quinta-feira, março 07, 2013

BENEDETTO CROCE




BENEDETTO CROCE – O filosofo idealista italiano Benedetto Croce (1866-1952), foi um dos pensadores mais inovadores do século XX. Em uma época em que se buscava a estabilidade de idéias a-históricas transcendentais ou fundacionais, Croce arriscou-se a dizer que, embora não haja outro mundo, exceto aquele que construímos para nós mesmos, ainda pode haver atos morais, conhecimento autentico e útil, coerência e significado. Ele publicou vários ensaios sobre história, alguns dos quais foram incluídos em um livro sobre a revolução de 1799. A partir disso decidiu escrever uma história acerca da influencia da cultura espanhola sobre a vida italiana desde a Renascença. Assim, a indagação de Croce sobre o status do conhecimento histórico, seguiu a visão de que os historiadores usavam um método cientifico especial para compreender fenômenos particulares e incomparáveis no universo humano. Croce concordava com muitas das idéias desses escritores, mas se recusava a admitir que a historia fosse uma ciência. Para ele, a história é uma arte. Enquanto a ciência, para Croce, é o conhecimento do geral, a arte é uma intuição do particular. Ele pensava a intuição como uma forma não conceitual de conhecimento, como a consciência imediata de uma determinada imagem tanto do sentido subjetivo, como uma emoção, o humor, ou quanto do sentido objetivo, como uma pessoa ou um objeto. Na medida em que a história diz respeito a fenômenos particulares e concretos, é uma forma de arte. Entretanto, é uma forma peculiar de arte, porque, em vez de representar o possível, representa o real. Isto é, o historiador, diferentemente do poeta, tem de assegurar-se de que seus relatos sobre o passado são verdadeiros. Croce apreciava grande parte do que lia de Marx, pois acreditava que o pensamento desenvolvia-se das necessidades da vida pratica do mundo e servia como um instrumento para a ação no mundo. No entanto, na sua opinião, Marx havia superenfatizado a influencia da ciência econômica sobre as ações humanas e era mais inclinado a uma filosofia da história hegeliana. Por outro lado, Croce sempre reiterou que a arte é a raiz de todo conhecimento. Valendo-se de Vico, ele afirma que a linguagem é a principal característica e a principal atividade humana. Visto que a percepção está profundamente relacionada com a linguagem, a arte forma a base de todo conhecimento. A visão de Croce sobre um mundo dominado pela arte logo tornou-se popular entre os intelectuais jovens. Contudo, ele não estava somente com seu trabalho e, ao tentar solucionar várias indagações, acabou conduzido às idéias de Hegel. Embora ele achasse que Hegel havia cometido o erro de infundir as particularidades da historia em um determinado esquema filosófico, ele decidiu nada menos que separar o que estava vivo e o que havia morrido em sua filosofia. A lógica dialética era, segundo Croce, tanto a gloria quando o calcanhar de Aquiles da obra de Hegel, uma vez que este havia sustentado que os aspectos positivo e negativo das idéias são o manancial dos movimentos e das mudanças. Mas Croce percebeu que Hegel havia perdido o controle e aplicado a dialética indiscriminadamente a coisas que não eram de fato contrárias, mas apenas distintas. Por isso, para ele somente conceitos universais como beleza e feiúra, podem ser contrários e, portanto, dependentes da lógica dialética. Os fenômenos empíricos, entretanto, são simplesmente distintos entre si. Em virtude de a historia detalhar os fenômenos empíricos, a dialética não está a ser serviço. Croce também não acreditava, diferentemente de Hegel, que a dialética implicaria na revelação gradativa da liberdade. Na visão dele, Hegel somente considerou como historia as coisas que ele imaginava que revelavam liberdade. Em contrapartida, Croce sustentava que tudo é histórico. O idealismo absoluto é o mote comum dos quatro volumes da filosofia do espírito croceana, onde ele sustenta que não há nenhum outro mundo, exceto o humano e que estamos sozinho, não havendo nenhum ponto de referencia externo. Até mesmo a natureza, que em geral é compreendida como algo independente do mundo humano, é descartada pela imanência radical de Croce. A idéia de uma natureza independente, para ele, por muito tempo desviou nossa atenção da visão de que, quando olhamos para a natureza, notamos