quinta-feira, outubro 22, 2009

TRES POEMAS ERÓTICOS DE MARIO QUINTANA





AMOR

Amor
Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo

VERÃO

No capinzal o meu cabelo cresce.
Pende, polpa madura, o labirinto no fruto
Todo o calor te diz: "amadurece Mais, ainda mais e tomba"!
Eu não espero
Vento nenhum que te derrube,
Eu quero que tombes,
Doce e morna, por ti mesma,
Onde mais sejas desejada e apetecida...
Vem!
Faremos
Da verdura acre
E doce polpa
Manjar que as reses lamberão
E virão farejar os animais noturnos
Antes de que nos sorva, lentamente o chão...


A CRIAÇÃO DA XOXOTA

Por ocasião do centenário do grande poeta
gaúcho, versos de puro lirismo!
Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro
Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão
Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno
Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.
Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.
Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'.
Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...
Buceta!

MÁRIO QUINTANA – Poeta gaucho teve seu primeiro livro publicado em 1940, A Rua dos Cataventos. Em 1943, começa a publicar o Do Caderno H, espaço diário na Revista Província de São Pedro. Canções, seu segundo livro de poemas, é lançado em 1946 pela Editora Globo. O livro traz ilustrações de Noêmia. Lança, em 1948, Sapato Florido, poesia e prosa, também editado pela Globo. Nesse mesmo ano é publicado O Batalhão de Letras, pela mesma editora. Seu quinto livro, O Aprendiz de Feiticeiro, versos, de 1950, é uma modesta plaquete que, no entanto, obtém grande repercussão nos meios literários. Foi publicado pela Editora Fronteira, de Porto Alegre. Em 1951 é publicado, pela Editora Globo, o livro Espelho Mágico, uma coleção de quartetos, que trazia na orelha comentários de Monteiro Lobato. Com seu ingresso no Correio do Povo, em 1953, reinicia a publicação de sua coluna diária Do Caderno H (até 1967). Publica, também, Inéditos e Esparsos, pela Editora Cadernos de Extremo Sul - Alegrete (RS). Em 1962, sob o título Poesias, reúne em um só volume seus livros A Rua dos Cataventos, Canções, Sapato Florido, espelho Mágico e O Aprendiz de Feiticeiro, tendo a primeira edição, pela Globo, sido patrocinada pela Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul. Com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, é publicada sua Antologia Poética, em 1966, pela Editora do Autor - Rio de Janeiro. Lançada para comemorar seus 60 anos, em 25 de agosto o poeta é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira. Info: Karl Leite Natal, RN.Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
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