Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

FOLIA TATARITARITATÁ!!!



Gentamiga,
Vamos brincar este carnaval com muito frevo na Folia Tataritaritatá da Rádio Tataritaritatá!!!

Beijabrações e até 02 de março!!!!

Luiz Alberto Machado

OUTRAS DICAS:



CONSELHO DO DORO:




De repente o Doro aparece com o cardan freiado que só por causa de um fora da graciosíssima Katyalita.
Deu-se assim.
O Doro soube no caqueado do maior cochicho enredeiro que o sortudo do namorado da beldade deu pra acender a fluorescente. Ôxe, um desperdício, né? Um mulheraço daquele dando sopa prum cara que não mais aprecia o dicomer, ora, tinha que deixar a vaga para outro.
Então, dando conta da vacância, achou por bem o zezulino de deixar moçoila aprochegada a par dessa destruidora informação.
Na horagá ela ouviu tintim por tintim, cerrou as pestanas, mudou de cor, intrigou-se, ficou espionando direito com os olhos aboticados na conversa mole do apaideguado, quando ela voltou-se decidida para destampar a descompostura azeda:
- O sinhô faça-me o favor de guardar seus conselhos para socar no cu da sua santa mãezinha, viu? E passe bem!
Ela zarpou deixando o Doro com cara de quem perdeu o andar.
- Vai que cola, hem?

GUIA PARA CARNAVAL - Em sua 9ª edição, a revista Guia Cenário Cultural traz a programação completa do projeto Folia de Rua e Carnaval Tradição de João Pessoa. Nesse período a cidade oferece opções para todos os gostos – da música eletrônica ao frevo e o saudosismo das marchinhas. No periódico o leitor pederá encontrar opções de pontos turísticos, bares e restaurantes. O guia tem formato de revista de bolso com conteúdo principal voltado para a agenda de cultura e lazer da cidade. A revista, pioneira em nível local, é quinzenal e distribuída gratuitamente em bancas de revistas e postos de atendimento PB Turismo. A próxima edição está prevista para março. Outras informações: www.cenariocultural.com.br/.

EXPOCARNAVAL - Acontece, até a próxima terça-feira (24), a Expocarnaval, feira que reúne artesãos de vários municípios do Estado. A exposição, realizada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – Fundarpe na sede da Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura- RRNE/MinC, visa divulgar o trabalho de artesãos e artesãs de municípios da Região Metropolitana e também das cidades de Goiana, Bezerros e Nazaré da Mata. Ao todo serão 34 estandes que funcionarão diariamente das 14h a meia-noite. Outras informações: http://www.fundarpe.pe.gov.br/.

ENTRE CONFETES E SERPENTINAS – PARTE 1 - O CARNAVAL DE PERNAMBUCO É DEMAIS! Um texto da professora e pesquisadora de folclore, Thelma Regina Siqueira Linhares publicado no Cyberartes.

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BIG SHIT BÔBRAS

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

MUSA TATARITARITATÁ 2009 – ATÉ QUE ENFIM!!!!!



Gentamiga, estou azuadíssimo com o zoadeiro no meu pé do maluvido. A turma não pára de me azucrinar para trazer o resultado da Musa Tataritaritatá do ano passado.Vixe!

Primeiro, foi que eu achei de deixar a cargo do Papa Berto I da ICAS – Besta Fubana e do Duque de Jaraguá Carlito Lima, todo o certame.

Ocorre que, os dois embeiçadores contumazes daquela que matou o guarda, nem começando a reunião inaugural do concurso, tomaram uma de arrearem decilitrados trocando as pernas bicadinhos da silva e arengando com todo mundo porque defendem que não foram os cientistas nem ninguém além dos bêbados que ensinaram primeiro que a terra gira em torno do sol. Fodeu, Maria-preá. Deixei-los lá trocando as bolas.

Segundo, acontece que estou completamente arrependido de delegar poderes. Essa é uma prática que aqui no Brasil ninguém está acostumado ainda não. Culpa do nosso atraso secular, né?

Pois bem, achei de delegar poderes pra turma do Big Shit Bôbras.

Repare só a merda que deu e depois me diga se não é de se arrepender até o último pentelho do quiba. Vamos lá.

O chabu começou quando foi constatado que houve mais votantes que votos. Como é? Quando se conferiu direito, tinha mais voto que votante. Trocando em miúdos: simplesmente a conta não batia. Besteira, né? Nada!

A patrulha do Doro apresentou o resultado de que foram apurados 11 mil 966 votos e meio. E meio? Sim, porque o do Afredo Bocoió se conta pela metade.

Não confiando nesse resultado, instaurei uma comissão de sindicância para conferir tudo porque o negócio aqui é sério mesmo. Resultado: foram computados 37 mil 655 votos e votantes. Vixe! O triplo da contagem do Doro.

Foi aí que mandei tirar a prova dos nove. Resultado: apurou-se simplesmente 15 mil 263 votos. Nem um, nem outro. Coisa de louco.

Tirando o dito pelo não dito, nem valia eu querer mais nada. Mas, mesmo assim, fui verificar e para se ter uma suavezíssima idéia do rolo todo, só Padre Bidião votou sozinho por ele e por seus mais de 20 clones (menos um, aquele do caso Nardoni, lembra?).

Afora isso tinha de tudo: defunto que votou 10 vezes, apenado que surrupiou voto, político que corrompeu eleitor, neguinho que vendeu o voto, escrutinador adulterando resultado, juiz anulando tudo, uma baboseira geral.

Assim, também, não se salvando ninguém, cada um puxou a sardinha pro seu frasco, votando mais de uma vez e fazendo descaradamente boca-de-urna, propaganda enganosa e boataria braba, tudo em nome da preferida de cada um dos enjeitados.

Aí, meu, primando pela decência e lisura do projeto, afinal eleição é uma coisa que não dá para segurar a onda, resolvi tomar as rédeas e eu mesmo tentei desembrulhar essa paranoiada toda. Fiz o que devia ser feito, chamei tudo na grande, dei uns bregues, sentei porrada na tuia de votos e disse que quem mandava na mercadoria toda era eu e fim de papo.

Então, chamei uma bateria duma escola de samba dessas de uns 800 batedores de bombo e fechei a conta.

Pronto, tudo enretado e nos eixos, agora, em homenagem às nossas distintas mulheres, finalmente, o resultado da MUSA TATARITARITATÁ 2009!!!

Em primeiríssimo lugar, Maurren Maggi, a nossa ourinada atleta com 2132 votos.

