sexta-feira, agosto 28, 2009

PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO




PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO - O presente trabalho é resultado da reflexão acerca da obra “Freud e a pedagogia” de Mirelle Cifali e Francis Imbert. Justifica-se a realização do presente estudo tendo em vista a busca pelas contribuições da psicanálise na prática educacional, tendo em vista que esse modelo psicológico debruçou-se sobre as fases de desenvolvimento infantil, fases essas que precisam ser levadas em consideração na prática pedagógica. Ocorre que sob a perspectiva freudiana a educação é reprodutora da cultura e da moralidade civilizada que incidem diretamente sobre o desenvolvimento da criança, proporcionando, por isso, a causa de neuroses e de doenças nervosas. Essas enfermidades constatáveis pela perspectiva psicanalítica devem ser levadas em consideração tanto pelos pais como por professores ou educadores, no sentido de que essa reprodução pode ser danosa ao desenvolvimento infantil, requerendo, portanto, uma outra forma de prática educacional pautada no apoio e na compreensão dos conflitos oriundos da repressão, interdito e coerção. Em vista disso, objetiva o presente trabalho observar as contribuições da psicanálise para a educação, observando-se os ensinamentos freudianos e de seus seguidores, para identificação de tais características, tendo-se por base a obra dos autores em estudo. A metodologia aplicada ao presente estudo compreende a leitura da obra em seus diversos capítulos e subitens, considerando o posicionando freudiano e de seus seguidores, as experiências adotadas pela educação com base na psicanálise e o propósito da educação psicanalítica. Ao abordar a temática dos limites na educação, os autores destacam a perspectiva freudiana voltada para as relações que envolvem professores e alunos que contribuem para o processo da aquisição e apropriação de conhecimento. Contudo, detecta nessa relação a ilusão da pedagogia e da psicopedagogia tendo em vista a moral sexual civilizada e a doença nervosa dos tempos modernos, tornando a ação educação uma tarefa impossível. Essa tarefa impossível está embasada numa série de fatores, a exemplo da busca pela satisfação possível, pelo interdito do incesto, pela ilusão do progresso e pelos contextos simbólicos, em razão do papel do professor é o da apresentação de objetos valorizados socialmente por meio de um trabalho desenvolvido com as sublimações das pulsões parciais. Por outro lado, o papel do terapeuta se encontra na descoberta das origens e motivos inconscientes que possuem mobilidade no aparelho psíquico nas submissões dos processos de sublimação, deslocamento e recalques. Por essa ótica, entende-se que o processo educacional perpetua a condenação da sexualidade por se encontrar encarregada da transmissão da moralidade social que reprime a sexualidade para possibilitar a convivência da sociedade. Nesse contexto, dá-se a percepção de que a prática educacional enquanto reprodutora da moralidade social repressora evidencia a sua responsabilidade pelas causas das neuroses promovidas pelo excesso de recalque. Por essa razão, para a teoria psicanalítica há uma relação entre a educação e o recalcamento social das pulsões para desencadeamento de neuroses, definida a partir do desenvolvimento organicamente determinado que se confronta com a impossível conciliação entre as reivindicações das pulsões sexuais e as exigências da civilização. Ao efetuar consideração sobre o interdito do pensar, as autoridades tomam forma dentro do contexto parental nas relações de um poder que se manifesta com base nas mais diversas formas de limitações originárias da moralidade social, que atua com falsas teorias ocultando a apresentação e questionamento acerca da vida sexual do indivíduo, que servem de base para a ilusão do processo transformador que a educação se serve, tanto pelas visões confessionais, quanto revolucionárias, por estarem carregadas da ideia de fechamento e condução da moralidade conservadora. Nesse ponto apresenta-se a perspectiva de que a educação psicanalítica passaria pela atitude de acolhimento, acompanhamento, sem repressão ou táticas ilusórias que evitasse a alimentação da agressão, respeitando-se e trabalhando o direcionamento das insatisfações para focos prazerosos noutras atividades ou identificações, voltando-se para uma ação profilática mais contundente entre os professores e educadores. Na parte identificada para o interesse