quinta-feira, março 07, 2013

A CIDADE DAS TORRES & ANTÔNIO CÂNDIDO


A CIDADE DAS TORRES: A RADIOSA CIDADE CORBUSIANA - Analisando a teoria de que a casa era uma máquina de morar, Peter Hall inicia uma crítica à obra de Lê Corbusier, no capítulo “A cidade das torres – A radiosa cidade corbusiana: Paris, Chandigar, Brasilia, Londres, St.Louis (1920-1970)” de sua obra “Cidades do amanhã: uma história intelectual do planejamento e do projeto urbanos no século XX”. Em sua análise, encontra-se que Peter Hall observa a Cidade Radiosa, ou a “La Ville contemporaine”, ou “ La Ville radieuse” planejada por peritos que compreendessem a ciência do urbanismo e que resultasse numa Assemblée de Constructeurs por une Rénovation Architecturale – ASCORAL, influenciando, inclusive, Lucio Costa e Oscar Niemeyer na construção de Brasília, faziam o arcabouço da idéia corbusiana mais conhecida como cidade das torres, sonhada pelo arquiteto suíço para atender a população geral da França e de outros países.
A partir de uma leitura ao capítulo “Cidade das Torres – A radiosa cidade corbusiana: Paris, Chandigar, Brasília, Londres, St. Louis (1920 – 1970)”, compreende-se que Lê Corbusier e sua “casa-máquina vale quanto se pensa”, com o seu Modulor, quando o homem pode ser a medida e a referência de tudo, então é a partir dele e das suas necessidades básicas que o pensamento arquitetônico vai ser pautado. E tendo em vista Le Corbusier, forte crítico da arquitetura pré-moderna, ter pautado o seu pensamento em uma ótica racionalista e de intenso cunho instrumental, com essa perspectiva, ele defendia que a cidade devia cumprir seu papel instrumental, lamentando que ela já não cumpre essa função, porque são ineficazes: desgastam o corpo, contrariam o espírito. A desordem que se multiplica nelas é ultrajante: sua decadência fere o amor-próprio e melindra a dignidade.
Antes de tudo, porém, é preciso entender que Charles Édouard Jeanneret, conhecido por Le Corbusier, nasceu na Suíça em 1887, mas viveu a maior parte da sua vida na França. Foi o mais famoso arquiteto da escola modernista. De inúmeras facetas, fez escultura, móveis, paisagismo e pinturas. Em 27 de Agosto de 1965 morreu afogado no Mediterrâneo. O entre suas obras mais importantes temos, a Villa Savoye; a Fondation Le Corbusier - FLC e Le Patrimoine Le Corbusier à Firminy, onde se encontram vários trabalhos do arquiteto.
Le Corbusier foi arquiteto, escultor, pintor, escritor e um pensador revolucionário e inovador. Foi um visionário cheio de idéias e conceitos que mexeu profundamente com o pensamento da sua época e definiu fortes inovações na arquitetura do seu tempo.Ele idealizava o tamanho padrão do homem com 1,83m e criou uma série de medidas proporcionais que dividia o corpo humano de forma harmônica e equilibrada. Isso servia para orientar os seus projetos e suas pinturas e baseava-se na "razão de ouro", uma proporção matemática considerada harmônica e agradável a visão. Essa "razão de ouro" é a divisão de qualquer segmento de reta em duas partes desiguais onde a menor está para a maior, assim como a maior está para o segmento inteiro. Com base nessas proporções constrói-se o retângulo de ouro, do qual, extraindo-se um quadrado sobra outro retângulo com as mesmas proporções. Se você quiser mais explicações sobre esse interessante capítulo da matemática acesse o endereço que vamos deixar no final do texto mas o fato é que Lê Corbusier baseou muito do seu trabalho nessas medidas. Também criou o "Modulor", um sistema de medidas e proporções baseado nos números de ouro e aplicou isso em vários sentidos. As suas espirais eram baseadas na colagem de retângulos de ouro e todo um mecanismo matemático. Nem sempre obteve sucesso, como no caso do uso da espiral de ouro mas, acarretou a mudança do pensamento e criou novos rumos para os projetos de arquitetura. O Modulor apresentado ao público na metade do século XX foi um sucesso e alguns anos depois Le Corbusier faria uma nova publicação, baseada no sucesso da primeira. A principal preocupação do arquiteto em seus projetos era a funcionalidade. As