Em segundo lugar, empatadas:
a cantora, interprete e compositora Karyme Hass,
a poeta, ensaísta e professora Maria Esther Macial,
a atriz Marcya Harco,
e a cantora, poeta e compositora Dhara todas com 2.101 votos.

Em terceiro lugar, empataram também:
A atriz, jornalista e escritora Tammy Luciano,
a cantora, dançarina e atriz Syla Syeg,
a atriz, poeta e autora teatral Alê Cavagna,
a cantora e compositora Ruthe London,
e a cantora Irah Caldeira, cada uma com 2099 votos.

Em quarto lugar apareceram a poeta e escritora Suzana Mafra,
a poeta, escritora e advogada Mariza Lourenço,
a cantora, compositora e bailarina Tatiana Cobbett,
a poeta, atriz e cantora Clauky Saba,
a poeta, escritora e advogada Valeria Tarelho,
a artista plástica Ana Luisa Kaminski
e a cantora e compositora Jozi Lucka com todas elas tendo individualmente 2.001 votos.

Em quinto lugar aparecem a atriz, apresentadora e colunista Claudia Cozzella,
a cantora e compositora Maria Dapaz,
a cantora Rogeria Holtz,
a cantora e compositora Monique Kessous,
a cantora e compositora Di Mostacatto,
a cantora e compositora Drica Novo,
a fotografa Andreia Kris,
a cantora Silvili,
a poeta, pedagoga e produtora cultural Catarina Maul,
a poeta Greta Benitez,
a cantora e compositora Bee Scott,
a cantora e compositora Rosana Simpson,
e a atriz Maria Dvorek que obtiveram 2 mil votos cada uma delas.

Aqui a nossa homenagem a todas as mulheres maravilhosas aqui representadas!!!
E a partir de 02 de março participe da MUSA TATARITARITATÁ 2010.

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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