pedagógica, observou-se o interesse na área da educação infantil como principal campo de aplicação da psicanálise, tendo em vista que esta se debruçou o processo de desenvolvimento da criança ao identificar suas fases de evolução e seu desenvolvimento orgânico determinado. Ocorre, contudo, a defesa freudiana do exercício da análise por parte do professor tendo em vista o seu aprendizado próprio, possibilitando que intervenha na relação com seus alunos na busca pela satisfação desejada entre eles. Essa defesa da análise leiga está mais no processo intuitivo valorizado do que no conhecimento científico impessoal e indiferente do médico. Tal fato se prende em razão da psicanálise não ter o interesse nem se destinar a uma prática médica, optando, portanto, por uma prática que envolva uma pesquisa científica e uma prática educativa. Nesse sentido, a psicanálise infantil por ser convocada como adjuvante na prática educativa, destacando-se o trabalho de pesquisa exaustiva desenvolvido por Anna Freud na convergência entre a psicanálise e a educação. Ao se chegar à abordagem acerca do pensamento de August Aichhorn, observou-se que este buscou a psicanálise como auxilio na luta contra a delinquência por meio de um estudo aprofundado sobre o psiquismo infantil para desenvolver um centro de criminoterapia destinado ao trabalho com crianças pré-delinquentes e delinquentes, incluindo pais e professores no processo. A esse respeito, encontrou-se o posicionamento freudiano de interesse em aplicar na educação as práticas psicanalíticas, reconhecendo-se o alto valor social da educação na orientação e assistência às crianças, encaminhando-as e protegendo-as. Destaca-se o trabalho de Aichhorn intuitivamente voltado para minimizar os problemas da delinquência infantil, tomando-se, também intuitivamente, por base a psicanálise. Contudo, para que haja uma intervenção com esse tipo análise faz-se necessária uma formação psicanalítica reunindo experiência pessoal e teoria, não se podendo sobrepor a educação nem a psicanálise, desde que esta possa auxiliar na melhor condução para desenvolvimento da criança. Observou-se que Aichhorn fez utilização do referencial psicanalítico para desenvolver o seu trabalho com a delinquência infantil, a partir do entendimento da sintomática neurótica e na constatação de que o ato de delinquência se caracteriza pela ausência de sofrimento, indicando que os processos do aparato psíquico são determinados pelo comportamento social e pela criação de uma distorção que não encontra aceitação comportamental no seio social. Vê-se com isso o surgimento de um ambiente educativo com maior amplitude objetivando o equilíbrio como ideal de ego. A partir então trata acerca da relação com o professor proposta por Hans Zelligen, da comunidade com seus guias na identificação imaginária e simbólica, bem como nos testemunhos e confissões. Nessa parte da obra há um percurso em que trata das proposições efetuadas por Zellingen e Aichhorn. Aichhorn se preocupa com a delinquência e por essa razão recorre à psicanálise, sendo, pois o primeiro a efetuar uma reforma no ambiente educativo, definindo a relação entre professor e aluno, a partir da transferência positiva seguindo-se de uma orientação ideal do ego. Enquanto Zelligen atua de forma grupal, reprovando o privilegio da dualidade na relação professor-aluno, tratando de um modelo de relação de massa em torno do líder. Ocorre que ambos se aproximam e se distanciam nas suas proposições, notadamente quanto as dimensões do simbólico e do imaginário para melhor entendimento da proposição de ambos, principalmente na observância do processo biologicamente determinado a partir do desprazer ligado à pulsão sexual e o elemento orgânico, a temática de Édipo e a superação dos vestígios da infância, bem como do superego, considerando o casal parental do destino e a construção do superego da criança a partir do superego dos pais. A observância da questão do conflito entre o ego e a sexualidade, considerando o conflito psíquico, o processo educacional diferente e o cavalo de Schilda o qual, na expressão freudiana, foi conduzido pela comunidade a se acostumar da menor quantidade possível de comida, sendo que o animal assim procedeu, chegando a sobreviver com um grão de ração apenas e, quando se percebeu exitosa a empreitada da comunidade, no dia seguinte, o cavalo amanheceu morto. Observando-se a temática dos limites da educabilidade e a questão inexorável do mal-estar na civilização, considerando a idade