domingo, agosto 18, 2013

A UTOPIA DE THOMAS MORE


A UTOPIA DE THOMAS MORE - Thomas More (ou Thomas Morus, 1478- 1535) foi mártir, patrono dos advogados, Lorde Chanceler da Inglaterra, escritor e filósofo, pensador humanista de origem inglesa e representante das ideologias humanistas renascentistas do século XVI. Por ter pedido demissão do cargo ao rei, defendido Ana Bolena, uma das esposas de Henrique VII, em 1533, se recusado a assistir a coroação do rei e não prestando fidelidade aos seus descendentes, foi condenado a prisão perpétua e, posteriormente, condenado à morte por crime de alta traição. Foi, por isso, decapitado em 1535. Ao longo dos cinco séculos da obra, muitos sonhos com ideal utópico de um mundo justo e igualitário foram alimentados por esse escrito, comungados com o ideal da terra prometida bíblica, eldorado, Canaã, éden terrestre.


A UTOPIA - Obra escrita em 1516, conta o encontro do autor numa praça frente à catedral, na Antuérpia, com seu amigo Pedro Gil que presenciam os relatos da viagem do personagem Rafael Hitlodeu, viajante da expedição de Américo Vespúcio ao continente hoje americano, apresentando uma ilha imaginária onde todos conviviam em harmonia e em favor do bem comum, com liberdade religiosa. Há que se entender que a palavra Utopia é deriva do grego ouk com sentido de negação e topos que traduz a ideia de lugar. Adquire, pois, a palavra sentido de quimera, imaginário, sonho inalcançável. Entretanto, para o autor que antagonizava com o feudalismo da época, a sociedade ideal é aquela apresentada por Platão, em A República, e nos ideais de Tomás de Aquino, realizando com sua obra uma critica social, religiosa e política da Inglaterra de Henrique VIII e o seu Anglicanismo, num ataque amargo à sociedade do Renascimento cristão europeu.

Na primeira parte do livro, o autor descreve os problemas sociais da Europa, dividida pelo egoísmo e ambição de poder e riqueza. Narra que na Utopia, as leis são pouco numerosas; a administração distribui indistintamente seus benefícios por todas as classes de cidadãos.

Na segunda parte do livro, dá-se a descrição física da ilha, e o acontecimento histórico sobre a conquista da terra por um sábio, o rei Utopus, que dá origem ao sistema perfeito. Descreve a sociedade perfeita baseada na inexistência da propriedade privada e na colocação das necessidades coletivas acima dos interesses individuais, dividida por cidadãos livres e escravos que são os prisioneiros de guerra ou criminosos condenados, hierarquia social definida pela idade, mulheres com igualdade de direitos e a força produtiva baseada no trabalho do cidadão livre.

Na parte Das Cidades da Utopia e Particularmente de Amaurota,, narrando que todas as cidades são praticamente iguais, então aqui será descrita somente a capital. Amaurota fica às margens do rio Anidra e de outro pequeno rio que abastece a cidade através de uma rede de canos de barro e cisternas. A cidade é cercada por muralha e fossos. As ruas e praças são largas e espaçosas, as casas são de posse comum e seus habitantes se mudam a cada dez anos.
Na parte Dos Magistrado, ele trata acerca dos filarcas e da protofilarca que escolhem um príncipe que será vitalício, mas o príncipe pode ser deposto a qualquer momento que se suspeite de tirania.
Na parte denominada de Artes e Oficios, continua o autor tratando acerca da agricultura, vestuário, a divisão do tempo entre o trabalho e o estudo.
Na parte Das relações mútuas entre os cidadãos, o autor narra da composição das famílias, a autoridade familiar, os quatro hospitais com ótimo atendimento, isolamento e estoque de remédios e dos escravos que são encarregados dos trabalhos mais penosos.
Apresenta na parte Viagem dos Utopianos o comércio e a riqueza do lugar, as.crenças espirituais dos utopianos e seu interesse por leituras.
A parte dedicada aos Escravos, informa que todos os prisioneiros de guerra e os criminosos condenados são feitos escravos.
Na parte Da Guerra, tratando dos soldados, dos vizinhos zapoletas qie são bárbaros, ferozes e selvagens, e da criação dos rebanhos.
Já na parte Religiões da Utopia, descreve sobre meditação e silêncio nos templos, a existência de materialistas e a diversidade religiosa do lugar. Em oposição ao materialismo ateu, existe um sistema inteiramente diferente e como não é perigoso pode ser professado livremente. Eles acreditam que todos os seres vivos têm alma e elas são imortais como a do homem. A maioria dos utopianos acredita na vida após a morte. E por isso não temem morrer e chora-se pelos doentes e nunca pelos mortos. Apesar das diferentes crenças, todas são praticadas no mesmo templo. Sempre buscando a harmonia entre todas as religiões.