A INJUSTIÇA BRABA DE TODO DIA



NA CAIXA A INJUSTIÇA BRABA DE TODO DIA

Luiz Alberto Machado

Era ainda finzinho da madrugada para início da manhã e já o Doro estava se desentronchando e afinando os cambitos no coarador dum rabinho de fila do lado de fora duma das agências da Caixa Economica Federal, quando, assim do nada, apareceu a espalhafatosa e exuberante Dacilda, uma reboculosa morenaça sestrosa de fazer o apaideguado suspirar virando os olhos e a sentir aquele lastimável e patético eflúvio dos enamorados na horagá do inicio das paixonites mais arrebatadores que se infincam pelas entranhas e atravessam a pleura deixando o cabra mais amolestado que afogueado no tirinete da existência de qualquer cristão.
Vixe, santa! Quando a pândega apareceu, logo o desinfeliz se esqueceu do que estava fazendo ali, maravilhado com todo aquele rebuliço de mulher!
Nossa, o cara estava mesmo extasiado porque aquela boazuda ali, pertinho, do seu lado, se balançava toda, cabelos, seios, vestido, aura e mais bregueços pendurados a fazer verdadeiro chocalhos na simpatia do malsinado, dele chega até abrir caminho e ficar arrodeando toda inquietude da mondronga.
Demais era ele sentir aquele perfume de carne perdida que dela exalava assanhando toda libido que eriçava topetes, trunfas e pentelhos, deixando o cara mais arrepiado que penteado de piloto de Fórmula 1, a ponto dele ficar amocegando passos dela e debulhando essências libidinosas para uma traquinagem certeira nos furunfados deliciosos duma deusa daquela nos sonhos dele.
Menina! Santa sedução mais endemoninhada tomou conta do cabra dele num parar quieto feito quem tem cotoco no rabo.
Nesse vuco-vuco todo, o bocó tomou pé da situação e foi se achegando no impado dos tremiliques segurados, sapecando cortesia jeitosa:
- Mas, madama, que sassucede prum milagreiro desses da sinhorita por estas arredondezas!
- Oi, querido, tudibão? Vim resolvê umas coisicas aqui. Nossa tá calor logo cedo, né?
Era a espaçosa toda em carne viva, suando pelos poros todos e deixando neguinho mais doido que de costume.
- Eita, maravilha! Mas num savexe qui tô aqui para sastifazê suas vontades! Xá, cumigo, madama, tô aqui pruquidé e vié!
Não podia fazer ele muita coisa não, a não ser segurar as pontas de não deixar a moça desconfortável, se bem que tinha para mais de mil na frente dele.
Enquanto ela ficava num pé e noutro, ele macaqueava as idéias no quengo. Pensou soltar um daqueles de todo mundo correr, mas o tiro podia sair pela culatra e distinta também se escafeder com a fedorência do peido dele.
Outra idéia de jerico foi a de levar os que estavam na frente tudo na munheca e nos peitos, mas percebeu logo a meleca do insucesso quando sacou que tinha gente mais parruda na sua frente para desindereitar seus propósitos.
Inquietou-se com a mulher buliçosa do lado e ele sem poder fazer, idéia nenhuma que prestasse a não ser a de agarrá-la logo para ela não fugir, o que daria, com certeza, numa queixa de assédio sexual de mofar na cadeia. Não, isso não. Tinha que ter tino.
Era ele todo jeitoso pras bandas dela e ela sorrindo aquele riso grande e largo com aquela dentadura de cachorra da moléstica que deixa marmanjo arreado de manha pro resto da vida, esprivitada toda com mesura do rapaz.
- Brigada, distinto! -, se empiriquitou a moça toda.
Eita, gota! A mulher exibia um jeito de gratidão desde do cabelo da cabeça aos dedos dos pés, que se exibia pelos beiços melado de batom vermelho, pelos olhos pretos vivos de dar gosto, pelo decote desarrumado nos peitos quase saltando com coração e tudo, pelo lascão rasgado e profundo da saia no entre-coxas roliças, na rabeta proeminente chamando o otário de banguela, tudo pulando fora pra cima do sujeito que já arrumava o carrinho-de-mão para dar algumas viagens a mais naquele carregamento exorbitante.
- De nada, dona moça bonita, está eu aqui praisso mermo, pronto para servi-la casa, comida e vida ajeitada pro todo o sempre, amen.
A jumentuda percebeu que havia fisgado a simpatia do rapaz e não deixou por menos já se aboletando maquiagem e adereços todos pra cima dele.
O rapaz com aquele ar de quem ganhou no papo, não se fez de rogado, tascou flerte solto enquanto a fila empancava ainda na calçada sol quente já das 7 da manhã torrando tudo.
- Quéqui a madama vai fazê na Caixa mermo, hem?
Essa curiosidade quase lhe valeu uma descompostura, mas a rabuda quedou-se sem passar recibo:
- Vô dá entrada no seguro desemprego -, disse ela com o sorriso já meio amarelado.
Ele se tocou, arrumou-se em riba da fivela e tentou consertar tudo:
- Ah, uma distinta assim num pode se gastá em empregos. Tem que sê venerada num trono feito uma rainha quié.
Acertou em cheio: ela ficou corada de satisfação de quase explodir de tanta volúpia arrebentando por dentro pra fora dela, quando o cabra aumentou na dose.
- Espia só, se num quisé ficá coarando aqui, podexá qui guardo o seu lugar. Vá se descansar na sombrinha ali da praça que eu guardo seu lugá.
Aí a moça só faltou pular em cima do cara! Mas sem saber o que fazer, se beijava ou abraçava ou agradecia, enrolou-se toda e só disse:
- Então ta!
Soltou um beijo para ele, deu uma volta da poeira subir e saiu nos saltos altos pesunhando com um rebolado macho daquelas modelos em dia de desfile de moda, para atravessar espalhafatosamente a rua e se aboletar escandalosamente num banco da praça em frente.
Um alvoroço mesmo. Todo mundo só olhava pra ela. O Doro se moía de ciúmes, mas pensou melhor e viu que ia dar para enrolar os outros e foi logo deitando uma conversa mole alugando o juízo dos outros, quando todo mundo caindo no papo de derrubar avião dele, foi deixando ele passar na frente da fila.
Oxe! Loguinho o cara estava o primeiro da fila e de lá só acenando pra ela. Os dois ficavam ali, ele no sol quente no quengo no meio daquela calçada e ela lá espragatada no banquinho da pracinha em frente, olhos nos olhos, cada um mais ancho que o outro quando o vigilante entregou a senha e ele chamou-la dela vir toda extravagante como uma égua no cio galope solto, adentrando ambos o recinto da instituição bancária mais espremidos que sardinha na lata.
Estão lá conversa mole, risinhos, piadinhas, jeitinhos, quando ambos, depois de horas levando chá de cadeira lá dentro – ele nem notou que chegou 5 horas da manhã pra fila do lado de fora, que entrou no recinto com a moça era já mais de 9 horas da manhã e que já passava das 3 da tarde quando foram atendidos cada um em guichês diferentes -, coisa muito prazerosa, por sinal, que ele queria que nunca findasse.
Foi simpaticíssimo com o caixa invocado que lhe pediu trocentos documentos e colocou todas as dificuldades do mundo para que o negócio não fosse resolvido nem pro resto da vida, quando ele num tava nem aí porque seu negócio mesmo era ela que brilhava no outro guichê toda atanazada.
Não adiantava colocar dificuldades porque não perdia a esportiva, vez que não tirava o olho da Dacilda, nem podia, claro, aquilo era um desmantelo nos projetos de vida dele. Marcialita que visse, hem?
Aí, meu, tanto idílio e no meio desse paradisíaco onirismo o mundo dele desabou. Como é? Tudo foi desmanchando, não por completo, quando o funcionário disse que só no dia seguinte por causa de um problema de desconfiguração do sistema que precisava ser renomeado e que ele deveria voltar no dia seguinte para que tudo fosse resolvido.
- Como é? -, já estava quase ríspido quando o cara explicou tudo de novo e ele foi se emputecendo cada vez mais sem entender nadica de nada do que o cara explicava.
Foi quando ele viu Dacilda fula da vida com o cara do guichê dela. Eita! Ele segurou a chateação e se dirigiu para Dacilda que também estava empancada com os problemas dela.
- Ele tá dizendo que só o mês que vem que vou receber, pode? –, se queixou meio que chorosa.
- Mas rapaz! -, reclamou Doro pro caixa.
Aí ele foi ficando injuriado partindo em defesa da amantíssima, alterando a voz e os palavrões e nem adiantavam as explicações do funcionário porque ela estava inquieta, remexendo que só nas coisas e pedindo pelos santos e anjos do céu inteiro para que aquilo fosse resolvido, ele dando corda, abufelado e metido a cheio da pregas, ronronando que só, ciscando e cagando raio, quando exigiu que se resolvessem tudo ali e agora mesmo. Não foi. O vigilante educadíssimo pegou-lo pelo gogó e fundilhos, arrastou-lo até o meio da rua, a sacudiu-lo dele espragatar-se feito uma prastada de manteiga derretida no asfalto. Ela veio atrás danando a bolsa no segurança que ainda deu-lhe um empurrão dela deitar-se com as pernas pra cima e bunda de fora para risadagem geral. Que coisa, hem?
Saíram os dois, ela completamente desolada e ele se aproveitando – sim, mas estava mais fodido que ela, pois o dele só poderia ser encaminhado no dia seguinte e também só se resolveria deus sabe lá quando.
Foi nessa hora que ambos presenciaram o desolamento da escritora Clotilde Tavares que saíra da mesma agência com um piripaque de quase morrer pelo pesadelo de dívida que se tornou o sonho dela ter uma casa própria com financiamento da Caixa. Por isso a Caixa Economica Federal está mais para o Caixote do Fecamepa. Vai pra Caixa você também? Eu, hem! Coisas do Brasil.

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BIG SHIT BÔBRAS

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

DAS BUNDAS & OUTROS ESTUDOS BUNDOLÓGICOS



Gentamiga!!!

Já apresentei aqui diversos estudos acadêmicos acerca da calipígica preferência nacional. O assunto, verdadeiramente, não se esgota nunca. Claro, afinal, o pódice é a maior atração do imaginário brasileiro. Quem manda ter uma fábrica porreta de quartudas reboculosas no Brasil, hem? Sorte nossa, né?

Pois é, a gente tem preferido as garupas femininas sem esquecer das abundâncias fabísticas, com a devida vênia da anuência das pudicas e belosas, pronto para tomar um suquinho de graviola pros peidinhos saírem bem cheirosos, tá? Então, tá.

Contribuindo inestimavelmente para a amplitude do debate acadêmico acerca de tema tão saboroso e aprazível, o médico, escritor e brilhante articulista paraibano de jornais como O Norte e o Correio da Paraiba, Marcus Aranha, traz esta belíssima crônica.



HÁ MAIS DE 500 ANOS

Marcus Aranha (publicado no Correio da Paraiba de 15/02/2009).