de ouro possível e a ilusão sem consciência, as autoridades e a questão de superação das autoridades dos pais e o furor das proibições, a relação ao interdito do pensar e seus efeitos, considerando o segredo e o primeiro conflito psíquico, a proibição de pensar aplicada à mulher, o contágio do sagrado e uma visão de mundo com seu fechamento, os conselhos da psicanálise à educação, são no sentido de favorecer a sublimação em lugar da punição e da repressão, na transmissão do prazer-desejo de viver, no desenvolvimento de uma educação sexual e cívica e em deixar a casa paterna. Entende-se, com isso, a necessidade de uma prática educacional que não seja coercitiva, considerando a visualização necessária das características e participação da criança, prática essa que deve canalizar as pulsões para alternativas de outras atividades que redundará no mecanismo de sublimação com a produção de atividades artísticas ou extracurriculares que sejam capazes de promover o alcance do prazer, o bem estar e a qualidade de vida. Por isso, não se deve entoar severidade que pode evidenciar a contribuição e o desencadeamento de neuroses ou doenças nervosas, tendo em vista que a criança não se desenvolvendo de forma satisfatória, tendo reprimida a pulsão sexual, dará exatamente origem a neuroses ou doenças nervosas. Em vista disso, há necessidade de pais compreensivos que possam apoiar e compreender a expressão da angústia da criança para que ela possa desenvolver-se adequada e satisfatoriamente. No caso da transferência com relação ao líder, os grupos de líderes, o quarto das crianças a sala aula e as fãs, encontrou-se que o professor não compreende os alunos, tendo em vista que quando as crianças procuram chamar a atenção de seus educadores para situações que se revelam desagradáveis, traz a necessidade de compreensão de que assim o fazem pela prisão do gozo impedido de liberação, revivendo no seu interior e da forma que a sua compreensão permite das experiências edípicas e narcísicas. Dessa forma é preciso entender que a criança que tenha dessas experiências, valorizado a si e formado disso imagens estáveis que garantirão a identidade de sua vida psíquica. Do contrário, as crianças que não conseguirem resolver de forma satisfatória essas insatisfações, tem-se a possibilidade de desenvolver neuroses ou doenças nervosas, sob o entendimento psicanalítico. A transferência e o caso de amor ao chefe sob o poder de fascínio exercido por superiores, são questões que lavem ao entendimento de que o processo de comunicação existente na relação entre o professor e seus alunos, envolve a prática de aprender e ensinar por meio da transferência. Haverá a escuta por parte do aluno que apreenderá o conteúdo ministrado, dependendo do lugar em que este professor foi inserido na apreensão e simpatia do aluno. A esse respeito, é de fundamental importância que o professor e o educador tenham a atenção redobrada e estejam sempre atentos para que imponham seus desejos à criança, não criando expectativas nem conduzi-lo de forma a influenciar no seu pensar e desejar. Há que se entender que existe a transferência positiva, essa que deve preponderar na relação entre professores e alunos, que contribui facilitando o aprendizado para obtenção de desempenhos melhores. O fato de que a atividade educativa possui ligação direta com a cultura e a moralidade que impõem valores da sociedade, traz a necessidade de o professor e o educador precisam atuar de forma criativa e inovadora, no sentido de não trazer a valorização de atitudes primitivas que perpetuem a defesa e o segredo da sexualidade. Faz-se com isso necessário que essa prática educativa possua a base da análise pessoal formada a partir do conhecimento teórico e da experiência psicanalítica, compreendendo as dificuldades que permeiam a relação escolar para que se possa promover na formação de crianças emocionalmente saudáveis. Essa prática educativa não deve ser confundida com intervenção psicanalítica, porém deve ser desenvolvida a partir do entendimento adequado por parte do professor e do educador das fases psicossexuais de desenvolvimento da criança, contribuindo para realização de adequadas e eficazes atividades pedagógicas, uma vez que o conhecimento psicanalítico ajudará na compreensão de determinadas dificuldades que se apresentam no comportamento da criança, possibilitando um maior conhecimento acerca do processo de desenvolvimento de sua personalidade. Verificou-se, portanto, que a formação de neuroses