terça-feira, abril 14, 2009

A POESIA DE RAYMUNDO ALVES DE SOUZA



A POESIA VIVA DE RAYMUNDO ALVES DE SOUZA

AMEI COM TANTA DOÇURA
QUE QUASE VIRO GARAPA

Eu gosto da formosura,
Mas sou muito precavido,
Para ser correspondido
Amei com tanta doçura;
Num perco a compostura
Mas de mim ninguém escapa,
Aproveito a minha etapa,
Acreditem se quiser,
Ontem comi tanto mel
Que quase viro garapa.

CANTIGA POPULAR

A benção, mamãe de Loanda.
- Deus abençoe, meu filho Nogueira.
Meu filho vá me dizendo,
O que foi que viu lá na feira.

- Eu vi foi Cirino doido,
Metido de cartucheira,
Com 400 caifás.
Cem adiante, cem atrás,
Cem dum lado,
Cem do outro,
Tapa num, bufete noutro,
É assim que um homem faz.

NAS FORNALHAS DO INFERNO
EU VI O DIABO DANÇANDO

Num dia triste de inverno
Bem pra lá do Rancho Fundo,
Juntinho do fim do mundo,
Nas fornalhas do inferno,
Eu vi no barco do averno
Virgilio e Dante falando,
Dum lado a morte pescando
Com jereré de brocados
Na dança dos renegados
Eu vi o diabo dançando.

QUANDO CHEGUEI NA ESTAÇÃO
O TREM JÁ TINHA PARTIDO

Pus o embrulho no chão,
Corri pra bilheteria,
O bilheteiro já saia,
Quando cheguei na estação:
Aumentou a minha aflição,
Agucei os meus sentidos,
Senti um grande ruído,
E vi a fumaça no ar,
Ouvi a máquina apitar
O trem já tinha partido.

QUANDO O SOL VEM NASCENDO
A LUA ESTÁ DESCANSANDO

Toda lavoura crescendo,
Ribeiros correndo pro mar,
Passarinhos a gorjear,
Quando o sol vem nascendo.
Alegria, no campo vivendo,
Os idealistas sonhando,
O universo se agitando,
Lutando pelo futuro
O mundo sai do escuro
A lua está descansando.

VI UM POETA DORMINDO
NO COLO DA POESIA

Na mente a musa sentida,
Achei a rima suprema,
Repousando num poema,
Vi um poeta dormindo.
Dum lado, a gloria sorrindo,
Na loucura da alegria
Sem saber o que fazia
Levou o vate de braço
E sacudiu no regaço
No colo da poesia.

RAYMUNDO ALVES DE SOUZA – Nascido em Panelas, em 1884, Raymundo Alves de Souza viveu em Palmares onde morava sua avó e onde se formou artisticamente, destacando-se entre os poetas, escritores e artistas locais do passado. Foi aluno da mãe do poeta Ascenso Ferreira, foi pro seminário desistindo depois da ordenação, passando a trabalhar no barracão do Engenho Japaranduba, quando se torna mestre alfaite. Daí, colaborou com jornais e revistas pernambucanos e de outros estados. Tornou-se ator, casou-se, estreitou amizade com Ascenso Ferreira, casa-se de novo quando vai pro Recife, re-casou-se e vai se casando infinitamente, tornou-se vereador palmarense pelo PSD, fundando a Academia Palmarense de Letras. Em 1979, foi publicado o primeiro e único número do caderno cultural Nova Caiana, em Palmares, “Vida & Poesia de Raimundo Alves de Souza”, sob a coordenação editorial de Juhareiz Correya. Posteriormente seus poemas foram incluídos na antologia “Poetas dos Palmares”, edição de 1987. Em 1988 foi publicado pelas Edições Bagaço o livro “Celeiros d´alma – antologia poética”.

FONTES:
CORREYA, Juhareiz (Coord). Poetas dos Palmares. Recife/Palmares: FUNDARPE/Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, 1987.
SOUZA, Raymundo Alves. Celeiros d´alma – antologia poética. Palmares: Bagaço, 1988.



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