sábado, junho 14, 2014

TEMPO & EXPRESSÃO LITERÁRIA & TOTEM E TABU DE FREUD



TEMPO E EXPRESSÃO LITERÁRIA – O livro “Tempo e expressão literária” do doutor em Letras e catedrático das universidades de Buenos Aires e La Plata, Raúl H. Castagnino é dividida em duas partes: tempo e literatura, a primeira. E a segunda: tempo e teatro. Na primeira parte o autor trata acerca da dimensão tempo, da distância interior, a época, o tempo objetivo, subjetivo e psicológico em relação à lírica e ao romance. Na segunda parte trata acerca do fato teatral e o fato literário ante o tempo, o aristotelismo e o antiaristoteliosmo, o tempo relativista e o atual, J. W. Dunne e o tempo serial, Dunne e o tempo e os Conways de Priestley, o valor de teatro ou de ilustração de teorias e uma síntese bibliográfica. Veja mais aqui.

FONTE:
CASTAGNINO, Raul. Tempo e expressão literária. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

TOTEM E TABU DE FREUD - [...] uma coisa que é proibida com a maior ênfase deve ser algo que é desejado [..] onde existe uma proibição tem de haver um desejo subjacente. [...] Se uma só pessoa consegue gratificar o desejo reprimido, o mesmo desejo está fadado a ser despertado em todos os outros membros da comunidade. A fim de sofrear a tentação o transgressor invejado tem de ser despojado dos frutos de seu empreendimento e o castigo, não raramente, proporcionará àqueles que o executam uma oportunidade de cometer o mesmo ultraje, sob a aparência de um ato de expiação. Na verdade, este é um dos fundamentos do sistema penal humano e baseia-se, sem dúvida corretamente, na pressuposição de que os impulsos proibidos encontram-se presentes tanto no criminoso como na comunidade que se vinga. Nisto, a psicanálise apenas confirma o costumeiro pronunciamento dos piedosos: todos nós não passamos de miseráveis pecadores. [...] Na raiz da proibição existe sempre um impulso hostil contra alguém que o paciente ama - um desejo de que essa pessoa morra. Esse impulso é reprimido por uma proibição e esta se liga a algum ato específico, que, por deslocamento, represente talvez um ato hostil contra a pessoa amada. Existe uma ameaça de morte se o ato for realizado. Mas o processo vai além e o desejo original de que a pessoa morra é substituído pelo medo de que ela possa morrer. Assim é que, quando a neurose parece ser tão compassivamente altruísta, está simplesmente compensando uma atitude subjacente contrária de brutal egoísmo. Podemos descrever como ‘sociais’ as emoções que são determinadas pelas demonstrações de consideração por outra pessoa, sem tomá-la como objeto sexual. O recuo ao que está por trás desses fatores sociais pode ser ressaltado como uma característica fundamental da neurose, embora se trate de uma característica que é posteriormente disfarçada pela supercompensação. [...] Assim o fato que é característico da neurose é a preponderância dos elementos sexuais sobre os elementos instintivos sociais. Os instintos sociais, contudo, derivam-se eles próprios de uma combinação de componentes egoísticos e eróticos em totalidades de um tipo especial. [...] Poder-se-ia sustentar que um caso de histeria é a caricatura de uma obra de arte, que uma neurose obsessiva é a caricatura de uma religião e que um delírio paranóico é a caricatura de um sistema filosófico. [...] A natureza associal das neuroses tem sua origem genética em seu propósito mais fundamental, que é fugir de uma realidade insatisfatória para um mundo mais agradável de fantasia. O mundo real, que é assim evitado pelos neuróticos, acha-se sob a influência da sociedade humana e das instituições coletivamente criadas por ela. Voltar as costas à realidade é, ao mesmo tempo, afastar-se da comunidade dos homens. [...] A raça humana, se seguirmos as autoridades no assunto, desenvolveu, no decurso das eras, três desses sistemas de pensamento - três grandes representações do universo: animista (ou mitológica), religiosa e científica. Destas, o animismo, o primeiro a ser criado, é talvez o mais coerente e completo e o que dá uma explicação verdadeiramente total da natureza do universo. [...] Com esses três estágios em mente, pode-se dizer que o animismo em si mesmo não é ainda uma religião, mas contém os fundamentos sobre os quais as religiões posteriormente foram criadas. É evidente também que os mitos se baseiam em premissas animistas, embora os pormenores da relação entre os mitos e o animismo pareçam estar inexplicados em alguns aspectos essenciais. [...] A feitiçaria seria, então, a arte de influenciar