ou de doenças nervosas possui ligação imediata com a forma como os pais e os professores vão lidar com os comportamentos que resultem das pulsões sexuais dos seus alunos. Em vista disso, tanto os pais como os professores não devem fazer utilização de severidade ou repressão castrando bruscamente as manifestações sexuais das crianças. Como a sociedade reproduzida pelos pais e professores promove o interdito, a educação funciona como instrumento para essa interdição castrando a iniciativa sexual das crianças por meio das atitudes e comportamentos repressores. Nesse sentido, a psicanálise contribui para orientar os pais e professores a entender da melhor maneira o prazer da criança na manipulação sexual da criança, permitindo que substitua essa manipulação por outro objeto, demonstrando a existência do prazer na utilização de outras alternativas. O aborrecimento ou repressão dos pais ou dos professores evidencia a geração de desequilíbrio que pode acarretar neuroses ou doenças nervosas, quando, ao invés disso, deveria agira com atitude de sublimação, substituindo o objeto de prazer localizado para outra alternativa de alcance prazeroso. Fica evidenciado que punições severas ou repressões drásticas levam ao nascimento de traumas e sentimentos de culpas que originam neuroses ou doenças nervosas, devendo-se evitar tais condutas por outras de natureza afetiva que apoiem e ajudem ao equilíbrio emocional e mental da criança. Visualizou-se com a leitura da obra que o papel do professor e do educador no contexto da perspectiva psicanalista é o de compreender e ter a aceitação adequada para demonstração de outros saberes e aprendizagens além do universo já dominado pelo entendimento da criança, possibilitando as inúmeras alternativas que se pode explorar da realidade, sem que seja preciso usar de imposições ou verdades absolutas.
CONCLUSÃO - Observou-se com a realização do presente trabalho que a atuação dos pais, do professor e do educador na fase infantil possui uma responsabilidade enorme sob a ótica psicanalítica. A obra estudada que traz uma conexão entre a educação e a psicanálise, esclarecem de forma objetiva as contribuições do pensamento psicanalítico, recorrendo às reflexões freudianas e dos condutores dessas ideias, evidenciando uma educação profilática com base na orientação psicanalítica. Teve-se, portanto, a constatação de que civilização se fundamenta nos valores morais e culturais de renuncia pulsional, caracterizando a responsabilidade de avaliação dos efeitos destrutivos dessa renuncia, cabendo à educação preparar o ser humano para sua utilidade social e aptidão cultural, sem que sacrifícios incorram repressivamente. Os apontamentos encontrados na obra dão conta de que a coerção e repressão promovida pela cultura e pelos valores morais da civilização incidem diretamente na educação, tornando-a incapaz de abrandar a infelicidade e insatisfação concernentes a sexualidade humana. As perspectivas apresentadas pela obra dão conta de outros argumentos em torno da interdição e da insatisfação sexual, castrando o individuo para a culpa e o arrependimento num cenário de ilusões que são forjadas para poupar os sentimentos de desprazer. Diante disso, a educação, sob o ponto de psicanalítico, possui um papel fundamental na condução das energias perversas socialmente úteis, identificando-se o problema de transferência e de ideal de ego, favorecendo a sujeição de todos os alunos ao professor na expressão do desejo narcisista de que todos correspondam às suas expectativas. Esse processo de subjugação imposto pela relação com autoridade converte-se com a prática do professor num interdito do pensar, refletidas desde as ocultações e segredos promovidos pelos pais para encobrir a questão sexual e assim reprimi-las e coibi-las, resultado da consciência maléfica de todos, seja pais, família ou sociedade. Essas ocultações e segredos passam então a intimidar e ofender as investigações pulsionais da criança que, por consequência, passam a desconfiar do mundo adulto. Nesse processo as religiões assumem representação significação na elaboração de infantilismo e dependência, observando-se o conflito entre as teorias sexuais infantis e os propósitos religiosos. Da mesma forma, os discursos políticos voltados para a revolução comunista atuam da mesma forma que os propósitos religiosos, ao mesmo tempo em que negam as dificuldades culturais, atuando também coercitiva e repressivamente sobre o desenvolvimento da criança. Essas repressões e