Há séculos, o homem tenta dominar a mulher com armas políticas. Descobriu a virgindade e tirou partido, fazendo da descoberta um mito em seu proveito. Construiu outros como, maternidade, domesticidade e passividade; mulher é pra ficar em casa... Tudo no sentido de anular a emancipação e obter o domínio completo.
A última arma do homem contra a mulher foi recrudescer o padrão estético dela, abalando-a psicologicamente: mulher só magra, tipo top model! Endeusaram as modelos sem peito e sem bunda. Aí, pra atingir o padrão exigido, as mulheres entraram numa loucura de exercícios e dietas de fome, obcecadas por emagrecer. Haja Herbalife, dieta da sopa, da lua, de Dr. Atkins, de Beverly Hills, Kiberom, chá de anis estrelado, malhação, caminhadas, hidroginástica, massagens e o diabo a quatro.
Ora, padrão de mulher foi Vênus, deusa do amor e da beleza, representada sob muitas formas: Vênus de Cnide, Vênus Erucina, Vênus de Cápua, Vênus Genetrix, Vênus de Milo e outras. Todas com bastante nádegas e seios. Há uma delas, a Vênus Calipígia, com a bunda magnífica, parecendo brasileira.
Leitor pudibundo, não precisa ficar chocado com tanta bunda neste artigo. Todo mundo tem bunda e bunda tem no mundo todo.
Na Capela Sistina, lugar insuspeitíssimo freqüentado pelo Papa, existem belíssimas bundas pintadas em afrescos de Sgnorelli, Botticelli, Ghirlandaio, Perugino e Michelângelo.
No Brasil, o padrão beleza tísica não faz sucesso. Brasileiro gosta da silhueta um pouco cheia, com mais sensualidade.
O excitante do corpo da mulher são as redondezas, doces contornos e formas voluptuosas. É a chamada beleza pneumática, que teve apogeu na Renascença, com mulheres de curvas opulentas, mas com o corpo obedecendo a cinco ditames: forma, harmonia, moleza, doçura e suavidade.
Mulheres! Deixem de passar fome e diminuam tanta caminhada e tanta ginástica. Se caminhar muito prolongasse a vida, carteiro era imortal. E ninguém vai adorá-las de ossos à mostra, só a grade.
Os homens são chegados à carnes desde 1500, quando Pero Vaz de Caminha em carta a El Rei, descreveu encantado a beleza das índias: "Bem novinhas e gentis, com cabelos pretos e compridos pelas costas; e as suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas, e tão limpas de cabeleiras... E uma delas era tão bem feita e tão redonda, sua vergonha tão graciosa, que à muitas mulheres de nossa terra faria vergonha, por não terem a sua como a dela”.
O safado do Caminha ficou vidrado nas redondezas e no sexo das índias, “vergonhas” gordinhas, fechadinhas, quase sem pêlos, diferentes das que ele conhecia nas portuguesas. Entusiasmado, não se conteve e escreveu contando ao Rei.
A Primeira Carta, “certidão de nascimento” do Brasil, já fala como as brasileiras são bem feitas e redondas.
No século 16 descreviam nossas mulheres, com “ancas e nádegas enxundiosas que convidam à luxúria”. Imagine! Àquela época, a gente já curtia bunda.
Houve época em que a TV mostrava cerveja como paixão nacional. O Carnaval vem aí. E em desfiles, blocos e bailes a TV vai exibir mulheres com muita carne e pouca roupa. Não vai mostrar uma só top model, esquálida, despeitada e desbundada, com um vão de quatro dedos entre as coxas, sambando na Marquês de Sapucaí. O que a gente vai ver em close e zoom, na cara da gente, é mil bundas por dia!
Taí... cerveja pode ser paixão nacional, na Alemanha. Aqui no Brasil, há mais de 500 anos, paixão nacional mesmo, é bunda!


Assino embaixo.



Veja mais outros estudos acadêmicos e escritos acerca do tema:
ESTUDOS ACADÊMICOS SOBRE A CALIPÍGICA PREFERÊNCIA NACIONAL
ABUNDÂNCIAS FABISTICAS
MULHER, AS PUDICAS QUE ME PERDOEM
MULHER: BELEZA É MESMO FUNDAMENTAL?
GRAVIOLA PRO PEIDINHO SAIR CHEIROSO
TOCHA HUMANA

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

FOLIA TATARITARITATÁ



SEGURA A COISA – Previa dia 13/02 - Prévia carnavalesca do Bloco “Segura a Coisa Que Eu Chego Já” Tema: “A onda é se segurar, campanha de redução de danos” Quando? Sexta-feira, dia 13 de Fevereiro, Aonde? Mercado Eufrásio Barbosa – Varadouro – Olinda Aonde? Mercado Eufrásio Barbosa – Varadouro – Olinda Que horas? 21:00 hs Atrações: Miúcha, Maestro Spok, Nonô Germano, Vibrações, As Barbies Ball Cats, Lula Cortes. Ingressos: 1º lote a R$ 15,00 (promocionais) A venda nas lojas: Olinda: Bob Nick – Shopping Tacaruna e Destroy.Recife: Bob Nick – Shopping Recife; Mylly’s – Centro e Destroy – Centro Informações: (81) 3439-1851 (81) 9145-3350 SEGURA A COISA ENGAJADO AS CAMPANHAS DE REDUÇÃO DE DANOS.



ZONA POSTAL – Os Correios vão promover muito frevo e animação no Carnaval 2009 da Cidade de Maceió. O bloco carnavalesco "Zona Postal" já está pronto para invadir as ruas do Centro da capital. O desfile será na sexta-feira, 13, saindo do Edifício Central dos Correios, às 18h, passando pelo calçadão do Comércio e seguindo para o corredor da folia, no bairro do Jaraguá. Frevo e folia comandarão os passos de carteiros, atendentes, motoristas, gerentes, familiares e demais colaboradores dos Correios. Todos unidos em um mesmo interesse comum: a alegria. O Zona Postal surgiu em 2000 de uma brincadeira de cinco funcionários que saíram pelos corredores do Edifício Central dos Correios cantando marchinhas de carnaval. Hoje, depois de nove anos de existência, o bloco arrasta mais de 600 foliões por ano. Contato: ascomal@correios.com.br (82) 3216-7390/7316/8811-6249

PINTO DA MADRUGADA 10 ANOS – No próximo dia 14, pelo décimo ano consecutivo o Pinto da Madrugada desfila na previa carnavalesca de Maceió. São 15 orquestras de frevo com 612 músicos, animando o bloco que se concentrará na Pajuçara. O carro alegórico homenageará o radialista Edécio Lopes que faleceu no último dia 21, após 5 meses internado.

AS PECINHAS – comemorando 26 anos de existência, as Pecinhas de Maceió, também, no dia 14, desfilando com o tema “Colegial: essa aula eu não vou perder. A concentração será ao meio-dia no Iate Clube Pajuçara, em Maceió, com a banda Xatrez. Pelas 14:30hs desfilarão ao som do Canibbal.