edificações eram projetadas para serem usadas e com isso todos os enfeites e decorações eram rejeitados. As linhas eram simples e funcionais, cada coisa tinha uma razão de ser e o objetivo maior era o bem estar dos usuários. Esse purismo, um reflexo de sua personalidade, foi a sua principal marca registrada, junto com uma ousadia necessária a quem tem idéias revolucionárias. Le Corbusier olhou para o mundo como um trabalho a ser desenvolvido, como uma obra a ser modificada e dedicou-se a isso com todas as suas energias. Foi um homem que marcou sua época. O seu desprezo pelos adornos e enfeites não o impediu de construir edifícios bonitos e agradáveis. Dono de um estilo próprio, nos presenteou com idéias arrojadas que hoje são comuns mas definiram uma mudança, no tempo em que foram idealizadas. A maior parte de sua vida foi na França, onde acabou morrendo em 1965, aos 78 anos. Havia projetado para si um túmulo que foi construído imediatamente após a sua morte e para lá foi posteriormente transferido. Por que terá desenhado um túmulo para si? Que idéia de funcionalidade tinha nesse momento. Apenas 8 anos após esse projeto, morreria.
Mais conhecido como arquiteto, o artista foi polivalente no mundo das artes. Pintou, escreveu e participou de movimentos que instigavam o mundo a uma nova forma de pensamento e buscavam a funcionalidade das coisas. Participante do movimento purista o artista não buscava uma construção nem uma pintura decorativa e ornamental, não procurava a emoção ou a espiritualidade. Seu objetivo era o funcionamento prático e objetivo de todos os traços idealizados por sua mente criativa. Foi moderno no tempo do modernismo e continua sendo, nos tempos da atualidade. Peter Hall deixa claro que a leitura que Le Corbusier faz sobre a cidade não é a partir de dados reconhecidos na realidade visível das cidades. O máximo que ele reconhece é que a cidade já não resolve e nem comporta o novo comportamento humano, a nova vida moderna. Mas em nenhum momento tenta identificar na realidade presente possíveis soluções. A solução não está nessa realidade. Portanto, não atribui valor a quase nenhum atributo morfológico histórico e propõe a sua própria morfologia. E essa leitura da cidade moderna passa pela concepção subjetiva de Le Corbusier. A cidade é filtrada pela mente corbusiana e relançada à ordem geométrica da racionalidade científica e retificada das suas imperfeições e feita, modelo e imagem, a sua própria “semelhança.” Ou seja, aquilo que a cidade passa a ser é menos resultado da ordem cotidiana e mais uma ordem racionalista corbusiana. Peter Hall entende que para ele, o caos e a desordem da cidade pré-moderna devem passar por uma transformação. E essa transformação é constituída de um ato de ordenar, de retificar, no sentido de tornar reto, alinhado, segundo os preceitos da boa ordem arquitetônica – sempre na ótica de Le Corbusier.
Vê-se, com isso, que para Le Corbusier, o contexto é reinventado para a realização eficiente de um modelo idealizado de realidade que só poderá ser executado dentro de uma lógica racional e menos historicista. A razão não deve se submeter aos preceitos históricos. A única história que vale é a que remete ao futuro e o alimente em termos de ideais a se perseguir. O arquiteto trabalhava sempre em estreita colaboração com a mesma equipe de artistas: escultores, vitralistas, iluminador, serralheiro, chaveiro e decorador. O mobiliário funcional que desenhou – entre os quais uma famosa cadeirinha em tubo metálico negro – é a alegria dos colecionadores. Seu Plan Voisin de 1925 nada tinha a ver com as unidades de vizinhança,e sim com o sobrenome do fabricante de aviões que o patrocinava.Seus dezoito edifícios uniformes de 700 pés de altura teriam acarretado a demolição da maior parte da Paris histórica ao norte do Sena. Seus princípios urbanísticos foram desenvolvidos sobretudo em La Ville contemporaine(1922) e La Ville radieuse(1933) até o Movimento City Beautiful que significava planejar sem propósitos sociais - ou até com propósitos retrógrados: o movimento zoneador, era, no