coerções levam ao interdito do pensar. Sob a ótica psicanalítica a educação precisa equilibrar a permissão e a privação, tendo-se previamente a atenção na advertência que a psicanálise não defende a profilaxia das neuroses pelo processo da educação, recorrendo-se ao corpo teórico da análise para corrigir a tarefa educacional. As contribuições da psicanálise para o cumprimento da função educacional estão na demonstração da especificidade da realidade infantil, requerendo aprofundada pesquisa para desenvolvimento de suas atribuições. É nesse período que a criança está sujeita à submissão dos valores da cultura e da moralidade que contribuem para causa de neuroses ou doenças nervosas, tendo em vista o comportamento conservador repressivo e coercitivo exercido tanto pelos pais como pelos profissionais da educação. Para que a educação possa contribuir para o desenvolvimento saudável e qualidade de vida criança, faz-se necessário aos profissionais dessa área a responsabilidade de atuar com a compreensão de que a cultura e os valores morais da sociedade podem coibir o adequado desenvolvimento da criança, exigindo-se uma capacidade que envolva a intervenção pedagógica pautada no apoio aos anseios e desejos para a formação das crianças. Essa intervenção traz a implicação de um processo de formação teórico articulado com a experiência individual no sentido de articular os conteúdos e saberes em conformidade com as situações de aprendizagem que respeitem as dimensões socioafetiva, cognitiva e física dos alunos em fase de desenvolvimento. É preciso que os profissionais da educação respeitem as fases de desenvolvimento da criança e, tendo conhecimento psicanalítico, possa assim desenvolver uma atividade eficiente e eficaz que contribua para formação individual. Por conclusão, é indubitável a contribuição do presente estudo tendo em vista o caráter inovador da obra freudiana no desenvolvimento da psicanálise e do entendimento fora do campo da moral da sexualidade. Trata-se de um marco teórico que necessita de leituras, releituras e aprofundamentos para melhor entendimento da perspectiva psicanalítica, por possibilita a abertura de novas perspectivas para compreensão do ser humano. O entendimento psicanalítico de que a civilização está expressada na cultura e nos valores morais conservadores, dando lugar ao interdito, a repressão e a coerção à sexualidade, torna-se indispensável melhor apreciar a obra freudiana acerca da pulsão sexual para que haja uma melhor compreensão acerca da natureza humana e de seus complexos. Observou-se que a psicanálise pode contribuir para a formação de uma educação emancipatória e progressista no sentido de melhor entender a natureza humana a partir de uma melhor compreensão da sua sexualidade. Esse foi o propósito freudiano ao longo de sua obra sem, no entanto, se deter especificação numa educação psicanalítica que seria professada por seus seguidores, embora não havendo consenso entre eles, mas como resultado geral identificando contribuições específicas para tal. A exclusão da sexualidade no campo educacional é, sem sombra de dúvida, um dos problemas que levam a uma série de outros problemas como o interdito do saber, o interdito do prazer e a insatisfação da pulsão sexual, responsáveis esses pela criação de neuroses e doenças nervosas. Outros aspectos ligados à educação chamaram atenção dos autores da obra estudada, como o papel desempenhado pelos professores na reprodução da moralidade e da cultura civilizada baseada no conservadorismo e na exclusão da sexualidade humana procurando segredar ou ocultar tão evidência para o melhor convívio social. Na verdade não se pode ter um bom convívio social ou qualidade de vida com a ocultação ou exclusão da sexualidade na relação humana, tendo em vista esta estar presente no desenvolvimento do ser humano desde a infância e por todas as fases da vida humana. É dessa forma que o pensamento freudiano destaca o papel da educação, notadamente quando o processo educativo está permeado de repressão coibindo a pulsão sexual, tornando-se uma prática inválida capaz de acarretar danos à saúde mental do individuo. Esse modelo de educação freia o desenvolvimento de crianças, inibe o pensamento, reprime a mulher, causa danos ao adulto e traz por consequência problemas que podem levar a neuroses e doenças nervosas. Tem-se, por fim, que a leitura da obra em questão é sumamente relevante para um maior conhecimento acerca da psicanálise e do seu papel inestimável para a educação.

