sexta-feira, setembro 28, 2007

KHAYYÃM, SAINT-MARTIN, MABEL COLLINS, BUDA, BLUMENTAL, INGRES, JOÃO CÂMARA, GAWLIK & FECAMEPA!



REMOENDO AS CATRACAS: QUANDO O BOCÓ DÁ NUM MATA-BURRO DA VIELA, VIRGE! A COISA TÁ FEIA MESMO PRONTA PRO FIM DO MUNDO! - Gentamiga do meu Brasil de Maria-vai-com-as-outras! Hoje eu trago uma indagação: Se um sujeito inventasse de começar lendo a “História da riqueza do homem”, de Leo Huberman e, numa tabacada só, emendasse com “O fim do mundo”, de Otto Friedrich, ao final da leitura ele teria esperança ainda no ser humano? Enquanto o Leo Huberman faz um levantamento da evolução das instituições políticas, dos sistemas econômicos e modelos sociais europeia, pautada no materialismo dialético, desde a idade média até o nascimento do nazifascismo, trazendo uma ideia inicial de como surgiram as primeiras teorias econômicas, relacionando o surgimento das teorias com a história, o Otto Friedrich traz o mito do apocalipse presente em todas as culturas, transmitido geração após geração pela tradição oral, analisando as catástrofes que se abateram sobre a humanidade, desde os tempos bíblicos ao medo do holocausto nuclear. Vamos aprumar a conversa aqui e aqui!


 Imagem: Bathing women, do pintor e desenhista Romantismo francês Dominique Ingres (1780-1867). Veja mais aqui.


Curtindo os álbuns da coleção de oito cds com a interpretação da pianista e compositora polonesa Felicja Blumental (1908 - 1991), iniciativa da filha dela Annette Celine e da Brana Records. Veja mais aqui.

EPÍGRAFESe um homem conquista em batalha mil vezes mil homens, e outro conquista a si mesmo, este é o maior dos conquistadores, trecho extraído do livro Dhammapada (Caminho do Dharma), com máximas em versos agrupados em quatrocentos e vinte e três estrofes, composto por Siddhartha Gautama, o Buda. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O FILÓSOFO DESCONHECIDO – Entre as obras lidas do Filósofo Desconhecido, atribuídas ao filósofo, advogado, pensador e místico francês Loius Claude de Saint-Martin (1743-1803), destaco um dos importantes trechos: Não, homem, objeto caro e sagrado do meu coração, não temerei o ter-te enganado ao te pintar em cores tão consoladoras as riquezas, os apoios e os testemunhos que se impõem ao teu redor, a fim de atestarem ao mesmo tempo o teu destino e os meios que te são oferecidos para cumpri-lo. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA HUMANA - Entre as várias obras lidas da escritora mística e teosofista britânica Mabel Collins (1851-1927), destaco os trechos: [...] Estuda os corações dos homens, de modo que possas saber como é o mundo em que vives e do qual serás uma parte. Olha a vida constantemente mudando e movendo-se ao teu redor, pois ela é formada pelos corações dos homens, e, à medida que tu aprenderes a compreender a natureza e o significado dos corações, serás capaz, gradualmente, de ler a palavra maior da vida. [...] Quando o discípulo está preparado para aprender, então é aceite e reconhecido. Assim deve ser, porque ele acendeu a sua lâmpada, e esta não pode estar oculta. [...] Cada homem é absolutamente para si mesmo o caminho, a verdade e a vida. [...] Cada homem é seu absoluto legislador, o dispensador de glória ou escuridão para si mesmo, o decretador de sua vida, recompensa e punição. [...]. Veja mais aqui.

RUBAIYAT – O livro Rubaiyat, do poeta, matemático e astrônomo persa dos séculos XI e XII, Omar Khayyãm (1048-1131), construído com poemas cujas estrofes de duas linhas com dois hemistíquos cada formando um quarteto, canta a existência humana, a brevidade da vida, o êxtase e o amor. Entre os poemas destaco os trechos: Além da Terra, pelo infinito, / procurei, em vão, o Céu e o Inferno, / depois uma vez me disse: Céu e Inferno estão em ti. [...] Silêncio, dor da minha alma, / deixa-me procurar um remédio. / É preciso viver; os mortos não se lembram / e eu quero rever a minha amada. / É grande a tua dor? Não lhe dês atenção. / Lembra-te dos outros que sofrem inutilmente. / Procura uma linda mulher; mas cuidado, evita amá-la, / e ela, que não te ame. / Rosas, taças, lábios vermelhos: / brinquedos que o Tempo estraga; / estudo, meditação, renúncia: / cinzas que o Tempo espalha. Veja mais aqui e aqui.