espíritos tratando-os da mesma maneira como se tratariam seres humanos em circunstâncias semelhantes: apaziguando-os, corrigindo-os, tornando-os propícios, intimidando-os, roubando-lhes o poder, submetendo-os à nossa vontade - através dos mesmos métodos que se têm mostrado eficazes com homens vivos. A magia, por outro lado, é algo diferente: fundamentalmente, ela despreza os espíritos e faz uso de procedimentos especiais e não dos métodos psicológicos do dia-a-dia. É fácil imaginar que a magia é o ramo mais primitivo e mais importante da técnica animista, porque, entre outros, os métodos mágicos podem ser utilizados para tratar com os espíritos e a magia pode ser aplicada também a casos onde, segundo nos parece, o processo de espiritualização da natureza ainda não foi realizado. [...] A magia tem de servir aos mais variados propósitos - ela deve submeter os fenômenos naturais à vontade do homem, proteger o indivíduo de seus inimigos e de perigo, bem como conceder-lhe poderes para prejudicar os primeiros. Mas o princípio em cuja pressuposição a ação mágica se baseia - ou, mais propriamente, o princípio da magia - é tão notável que nenhuma das autoridades deixou de identificá-lo. [...] Apenas em um único campo de nossa civilização foi mantida a onipotência de pensamentos e esse campo é o da arte. Somente na arte acontece ainda que um homem consumido por desejos efetue algo que se assemelhe à realização desses desejos e o que faça com um sentido lúdico produza efeitos emocionais - graças à ilusão artística - como se fosse algo real. As pessoas falam com justiça da ‘magia da arte’ e comparam os artistas aos mágicos. Mas a comparação talvez seja mais significativa do que pretende ser. Não pode haver dúvida de que a arte não começou como arte por amor à arte. Ela funcionou originalmente a serviço de impulsos que estão hoje, em sua maior parte, extintos. E entre eles podemos suspeitar da presença de muitos intuitos mágicos. [...] Ao concluir, então, esta investigação excepcionalmente condensada, gostaria de insistir em que o resultado dela mostra que os começos da religião, da moral, da sociedade e da arte convergem para o complexo de Édipo. Isso entra em completo acordo com a descoberta psicanalítica de que o mesmo complexo constitui o núcleo de todas as neuroses, pelo menos até onde vai nosso conhecimento atual. Parece-me ser uma descoberta muito surpreendente que também os problemas da psicologia social se mostrem solúveis com base num único ponto concreto: - a relação do homem com o pai. É mesmo possível que ainda outro problema psicológico se encaixe nesta mesma conexão. Muitas vezes tive ocasião de assinalar que a ambivalência emocional, no sentido próprio da expressão - ou seja, a existência simultânea de amor e ódio para os mesmos objetos - jaz na raiz de muitas instituições culturais importantes. Não sabemos nada da origem dessa ambivalência. Uma das pressuposições possíveis é que ela seja um fenômeno fundamental de nossa vida emocional. Mas parece-me bastante válido considerar outra possibilidade, ou seja, que originalmente ela não fazia parte de nossa vida emocional, mas foi adquirida pela raça humana em conexão com o complexo-pai, precisamente onde o exame psicanalítico de indivíduos modernos ainda a encontra revelada em toda a sua força. TOTEM E TABU – O livro Totem e tabu & outros trabalhos, de Sigmund Freud, aborda temas como o horror ao incesto, totemismo, exogamia, tabu e ambivalência emocional, expiação ou purificação, fixação psíquica, ritos de apaziguamento, tabu aos mortos, função do luto, tabu e a neurose, animismo, magia, onipotência dos pensamentos, senso de culpa, deslocamento, perturbações psiconeuróticas, autocensuras obsessivas, animismo, narcisismo, animatismo, o retorno do totemsmo na infância, teorias nominalistas, teorias sociológicas, teorias psicológicas, as fobias, o sacrifício, o totemismo e as religiões, a doutrina do pecado original e um posfácio contendo os interesses científicos, psicológicos, fisiológicos, filosóficos, biológicos, do desenvolvimento, sociológico e educacional da psicanálise, observações e exemplos da prática analítica, sonhos, fausse reconnaissance (déja raconte) no tratamento psicanalítico, Pitágoras, Moises de Michelangelo e um post escript com algumas reflexões sobre psicologia escolar. 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REFERÊNCIA
FREUD, Sigmund. Totem e tabu & outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996.


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