quinta-feira, março 07, 2013

PENSAMENTO GREGO: ANAXIMANDRO




PERÍODO NATURALISTA – OS JÔNIOS: ANAXIMANDRO. Concidadão de Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto viveu provavelmente entre 610 e 547 a.C, e escreveu uma obra “Da natureza”, de que ficou um fragmento textual. O elemento originário de todas as coisas seria, segundo ele, o indeterminado, o apeíron, que é infinito e em movimento perpetuo. Por isso, Anaximandro imagina a terra como uma coluna cilíndrica. Para ele, o universo teria resultado das modificações ocorridas num principio originário ou arché. Esse principio seria o apeíron, que se pode traduzir por infinito e/ou ilimitado. Desde a antiguidade, discute-se se o apeíron pode ser interpretado como infinitude espacial, como indeterminação qualitativa, ou se envolve os dois aspectos. Certo é que, para Anaximandro, o apeíron estaria animado por um movimento eterno, que ocasionaria a separação dos pares de opostos. No único fragmento que restou de sua obra, Anaximandro afirma que, ao longo do tempo, os opostos pagam entre si as injustiças reciprocamente cometidas. Para alguns interpretes isso significaria a afirmação da lei do equilíbrio universal, garantida através do processo de compensação dos excessos. Aristóteles observa que em Anaximandro “Tudo ou é principio ou procede de um principio, mas do ilimitado não há principio; se houvesse, seria seu limite. E ainda: sendo principio, deve também ser não engrendrado e o indestrutível, porque o que foi gerado necessariamente tem fim e há um término para toda destruição”. Nietzschie observa que dele “De onde as coisas têm seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade; pois tem de pagar penitencia e de ser julgadas por suas injustiças, conforme a ordem do tempo (...) o verdadeiro critério para o julgamento de cada homem é ser ele propriamente um ser que absolutamente não deveria existir, mas se penitencia de sua existência pelo sofrimento multiforme e pela morte: o que se pode esperar de um tal ser? Não somos todos pecadores condenados à morte? Penitenciamo-nos de nosso nascimento, em primeiro lugar, pelo viver e, em segundo, lugar, pelo morrer. (...) o que vale vosso existir? E, se nada vale, para que estais ai? Por vossa culpa, observo eu, demorai-vos nessa existência. Com a morte tereis de expiá-la. Vede como murcha vossa terra; os mares se retraem e secam; a concha sobre a montanha vos mostra o quanto já secaram; o fogo, desde já, destrói vosso mundo, que, no fim, se esvairá em vapor e fumo. Mas sempre, de novo, voltará a edificar-se um tal mundo de inconstância: quem seria capaz de livrar-nos da maldição do vir-a-ser?”. Também Martin Heidegger dele observa: “De onde as coisas tem seu nascimento, para lá também devem afundar-se na perdição, segundo a necessidade; pois elas devem expiar e ser julgadas pela sua injustiça, segundo a ordem do tempo (...) Ora, aquilo de onde as coisas se engendram, para lá também devem desaparecer segundo a necessidade; pois elas se pagam uma às outras castigo e expiação pela sua criminalidade segundo o tempo fixado. (...) Mas que direito possuem os primórdios de apelar a nós que somos provavelmente os mais tardios frutos da filosofia? Seremos os filhos tardios de uma história que agora se inclina rapidamente para o seu fim, fim que consuma tudo na ordem cada vez mais desolada do uniforme? Ou esconde-se, por acaso, na distancia cronológico-historica da sentença, uma proximidade historial do que nela não foi dito, mas que se pronuncia em direção ao futuro. (...) A sentença do pensar só se deixa traduzir no dialogo do pensar com o que nele é pronunciado. O pensar, contudo, é poematizar, e não somente no sentido da poesia e do canto. O pensar do ser é a maneira originária de poematizar. Somente nele, antes de tudo, a linguagem se torna linguagem, isto é, atinge sua essência. O pensar diz o ditado da verdade do ser. O pensar é o dictare originário. O pensar é o poematizar originário que precede toda a poesia, mas também o elemento poético da arte, na medida em que esta se torna obra, no seio do âmbito da linguagem. Todo o poematizar, tanto neste sentido mais amplo como no sentido mais restrito do poético, é, no seu fundo, um pensar. A essência poemática do pensar guarda o imperar da verdade do ser. Pelo fato de ela ditar enquanto pensa, a tradução do que a mais antiga sentença do pensar quereria dizer parece necessariamente violenta.(...) Ora, a partir daquilo do qual a geração é para as coisas, também o desaparecer dentro disto se engendra segundo o necessário; pois eles se dão justiça e penitencia reciprocamente pela injustiça, segundo a ordem do tempo. As coisas se desenvolvem e novamente se decompõem. A linguagem pode expressar tudo que pensamos claramente. Depende assim de nos atentar para a ocasião oportuna que nos permite pensar claramente a questão que a sentença traz à linguagem”.

FONTES:
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Atica, 2002.
PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luis. Historia da Filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
PESSANHA, José Américo Motta (Org). Os pré-socraticos. São Paulo: Abril, 1978.
SOUZA, José Cavalcante. Os pré-socrático. São Paulo: Abril, 1978.



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