BLOCO DÁ SOPA – sairá no dia 15, pelas ruas do Jacintinho, em Maceió,o bloco que já tem 3 anos de desfile, Dá Sopa, que distribui sopa desde a concentração entre os participantes. A concentração será às 12 horas, na praça Xisto Gomes.

OS FILHOS DA PAUTA – o bloco carnavalesco fundado por jornalistas, radialistas e relações públicas de Maceió, os Filhos da Pauta, desfilará na noite do dia 13, ao som da orquestra Olindense de Frevos Zuza Miranda e Thais, com concentração a partir das 17hs no bar Pedra Virada, na Ponta Verde, saindo às 19hs em direção à praça Multieventos, na Pajuçara, para participar do Jaraguá Folia. Este ano o bloco empunhará o frevo composto pelo jornalista e compositor Ricardo Mota, autor do frevo “Edécio no Passo”.

BUMBA-MEU-BOI - Acontece na Praça de Multi-eventos (Praia de Pajuçara), neste sábado e domingo (15), o 15º Festival de Bumba-Meu-Boi de Maceió. O evento, que é uma realização da Liga dos Grupos de Bumba-Meu-Boi de Maceió, inicia às 16h com a apresentação do Boi dos Cajueiros. Outras informações: http://www.neliotorres.com.br/ .

BLOCOS - No próximo final de semana 14 e 15 (sábado e domingo), o Centro de Criatividade de Aracaju reúne muita alegria, folia e descontração, com os ensaios dos blocos carnavalescos da Grande Aracaju. O evento é gratuito, tem início às 17h e segue até as 21h. A ação acontece desde o ano passado, numa parceria da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) com a Liga dos Blocos de Carnaval e Escolas de Samba de Sergipe. Ao todo 10 blocos de carnaval desfilam fazendo uma retomada de manifestações carnavalescas sergipanas. Outras informações: Centro de Criatividade, Rua Saturnino de Brito, s/n, bairro Getúlio Vargas ou pelo endereço: taisolivia@gmail.com/ .

HUMBERTO TEIXEIRA - O baião é o novo tom que vai dar o ritmo ao Carnaval deste ano em Fortaleza, entre os dias 21 e 24 de fevereiro. O homenageado é um dos criadores do baião, o compositor cearense Humberto Teixeira, parceiro do pernambucano Luiz Gonzaga em canções referenciais como "Asa Branca". Casando tradição e atualidade, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), reverencia o "doutor do baião" através da decoração que ganha às ruas da cidade e no domingo de carnaval. Um dos pólos principais o (Asa Branca) fica na praia de Iracema, Fortaleza-CE, onde se concentra a programação de shows de grandes nomes da MPB. Outras informações: www.fortaleza.ce.gov.br/cultura/ .



BLOCO DA LATA 2009 – Toda programação com muitas novidades e surpresas para o desfile deste ano no www.portalvibenet.com.br ou a Comunidade Oficial do Portal Vibenet: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4605217



CARNAVAL UNE – Cuca-Rio e o "Canto da Fofoca", Apresentam: "O Samba UNE" Homenagem a Mauro Duarte Com ELIANE DUARTE sambista e intérprete deste grande compositor, seu pai com o grupo Unesamba (Marquinhos Duarte, Tim da Viola, Venício do Surdo e Jorginho do Pandeiro) sábado 14 de fevereiro a partir das 17 horas SEDE DA UNE NA Praia do Flamengo, 132 (entre Correia Dutra e Buarque de Macedo) entrada gratuita informações: Lula Dias 9743-5003 luizluladias@yahoo.com.br LOGO APÓS: Baile de Carnaval "O Samba UNE" Comemorando os 2 anos e retomada da sede dos estudantes e um ano de O Samba UNE distribuição gratuita de adereços, confetes e serpentinas... Projecão de imagens e filmes de carnavais antológicos www.cucario.blogspot.com



VEJA MAIS:
FOLIA TATARITARITATÁ

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

RUBEM FONSECA



Imagem: Liberati

VASTAS EMOÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS DE RUBEM FONSECA

“Eu possuo o saber, sem os sentidos, o conhecimento, sem percepções visuais. Meu sonho é feito de idéias”

“Não gosto de televisão. Admito que talvez a televisão seja o meu futuro e os de todos os cineastas, lamentavelmente. Cenário sombrio: a televisão, depois de assegurar a sua posição de principal veículo de lazer e informação, torna-se o único meio de comunicação de massa, mantido por cretinos e/ou aproveitadores sinistros, que produzem uma gratificação espúria e emocionalmente deletéria para um publico passivo e apático, de todas as classes sociais (os ricos usando telas imensas, do tamanho das telas dos antigos cinemas, que não existem mais, viraram farmácias, agencias de bancos) vêem televisão durante a maior parte do tempo, uma média de doze horas por dia – muitos deixam a televisão ligada até para dormir”.

“(...) Estou nervoso pois tenho que faze e desfazer malas, fazer e desfazer amizades e também porque perdi minha por não querer dar um tiro de misericórdia na nuca das pessoas que amo”.

“(..) A religião era um grande negócio dirigido por estelionatários”.

“(...) o verdadeiro artista odeia o país que nasceu...”

“(...) O mal do nosso mundo é que as pessoas cada vez pensam menos”.

“(...) Que sensação ambígua de medo e euforia, saber que alguém o está perseguindo para matá-lo! Como é bom ter uma base real para a própria paranóia!”

“(...) cada geração que surge é pior que a outra”.

“(...) A idéia da perfeição, tanto quanto a sua busca, é uma utopia de sonhadores”.

“(...) Houve época em que pensei em me tornar escritor, mas verifiquei que não era louco o suficiente para tanto. Acho que o sujeito que é escritor, em principio, não é muito bom da cabeça”.

“(...) O arrependimento nunca é um gesto espontâneo, há sempre alguma coerção por trás dele”.

”(...) A dublagem de filmes, como regra geral, foi feita pela primeira na Itália de Mussolini. Uma coisa fascista”.

“(...) O homem necessita purgar os horrores que comete e umas das maneiras de fazer isto é não esquecê-los”.

“Lembre-se da lei da implicância universal: se você não quer ser visto, será – e vice-versa”.

“(...) ao enviuvar descobrira que não podia mais manter sua vida fútil e dissipada, a menos que se desfizesse de parte dos seus bens.assim, vendeu as jóias, as propriedades e, por fim, a filha”.