REFERÊNCIA
CIFALI, Mireille e IMBERT, Francis. Freud e a Pedagogia.São Paulo: Loyola, 1999. Veja mais aqui.


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sexta-feira, agosto 21, 2009

IDEALISMO E EDUCAÇÃO




O IDEALISMO - O Idealismo se constitui como uma corrente filosófica que teve sua origem no pensamento platônico, faz parte da revolução filosófica de Descartes e incluído no Idealismo alemão de Kant e Hegel. Esta doutrina traz por postulado básico o entendimento de que o eu é objeto para o próprio sujeito, fundando-se na racionalidade e considerando que o real são idéias ou representações e que o conhecimento da realidade se reduz ao exame dos dados e das operações de nossa consciência ou do intelecto como atividade produtora de idéias que dão sentido ao real e o fazem existir para nós. Desta forma, pretende o presente estudo abordar as questões atinentes aos conceitos e definições do Idealismo, localizando em sua especificidade, a questão da educação, pormenorizando os pensamentos e idéias expressas por seus cultores. O Idealismo é uma doutrina que, conforme Russel (2005), é defendida com base em vários fundamentos distintos. A doutrina é tão amplamente sustentada, e tão interessante em si mesma, que mesmo a mais breve exposição filosófica deve oferecer uma idéia a seu respeito. Entende, pois, o autor mencionado, que as bases sobre as quais o idealismo é defendido são geralmente bases derivadas da teoria do conhecimento, ou seja, de uma discussão das condições que as coisas devem satisfazer a fim de que possamos ser capazes de conhecê-las. O idealismo estabelece a separação entre o sujeito e o objeto considerando o psíquico como sendo a manifestação da esfera interior do homem. Em Platão, sob a ótica ontológica, a realidade verdadeira está no mundo das formas inteligíveis, nas idéias que são acessíveis à razão, reduzindo o real ao ideal e submetendo o ser em idéia. Em Descartes, o idealismo metódico fica evidenciado pela racionalização que coloca a dúvida em primeiro plano e antes de tudo, sobre o conhecimento estabelecido, partindo da dedução do pensar. O idealismo dogmático e imaterialista de Berkeley, defende que os sentidos estão inerentes ao ser humano e que diante dos argumentos o sujeito ouve, sente e experimenta, tomando conhecimento da realidade, formando-se a idéia. Para ele tudo que se conhece é idéia. Em Kant, sob a ótica gnosiológica e transcendental, tratado como fenomênico, no qual o objeto é algo que só existe em uma relação de conhecimento, fazendo distinção do conhecimento e do objetivo, submetendo-os a modos específicos e humanos de conhecer. A primeira tentativa de Kant, Hobbes e Descartes, é a recuperação da razão universal, originária do próprio sujeito através do pensamento na ação humana constituir assim uma Ética Universal. Através de uma nova civilização a Ética filosófica aceita por Kant e por Hegel, foi naturalmente submetida a um processo de fragmentação, pelas formas de racionalidade da ética atual, havendo assim a necessidade de uma Ética Universal ou de novos princípios Éticos. O idealismo absoluto de Hegel é fiel ao historicismo romântico, considerando o vir-a-ser dialético, o desenvolvimento, como realidade num processo emanentista, quer dizer, circular. O idealismo hegeliano defendia que não é o sujeito que gira em torno do objeto, mas, ao contrário, o objeto que gira em torno do sujeito, pois, conhecer para ele, não é refletir, ou reproduzir, pelo pensamento, uma realidade exterior, independente do sujeito. Com Hegel chega o fim das grandes concepções éticas, que se iniciara com Platão. O mister filosófico é de que o agir humano, só é racional e livre dentro de um pensamento da realidade, que