sexta-feira, fevereiro 01, 2008

HISTÓRIA DO CINEMA




HISTÓRIA DO CINEMAO desejo de reproduzir o movimento esteve sempre ligado ao homem e, não há como estabelecer um marco no campo das artes, já que inúmeros fatores concorrem para o estabelecimento de determinada técnica, seu emprego, suas práticas associadas e seu impacto numa ordem cultural. A prova disso são os desenhos encontrados nas cavernas de Altamira na Espanha onde um bisão desenhado há 12 mil anos apresenta oito patas como se o autor tentasse decompor o movimento. O que se tem de certo do surgimento do cinema é a interação que há em projeções públicas de imagens animadas, que nascem de várias inovações que vão desde o domínio fotográfico até a síntese do movimento utilizando a persistência da visão com a invenção de jogos ópticos. A invenção da fotografia e, sobretudo a da fotografia animada, foram momentos cruciais para o desenvolvimento não só das artes como da ciência, em particular no campo da antropologia visual. O conceito de cinema, abreviação de cinematógrafo, é a técnica de projetar fotogramas (quadros) de forma rápida e sucessiva para criar a impressão de movimento, bem como a arte de se produzir obras estéticas, narrativas ou não, com esta técnica. Ele é simultaneamente arte, técnica, indústria e mito. O cinema é, também, conhecido como “a sétima arte”. Esta expressão foi criada pelo crítico e estudioso de cinema Ricciotto Canudo, italiano radicado na França, e fundador do “Clube dos Amigos da Sétima Arte”, e popularizada, no início da segunda década do século XX, época dos “filmes de arte” franceses, colocando o cinema no mesmo patamar de status do teatro, da música, da literatura, do balé, da pintura e da escultura. Segundo Louis Delluc, “o cinema é, talvez, a única arte realmente moderna, porque é ao mesmo tempo filha da máquina e do ideal humano”. A princípio, o cinema foi apenas uma maravilhosa invenção mecânica. Depois, sua linguagem evoluiu, a técnica e seus efeitos se sofisticaram, até chegar à fase atual, caracterizada por uma evolução dos temas, do conceito de personagem e do conceito de estrutura narrativa. De fato, a data de 28 de Dezembro de 1895, é especial no que refere ao cinema, e sua história. Neste dia, no Salão Grand Café, em Paris, os irmãos Lumière  fizeram uma apresentação pública dos produtos de seu invento ao qual chamaram Cinematógrafo. O evento emocionou os poucos presentes, a notícia se alastrou e, em pouco tempo, este feito artístico conquistaria o mundo e faria nascer uma indústria multibilionária. A primeira exibição pública das produções dos irmãos Lumière foi o filme L'Arrivée d'un Train à La Ciotat. Que se sucedeu em uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada, já que os rolos de película tinham quinze metros de comprimento. Os filmes até hoje mais conhecidos desta primeira sessão chamavam-se "A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat", cujos títulos exprimem bem o conteúdo. Apesar de também existirem registros de projeções um pouco anteriores a outros inventores (como os irmãos Skladanowski na Alemanha), o cinema expandiu-se, a partir de então, por toda a França, Europa e Estados Unidos, através de cinegrafistas enviados pelos irmãos Lumière para captar imagens de vários países, que acreditavam que o cinematógrafo era apenas "uma invenção sem futuro". Embora seja a França, o país que reivindica para si a descoberta do cinema, com a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Luis e Augusto Lumière, não se pode dizer que esta invenção aconteceu isoladamente, em outros países, várias experiências também estavam sendo realizadas, mas a sessão pública dos Lumière é aceita pela maciça maioria como o marco inicial da nova arte. Nesta mesma época, um mágico ilusionista chamado Georges Méliès, que comandava um teatro nas vizinhanças do local da primeira exibição mencionada, quis comprar um cinematógrafo, para utilizá-lo em seus números de mágica. No entanto, os Lumière não quiseram vender-lhe, e o pai dos irmãos inventores chegou a dizer a Meliès que o aparelho tinha finalidade científica e que o mágico teria prejuízo, se gastasse dinheiro com a máquina, para fazer entretenimento. Meliès conseguiu um aparelho semelhante na Inglaterra, e foi o primeiro grande produtor de filmes de ficção, com narrativas, voltados para o entretenimento. Em suas experimentações, o mágico descobriu vários truques que resultaram nos primeiros efeitos especiais da história do cinema. Foi o responsável, portanto, pela inserção da fantasia na realização de filmes. Desde o início, inventores e produtores tentaram casar a imagem com um som sincronizado. Mas nenhuma técnica deu certo até a década de 20. Assim sendo, durante 30 anos os filmes eram praticamente silenciosos sendo acompanhados muitas vezes de música ao vivo, outras vezes de efeitos especiais e narração e diálogos escritos presentes entre cenas. Infelizmente, cerca de 90% dos filmes mudos se perderam, e essa perda atormenta tanto quanto a busca do Santo Graal, Elvis Presley