão como seu único absoluto”.  O seu pensamento é de que: [...] o homem deve definir seus valores e decidir suas ações à luz da razão; que o indivíduo tem o direito de viver por amor a si próprio, sem ser obrigado a se sacrificar pelos outros e sem esperar que os outros se sacrifiquem por ele; que ninguém tem o direito de usar força física para tomar dos outros o que lhes é valioso ou de impor suas ideias sobre os outros. Veja detalhes aqui.

SÓ DE SACANAGEM: CHUPETAS, PUNHETAS, GUITARRAS – A maravilhosa atriz, jornalista, poeta e cantora Elisa Lucinda dos Campos Gomes, ou simplesmente Elisa Lucinda, entre suas obras, escreveu o texto Só de sacanagem: Meu coração está aos pulos! / Quantas vezes minha esperança será posta à prova? / Por quantas provas terá ela que passar? / Tudo isso que está aí no ar, / alas, cuecas que voam / entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo / duramente para educar os meninos mais pobres que eu, / para cuidar gratuitamente / a saúde deles e dos seus / pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e /eu não posso mais. / Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança / vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança / vai esperar no cais? / É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o / aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus / brasileiros venha quebrar no nosso nariz. / Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao / conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e / dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva / o lápis do coleguinha", / "Esse apontador não é seu, minha filhinha"./ Ao invés disso, tanta coisa nojenta e / torpe tenho tido / que escutar./ Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca / tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica / ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao / culpado interessará. / Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do / meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: / mais honesta ainda vou ficar. / Só de sacanagem! / Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo / o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse / o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu / irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a / quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. / Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o / escambau. / Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde / o primeiro homem que veio de Portugal". / Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. / Eu repito, ouviram? IMORTAL! / Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente / quiser, vai dá para mudar o final! E de quebra, trago também Chupetas Punhetas Guitarras: Choram meus filhos pela casa / fraldas colos fanfarras / Meus filhos choram querendo talvez meu peito / ou talvez o mesmo único leito que / reservei pra mim / Assim aprendi a doar / com o pranto deles / Na marra aprendi a / dar mundo a quem do mundo é /A quem ao mundo pertence e de quem sou mera / babá / Um dia serei irremediavelmente defasada, démodé / Meus filhos berram meu / nome função / querendo pão, ternura, verdade e ainda possibilidade de ilusão / Meus filhos cometem travessuras sábias/ no tapa bumerangue da malcriação / Eu que por eles explodi buceta afora afeto adentro / ingiro sozinha o ouro excremento desta generosidade / Aprendo que não valho nada em mim / Que criar pessoa é criar futuro / não há portanto recompensa, indenização / mesquinhas voltas, efêmeros trocos. / Choram pela casa e eu ouço sem ouvidos / porque meus sentidos vivem / agora sob a égide da alma / Chupetas punhetas guitarras / meus filhos babam / conhecimentos da nova era/ no chão de minha casa. / Essa deve ser minha felicidade. /Aprendo a dar meu eu, aquilo que não tem cópia / tampouco similar /E o tempo, esse cuidadoso alfaiate, não me conta nada/ Assíduo guardador dos nossos melhores segredos / sabe o enredo da estória/ Vai soprando tudo aos poucos e muito aos pouquinhos / Faz eu lembrar que meu pai também já foi pequenininho/ Que só por ele ter podido ser meu ontem / Só por ele ter fodido com desesperado desejo minha mãe / um dia eu existi. / Choram meus filhos pela Nasa onde passeamos planetas e reveses / Eu escuto seus computadores, eu limpo suas fezes / faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles / assino um documento onde aceito de bom grado / lhes ter sido a mala o malote a estrela guia / Um dia eles amarão com a mesma grandeza que eu / uma pessoa que não pode ser eu / Serão seus filhos suas mulheres seus homens / Eu serei aquela que receberá sua escassa visita / Não serei a preferida. / Serei a quem se agradece displicente / pelo adianto, pela carona / de poderem ter sido humanidade. / Choram meus filhos pela casa / Eu sou a recessiva bússola / a cegonha a garça / com um único presente na mão: / Saber que o amor só é amor quando é troca / E a troca só tem graça quando é de graça. Veja mais aqui.


DAS NOVELAS PRO CINEMA – A lindíssima atriz Paula Burlamaqui começou como vencedora do concurso Garota do Fantástico, de 1987, estreando dois anos depois numa das novelas da emissora global, se transferindo depois para outra rede de TV, até posar para Playboy que foi quando a vi pela primeira vez, em 1996, o que me fez prestigiá-la no cinema por suas participações em A História de O (1992), O Circo das Qualidades Humanas (2000), Procuradas (2004) e Reis e Ratos (2012), entre outros, razão pela qual ela integra entre as titulares do time da nossa campanha Todo dia é dia da mulher. Veja mais aqui.



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