A FARRA DO
BIRITOALDO
Letra &
Música de Luiz Alberto Machado
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
Quando o cara se
enfia na cachaça
Mais parece ver o
mundo se acabar
Se tem guerra ele
ganha na moral
Pois o pinguço jamais
arreda a raça
Toda honra e
macheza tá na taça
E pro resto vale
tudo é carnaval.
Ele pensa que a
cana é que nem água
Enche o chifre
pra azeitar até a gaia
Mais parece
arranchar na sua baia
Pitulcilina
aliviando suas mágoas
Arremeda o valor
de todas táboas
Pra que a morte
na vida não lhe caia.
A primeira
lapada vai pro santo
Homenagem para
sua devoção
Pro capeta
também por precaução,
A abrideira
eleva o tranvanquante
Pois dali ele
passa pra adiante
A cachaça é só
sua louvação.
Tudo bem todo só
socialmente
Educado que nem
lá na Suíça
Mais parece com
devoto pela missa
Não dá trela pra
bater língua no dente
Tudo ali é só coisa
de parente
Nos conformes de
quem se compromissa
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
Na segunda
lapada o sapecado
Faz boquinha no sabor
do tira-gosto
Se benzendo pra
ajeitar todo seu rosto
Esquentando o
bico amaneirado
Cospe o bicho
então pra todo lado
Pra ninguém vir tomar
o que é seu posto
Faz careta pra dar
vinco no pinote
Fecha o corpo pra
deixar aberta a goela
É quando azeita
a prensa, o zé-ruela
Alinhado está tudo
em seu cangote
Todo ancho fica
certo o piparote
Que ali nunca
vai abrir da vela.
Na quartinha a
golada do sarrafo
Alevanta a moral
do pé-de-cana
Faz ali a rodada
soberana
Sobre o mando do
mais profundo bafo
Ele agarra as
bolas do seu cacho
Aprumando a volta
da carraspana
A macheza é
botada logo em dia
Arreia a lenha e
solta o esculacho
Chamando atenção
do populacho
Manda em tudo ali
na freguesia
Na maior da sua sabedoria
Vai sempre como
no maior abafo.
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
A meiota já vem leite
de onça
Acendendo de vez
a lamparina
É quando o cabra
mira a sua doutrina
Vai largando toda
a sua geringonça
Que é fiada e
feita na responsa
Que se vem do
raio da silibrina
Na verdade é asneira
medonha
Onde troca todo
nome do defunto
Traçando tudo o
que surgir de assunto
Com a cara lisa
da desvergonha
Escondida vai na
carantonha
Do mais abestalhado
bestunto
Quando um litro
já foi esvaziado
É quase porre já
no meio dessa farra
As idéias já não
saem mais na marra
Porque o jipe
pegou desgovernado
O cara vai
ficando mariado
Pelo jeito que a
coisa nele agarra
É que vai
endoidando o mancebo
Já cheinho que
está da meropéia
Inventa ele a
maior das odisséias
Castigando com o
seu papo de bebo
Quanto mais ele
vira o placebo
Mais aumenta a
sua prosopopéia.
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
Lá pras tantas ele
já está ramado
Esborrando de
vez a mandureba
Vira rico o boca
de pereba
Que já tem ali até
reinado
Ele então se
achando um abastado
Dono de chãs de lá
de Igarapeba
E já bebinho da
silva ele vai lá
Elegendo vai as
sete virtudes
Chega embeiçar de
chapa um açude
E um oceano inteirinho
baldear
Volta após de pé
pra Quipapá
Foi moleza zoar a
longitude.
É quando então
aparece uma tetéia
Do cabra agarrar
logo a donzela
Pendurou-se com
jeito no beiço dela
E jurou se casar
com a mocréia
Convocou o povo
todo pra platéia
Deu vazão pra
manter a sua trela
E jurou seu amor
pra mulé feia
Prometendo ser
feliz no mar de rosa
Sapecou toda
rima em sua prosa
Até se ferrar na
maior teia
Foi ai que ele
amolegou a peia
Pra virar
baixaria escandalosa.
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
Ele aprontou
acertando no desfeito
Danou-se pra
falar muita besteira
Fabricando a
maior das baboseiras
Até se dar sem o
menor respeito
Foi mijando no
pirão do seu prefeito
E sapecou
cantada boa numa freira
Adispois lambeu
a boca dum cachorro
Dançou com a
mulher do seu vizinho
Meteu em tudo
logo o seu fucinho
Gritou: dessa
cachaça eu sei que morro
Não sei mais se
fico aqui ou se já corro
O seu socorro
acabou num descaminho.
Seu desmantelo
fedeu que nem inhaca
Dele inventar na
hora um pesque-pegue
Puxou a primeira
dama para um reggae
Queria fazer
sexo com a macaca
Enfiou então de
vez o pé na jaca
Nem ligou quando
ali levou uns bregues
Foi aí que ele
pactou com o cramunhão
Fez a maior
orgia no cabaré
Agarrou-se na
caçola da mulher
Pra fazer a
melhor da diversão
Virado estava na
gota do cancão
Restou encardido
lheguelhé
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
Quando pronto o
cara tá pra lá de grogue
Vai a reboque
todo cheio dos quequeos
Faz alarde de
virar um escarcéu
Manda ver pra
que nada ali derrogue
É ai que ele
vira um mau buldogue
E a coisa mesma
dá o maior créu
Chamou logo a
polícia de freguês
E com isso ele
armou maior barraco
De todo mundo
ele apois encheu o saco
E na volta da
maior da sordidez
Finda ele desgraçado
no xadrez
Preso com a cara
de tabaco.
Vem então a temulência
da ressaca
Finda mais transido
de vergonha
Escabriado com a
pior peçonha
Remoída no meio
de uma catraca
Viu-se todo na
maior urucubaca
Na pior de todas
as piores ronhas
Amarrou ali o
seu bezerro novo
A caganeira arrasando
no furico
Foi pagando o seu
mais caro mico
O pior de
qualquer insano estorvo
Viu que era um biltre
babaovo
Que não valia o
menor do menor tico.
Eu tomo uma,
viro duas e venha três
Eu bebo todas
pra cair só duma vez
Veja mais Proezasdo Biritoaldo.

1 comentários:
Meu amor, adorei a letra...
vc sempre de parabéns, detalhista, perfeccionista em tudo. Torço por tudo o que te faz feliz, saúde, sucesso, e claro, nosso amor, sempre. Amo vc.
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