sábado, julho 16, 2011

SATYRICON DE PETRÔNIO



SATYRICON DE PETRÔNIO

[...] Os jovens, quando se iniciam no tribunal, julgam-se transportados para um novo mundo. O que faz de nossos estudantes mestres tão idiotas é que tudo quanto vêem ou ouvem nas escolas não lhes oferece nenhuma imagem da sociedade. Em tais escolas, castigam incessantemente os ouvidos dos meninos com piratas emboscados no rio, preparando cadeias para seus prisioneiros; com tiranos cujos bárbaros decretos condenam os filhos a decapitar os próprios pais; com oráculos que, para salvar cidades devastadas pela peste, determinam a morte de três jovens virgens. É um verdadeiro dilúvio de frases melosas, agradavelmente arranjadas – ações e discusos, tudo é salpicado de sésado e dormideira.

[...] Um cozinheiro tem sempre o cheiro de cozinha.

[;;;] a verdadeira eloqüência não conhece o exagero. Simples e modesta, eleva-se com naturalidade, tornando-se bela graças apenas a seus próprios encantos.

[...] Não há mais um só poema onde brilhe o bom gosto; todos esses abortos literários se assemelham a insetos que nascem e morrem no mesmo dia.

[...]

Onde o ouro é todo-poderoso, de que servem as leis?
Se não tem dinheiro, o pobre perde seus direitos.
O cínico, que é tão frugal e severo em público,
Secretamente negocia com a verdade.
Até mesmo Têmis se vende e, em seu tribunal,
A balnça pende conforme o vil metal.

[...] Quem carrega um bezerro, agüenta um touro.

[...] e teria apanhado com os dentes um óbolo num monte de esterco. [...] Fugir de seus parentes é fugir de si mesmo. [...] mas tudo é muito fácil para as pessoas que não encontram obstáculos pela frente.

[....] chego a pensar que já estou em jejum há mais de um ano. Malditos sejam os edis, que estão em conluio com os padeiros, dizendo uns aos outros: Ajuda-me que eu te ajudarei! Com isso, sofre o povo miúdo, enquanto os tubarões nadam na abundância. [...] Os pães de hoje, ao contrário, são menores do que um olho de boi. Neste país, meus amigos, as coisas vão de mal a pior. Pode ser que tudo cresça, mas como a cauda de um bezerro: para baixo. Isto, porém, não deve surpreender: nosso atual edil é um homem de nada, que venderia nossa vida por qualquer ninharia. Em sua casa há a maior abundância. E não podia deixar de ser assim, pois ele ganha por dia o que as pessoas não conseguem amealhar nem durante a vida inteira. Poderia narrar aqui um negocio no qual ele ganhou mil moedas de ouro. Mas, se tivéssemos sangue nas veias, as coisas não continuariam desse modo. Acontece que nosso povo, hoje em dia, não passa disso: em casa, são bravos como leões; na rua, covarde como ovelhas. [...] Acredito que tudo isso acontece pela vontade dos imortais, pois ninguém acredita mais que exista algum deus no céu. Ninguém mais que saber de jejuar. Ninguém mais cultua Jupiter. Com os olhos voltados para a terra, só se pensa em contar dinheiro..

[...] Decerto, não haveria no mundo país melhor que o nosso, se fosse habitado por gente honesta.

[...] De resto, os erros são pessoais.

Existiu outrora um artesão – continuou Trimálquio – que fabricou um vaso de vidro inquebrável. Deram-lhe a honra de oferecê-lo a Cesar. Depois, tomando-o das mãos do imperador, ele atirou ao chão. Cesar, vendo isso, apavorou-se terrivelmente; mas quando o artesão apanhou o vaso, estava ligeiramente mossado, como se fosse de bronze. Tirando então um martelinho da cintura, o nosso homem, sem pressa, o reformou com pericia e devolveu-lhe a primeira forma. Feito isso, acreditou ver o Olimpo abrir-se diante dele, sobretudo quando o imperador lhe disse: - Alguem mais, além de ti, sabe fabricar esse tipo de vidro? Cuidado o que vais dizer. Havendo o artesão respondido que somente ele conhecia o segredo, Cesar fez cortar-lhe a cabeça, sob o pretexto de que, se aquela arte viesse a se expandir, o ouro perdeira todo seu valor.

[...] o que prova que a maior doçura vem sempre acompanhada de algum amargor.

