quinta-feira, março 07, 2013

O PENSAMENTO GREGO: ANAXÍMENES




PERÍODO NATURALISTA – OS JÔNIOS: ANAXÍMENES
Anaxímenes (588-524 a.C.) é o último representante notável da escola jônica, autor de uma obra Da Natureza, de que não ficou quase nada. Foi discípulo de Anaximandro e seu continuador. Dedicou-se à meteorologia, foi o primeiro a considerar que a lua recebe a luz do sol. Era companheiro de Anaximandro. Pensa Anaxímenes que o principio das coisas seja o ar, ilimitado e em movimento incessante, de que todas as coisas derivam pela rarefação e condensação do mesmo ar. Como Tales, Anaximenes imagina a terra como um disco suspenso no ar. Suas idéias tiveram por característica básica explicar a origem do universo ou arché a partir de uma substância única fundamental.
Segundo Anaxímenes, a arkhé (comando) que comanda o mundo é o ar, um elemento não tão abstrato como o ápeiron, nem palpável demais como a água. Tudo provém do ar, através de seus movimentos: o ar é respiração e é vida; o fogo é o ar rarefeito; a água, a terra, a pedra são formas cada vez mais condensadas do ar. As diversas coisas que existem, mesmo apresentando qualidades diferentes entre si, reduzem-se a variações quantitativas (mais raro, mais denso) desse único elemento. Atribuindo vida à matéria e identificando a divindade com o elemento primitivo gerador dos seres, os antigos jônios professavam o hilozoísmo e o panteísmo naturalista. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol.
Refutando a teoria da água de Tales, e do ápeiron de Anaximandro, Anaxímenes ensinava que essa substância era o arinfinito, pneuma ápeiron. O universo resultaria das transformações do ar, da sua rarefação, o fogo, ou condensação, o vento, a nuvem, a água e a terra e por último pedra. Esse era o processo por qual passava uma substância primordial, e resultava na multiplicidade, os quatro elementos. Para ele, o ar tinha o eterno elemento.
Hegel diz que Anaxímenes ensina que nossa alma é ar, e ele nos mantém unidos, assim um espírito e o ar mantém unido o mundo inteiro. Espírito e ar são a mesma coisa. Isto quer dizer que em Anaxímenes a substância da origem volta a ser uma coisa determinada como em Tales. Ele identificou o ar talvez porque tenha visto seu movimento incessante, e que a vida e o ar andam juntos, na maioria dos casos. A respiração é um processo vivificante, dependemos dela durante toda a nossa vida. Ele via que no céu existem nuvens, e que a matéria possui diferentes graus de solidez. Ou seja, para ele o universo resultaria das transformações de um ar infinito, o pneuma apeíron. Aproveitando a sugestão oferecida pela técnica de fabricação de ferro, produzido por aglutinação de materiais dispersos, em grande expansão em Mileto de sua época, ele afirmava que todas as coisas seriam produzidas através do duplo processo mecânico de rarefação e condensação do ar infinito.
No entendimento de Hegel, em lugar de matéria indeterminada de Anaximando, põe ele novamente um elemento determinado da natureza, o absoluto numa forma real, em vez da água de Tales, o ar. Ele achava, com certeza, que para a matéria era necessário um ser sensível; e o ar possui, ao mesmo tempo, a vantagem de ser o mais liberto de forma. Ele é menos corpo que a água; não o vemos, apenas experimentamos seu movimento. Dele tudo emana e nele tudo se dissolve. Ele o determinou igualmente como infinito. Diógenes Laercio diz que o principio é o ar e o infinito, como se fossem dois princípios. Mas Simplicio diz expressamente que para Anaximenes o ser originário foi uma natureza infinita e una, como para Anaximandro, só não, como para ele, uma natureza infinita, mas uma determinada, a saber o ar, que ele, porem, parece ter concebido como algo animado. Plutarco determina a maneira de representação de Anaximenes, que do ar, que posteriores chamaram no éter, tudo se produz e nele se dissolve, mais precisamente assim: “Como nossa alma que é ar nos mantem unidos, assim um espirito e o ar mantem