“Certamente haveria escorpiões naquele porão. Quando eu era criança, minha mãe, para me afastar do porão da casa, vivia contando histórias sobre pessoas que morreram picadas pelo aguilhão dos escorpiões. Sempre brinquei com eles de maneira cautelosa. Vi muitas fêmeas parirem bebes escorpiões vivos e andarem pelo chão com as costas cheias deles,a te que fossem cortados os laços de família e os jovens, já cheios de venenos em seus aguilhões, saíssem pelo mundo solitariamente. Porque o escorpião é um solitário, o mais misantropo dos animais, só se aproxima do seu semelhante para foder ou para lutar até a morte. (...) A fêmea mataria o macho, caso ele não conseguisse fugir, o que era muito raro, e depois iria devorá-lo, ou melhor, sugá-lo. Os escorpiões matam sua presa, ferindo-a e inoculando-lhe uma neurotoxina que causa um envenenamento parecido com o da estricnina. Em seguida injetam nos ferimentos que causaram umas enzimas digestivas, que fluidificam o tecido interno da presa. Após o que, sugam-na até deixá-la apenas um invólucro seco. (...) Enquanto a fêmea punha-se a devorá-lo, a sorvê-lo, eu olhava fascinado e ela me olhava de volta, eu sabia que me olhava de volta, desde criança eu sabia que os escorpiões me olhavam também, principalmente quando eu lhes falava no porão da minha casa: os escorpiões podem ter até doze – doze! – olhos, e quem tem tantos olhos assim tem que ser muito perspicaz. (...) o escorpião é apresentado como um personagem ignóbil, capaz de muitas traições. Pobres animais. Até inventaram que eles se suicidam quando ameaçados, o que é uma sórdida aleivosia”.

“(...) Os melhores curandeiros, classicamente, são os aleijados, os cegos, os padres e as virgens histéricas”.

“(..) Eu não queria renunciar ao mundo, mas o mundo havia se tornado uma coisa cansativa”.

RUBEM FONSECA – O premiadíssimo escritor, roteirista e advogado mineiro, Rubem Fonseca, foi comissário de polícia no Rio de Janeiro, chegando a se aperfeiçoar na área e a estudar Administração de Empresas na New York University. Depois trabalhou na Light quando, por fim, dedicou-se exclusivamente à literatura sendo agraciado com inúmeros prêmios literários por seus escritos literários e roteiros cinematográficos. Entre as suas obras está “Vastas emoções e pensamentos imperfeitos”, um romance que foi publicado em 1988 que traz a sensação de se estar no cinema assistindo a uma colagem de questões intelectuais, angústias humanas, romance policial, cenas da guerra fria, loucuras do sonho. Talvez seja o melhor da obra de Rubem Fonseca porque ler Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos significa não conseguir parar um minuto sequer. É enxergar a vida e as situações cotidianas do homem dentro de uma ótica cinematográfica, na qual é necessário que haja uma lógica concisa e eficiente. Os personagens devem ser sempre muito bem definidos, suas ações delimitadas, seus sentimentos delineados para que o público capte "o quê o diretor quis dizer". E é aí que se encontra a confusão. A história de um cineasta-narrador que se envolve com uma história de pedras preciosas e assassinato, ao mesmo tempo em que começa a ler os contos do judeu soviético Isaak Bábel. A tentativa de transformar tais contos em roteiro para sua nova produção, junto aos seus confusos sentimentos e amores acaba em uma mistura da lógica racional da linguagem cinematográfica, à completa falta de lógica da linguagem inconsciente dos sonhos e a tentativa de adaptar a linguagem literária à uma realidade. E então, qual a mensagem que deve ser passada? Há algo que deve ser passado? Como organizar as vastas emoções sem deixar com que se percam em pensamentos imperfeitos? Rubem Fonseca não fornece respostas, mas incita questões - questões essas que valem muito a pena. Veja mais Rubem Fonseca.

FONTE:
FONSECA, Rubem. Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. São Paulo: Planeta De Agostini, 2003.

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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

PADRE BIDIÃO: AS DUAS VIOLÊNCIAS



Imagem: foto recolhida pela novelista global Gloria Perez na última aparição do padre em combate contra a violência.

AS DUAS VIOLÊNCIAS

De repente o padre Bidião desperta meio azuado com o ronco solto dum cochilo manemolente e meditativo, ainda bocejando abiscoitado no meio de sua hibernação divinatória.

O homem deu um salto doido de ficar com os olhos arregalado pros lados, pronto para revelar mais uma das suas ocultidões mais transcendentais.

Ih! É sempre assim.

É verdade, é que ele adormece profundamente do cachimbo cair, da baba escorrer, do ronco se lascar e findar todo cagado. Aí, eureka!! É quando a iluminação do vaticínio destampa a doidice e traz o indicador levantado para pronunciar imperativamente a sua revelação.

Foi exatamente quando ele gritou que existem duas violências!

- Duas violências -, repete ele com veemência.

E explicou:

- A primeira violência é aquela que é tácita, aparentemente invisível aos olhos comuns, mas duma ubiqüidade quase onipresente e jamais devidamente apurada e comprovada ou desvendável nos seus meandros. Isso quase, claro. É essa violência que é a causa real de tudo e que está escondida quase hermeticamente nos gabinetes das repartições públicas onde estão arrumados os negociantes e interesseiros da miséria. É aquela que segue incólume por debaixo dos panos da sujeira nas falcatruas dos políticos e autoridades do Brasil. É aquela que está no meio dos acordos espúrios de levar pro bolso dos mandatários da Nação toda abastança fácil. É aquela que nasce na acumulação sonegatória dos que subtraem de todos para o vultoso patrimônio daqueles que se dizem locomotivas do desenvolvimento da Pátria e nas comemorações efusivas dos magnatas do vosso reino tudo que compram todos os óbices e sentenças! É aquela que se sustenta com a proibição das coisas para lucro dos sabidos. Esta é a primeira violência, a que ninguém ver, ninguém quase nem sabe, mas todo mundo sente e sofre:com as suas conseqüências, porque é quando roubam de todos para uns poucos gatos pingados do compadrio e negociatas. E tiram merenda da boca das crianças. E desviam remédios dos doentes do SUS. E caem por cima de verbas que eram para a calamidade pública da pobreza e da miserabilidade do Brasil. É quando vendem por suborno os privilégios dos que enriquecem a custa do direito de todos, da exclusão de todos, da desgraça de todos.

Vixe-santa criatura!!! Num é que o padre endoidou de vez. Ou está endoidando.