CAMINHOS DO FAZ-DE-CONTA - No livro Jogos teatrais (Perspectiva, 1984), da escritora, tradutora e professora universitária Ingrid Koudela, encontrei a parte Caminhos do faz-de-conta, da qual destaco o trecho: Vejo um caminho. Às vezes tortuoso, apontam curvas e trilhas sinuosas. De repente a estrada é larga para dar novamente em uma picada onde se torna necessário até abrir o caminho com a foice. [...] Algumas ideias-chave são essenciais para o entendimento do processo de Jogos Teatrais. A condição fundamental é a criação coletiva onde os jogadores fazem parte de um todo orgânico motivado pela ação lúdica. Aliada a essa condição está eliminação dos papéis tradicionais aluno/professor, dicotomia superada pelo principio de parceria a partir do qual é dissolvido o apelo da aprovação/desaprovação. Não existe certo errado, nem formas certas ou erradas para a cena. Cada cena é uma cena. O método das ações físicas propõe que o jogador saia de si mesmo e focalize o campo de jogo (espaço). [...] Veja mais aqui e aqui.

LE DIVORCE – A comédia romântica Le divorce (À francesa, 2003), dirigido por James Ivory e baseado no romance de Diane Johnson, conta a história de uma mulher que viaja dos Estados Unidos para a Europa, com a intenção de visitar sua irmã que está grávida e foi abandonada pelo seu marido. Ao chegar ao seu destino, ela acaba por se apaixonar por um diplomata francês que é igualmente casado. O destaque do filme é para o time de beldades, a primeira delas a atriz Naomi Watts que ganhou o Prêmio Wella de melhor atriz no Festival de Veneza, mais Kate Hudson, Glenn Close e Leslie Caron. Veja mais aqui.

VEJA MAIS:


Por um novo dia, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Sônia Goulart, Ruy Guerra, Sarah Bernhardt & Georges Henri Tribout, Victor de Aveyron aqui.


Psicologia & Literatura, Anton Walter Smetak, Costa-Gavras, Olga Benário, Kazimir Malevich, Pegada de Carbono, Irene Pappás & Camila Morgado aqui


O baquete do Beliato, Erich Fromm, James Joyce, Manoel de Barros, Jean Genet, Édith Piaf, Peter Greenaway, Suzana Jardim, Nathan Oliveira, Vivian Wu, Literatura & Ilustrações Eróticas aqui.

Imagem: a arte da pintora polonesa Ewa Kienko Gawlik. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Circa (1980), litografia do artista plástico João Câmara.
Veja aqui e aqui.
 


quinta-feira, setembro 27, 2007

FECAMEPA, SPENCER LEWIS, CASIMIRO, DONNA TARTT, GIL VICENTE, SAWAYA, CRIS DELANNO, COURBET & MUITO MAIS!!