unido também o mundo inteiro, espírito e ar significam a mesma coisa”. Anaxímenes demonstra muito bem a natureza de seu ser pelo exemplo da alma. Ele como que caracteriza a passagem da filosofia da natureza para a filosofia da consciência ou a renuncia ao modo objetivo do ser originário. A natureza do ar originário era antes determinada de maneira estranha, negativa, com relação à consciência. Tanto sua realidade, a água, ou também o ar, enquanto o infinito é um alem da consciência. Mas como a alma assim o ar é este meio universal: uma multidão de representações que esta unidade, continuidade, desapareçam – e seu desaparecimento e surgimento; ele é tão ativo quanto passivo, fazendo sair de uma unidade as representações, dispersando-as e sobressumindo-as e presente a si mesmo em sua infinitude – significação negativa positiva. Expressou de maneira mais determinada, e não apenas para fins de comparação, é esta natureza do ser originário pelo discípulo Anaximenes, Anaxágoras.
O pensamento milesiano adquiria, assim, consistência, pois além de se identificar qual a physis, mostrava-se um processo capaz de tornar compreensível a passagem da unidade primordial à multiplicidade de coisas diferenciadas que constituem o universo. Ele afirma também que uma só é a natureza subjacente e diz que é ilimitada, não porem indefinida, mas definida dizendo que ela é ar. Diferencia-se nas substancias, por rarefação e condensação. Rarefazendo-se, torna-se fogo. Condensando-se, vento, depois nuvem, e ainda mais água, depois terra, depois pedras e as demais coisas provem destas. Também ele faz eterno o movimento pelo qual se dá a transformação. É preciso saber que uma coisa é o ilimitado e limitado em quantidade. O que era próprio dos que afirmavam serem muitos os princípios, e outra coisa é o ilimitado em grandeza, o que precisamente se adapta ao caso de Anaximandro e Anaximenes, que supõem o elemento único e ilimitado em grande. Pois só Anaximemes que da rarefação e condensação, mas é evidente que também outros se serviam das noções deste fenômeno. O contraído e condensado da matéria ele diz que é frio, e o ralo e o frouxo é quente. Como nossa alma que é ar, soberanamente nos mantem unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantem.
Como a Anaximandro, também a Anaximenes os doxógrafos – escritores antigos que recolheram ou transcreveram as opiniões dos primeiros filósofos, - atribuem a doutrina da constituição, a partir do arché única, de inumeráveis mundos, gerados de maneira sucessiva e ou simultânea.
Entre os adágios de Anaxímenes encontra-se: "Exatamente como a nossa alma, o ar mantém-nos juntos, de forma que o sopro e o ar abraçam o mundo inteiro”. Ao julgar que o elemento primordial das coisas é o ar, encontra-se que: "O contraído e condensado da matéria ele diz que é frio, e o ralo e o frouxo (é assim que ele expressa) é quente. O princípio de tudo, o arqué, seria o ar e as coisas da natureza seriam o ar condensado em vários graus. A rarefação e condensação do ar forma o mundo. A alma é ar, o fogo é ar rarefeito; quando acontece uma condensação, o ar se transforma em água, se condensa ainda mais e se transforma em terra, e por fim em pedra. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe a sua luz do Sol”. "Com nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantém”. Outra frase que consta nos fragmentos é "O sol largo como uma folha". Por isso ele foi considerado pelos antigos como a principal figura da escola de Mileto.

FONTES:
ARANHA, Maria Lucia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1994.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Atica, 2002.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luis. Historia da Filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
PESSANHA, José Américo Motta (Org). Os pré-socraticos. São Paulo: Abril, 1978.
SOUZA, José Cavalcante. Os pré-socrático. São Paulo: Abril, 1978.




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