Foi que o homem vociferou isso com os olhos esbugalhados e com uma cara de quem estava pronto para desvendar o mistério mais recôndito dos irreveláveis.

Confesso que fiquei arrepiado e atônito com o tom bombástico de sua discurseira toda. Nunca tinha visto ele naquele estágio.

E nem me deixou respirar direito quando retomou a saraivada de indignação.

- Agora, a segunda violência, esta é pura e simplesmente a conseqüência, o retorno e o troco da primeira. Naturalmente esta é a que todo mundo ver e que está estampada nas páginas dos jornais, nos programas de rádios e tvs, nos discursos dos políticos e autoridades, no assalto a mão armada, nos furtos do ladrão de galinha, no roubo geral de posses, nos trambiques da esquina, no peculato, na concussão, no excesso de exação e na corrupção de tudo e de todos, na prevaricação e no envolvimento de policiais e de outros funcionários públicos no tráfico de tudo, na queima de arquivos, na remoção de obstáculos, no silêncio a mando de armas, na conivência de todos, na subserviência de todos, na servidão, na deserção e na participação de todos!

Valei-me, minha santa sobriedade da carraspana!!!!

O homem estava enfezado mesmo. E ainda destabacou:

- A primeira violência, a que é matriz e causa de tudo, é aquela que está nos suntuosos ambientes da podridão humana, ou seja, entre os privilegiados abastados e mandões de plantão. A segunda, a que é o efeito e conseqüência da primeira, é a que todos são sacudidos para remoerem pelos esgotos da incompetência e só comprova a degeneração geral da humanidade.

Por fim, ele sapecou mais:

- Como todo mundo ver o mandão mais casacudo da babaovice nacional mamando e ajeitando com todo charme para sucesso da impunidade que nunca dar em nada, aí, meu fio, num tem quem num se assujeite a afanar e procurar o molezinho para se arrumar, ora. Na esculhambação todos se copiam. E lá vai teibei!

Disse isso puto da vida. Aí, se calou de vez e se aboletou na arupema já roncando sono solto outra vez.

Veja mais Padre Bidião no Big Shit Bôbras.

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Domingo, Fevereiro 08, 2009

CHICO PEDROSA & TATARITARITATÁ



BRIGA NA PROCISSÃO

Chico Pedrosa

Quando Palmeira das Antas
Pertencia ao Capitão
Bento Justino da Cruz
Nunca faltou diversão:
Vaquejada, cantoria,
Procissão e romaria,
Sexta-feira da paixão.
Na quinta-feira maior,
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reunia os moradores
E ao lado do Capitão
Fazia a seleção
De atrizes e atores
O papel de cada um
O Capitão que escolhia
A roupa e a maquilagem
Eram com Dona Maria
O resto era discutido,
Aprovado e resolvido
Na sala da sacristia.
Todo ano era um Jesus,
Um Caifaz e um Pilatos
Só não faltavam a cruz,
O verdugo e os maus-tratos
O Cristo daquele ano
Foi o Quincas Beija-Flor
Caifaz foi Cipriano,
Pilatos foi Nicanor.
Duas cordas paralelas
Separavam a multidão
Pra que pudesse entre elas
Caminhar a procissão
Cristo conduzindo a cruz
Foi não foi advertia
Pro centurião perverso
Que com força lhe batia.
Era pra bater maneiro
Mas ele não entendia
Devido a um grande pifão
Que bebeu naquele dia
Do vinho que o capelão
Guardava na sacristia.
Cristo dizia: ôh, rapaz,
vê se bate devagar!
Já estou todo encalombado,
assim não vou aguentar,
tá com a gota pra doer,
ou tu pára de bater
ou a gente vai brigar!
O pior é que o malvado
Fingia que não ouvia
E além de bater com força
Ainda se divertia,
Espiava pra Jesus
Fazia pouco e dizia:
Que Cristo frouxo é você,
que chora na procissão?
Jesus pelo que eu saiba
não era mole assim não.
Eu tô batendo com pena,
tu vai ver o que é bom
na subida da ladeira
da venda de Fenelon.
O couro vai ser dobrado
daqui até o mercado
a cuíca muda o som!
Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas que com raiva
Sacudia a cruz no chão
E partia feito um maluco
Pra cima de Bastião
Se travaram no tabefe,
Ponta-pé e cabeçada.
Madalena levou queda,
Pilatos levou pancada
Deram um bofete em Caifaz
Que até hoje não faz
Nem sente gosto de nada.
Desmancharam a procissão,
O cacete foi pesado.
São Tomé levou um tranco
Que ficou desacordado
Deram um cocorote
Na careca de Timóti
Que até hoje é aluado.
Até mesmo São José,
Que não é de confusão
Na ânsia de defender
O filho de criação
Aproveitou a garapa
Pra dar um monte de tapa
Na cara do bom ladrão.
A briga só terminou
Quando o Doutor Delegado,
Interviu e separou:
Cada Santo pro seu lado!
E desde que o mundo se fez,
Foi essa a primeira vez
Que Cristo foi pro xadrez,
Mas não foi crucificado.

CHICO PEDROSA - Chico Pedrosa é um poeta paraibano radicado no Recife (PE), com 71 anos de idade vendendo seus livros e cds de mão em mão ou em apresentações organizadas por amigos.

E MAIS:

FORUM SOCIAL MUNCIAL: ASSEMBLÉIA DE COMBATE À CORRUPÇÃO FSM 2009 AMAZÔNIA - Os participantes da Assembléia Final de combate à corrupção e impunidade, vindos de todos os continentes, e que debateram durante o FSM 2009 diferentes aspectos e dimensões da corrupção e da impunidade no mundo propõem: Constituir uma “Rede Mundial de Luta Contra a Corrupção e a Impunidade”. Disponibilizar espaço na internet para torça de informações e propostas de ação. Convidar a todas as entidades e ativistas da luta contra a corrupção a se integrarem a essa rede. Realizar atos e manifestações de diferentes tipos em todos os países durante o Dia Mundial Contra a Corrupção- 9 de dezembro de 2009. Reunir-se em junho desse ano para avaliar os encaminhamentos e preparar a articulação das manifestações de 9 de dezembro. Que seja realizada uma “Marcha Mundial de Combate à Corrupção e a Integridade”, inspirada na Marcha Global Contra o Trabalho Infantil realizada em 1998. Que os integrantes da Rede Mundial realizem ações locais de diferentes tipos Alo longo de 2009 abordando questões como: Educação para superar a cultura da corrupção utilizando também os meios de comunicação de massa, caravanas, cartilhas, etc; Popularização das convenções internacionais contra a corrupção; Proteção dos ativistas que denunciam e combatem a corrupção; Aperfeiçoamento das leis anti-corrupção, especialmente as leis eleitorais e contra a impunidade; Luta contra a impunidade em suas mais diferentes formas; Luta contra os paraísos fiscais; Luta pelo direito dos cidadãos às informações sobre o uso dos recursos públicos; Transparência nos contratos das empresas nacionais e multinacionais; Combate aos desvios de recursos e financiamentos nacionais e internacionais; Financiamento privado de campanhas políticas; A “Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade”, lançada no FSM 2009, se encarregará de viabilizar os instrumentos necessários para os encaminhamentos propostos. Todos os integrantes da Rede Mundial se comprometem a articular e convidar as iniciativas já existentes a se integrarem na Rede Mundial FSM 2009 02 de fevereiro de 2009 Belém do Pará Brasil Info. Lanna Verillo - Dir. Combate à Corrupção www.amarribo.org.br AMARRIBO