FECAMEPA: QUANDO A COISA VIRA UM VERDADEIRO CERCA-LORENÇO, ESTÁ CHEGANDO A HORA DA GENTE AJEITAR TUDO NOS EIXOS!! Gentamiga do meu Brasil aloprado de ladeira abaixo! O negócio está desaprumado mesmo! A gente precisa colocar as coisas nos eixos. E pra começar: dou meus pitacos.Em primeiro lugar, não houve descobrimento nenhum! O que houve, na verdade, foi um achamento e invasão das terras de Pindorama - e isso é, inclusive, admitido pelos historiadores portugueses.Em segundo lugar: o étimo Brasil vem desde a antiguidade com a idéia de paraíso terrestre.  Até os antigos hebreus falavam que queriam alcançar o Brasil – o mesmo que Eldorado, Canaã, éden terrestre. Em terceiro lugar: mesmo Caminha dizendo que em se plantando aqui tudo dá – menos eu, obviamente! -, os perós queriam era riqueza e, por isso, tascaram fé na cana-de-açúcar iniciando a tragédia dos índios e africanos, iniciando a era escravocrata – uma tragédia, diga-se de passagem, mantida até hoje! A partir disso, não foram os índios caetés que paparam Sardinha: ele foi assassinado a mando do governador geral, Duarte da Costa, e de seu filho, Álvaro. Afinal, todos, inclusive o bispo, estavam enrolados em corrupção e tramóias de arrepiar. Agora, guerra entre caetés e lusos realmente existiu. E muitas, por sinal. Mas os antropófagos negociavam com franceses e holandeses tranquilamente.ando um pulo, a independência de verdade nunca existiu, mas um acordo feito entre meia dúzia de gatos pingados que mandavam ver na patriamada. A proclamação da República, na verdade, foi um golpe de estado. A República Velha era formada pela oligarquia do café paulista e do leite mineiro. O Estado Novo foi uma ditadura influenciada pela Carta Del Lavoro. Os quiprocós sempre existiram, inclusive, até 1964, quando os militares já tramavam desde 1950, com apoio norte-americano, um golpe para lá de conservador e ditatorial. O período de 1964 até 1985 foi, realmente, um dos mais negros e sombrios da história da patriamada, onde muita corrupção e porralouquice comeu no centro ver. A redemocratização veio na marra, mas o povo ficou sempre de fora porque as decisões e definições constitucionais foram todas resolvidas nos gabinetes e escritórios dos lobistas. O governo Collor foi um estelionato, mas muita gente ainda hoje endeusa o rapaz. O governo FHC foi um desastre: o cara prometia com pinta de estadista, mas não conseguiu se esquivar de escândalos os mais cabeludos. O governo Lula prometia a redenção, mas a gente descobriu que o PT não era tão honesto assim e até hoje o presidente ainda viaja na maionese, pensando que está abafando. Eita! E agora? Com tudo isso e muito mais, a coisa está mais pro Samba do Crioulo Doido do Fedeapá do que para uma coisa séria que se prepare para o amanhã. Na verdade, a gente vive, desde 1500, um verdadeiro festival de cagadas melando o país, o FECAMEPA, onde a impunidade, o compadrio, a espórtula, a corrupção e a safadeza grassam desde que os portugueses (e todos as outros assaltos europeus) acharam de vir dançar o arrebita por aqui. Patético e paradoxal. Por isso, ou a gente bota nos eixos ou vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!! Veja mais aqui




Imagem: Woman with a Parrot, do pintor do Realismo francês Gustave Courbet (1819-1877). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo o álbum Cris Delanno (DeckDisc, 2006), da cantora Cris Delanno. Veja mais aqui.

EPÍGRAFETenha em mente que em torno de você centenas, se não milhares, estão buscando o caminho que você encontrou. São pessoas que estão tentando resolver os mistérios da vida e pedindo por um sinal, uma única palavra, uma chave para a solução de seus problemas, frase do famoso Rosacruz, escritor, ocultista e místico Dr. Ph.D Harvey Spencer Lewis (1883-1939). Veja mais aqui e aqui.

DIMENSÃO ÉTICO-AFETIVA DO ADOECER DA CLASSE TRABALHADORA - No livro Novas veredas da psicologia social (Educ/Brasiliense, 1995), organizado pela psicóloga e professora Silvia Lane (1933-2006) e pela socióloga e psicóloga Bader Burihan Sawaya, destaco o trecho do estudo Dimensão ético-afetiva do adoecer da classe trabalhadora: [...] estudar as diferentes manifestações do sofrimento psicossocial, desvelando os vários níveis da opressão e exclusão aos quais o individuo está sujeito, e como ele aguenta submeter-se às condições humilhantes e resiste a cada miseriazinha. É preciso realizar pesquisas para conhecer a maneira como esse processo se objetiva no cotidiano e é vivido subjetivamente na forma de necessidade, motivação, emoção, pensamento, sonho, desejo, fantasia, representações, nos diferentes agentes sociais. Inclusive, este tipo de estudo é importante para desfazer o mito de que o pobre não tem sutilezas psicologias e age como um rebanho tangido por determinações sociais e pela fome, como se os segredos da subjetividade fossem próprios das pessoas mais abastadas e intelectualizadas. Todos somos personagens complexos no nosso desamparo. Veja mais aqui e aqui.

A HISTÓRIA SECRETA – O romance A História Secreta (The Secret History), da escritora, ensaísta e crítica estadunidense Donna Tartt, conta a história que ocorre numa universidade fictícia que se assemelha bastante ao ambiente onde a própria escritora estudou, com um enredo que inclui um grupo achegado de estudantes e o seu professor de Literatura Clássica, que tecem um plano secreto, destaco o trecho: Existe, fora da literatura, aquela coisa de “falha fatal”, a nítida fenda escura que se estende e racha a vida ao meio? Eu costumava achar que não. Agora acho que sim. E penso que a minha é assim: a ânsia mórbida pelo pitoresco, custe o que custar. A moi. L’histoire d’une de mês folies. [...]. Veja mais aqui.