Eis alguns excertos capturados no livro:

[...] Há por toda parte caminho para chegar a Deus [...] os príncipes cuidam somente da guerra (arte que me é desconhecida e que não tenho nenhum desejo de conhecer). Eles desprezam  as artes benfazejas da paz. Trata-se de conquistar novos reinados, e todos os meios lhe parecem bom; o sagrado e o profano, o crime e o sangue, não os detêm. Em compensação, ocupam-se muito pouco de bem administrar os Estados submetidos à sua dominação [...] esses mandriões são uma sementeira inesgotável para o exercito. Com efeito, os ladrões não são os piores soldados, como os soldados não são os ladrões mais tímidos; há muita analogia entre esses dois ofícios. Infelizmente, esta praga social não é particular à Inglaterra; corrói quase todas as nações. [...] Dir-se-ia mesmo que fazem guerras para ensinar o exercício ao soldado a fim de que, como escreveu Salústio, nesse grande matadouro humano, o coração ou a mão não se lhes entorpeçam no repouso. [...] é perfeitamente inútil dar conselhos quando se tem a certeza de que serão repelidos, quer na forma, quer no fundo. Ora, os ministros políticos de hoje, estão impregnados de erros e preconceitos; [...] Há covardia ou má fé em calar as verdades que condenam a perversidade humana, sob o pretexto de que serão escarnecidas como novidades absurdas ou quimeras impraticáveis. [...] Em toda parte onde a propriedade for um bem individual, onde todas as coisas se medirem pelo dinheiro, não se poderá jamais organizar nem a justiça nem a prosperidade social, a menos que denomineis justa a sociedade em que o que há de melhor é a partilha dos piores, e que considereis perfeitamente feliz o Estado no qual a fortuna pública é a presa de um punhado de indivíduos insaciáveis de prazeres, enquanto a massa é devorada pela miséria.
[...]
Cada grupo de trinta famílias escolhe, todos os anos, um magistrado, chamado sifogrante, na antiga linguagem, e filarco, na moderna. Encabeçando os dez sifograntes e suas famílias vem aquele que denominavam antigamente denominado de traníbora, e que hoje chamam protofilarco. Os sifogrante – duzentos ao todo – depois de jurarem eleger o melhor, designam, por voto secreto, um príncipe escolhido entre quatro candidatos propostos pelo povo: cada quarta parte da cidade aponta um candidato e o recomenda ao senado. [...] Eis o que invencivelmente me persuade que o único meio de distribuir os bens com igualdade e justiça, e de fazer a felicidade do gênero humano, é a abolição da propriedade. Enquanto o direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável não terá por quinhão senão miséria, tormentos e desesperos. [...] .esta massa imensa de gente ociosa parece-me inútil ao pais mesmo na hipótese de uma guerra [...] Eis o que invencivelmente me persuade que o único meio de distribuir os bens com igualdade e justiça, e de fazer a felicidade do gênero humano, é a abolição da propriedade. Enquanto o direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável não terá por quinhão senão miséria, tormentos e desesperos.

BIBLIOGRAFIA
COELHO,  Teixeira. O que é Utopia. São Paulo: Brasiliense, 1981.
FRANCO, Afonso Arinos et al. O Renascimento. Rio de Janeiro: Agir/Museu Nacional de Belas-Artes, 1978.
MORUS, Thomas – A Utopia. São Paulo: L&PM, 1997.


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