apenas categorias e conceitos humanos que se originam de modelos humanos. Para descrever esse mundo imanente, Croce utilizou a linguagem de idealistas filósofos como Hegel, incluindo o termo espírito. Como espírito ele não se referia a alguma entidade hegeliana que usa a história para se auto-revelar. Ao contrario, o termo espírito para ele simplesmente está relacionado a nos indivíduos concretos e historicamente entrelaçados. Pois, segundo ele, não cometeremos nenhuma violência contra nossa individualidade concreta se reconhecermos que nós, indivíduos, também fazemos parte de algo bem mais amplo. Portanto, o espírito é meramente a forma de caracterizar o conjunto mais amplo do qual o individuo faz parte, cuja existência só é possível nos indivíduos. E mais: para ele os fatos históricos não são indicativos de verdade permanentes, de uma natureza humana imutável ou de deus. A forma pela qual nos falamos sobre a vida nunca pode ser exata, porque constantemente nos deparamos com situações nas quais conceitos e definições existentes precisam ser modificados. Assim sendo, toda idéia, obra de arte, ciência, filosofia e historia estão condicionadas historicamente no sentido de que são uma resposta a problemas específicos do ponto de vista histórico e refletem as preocupações de um determinado momento. Contudo, esse mundo de particularidades não é totalmente caótico por causa da lógica do que Croce, reproduzindo Kant e Hegel, chama de proposição universal concreta. Croce defende que toda definição é historicamente especifica: é desenvolvida por um determinado motivo e em resposta a circunstancias particulares. Os conceitos e definições estão, portanto, em constante mudança. No entanto, isso não necessariamente implica uma situação do tipo vale tudo, porque os conceitos que usamos são fundamentalmente sociais. Ou seja, temos uma compreensão muito parecida das normas de uso de um conceito para entendermos uns aos outros quando nos comunicamos. Desse modo, nosso conhecimento é concreto, porque é historicamente entrelaçado, mas também é universal, porque nossos conceitos são fundamentalmente sociais. Além disso, para ele já um circulo razoavelmente constante na forma como os seres humanos respondem ao e mudam o mundo. Primeiramente, os seres humanos aprendem a particularidade de uma situação por meio da percepção e da arte; em seguida, eles compreendem essa situação relacionando-a com o resto do mundo por meio de conceitos e, finalmente, de acordo com essa compreensão, eles respondem por intermédio de formas de ação que podem se basear tanto no principio da utilidade como ação econômica, quanto no principio da moralidade como ação moral. Nenhuma dessas duas formas é superior a outra e nenhuma é encontrada em seu estado puro no mundo. As proposições universais concretas e o circulo do espírito tornam a compreensão, incluindo a compreensão histórica, possível. Esse tipo de visão de mundo tem implicações radicais por causa do status das varias formas de conhecimento, o que, para Croce, as ciências naturais e sociais são parasíticas em relação à historia, e a filosofia é muito rebaixada. As ciências podem oferecer não mais que simples pseudoconceitos, ou resumos artificiais da experiência real estética e histórica, e a filosofia meramente elabora e elucida os conceitos por meio dos quais nós compreendemos a historia. Esse novo papel rebaixado da filosofia é deduzido de sua afirmação controversa de que a filosofia nada mais é que a metodologia da história.
A filosofia do espírito de Croce assegurou sua reputação de filosofo inovador e concedeu-lhe um mandato de senador vitalício em 1910. Depois foi o único a discursar contra o Tratado de Latrão, em 1929, que criou o Estado do Vaticano e reconheceu a catolicidade desse estado italiano. Ele era o inimigo do fascismo de Mussolini, sendo depois presidente do Partido Liberal italiano. A partir disso começou a promover o relativismo e o niilismo por tornar histórico praticamente tudo. E, para muitos, ele é um neo-idealista ou um neo-hegeliano, além de outras características atribuídas a ele, como a de relativista, romântico, expressionista, primitivista e partidário da imaginação.

FONTE:
HUGHES-WARRINGTON, Marnie. 50 grandes pensadores da história. São Paulo: Contexto, 2002. Confira mais aqui.




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