CANTO DE AMOR - No livro As primaveras (Paula Brito, 1859), do poeta Casimiro de Abreu (1837-1860), destaco o poema Canto de amor: I - Eu vi-a e minha alma antes de vê-la / Sonhara-a linda como agora a vi; / Nos puros olhos e na face bela, / Dos meus sonhos a virgem conheci. / Era a mesma expressão, o mesmo rosto, / Os mesmos olhos só nadando em luz, / E uns doces longes, como dum desgosto. / Toldando a fronte que de amor seduz! / E seu talhe era o mesmo, esbelto, airoso / Como a palmeira que se ergue ao ar, / Como a tulipa ao pôr-do-sol saudoso, / Mole vergando à viração do mar. / Era a mesma visão que eu dantes via, / Quando a minha alma transbordava em fé; / E nesta eu creio como na outra eu cria, / Porque é a mesma visão, bem sei que é! / No silêncio da noite a virgem vinha / Soltas as tranças junto a mim dormir; / E era bela, meu Deus, assim sozinha / No seu sono d’infante inda a sorrir!... Veja mais aqui e aqui.

AUTO DE INÊS PEREIRA – Na peça teatral Auto de Inês Pereira (1523), do poeta e dramaturgo português Gil Vicente (1465-1537), destaco o trecho inicial: INÊS Renego deste lavrar / E do primeiro que o usou; / Ó diabo que o eu dou, / Que tão mau é d'aturar. / Oh Jesus! que enfadamento, / E que raiva, e que tormento, / Que cegueira, e que canseira! / Eu hei-de buscar maneira / D'algum outro aviamento. / Coitada, assi hei-de estar / Encerrada nesta casa / Como panela sem asa, / Que sempre está num lugar? / E assi hão-de ser logrados / Dous dias amargurados, / Que eu possa durar viva? / E assim hei-de estar cativa / Em poder de desfiados? / Antes o darei ao Diabo / Que lavrar mais nem pontada. / Já tenho a vida cansada / De fazer sempre dum cabo. / Todas folgam, e eu não, / Todas vêm e todas vão / Onde querem, senão eu. / Hui! e que pecado é o meu, / Ou que dor de coração? / Esta vida he mais que morta. / Sam eu coruja ou corujo, / Ou sam algum caramujo / Que não sai senão à porta? / E quando me dão algum dia / Licença, como a bugia, / Que possa estar à janela, / É já mais que a Madanela / Quando achou a aleluía. / [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

KEN PARK – O drama Ken Park (2002), dirigido por Larry Clark e Ed Lachman, com roteiro de Harmony Korine, baseado em histórias do próprio Larry Clark, gira em torno de um pequeno grupo de eskatistas, sendo que todos eles têm pais abusivos e vivem em constante abusos, começando pelo suicídio do protagonista e a vida de quatro amigos numa sociedade disfuncional em que esses quatro jovens vivem, e, acima de tudo, mostra a interação (ou a falta dela) desses quatro jovens com suas famílias, retratando sexualidade e experimentais sexuais, incestos, assassinatos, ménage à trois, alcoolismo, drogas e homossexualidade. O destaque do filme é para a atriz estadunidense Maeve Quinlan. Veja mais aqui.

VEJA MAIS:


Alienação social do trabalho, Lilith, Honoré de Balzac, Erasmo de Roterdã, François Truffaut, Anna Netrebko, Camila Diehel, Vladislav Nagornov, Fanny Ardant, Catarina Ribeiro, Otto Lingner & Sandra Lustosa aqui.


Os assassinos do Frevo, José Saramago, Hannah Arendt, Frederico Barbosa, Luis Buñuel, Catherine Deneuve & Sérgio Mendes aqui.



Previsões do Doro, Linguagem & discriminação, Mitavai e o monstro Macobeba, Silvio Romero, Teatro Medieval, Tanja Dückers, Zinaida Serebriakova, Bridgit Mendle, O mundo do cinema & Cidinha Madeiro aqui

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz estadunidense Maeve Quinlan.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude study of a female torso, de George Dawnay.
Veja aqui e aqui.
 
 

SKARMETA, MICHELET, ALDA LARA, IBERÊ CAMARGO & PANELAS

A PROFESSORA & A FESTA DO ESPALHAFATO - Acordei com uma surpresa: Carma estava ao meu lado, brincando com um Mané-Gostoso: - Cadê o me...