segunda-feira, agosto 06, 2012

CENAS DIÁRIAS DO ELEITORADO NO FECAMEPA

TOLINHO & BESTINHA – A dupla pulhenta, Tolinho & Bestinha, aprumou a vida e arranjaram uma lavagem de roupa arretada: cabo eleitoral do Zé Peiúdo. A priori não era mico, vez que a empreitada tinha parecência de coisa séria porque o candidato era locutor do principal serviço de autofalantes da cidade, considerada a melhor emissora de rádio da esquina, e o melhor é que era apoiado pelo então prefeito da localidade. Tinha topete para amealhar sucesso, oxe, se tinha. Não fosse de última hora, o chefe do executivo municipal arribar com a trouxada toda da coloiada e capangada pras bandas doutro mais promissor no pleito eleitoral. Resultado: a dupla maloqueira já estava há quase três meses sem ver a cor do dinheiro.

- Ei, Zé Peiúdo, quêdi a nossa bufunfa, hem? Tamo três mêis sem alegria na algibeira.

Chegaram de venta fumaçando na lata do Zé Peiúdo que de candidato a prefeito quase eleito, descera a ladeira para uma duvidosa campanha à vereança, prometia mundos e fundos milionários pra ambos. E tome lero alugando os apaideguados. O cara era bom de papo e ajeita aqui, saracoteia ali, tudo certo, vamos indo, quando os desconfiados deram fé da roubada e tascaram retirada de campo com dedo em riste no pau da venta do enrolador:

- Quem vive de promessa ou é político ou é santo! -, repugnaram a promessa.

No meio do teitei com muito masmasmas gaguejado e um monte de blábláblá, os dois resolveram bater a porta na venta do cara, desmanchando a costurada já feita e, ao invés de continuarem pedindo voto pro cara, começaram a manchar a reputação do sujeito na maior queimação de filme. A esculhambação comeu no centro. O clima ficou quente. Mas quem era doido de sozinho enfrentar os dois? Zé Peiúdo picou a mula não antes fazer uns estragos no comércio local com valsas intermináveis e no bolso duns achegados que ou avalizaram papagaios no banco, ou deitaram cédulas emprestadas.

- Num disse!? O cara nunca pagou nem promessa a santo! -, largaram escárnio Tolinho & Bestinha pras incrédulas vítimas do conto do vigário.


CONSEQUENCIAS INUSITADAS: NO TOBA! – A fuga do Zé Peiúdo deixou meio mundo de gente a ver navios. Afredo Bocoió mesmo que havia vendido o voto dele pro cara, agora estava no prejuízo, razão pela qual, se infincou no meio da rua gritando: - Vendo meu voto! Quem quer comprar? Vendo meu voto!
Eis que nessa hora vai passando Mamão que não tinha nada a ver com a cor-da-chita, não era candidato nem porra nenhuma e ficou azoado com a gritaria. Na verdade, Mamão andava era azuretado porque não molhava o biscoito há quase uma semana; E quando viu aquela presepada, atinou: - Vou comê o cu desse cara.

E foi.

- Tu é canidato, Mamão?

- Sô.

- Canidato a quê?

- Veriadô.

- Ôba! Vendi meu voto.

Tudo acertado e quando Afredo se descuidou para se animar, Mamão arrastou-lo pelas orelhas pra trás duma moita, sacudiu o cara no chão, puxou-lhe as calças, mirou a bunda branquela, segurou o cacete já duro e aprumou no procto do rapaz. Só se ouvia os berros dele que mais parecia que era aquela cena dos negões na Bonitinha, mas ordinária.
Concluído o serviço, saiu Mamão resmungando pra multidão que arrodeava a cena:

- Pronto! Já votei cum meu caraio no cu desse fresco! Agora ele vai ficá mudo pur uns dia.


ÓIA, ESPIAZé Corninho foi outra vítima desperançada do Zé Peiúdo que se evadiu no maior corujão pra lugar incerto e não sabido.
Depois que se sentiu tapiado e levado umas gaias boas do enrolão, Zé Corninho viu por água abaixo o desejo de ter um carro de mão novinho em folha. Aí ele não se conteve e arreou a lenha descascando o desafeto, numa gritaria medonha no meio da rua. Eis que uma das suas distintas esposas de plantão gritou:

- Cala boca, corno da gaia mole, tu num é gato pra tê sete vida, desgraçado!


REVESTRÉS – Foi por causa da enrolança do Zé Peiúdo que o Biritoaldo também saiu da toca e cheio dos quequéos largou ideia:

- Não voto mai em fidaputa nenhum! Nem voto nem vendo meu voto! Agora quero é anulá meu voto! Vou anulá meu voto!

Disse tudo isso e, depois, encostou-se a um poste, arriando ronco solto na bebice dele.




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