[...] quando a gente se faz de ovelha, o lobo nos devora. Ele ri! Que há aqui para rir? Não se escolhe um pai. [...] Sou um homem entre os homens, e ando de cabeça erguida: não devo um vintem a quem quer que seja. [...] Vês um piolho nos outros e não vês um escorpião sobre ti [...] se te assoassem o nariz, ainda sairia leite. [...] Quanto a mim, prefiro minha consciência a todos os tesouros do mundo.

[...]

Amizade é uma palavra que existe enquanto é útil;
Como a peça de xadre, vai e volta no tabuleiro quadriculado.
Quando a sorte está do nosso lado, amigo, teu sorriso é amplo.
Quando parte, tu nos dás as costas e vilmente te afastas.
A comedia mostra este é o pai;
Aquele o filho; um terceiro é rico.
Mas as páginas passam, encerram-se os papéis agradáveis,
As verdadeiras faces surgem, desfaz-se a pintura.

[...]

Quem confia no acaso do mar amontoa lucro imenso;
Quem segue as armas e a guerra pode cingir-se de ouro;
O adulador barato deita-se bêbedo em leito púrpura;
O devasso ganha dinheiro com o adultério.
Só a eloqüência treme esfarrapada no inverno,
E desvalica invoca as artes desprezadas.

[...] quem se ocupa apenas em juntar riquezas quer persuadir a todos de que seu outro é o bem supremo.

[...]

- Por uma depravação deplorável – dizia ele – desprezam os prazeres fáceis, e apaixonam-se obstinadamente por aqueles que nos parecem proibidos: [...] A amanet supera a esposa. O cravo faz a rosa enrubescer. O que é apenas raro passa pelo melhor.

[...] Olhai, pois, onde terminam os projetos dos mortais! Eis o resultado de seus desejos e ambições! Ó infeliz! Parece ainda nadar, como se estivesse vivo.

Não há nada mais absurdo que os tolos preconceitos, e nada mais ridículo que uma hiprocrita severidade.

[...] A pobreza é mão da diligência, e a invenção de muitas artes deve sua origem à fome.

[...]

O homem endinheirado sempre tem vento em suas velas,
E compõe seu destino com toda liberdade.
Se quiser, poderá desposar a própria Sanae,
E faer Acrísio acreditar no que ela lhe disser.
Se for um poeta ou orador público,
Sacudirá toda a massa;
Seperará Catão e sua causa ganhará.
Imaginai-o advogado, imporá seus
“É evidente” e “Não é evidente”,
Será Sérvio e Labeo a uma só vez.
Em suma: com dinheiro na mão,
Expressas um desejo, e o que queres acontece.
Júpiter está encerrado ao lado de teu cofre.

SATYRICON DE PETRÔNIO – O escritor romano Petronius (Caius Petronius Árbiter 16 d.C. – 66 d.C ou Titus Petronius c. 27-66 d.C.) foi mestre em prosa e satirista notável, era um distinto freqüentador da corte de Nero e autor de um dos mais antigos romances, Satyricon. Essa obra foi escrita provavelmente por volta de 60 d.C, descrevendo as aventuras e desventuras do narrador, Encólpio, do seu amante Ascilto e do seu jovem servo Gitão. Trata-se de uma crítica aos costumes e à política da Roma antiga. A obra foi transformada em filme pelo cineasta italiano Federico Fellini. Veja mais no Crônica de Amor por Ela e no Varejo Sortido. E veja mais aqui.



Veja mais sobre:
Nada como o sol raiando para um novo dia, Mary Del Priore, Mark Twain, George Frideric Handel, Kóstas Ouránis, Sarah Connolly, Mika Lins, Dora Carrington, Christopher Hampton, Emma Thompson, William-Adolphe Bouguereau, Melanie Lynskey, Mariza Lourenço, Sexualidade & Erotismo aqui.

E mais:
O presente na festa do amor aqui.
O serviço público & a responsabilidade do servidor público aqui.
Os crimes de sonegação & o Direito Penal & Tributário aqui.
O tango noturno molhando o desejo aqui.
Fecamepa no reino da ficha suja aqui.
Aids & Educação, John Dewey & Pesquisa em Educação aqui.
A psicologia, os adolescentes & as DST/AIDS aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


 

VINICIUS, MIGUEL ASTURIAS, ORTEGA Y GASSET, CAMILLE CLAUDEL & RICHARD MARTIN

IARA, IARAVI – Um dia Fiietó se apaixonou. E ele com a sua força e firmeza no braço, altivez de porte e agudez de vista, dominava a matari...