mínimo, socialmente excluidor, em seu intuito e impacto. Isto porque o planejamento passou a depender ùnicamente da "aliança dos interesses imobiliários com os eleitores de renda média e casa própria", que não tinham qualquer interesse em programas para realojamento do pobre, num nítido contraste com a Europa, onde uma forte consciência operária aliou-se a uma burocracia intervencionista. O que surgiu, em contrapartida, foi algo singular e inconfundivelmente norte-americano: um movimento voluntário dedicado a salvar o imigrante (especialmente a imigrante) de seus próprios erros e excessos, socializando-o dentro dos padrões de vida norte-americanos, e adaptando-o à vida urbana. Defendia Corbusier que agora todos iriam morar em gigantescos prédios coletivos,denominados Unités, baseando-se de quando estivera na União Soviética.E,na década de 20,um importante grupo de arquitetos soviéticos - os urbanistas - desenvolvera idéias muito próximas das dele, são quase idênticos,até nos pormenores,ao Unité tal como foi desenvolvido na Cidade Radiosa,e como foi efetivamente construído em Marselha,em 1946.Mas,depois de 1931,o regime soviético rejeitou o parecer de Le Corbusier.
Quando, por volta dos anos 40, suas idéias novamente se modificaram. Sua ASCORAL (Assemblée de Constructeurs pour une Rénovation Architecturale), fundada durante a guerra,alegava que Les cités radiocentriques des échanges,os centros de educação e recreio,ainda projetados no velho estilo corbusiano, deveriam ser ligados entre si pelas cités linéaires industrielles, linhas contínuas de industrialização dispostas ao longo de corredores de trânsito. Fora-se seu otimismo com respeito à cidade grande: a seu ver, a população de Paris deveria cair de 3 milhões para um milhão apenas. Tais noções guardavam curiosos ecos dos desurbanistas soviéticos da década de 20, que Le Corbusier tão acremente criticara. Continuava implacavelmente contrário à idéia de cités-jardins, que ele coerentemente confundia,como a maioria de seus colegas planejadores franceses,com os subúrbios-jardim.
No planejamento de Chandigar, o governo da Índia decidira, por razões políticas,construir uma nova capital para o Punjab em Chandigar. Contratou,para tanto,um planejador urbano, Albert Mayer, que elaborou um projeto adequado,dentro da linha Unwin-Parker-Stein-Wright.O projeto foi aprovado,só que ficou decidido que se chamaria uma equipe formada pelos mais prestigiosos arquitetos da época - Le Corbusier,seu filho Jeanneret,Maxwell Fry e Jane Drew - para dar-lhe expressão.
A partir da leitura do capítulo estudado, vê-se que nascido em Chaux-de-Fonds, na Suíça, e naturalizado francês em 1930, Charles-Edouard Jenneret, pintor, arquiteto, decorador, teórico e escritor, assumiu o nome de Le Corbusier em 1920 em Paris, onde publicara com seu amigo, o pintor Amédée Ozenfant o manifesto do purismo Após o Cubismo, e colaborara para a revista L’Esprit Nouveau. Apaixonado por arquitetura desde a adolescência, grande viajante que se tornou um urbanista visionário e “propagandista da modernidade”, ele milita por uma arquitetura nova, “em escala humana”, dentro de um contexto onde o homem se encontre “em harmonia com as condições da natureza: sol, espaço, verdor”. Deve-se a ele a construção de diversos imóveis públicos e privados, alguns dos quais célebres mansões de volumes abstratos, onde coloca em prática “os 5 pontos de uma nova arquitetura”: pilotis, plano livre graças ao abandono da parede de sustentação, fachada livre com painéis de vidro, janelas com bandô, terraço-cobertura.
Le Corbusier também desenhou o plano diretor e construiu os principais edifícios administrativos da cidade de Chandigarh, na Índia, e realizou na França suas famosas “unidades habitacionais”, a mais célebre das quais é a Cidade Radiosa, de Marselha, com seus 350 apartamentos distribuídos por 8 andares, dentre verdadeiros patrimônios.Para Peter Hall o pecado de Le Corbusier e dos corbusianos está, portanto, não em seus projetos mas na leviana arrogância com que foram impostos a uma gente que não podia arcar com eles