permita o sujeito da ação, transcender as normas e nelas descobrir seus fins. Para Hegel, toda educação deve ser dirigida para o individuo fazendo-se objetivamente no Estado. Avaliando todo exposto, com base em Russel (2008), Reale (2002) e Lima (2009), entende-se que o idealismo professa a idéia que o pensamento se sobrepõe sobre as coisas. Isto quer dizer que o pensamento de um sujeito se realiza quando este pensa, sendo, pois, essencialmente, a correlação entre o objeto pensado e o sujeito pensante. Por isso, o pensamento é a relação entre o objeto pensado e o sujeito pensante. Esta exposição filosófica se dá com o surgimento do pensamento cartesiano, seguindo-se aos ensinamentos de Kant que trouxe a primazia da moral, Ficjte que parte do absoluto realizando a intuição do absoluto sob a espécie do eu, em Schelling que traz a identidade absoluta tratando de uma personalidade intelectual diferente, ou seja, de um esteta, até chegar na razão absoluta hegeliana. A esta altura entende-se que os idealistas reuniram de forma distinta todo arcabouço intelectual do idealismo, partindo do absoluto e formatando a idéia do conhecimento por meio das idéias. Tal fato vai originar a verdadeira percepção educacional da aprendizagem, onde cada um ao perceber a existência das coisas, terá, anteriormente, a idéia dessa concepção. O idealismo, portanto, apresenta um ponto de vista de caráter voluntário no contexto cartesiano, ao estabelecer que o juízo não é simplesmente uma operação intelectual exclusivamente, mas a vontade que nega ou afirma, simbolizando uma fundamental característica do Idealismo. Dá-se, daí, que o idealismo se comporta dentro de uma atitude introvertida consistindo no posicionamento do olhar e da atenção a um determinado local ou lugar, recaindo no próprio eu, isto com um esforço voluntário, em atitude reflexiva girando em si mesmo, artificial de se dirigir a atenção para todo o foco de onde a atenção parte. Desta forma, o conhecimento para o Idealismo, é uma atividade que sai do sujeito para alcançar as coisas, elaborada conceitualmente e finalmente constata a realidade da coisa descoberta, sendo, portanto, o final a realidade da coisa e última atividade no degrau do conhecimento para aquisição da consciência da coisa real. Compreende-se, portanto, que a atitude voluntária, introvertida e voluntária do idealista, traz a consideração de que a realidade não é algo dado, mas como aquilo que se vai conquista pela força do pensamento. Desse modo, a consciência para o idealista é o eu mesmo pensando, tomando conhecimento das coisas e do mundo. Daí entender-se porque o |Idealismo também é chamado de Racionalismo, porque desfez a unicidade do ser humano aristotélico, quando o corpo é tratado como uma máquina que possui uma alma que o dirige, o homem sai da medida de todas as coisas para o cogito cartesiano, passando a ser, assim, a medida de tudo pelo pensamento que possui a potencia de criar a realidade. Daí vem a idéia cartesiana de que o homem nasce das idéias inatas. A partir disso a filosofia kanteana conciliando a filosofia e a ciência, tratando que o homem não conhecerá jamais a realidade em si, apenas os fenômenos, propondo sua gnosiologia e influenciando a educação, onde expressa a razão com suas categorias do entendimento, quando o conhecimento passa a se exprimir de dentro para fora, cumprindo o dever pelo dever, provocando o voluntarismo e o otimismo educacional, uma vez que para Kant a educação pode tudo. Ocorre, então, o Idealismo hegeliano com a sua filosofia dialética que é a visão substancial do movimento da realidade porque tudo está sendo, é o devir. Com isso a razão ou idéia passa a ser a tese de onde tudo provém da dialética