GALO DA MADRUGADA - Camarote Ofical do Galo da Madrugada Para maiores informações: Lead! Assessoria e Promoção 81- 3878-9999



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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

O MATUTO E A REVISÃO DO PORTUGUÊS



REVISÃO ORTOGRÁFICA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Bob Motta

Dotô, eu tô incucado;
num vô me acustumá, não.
Cum essa nova ortografia,
adispôi da revisão.
P’rum matuto qui nem eu,
a mióra num se deu,
gerô mais cumpricação.

Derna de doze de ôtubro,
do ano da graça noventa,
qui a língua portuguesa,
sua unificação, tenta.
O acôrdo é um tratado,
agora oficializado,
qui a um tempão qui se tenta.

Cumeçando cum o aifabeto,
arrelembro pra vocêis,
sôbre o número dais letra,
qui era de vinte e trêis.
O K, o W e o Y entraro,
cum ais ôta se ajuntaro,
e agora é vinte e seis.

Sigundo o anunciado,
in tudíin qui é de recinto,
trema, aquêles dois pontíin,
do português foi ixtinto.
Sem o dito, referido,
ninguém mais vai tá perdido,
naquêle véi labirinto.

O tá do acento agudo,
caiu nuis ditongo aberto.
Meio mundo de palavra,
num tem mais êle, nem perto,
A todo e quaiqué momento,
pode iscrevê sem acento,
cuntinua tudo certo.

Tem mais uma ruma de regra,
prá êsse acento qui caiu.
Se atiro no qui se oiava,
e acertô no qui num viu.
Duis grupo gue e gui,
mode o cabra se intupí,
o bicho tombém sumiu.

O acento circunfrexo,
qui é aquêle chapéuzíin,
palavra finda in hiato,
tombém perdêro o bichíin.
De regra, quage uma centena,
vai me dá sodade e pena,
do chapéu tão bunitíin.

Essa nova ortografia,
faiz o matuto indoidá.
Cum meus sessenta e um ano,
num vô mais me acustumá.
De um pra ôto momento,
tombém tiraro uis acento,
chamado diferenciá.

In Portugá, coitadíin;
tombém fôro retirada,
ais tá “consoante muda”,
qui nais palavra, era usada.
Intonce, digo a você,
qui tanto o C cuma o P,
tão de fora da jogada.

O hífen qui antigamente,
era o traço de união,
tombém disapariceu,
prá mim, gerô cunfusão.
Pois o bicho num morreu,
mode cunfundí mais eu,
a regra tem exceção.

Ainda sobre o tracíin,
é bem cumprido, o assunto.
Dêxa o cabra cunfundido,
ô abestaiádo, e munto.
Num sei mais dá meu recado;
Tudo-junto é separado ?
Separado é tudo junto ?

Mais num quero me metê,
se isso é ô num é bem feito.
Nuis cuncurso, nuis colégio,
muda intêríin, uis cunceito.
Mais vô, meus verso matuto,
de linguajá puro e bruto,
iscrevê do mêrmo jeito.

Esse acôrdo entre uis País,
donde a língua é o Português,
mudo, mais eu num me avéxo,
no verso, juro a vocêis;
qui acredite quem quizé;
mais eu cuntinuo fié,
ao meu véio MATUTÊS.

Eu lhe juro qui num é,
resistença àis mudança.
Sô puta véia na zona,
num sô mais uma criança.
Prá aprendê tudíin de nôvo,
juro, meu querido povo:
Num tenho mais isperança.

Eu sô um poeta véio,
qui de iscrevê, num se acanha
Mêrmo disatualizado,
no seu versá, se assanha.
Pru mais qui pareça incríve,
eu acho quage impossíve,
qui argúem tire ais minha manha.

Num preciso de tratado,
prumode falá de amô.
Dais coisa do meu sertão,
de Jesus Nosso Sinhô.
Da nossa mãe natureza,
de tôda sua beleza,
feita pelo Criadô.

Mais antes qui in Portugá,
venha cuntecê o pió,
o poeta caririzêro,
de pertíin do Siridó;
pregunta, sem fazê zôrra;
cumo s’iscreve ora pôrra;
é cum Agá ô cum Ó ?

Mais uma ôta pregunta,
eu quero aqui fóimulá.
Parece, mais eu num quero,
a ninguém, iscandalizá.
Bob, a preguntá, s’axtreve;
Chibiu, cuma é qui s’iscreve ?
É cum xis ô cêagá ?

Se seu Português num é rim,
me arresposte no momento.
Sem zuada, sem pantíin,
sem ninhum cunstrangimento.
Me diga, Seu Niculau;
na palavra pica-pau,
tu bota ô não, teu acento ?

Sobre a nova ortografia,
taí, apôis, meu paricê.
Num sô dono da verdade,
mais afirmo prá você;
p’ru poeta véio, idoso,
qui nem burro véi, manhoso,
num dá mais mode aprendê.

Pode sê, mais é difíce,
o poeta assimilá,
essas modificação,
qui acabaro de entrá.
Mêrmo me achando feliz,
cumo um eterno aprindiz,
da curtura populá...

BOB MOTTA – o poeta Roberto Coutinho da Motta é membro da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, da União Brasileira de Trovadores-UBT-RN, do Instituto Histórico e Geográfico do RN, da comissão Norte-Riograndense de Folclore, da União dos Cordelistas do Rio Grande do Norte-UNICODERN, da Associação dos Poetas Populares do Rio Grande do Norte-AEPP e do Instituto Histórico e Geográfico do Cariry-PB. Sua obra está reunida no seu sítios: www.bobmottapoeta.com.br e no seu profile do www.recantodasletras.com.br/autores/bobmottapoeta

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