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
ABREU, Mauricio. Evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987.
BICALHO, Maria Fernanda. A cidade e o império: o Rio de janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CANDIDO, Antonio. O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 2004
CARVALHO, José Murilo. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a república que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987
COUTO, Ronaldo Costa. Brasília Kubitschek de Oliveira. São Paulo: Record, 2006;
DUARTE, Fabio. Crise das matrizes espaciais. Arquitetura, cidades, geopolítica, tecnocultura. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.
EISENMAN, P. Diagram diares. New York, Universe Publishing. 1999.
HALL, Peter. Cidades do amanhã. São Paulo: Perspectiva, 2005.
LAMAS, J.M.R.G. Morfologia urbana e desenho da cidade. Lisboa, Fundação Calouste Gulbekian/Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 2000.
LE CORBUSIER. Urbanismo. São Paulo, Martins Fontes, 2000.
MONTANER, J.M. Depois do Movimento Moderno: arquitetura da segunda metade do século XX. Barcelona: Gustavo Gilli, 2000.




ANTONIO CANDIDO – O DISCURSO E A CIDADE

ANTONIO CÂNDIDO – o poeta, ensaísta, professor universitário e critico literário Antonio Candido é professor emérito da USP e da UNESP, doutor honoris causa da Unicamp e autor de uma obra digna de registro. Entre os seus livros, “O discurso e a cidade”, onde o autor nas suas três partes e apêndices, aborda a questão do discurso e a cidade sob a ótica da dialética da malandragem, degradação do espaço, o mundo-provérbio e de cortiço a cortiço. Em seguida as quatro esperas: na cidade, na muralha, na fortaleza e na marinha. Logo após, fora do esquadro abordando a carta marítima, a poesia pantagruélica, ponto do mal e o poeta itinerante. Nos apêndices: carta marítima e louvação da tarde.

FONTE:
CANDIDO, Antonio. O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 2004.



Veja mais sobre:
Convite no Crônica de amor por ela, Zygmunt Bauman, Sérgio Porto, Friedrich Hölderlin, Oswald de Andrade, George Gershwin, Anaïs Nin, Kiri Te Kanawa, Lucélia Santos, Pedro Almodóvar, Parmigiano, Penélope Cruz Sanchez, Sumi Jo & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Marie Curie & Todo dia é dia da mulher aqui.
Beethoven, Eric Kandel, Hermeto Pascoal, Linda Lovelace & Nina Kozoriz aqui.
Hypatia, Mary Calkins, Oswald de Andrade, Parmigiano, Stanislaw Ponte Preta & Geraldo Azevedo aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
Galdino vive aqui.
A psicologia, os adolescentes & as DST/AIDS aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando o balde tá entupido, a topada leva a merda pro ventilador aqui.
O vexame da maior presepada aqui.
Espera aqui.
Lavratura aqui.
A solidão de Toulouse aqui.
A lágrima de Neruda aqui.
Poema em voz alta aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.





ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conve...