e todas as coisas vehetais, humanas, minerais, animais e do Estado. Por isso, na educação o Idealismo se projeta mais espiritualmente que para o ser humano, manifestando o impulso para dentro do interior humano, que é considerada a sede do espírito, ou seguindo para o além onde se encontra o verdadeiro mundo. Desta forma, o pensamento hegeliano entende que o homem prescinde de espaço e tempo, porque se manifesta o mesmo em toda e qualquer parte, razão pela qual, deve ser recepcionado por uma educação igualitária. Sendo então o homem um ser contemplativo, ele nasce para conhecer, este sendo a verdadeira felicidade: o conhecimento das idéias.  Vê-se, portanto, que a educação Idealista se caracteriza pela tutela estatal de caráter cívico. A pedagogia do idealismo, conforme Lima (2009), defende que a educação deve desenvolver a faculdade da razão, levando à formação do caráter moral. Esta pedagogia, no entendimento de Saviani (2007), ocupa o espaço da educação, entendida como a arte de ensinar tudo a todos, observando os fins da educação a partir da ética e os meios baseados na psicologia. Mediante esta exposição, passa-se às considerações finais.
CONCLUSÃO - O idealismo, conforme visto no presente estudo, está contido no principio da imanência, considerando que o homem só conhece suas idéias ou pensamento para conhecer diretamente algo. A partir disso, encontrou-se o idealismo como agrupamento de doutrinas que compreendem tudo e todas as coisas como idéias, explicitados pelos pensadores Kant, Berkeley, Fichte, Schelling e Hegel. Por meio deles deu-se de conhecer o idealismo na imanência do conhecimento, o que corroborou a pedagogia idealista sendo processada a partir do idealismo platônico que se condensa com as demais correntes do idealismo, como o cartesiano, o kantiano, o hegeliano e as nomenclaturas idealistas adotadas na contemporaneidade. Verificou-se que a educação idealista está baseada na ética, na filosofia e na psicologia, o que resulta numa importante teoria educacional que compreende a racionalização, a metodologia e o formato de um procedimento cientificamente aceitável. Percebe-se, contudo, que o Idealismo se expressa como uma doutrina coerente e ontológica, ensinando que a realidade verdadeira não está, senão, dentro do próprio homem. O conhecimento não é desprezado pelo idealista, uma vez que este conhecimento possui um substrato espiritual despertando a racionalidade. A critica aponta vantagens no pensamento idealista que superaram os empiristas, os materialistas, os pragmatistas, os positivistas, entre outros. No entanto, como conseqüência do pensamento baseado no principio da imanência da realidade do espírito, entende-se ter, assim, uma concepção que se mostra unilateral quanto a compreensão do mundo. Além do mais, o pensamento idealista é visto, no domínio da educação, como de suma importância pela adoção da idéia de transformar o homem e o mundo. Embora sejam encontradas críticas severas contra o idealismo e, por conseqüência, a pedagogia idealista, observa-se, no entanto, se destina a uma contribuição na busca da pedagogia dos anseios e desejos de todos, formando, assim, a base para a consolidação da educação como eficiente e eficaz ferramenta que seja capaz de contemplar a todos que necessitam. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
Lima, P. G. (2009). A pedagogia do idealismo alemão. Dourados: UFGD.
Reale,M. (2002). Introdução à filosofia. São Paulo: Saraiva.
Russel, B. (2008) Os problemas da filosofia. Lisboa: 70.
Saviani, D. (2007). Pedagogia: o espaço da educação na universidade. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 130, jan./abr.


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