e o monstro do Lago Ness, volta e meia são vistos, mas nunca encontrados. De fato, a maioria dos filmes mudos foi derretida a fim de recuperarem o nitrato de prata, um componente caro. O desenvolvimento de filmes fez crescerem os nickelodeons, pequenos lugares de exibição de filmes onde se pagava o ingresso de 1 níquel. Os filmes também começaram a aumentar a sua duração. Antes um filme durava de 10 a 15 minutos. Os vários passos em busca da melhor forma para contar uma história com imagens contribuíram para a linguagem cinematográfica que temos hoje. Esta caminhada foi gradativa. Cada passo seguinte dependeu do que fora feito anteriormente. A tela do cinema é bidimensional. Mas a realidade é tridimensional, os objetos, pessoas e animais têm volume, assim o difícil era como projetar filmes em salas. As primeiras câmeras eram pesadas. Com o tempo, conseguiram fabricar câmeras mais leves e isso facilitou o registro de pessoas, transportes, animais em movimento. Como registro de imagens e som em comunicação, o Cinema também é uma mídia. A indústria cinematográfica se transformou em um negócio importante em países como a Índia e os Estados Unidos, respectivamente o maior produtor em número de filmes por ano e o que possui a maior economia cinematográfica, tanto em seu mercado interno quanto no volume de exportações. Até esta época, Itália e França tinham o cinema mais popular e poderoso do mundo, mas com a I Guerra Mundual , a indústria européia de cinema foi arrasada. Hollywwod começou a se destacar no mundo do cinema fazendo e importando diversos filmes. Thomas Edison tentou tomar o controle dos direitos sobre a exploração do cinematógrafo. Alguns produtores independentes emigraram de Nova York à costa oeste para um pequeno povoado chamado Hollywood, e lá, encontraram condições ideais para produzir. Dias ensolarados quase todo ano, diferentes paisagens que puderam servir como locações. Assim nasceu a chamada "Meca do Cinema", e Hollywood se transformou no mais importante centro cinematográfico do planeta. Como alternativa de Hollywood existiam vários outros lugares que investiam no cinema e contribuíam para seu desenvolvimento. Nesta época foram fundados os mais importantes estúdios de cinema (Fox, Universal, Paramount) controlados por judeus (Daryl Zanuck, Samuel Bronston, Samuel Goldwyn, etc.) que viam o cinema como um negócio. Lutaram entre si e às vezes para competir melhor, juntaram empresas assim nasceu a 20th Century Fox (da antiga Fox) e Metro Goldwyn Meyer (união dos estúdios de Samuel Goldwyn com Louis Meyer). Os estúdios encontraram diretores e atores e com isso nasceu o sistema de promoção de estrelas de Hollywood. Até então já haviam sido feitos filmes com som, mas com problemas de sincronização e amplificação. O uso do som fez com que o cinema se diversificasse mais em termos de gêneros nasciam entre eles o musical algumas comédias. E com a junção dos dois surgia a comédia musical. Nos anos 50, o cinema passou a enfrentar a concorrência da televisão. O aumento da popularidade da TV fez com que várias casas de cinema fechassem as suas portas. Para atrair mais telespectadores a indústria cinematográfica começou a investir em novos formatos, na verdade os grandes formatos. Em 1952 surgiu o Cinerama, em 1953 o Cinemascope da 20th Century Fox, em 1954 a VistaVision da Paramount todos com a idéia de quanto maior melhor. A multiplicidade de estilos e influências marca as produções cinematográficas contemporâneas. A Itália inicia a década de 60 com um cinema mais intimista. A França vive a “nouvelle vague” ou onda nova. Nos EUA, destaca-se a Escola de Nova York e, no Reino Unido, o “free” cinema. A partir do neo-realismo italiano o cinema se renova em várias partes do mundo: Alemanha, Hungria, Iugoslávia, Polônia, Canadá e em países da Ásia e América Latina, como Brasil e Argentina. Além disso, começam a despontar as produções cinematográficas de países subdesenvolvidos, em processo de descolonização.

REFERÊNCIAS
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ARAUJO, Thaissa Helena de Barros. Estratégias de Promoção no lançamento de filmes norte-americanos no mercado brasileiro: um estudo de caso. Rio de Janeiro, 2003.
BARRETO, Soraya, ABC do Mídia: Descomplicando termos, critérios, conceitos e fórmulas utilizados em mídia. Recife: Bagaço, 2005.
FARIAS, Claudia, A História do Cinema I e II. NatalPress, 2008.
LEAL, Geraldo da Costa; LEAL FILHO, Luís. Um Cinema Chamado Saudade. Salvador: Santa Helena, 1997.
QUINTANA, Haenz Gutiérrez, O trailer no sistema de marketing de cinema. XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Belo Horizonte/MG, 02 a 06 de setembro de 2003.
SAAB, William George Lopes; RIBEIRO, Rodrigo Martins. Panorama Atual do Mercado de Salas de Exibição no Brasil. RJ> BNDES, 2000.
SADOUL, Georges. História do Cinema Mundial. Vol II, 1963.
VALENTIM, André. A internet não vai matar as salas de exibição.  Revista Época, nº 523 - de 24/05/2008. Veja mais aqui.



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