quinta-feira, julho 31, 2014

RETORNO DA DEUSA, DE EDWARD C. WHITMONT



Sou aquela que é a mãe natureza de todas as coisas, senhora e regente de todos os elementos, progenitora inicial dos mundos, chefe dos poderes divinos e rainha de todos que estão no inferno, soberana daqueles que habitam o céu, manifesta através de uma só e única forma em todos os deuses e deusas. Os planetas do céu, os ventos salutares que sopram do mar e o os silêncios lamurientos do inferno estão dispostos segundo minha vontade. Meu nome, minha divindade, é adorada em todas as partes do mundo, de diversas maneiras, com costumes variados e segundo várias denominações”.
(Discurso da deusa, Apuleio, O asno de ouro).

RETORNO DA DEUSA – O livro O retorno da deusa, de Edward Christopher  Whitmont (1912-1998), aborda temas como o dilema moderno, a consciência em evolução, os mitos patriarcais, um mito para nossa época, visão para uma nova era, desejo, violência, agressão, mito, Dioniso e Apolo, a morte de Deus, o bode expiatório, o feminino e a repressão, ética, individuação e destino, entre outros assuntos.

Oh Mãe, enlouquece-me com teu amor!
Que necessidade tenho eu de conhecimento ou razão?
Embriaga-me com o Vinho do Teu Amor,
Oh, tu que roubas o coração de Teus bhaktas
Afoga-me no fundo do mar de Teu amor!
(Deusa Mãe, canção entoada por devotos hindus - bhakta)

UMA TEOFANIA MODERNA – CAPÍTULO 1 – “Uma mulher dona de casa tiranizada... carente de lugar e propósito, repleta de fel... era como ela se descrevia. Estava à beira de um sério colapso. Há cerca de um ano, começara a ouvir uma voz que lhe ordenava pegar uma faca e com ela esfaquear e esquartejar seu único filho, um menino de cinco anos. Ela resistia, mas estava aterrorizada. A voz insistia, incessante. E continuou chamando, até ela sentir que estava usando toda a sua força e seu poder pessoal para resistir. Não ousava olhar para objetos pontiagudos nem se aproximar do filho, com receio de que sua resistência esmorecesse e ela o atacasse fisicamente. Assustada, desesperada, procurou socorro psiquiátrico. Seu primeiro terapeuta investigou com ela os principais acontecimentos de sua infância e casamento. Ela havia crescido numa pequena cidade; sua família era de classe media e conservadora. Havia pouco afeto genuíno, e só uma porção ainda mais reduzida dele podia ser abertamente manifestada. No lugar do amor havia a pressão para ser alegre e bem-sucedida, para se conformar, para fazer o melhor possível (segundo os ditames petrificados de sua mãe, da Igreja e da escola). As crianças aprenderam a ocultar seus sentimentos. Manifestações de necessidades individuais e sexuais eram tabu. Seus pais a tinham forçado a romper um apaixonado romance infantil, porque ali não havia futuro. A seguir, ela desposara um professor de ginásio, inteligente e instruído, que considerava entediante e ineficaz. Seu primeiro terapeuta diagnosticara com exatidão uma enorme quantidade raiva reprimida, primeiro contra a mãe dominadora que a havia frustrado em seu desenvolvimento emocional e sexual, e depois contra as circunstancias da vida, em particular seu casamento, que sustentava seu cativeiro e, assim lhe parecia, anulava quaisquer esperanças de encontrar em si mesma um autentico ser humano. Também tinha raiva dos homens de sua vida, do pai ausente e do marido fraco (pelo menos a seu ver). Também era claro que a atmosfera e os valores restritivos de sua infância tinham produzido uma espécie de paralisia psicológica. A religião e a moralidade tradicionais não tinham conseguido conferir-lhe um senso eficiente de individualidade nem dar um significado à sua vida, e a ameaça iminente de destruição proveniente de uma violência perigosamente contida tornara-se completamente real. Sendo uma mulher inteligente, compreendia as razões de seus padecimentos e apreendia o ódio e o ressentimento assim engendrados, mas compreender a crise e os motivos de sua existência de nada adiantavam. A voz continuava dizendo-lhe que matasse seu filho [...]”

O céu é meu, a terra é minha / Eu sou guerreira eu sou / Há algum deus que possa medir-se comigo? / Os deuses são pardais, eu sou falcão / Os deuses fazem rodízio / Eu sou uma esplêndida vaca selvagem”.
(Canção de Inanna).

O espírito da fonte nunca morre.
É o mistério feminino,
E à porta da fêmea escura
Encontra-se a raiz do céu e da terra.
É frágil, frágil, mal existe;
Mas toca-a; nunca se esgota.
(Lao Tse, Tao Te Ching)

REFERÊNCIA
WHITMONT, Edward. O retorno da desua. São Paulo: Summus, 1991. Veja mais Trajetória da Mulher.


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